PRA TE LEMBRAR

DIA 23 DE JANEIRO DE 2010, MORRE LUIZ  TENÓRIO DE LIMA
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            Luiz Tenório de Lima, conhecido como Tenorinho,  nasceu na cidade de Palmares em Pernambuco, no dia  23 de junho de 1923. Era filho do comerciante do setor de cereais  Francisco Tenório de Lima.Na casa em que Tenorinho cresceu e passou a infância, sempre cabia mais um. Lá, moraram o pai, dono de um comércio de cereais, a mãe, ele e os dez irmãos, a avó materna, o tio, mais um irmão adotivo e, frequentemente, um ou outro convidado.
            Aos 16 anos de idade, Foi para São Paulo trabalhar numa destilaria do Vale do Jequitinhonha, destacando-se nas lutas dos trabalhadores das usinas de cana de açúcar nos anos 50. Trabalhou também em  várias indústrias da área de laticínios. Participou de greves e liderou sindicatos, tornando-se mais tarde, presidente do Sindicato de Laticínios de São Paulo, da Federação dos Trabalhadores na Indústria de Alimentação do Estado de São Paulo, diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI) e um dos fundadores da Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST).
       Em 1955, foi um dos fundadores do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). A admiração pelos comunistas cresceu ainda mais quando leu “O Cavaleiro da Esperança“, obra de Jorge Amado sobre Luiz Carlos Prestes.
            Foi eleito para o Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB) em 1962 e com o golpe de 1964 foi destituído de todos os seus cargos sindicais e teve cassados seus direitos políticos por dez anos. Após militar na clandestinidade, Tenorinho foi preso e condenado a 30 anos de cadeia por suas atividades, consideradas então subversivas. Conseguiu fugir e se exilar em Praga e em Moscou, na União Soviética, onde Passou a atuar na Federação Sindical Mundial (FSM) e também  conheceu sua esposa. Prestes foi seu padrinho de casamento.
            Com a Anistia, retornou ao Brasil em 1979.  Em 1984 foi eleito vereador em   São Paulo, tendo seu mandato ligado a sindicatos e movimentos sociais. Também foi deputado estadual, Apresentador do programa “Bom dia, companheiro“, na rádio Imprensa, e vice-presidente da Nova Central Sindical dos Trabalhadores. Continuou militando no PCB até sua morte.
            Luis Tenório morreu no dia 23 de janeiro de 2010, após uma cirurgia. Ele tinha problemas na próstata. Dos seus 87 anos de vida, mais de 60 foram dedicados ao sindicalismo. Deixou dois filhos.

DIA 22 DE JANEIRO DE 1922. NASCE LEONEL BRIZOLA
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Na noite de 15 de março de 1994, no Jornal Nacional, Cid Moreira com seu ar sério, lia em cadeia nacional o texto “Direito de Resposta”, concedido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) ao então governador do Estado do Rio de Janeiro, Leonel Brizola, contra a Rede Globo de Televisão: “Todos sabem que eu, Leonel Brizola, só posso ocupar espaço na Globo quando amparado pela Justiça. Aqui citam o meu nome para ser intrigado, desmerecido e achincalhado perante o povo brasileiro(…). Não reconheço à globo autoridade em matéria de liberdade de imprensa, e basta para isso olhar a sua longa e cordial convivência com os regimes autoritários e com a ditadura de 20 anos, que dominou o nosso país.
Todos sabem que critico há muito tempo a TV Globo, seu poder imperial e suas manipulações. Mas a ira da Globo, que se manifestou na quinta feira, não tem nenhuma relação com posições éticas ou de princípios. É apenas o temor de perder o negócio bilionário, que para ela representa a transmissão do carnaval. (…) E mais, reagi contra a Globo em defesa do Estado do Rio de Janeiro que por duas vezes, contra a vontade da Globo, elegeu-me como seu representante maior. É isso que não perdoarão nunca.
(…) Quando ela diz que denuncia os maus administradores deveria dizer, sim, que ataca e tenta desmoralizar os homens públicos que não se vergam diante de seu poder. Se eu tivesse as pretensões eleitoreiras, de que tentam me acusar, não estaria aqui lutando contra um gigante como a Rede Globo. Faço-o porque não cheguei aos 70 anos de idade para ser acomodado. (…) Que o povo brasileiro faça o seu julgamento e na sua consciência lúcida e honrada separe os que são dignos e coerentes daqueles que sempre foram servis, gananciosos e interesseiros”.
Esses trechos do histórico “Direito de Resposta” mostram o temperamento de Leonel Brizola, um dos políticos mais importantes da esquerda nacionalista brasileira, que não se curvava aos desmandos das elites e lutou pela democracia em nosso país.
Leonel de Moura Brizola nasceu no dia 22 de janeiro de 1922, no povoado de Cruzinha, que pertencia a Passo Fundo (RS) e, em 1931, passou à Jurisdição de Carazinho (RS). Filho de camponeses pobres, Leonel Brizola estudou em Passo Fundo e em Viamão, antes de ingressar no curso de engenharia civil da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Iniciou sua carreira política em em 1945, com 23 anos de idade, sendo um dos fundadores do Partido Trabalhista Brasileiros (PTB) no Rio Grande do Sul. Em 1946, foi eleito deputado estadual. Em 1949, formou-se em engenharia. Em 1950, casou-se com Neuza Goulart, irmã do colega de partido João Goulart, conhecido como “Jango”, tendo como um dos padrinhos de casamento outro líder do PTB, Getúlio Vargas.
Em 1951, Brizola candidatou-se à prefeitura de Porto Alegre, perdendo a eleição por uma diferença de apenas 1% dos votos, ocupando a Secretaria Estadual de Obras. Em 1954, disputando novamente a prefeitura de Porto Alegre, foi eleito com mais votos do que todos os seus concorrentes juntos.
Em 1958, aos 36 anos de idade, Brizola foi eleito governador do Rio Grande do Sul, com mais de 55% dos votos válidos. Em seu mandato, iniciou um projeto de construção de seis mil escolas públicas no seu estado. Foi durante o seu mandato de governador que o presidente Jânio Quadros renunciou ao cargo inesperadamente, em 1961. Sua atitude entregava a presidência ao seu vice, João Goulart, mal visto pelas elites do país, que alegavam sua ligação com ideias socialistas.
Quando ocorreu a renúncia de Jânio, João Goulart estava em missão diplomática na China, país já comunista naquele época. Grupos de oposição no Brasil tentaram a todo custo impedir que Goulart retornasse ao país. Brizola liderou a “Campanha da Legalidade”, que garantiu a posse do novo presidente.
 
Em outubro de 1962, pela primeira vez, Brizola foi eleito deputado federal com uma votação recorde, 269 mil votos, a maior votação obtida em todo o país. Em 31 de janeiro de 1963, Brizola deixou o governo gaúcho, assumindo seu mandato de deputado federal pelo então Estado da Guanabara.
Como parlamentar, Brizola fez discursos defendendo a implantação da reforma agrária e a distribuição de renda no Brasil. Sendo um dos líderes da Frente de Mobilização Popular, exerceu firme pressão para que Goulart implementasse as chamadas “Reformas de Base”, que incluíam reforma agrária, tributária e bancária.
No dia 13 de março de 1964, foi realizado o histórico Comício da Central do Brasil. Na ocasião , Jango anunciou a decisão de implementar as “Reformas de Base”. Entre os oradores que precederam o discurso de Jango, Brizola foi o mais aplaudido. E num discurso inflamado, ele cobrou do presidente o abandono da “política de conciliação e a instalação de uma Assembleia Constituinte com vistas à criação de um Congresso popular, composto por camponeses, operários, sargentos, oficiais nacionalistas e homens autenticamente populares”.
Com o golpe militar de 31 de março, Brizola seguiu para Porto Alegre, com a proposta de organizar a resistência, mas com a recusa do presidente em resistir, exilando-se no Uruguai, Brizola, que teve seu nome publicado na primeira lista do Ato Institucional nº 1 (AI-1), que cassava seus direitos políticos por 10 anos, viu-se obrigado a também exilar-se no Uruguai. Sendo expulso daquele país em 1977, fixou-se em Lisboa e, mais tarde, nos Estados Unidos.
Brizola retornou ao Brasil em 30 de agosto de 1979, com a decretação da anistia política, fixando residência no Rio de Janeiro. Em maio de 1980 criou o Partido Democrático Trabalhista (PDT), pelo qual candidatou-se ao governo do Rio de janeiro, sendo eleito e empossado em 1983. A marca registrada de seu governo foi a criação dos Centros Integrados de Educação Pública (Cieps), Idealizados por Darcy Ribeiro e projetados por Oscar Niemeyer. Em 1984, Brizola apoiou a campanha das Diretas Já. Um projeto do deputado Dante de Oliveira, rejeitado no Congresso Nacional.
Em 1989, participou da primeira eleição direta para presidente da República no Brasil desde o golpe militar, ficando em terceiro lugar. Em 1990, pela segunda vez, Brizola foi eleito governador do Rio de janeiro, dando continuidade a seus projetos iniciados no primeiro mandato. Com posições firmes em defesa dos produtores nacionais e sempre defendendo restrições ao capital estrangeiro no país. Em 1994, Brizola disputou novamente a presidência da república, mas obtendo apenas 3,2% dos votos válidos.
Em 1998, Brizola foi candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Luiz Inácio Lula da Silva, no auge do Plano Real, que fez com que Fernando Henrique Cardoso fosse reeleito no primeiro turno.
Leonel de Moura Brizola morreu no dia 21 de junho de 2004, aos 82 anos de idade, de infarto, no Rio de Janeiro. O então presidente Luiz Inácio Lula da Silva decretou luto oficial de três dias. Seu corpo foi velado no Palácio Guanabara, no Rio de Janeiro e no logo após em Porto Alegre. Brizola foi sepultado em São Borja, na fronteira do Rio Grande do Sul com a Argentina, onde também se encontram os túmulos de Getúlio Vargas e João Goulart.
 
Em 29 de dezembro de 2015, a presidente Dilma Rousseff, sancionou a Lei 13.229, que inscreveu o nome de Leonel Brizola no Livro dos Heróis da Pátria, gravado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, em Brasília.
 
 


DIA 20 DE JANEIRO DE 1931, NASCE MÃE BEATA DE IEMANJÁ

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“…Num país com vários grupos raciais e étnicos, eu acho que a senhora deveria informar-se melhor… Quando a senhora diz que as religiões afro não são religião e sim seita. Eu como uma iyalorixá do Candomblé, uma mulher negra muito feliz; pois eu tenho dignidade, amor e humildade, digo que não. Quando dizem que o Candomblé é uma seita porque cultua satanás. E nós não cultuamos satanás. Cultuamos Ororum, Obatalá,e Exú, que é o grande dinamizador… Cultuamos deuses de energia da natureza que é a coisa mais suprema que pode existir. Por que somos natureza, filhos da natureza. Ao qual a senhora terá um grande compromisso de preservar…
Quando a senhora fala do casamento entre casais do mesmo sexo, esquece dos nossos filhos gays e lésbicas que merecem respeito. A senhora ama seus filhos ? E os filhos não pediram para nascer. Eu me julgo uma mãe do mundo porque sou de Yemanjá, orixá que dos seus seios brota a água suprema, que é o leite que amamenta aqueles que a sociedade repudia a exemplo dos gays e das lésbicas. Eu sei chorar com olhos do meu irmão.
Eu sou uma cidadã de fato. Sou mulher negra, do Candomblé, não tenho a pretensão de ser politica. Faço política sim. Nesse momento estou fazendo política com a senhora. Reveja as minhas palavras como política e cidadã.”. Esse trecho da carta que Mãe Beata de Yemanjá enviou em 2014 para a então candidata a presidente da Republica, Marina Silva, mostra a coragem e a sinceridade dessa mulher negra, líder espiritual, comunitária e escritora, que nunca se curvou diante das dificuldades nem abriu mão da luta pela evolução da sua comunidade e pela valorização da população afro-descendente do país.
Beatriz Moreira Costa, mais conhecida como Mãe Beata de Iemanjá é Yalorixá (sacerdotisa suprema dos Candomblés de origem Ketu-iorubá), escritora, atriz e artesã, desenvolve trabalhos relacionados à defesa e preservação do meio ambiente, aos direitos humanos, à educação, saúde, combate ao sexismo e ao racismo.
Mãe Beata nasceu no dia 20 de janeiro de 1931, em Cachoeira de Paraguaçu, Recôncavo Baiano, filha de Maria do Carmo e Oscar Moreira. Na década de 1950, Mãe Beata muda-se para Salvador, ficando aos cuidados de sua tia Felicíssima e o marido, Anísio Agra Pereira, conhecido como Anísio de Logum Ede, babalorixá (sacerdote supremo do Candomblé). Durante dezessete anos, Beata foi Abiã (pessoa que não passou pela iniciação no Candomblé).
Com o falecimento do tio, Beata procura Mãe Olga do Alaketu, que a inicia para o orixá Iemanjá no terreiro Ilê Maroia Laji. Sua mãe Maria do Carmo, antes de morrer, tutela a filha à sua Yalorixá Olga do Alaketu. A jovem Beata participa de cursos de teatro amador e participa de grupos folclóricos. Casa-se com Apolinário Costa, seu primeiro namorado, com quem teve quatro filhos: Ivete, Maria das Dores, Adailton e Aderbal Moreira.
Em 1969, Beata separa-se do marido e migra para o Rio de Janeiro em busca de melhores condições de vida para ela e seus filhos, história comum a tantas outras mulheres negras nordestinas . Beata cria seus filhos com muita dificuldade. Foi empregada doméstica, costureira, manicura, cabeleireira, pintora e artesã para prover o sustento próprio e da família, não esquecendo seus laços religiosos, atuando em várias comunidades de terreiro no Rio de Janeiro, mantendo e preservando sua descendência ancestral religiosa negra.
No dia 20 de abril de 1885, sua Mãe Olga do Alaketu vem ao Rio de Janeiro, no bairro de Miguel Couto, Nova Iguaçu, outorgar à sua filha o direito de ser chamada de mãe. No mesmo dia é fundada a Comunidade de Terreiro Ilê Omiojuarô (Casa das Águas dos Olhos de Oxóssi) . O espaço passa a ser referência de resistência da Cultura, religião, cidadania e dignidade da população afro-brasileira.
Mãe Beata desenvolve no terreiro Ilê Omiojuarô, atividades voltadas ao combate à intolerância religiosa, à discriminação racial e de gênero, violência contra a mulher, prevenção às doenças sexualmente transmissíveis e de defesa do meio ambiente em nível comunitário, local e regional, em convênio com várias entidades governamentais e não governamentais. É presidente da Ong Criola – Organização de mulheres negras que atua contra o racismo e o sexismo. É integrante do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher – CEDIM e conselheira do Projeto Ató Ire – Saúde dos Terreiros e também da Ong Viva Rio.
Apesar dos seus 86 anos, Mãe Beata sempre está presente em atividades culturais e políticas, inclusive internacionais, como em 1994, quando participou do Simpósio sobre Cultura e Religiosidade, em setembro; da Semana de Cultura Brasileira, e do Encontro Religião e Resistência Cultural, em outubro, em Berlim, Alemanha.
Mãe Beata, por seu trabalho, recebeu vários prêmios e homenagens, como por exemplo, em 2007, na 5ª Bienal de Arte, Ciência e Cultura da União Nacional dos Estudantes (UNE). Em 2008, recebeu o Prêmio Mulher Cidadã Bertha Lutz, do Senado Federal, entre outros.
No dia 27 de outubro de 2015, o Ilê Omiojuarô, recebeu o prêmio de Patrimônio Cultural, na 28ª edição do Prêmio Rodrigo de Melo Franco de Andrade, promovido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)., como reconhecimento ao trabalho de preservação da cultura africana.
Autora dos livros “Caroço de dendê: a sabedoria dos terreiros” e “Histórias que a minha avó contava”, Mãe Beata defende a oralidade, modo com que seus ancestrais passavam suas histórias para as novas gerações.
 
Líder comunitária e religiosa, Mãe Beata, na sua constante luta pelas mulheres e pelo povo brasileiro, foi uma importante voz contra o golpe das elites contra a presidente Dilma Rousseff, participando de vários atos a favor da democracia, como por exemplo o ato da Praça XV na Marcha das Mulheres, ocorrido no dia 4 de junho de 2016, quando ficou no palco, ao lado da presidente Dilma. 

DIA 19 DE JANEIRO DE 1982, MORRE ELIS REGINA
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Agora, o braço não é mais o braço erguido / num grito de gol / Agora, o braço é uma linha, um traço, / um rastro espelhado e brilhante / E todas as figuras são assim: / desenhos de luz, agrupamentos de pontos, / de partículas, um quadro de impulsos, / um processamento de sinais / E assim dizem, recontam a vida… / Agora retiram de mim a cobertura de carne / Escorrem todo o sangue / Afinam os ossos em fios luminosos; e aí estou: / Pelo salão, pelas casas, pelas cidades / Parecida comigo / Um rascunho / Uma forma nebulosa, feita de luz e sombra / Como uma estrela / Agora, eu sou uma estrela”.
Quem teve a oportunidade de ouvir Elis Regina declamando “Agora eu sou uma estrela”, esse poema de Fernando Faro, se emociona ao lembrar da voz daquela que é considerada por muitos como a maior cantora brasileira de todos os tempos, interpretando sucessos como “O bêbado e o equilibrista”, “Como Nossos pais”, “Arrastão”, “Águas de março”, entre outros, que emocionam até hoje, 35 anos depois de sua morte, gerações de fãs.
Muitos se lembram do seu temperamento forte, que lhe renderam os apelidos de “pimentinha” e “furacão Elis”, mas nem todos sabem da sua postura política, em plena ditadura militar, quando em seus shows, criticava abertamente o regime e cantava músicas de protestos, além de gravar compositores até então desconhecidos, como Milton Nascimento, Ivan Lins, João Bosco, Belchior, entre outros.
Sua postura combatente, lhe rendeu a desconfiança dos militares, Elis só escapou da prisão e da tortura por causa de sua imensa popularidade. Como mulher e como artista, não se rendia aos preconceitos de plantão, mantendo total controle da sua carreira. “É preciso contextualizar. Na época, ainda havia muito preconceito contra as mulheres. Os executivos das gravadoras eram extremamente machistas. E Elis combatia tudo isso”, explica Guilherme Arantes, amigo de Elis na época.
Elis chegou a se filiar ao recém-fundado Partido dos Trabalhadores (PT), participando de reuniões no Congresso em defesa da classe artística, chegando a ser presidente da Assim, Associação de Intérpretes e Músicos.
Elis Regina Carvalho Costa nasceu no dia 17 de março de 1945, no Hospital da Beneficência Portuguesa, em Porto Alegre (RS), filha de Romeu Costa e de Ercy Carvalho, começou a carreira como cantora aos 11 anos de idade em um programa de rádio para crianças chamado “O Clube do Guri”, na Rádio Farroupilha, em Porto Alegre, apresentado por Ari Rego.
Em 1958, com 13 anos, foi contratada pela Rádio Gaúcha, passando a ser chamada de “A estrelinha da Rádio Gaúcha”. Nesse mesmo ano foi eleita “Melhor Cantora do Rádio Gaúcho”. Em 1961, viajou para o Rio de janeiro, onde gravou seu primeiro disco: “Viva a Brotolândia”.
Ficou conhecida no Brasil inteiro em 1965, quando interpretou “Arrastão”, de Edu Lobo e Vinícius de Moraes, ganhando o 1º Festival de Musica Popular Brasileira, da TV Excelsior. Ganhando no mesmo ano um programa na TV Record chamado de “O Fino da Bossa”, ao lado de Jair Rodrigues, que ficou no ar até 1967 e originou três discos de grande sucesso. Um deles, “Dois na Bossa”, foi o primeiro disco brasileiro a vender um milhão de cópias. Elis passou a receber o maior cachê do show business. Em 1968, Elis ganhou fama internacional ao cantar em TVs do mundo inteiro.
Elis criticou muitas vezes a ditadura brasileira, nos difíceis anos de chumbo, quando muitos músicos foram perseguidos e exilados. Em entrevista , no ano de 1969, teria afirmado que o Brasil era governado por gorilas. Sempre engajada politicamente, Elis participou de uma série de movimentos de renovação política e cultural brasileira, com voz ativa da campanha pela Anistia de exilados brasileiros. O despertar de uma postura artística engajada e com excelente repercussão acompanharia toda a carreira, sendo enfatizada por interpretações consagradas de “O bêbado e o equilibrista” (João Bosco e Aldir Blanc), a qual se transformou no hino da anistia, coroando a volta de personalidades brasileiras do exílio, a partir de 1979, como Herbert de Souza, o Betinho, conhecido como “O Irmão do Henfil”.
 
 Elis Regina morreu no auge da carreira, no dia 19 de janeiro de 1982, aos 36 anos de idade, de uma overdose cocaína com wisky, deixando, na época, três filhos: João Marcelo Bôscoli, Pedro Mariano e Maria Rita. No dia seguinte, mais de mil pessoas juntaram-se ao cortejo fúnebre, percorrendo lentamente as ruas de São Paulo, conduzindo o corpo até o cemitério do Morumbi, onde foi enterrado ao som de “Canção da América”, de Milton Nascimento e Fernando Brant, cantada pela multidão. Morria a cantora, nascia o mito.

DIA 18 DE JANEIRO DE 2008, ESTREIA O MUSICAL CALABAR, 34 ANOS DEPOIS DE CENSURADO
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No dia 18 de janeiro de 2008, estreiou o musical “Calabar” de Chico Buarque e Ruy Guerra, no Sesc Avenida Paulista, sob a direção e roteiro de Heron Coelho. Escrita entre os anos de 1972 e 1973, no auge da ditadura militar brasileira e às vésperas da revolução dos Cravos em Portugal, quando o AI-5 (Ato Institucional Número 5) já tinha sido decretado e dava poderes praticamente absolutos ao regime.
“Calabar” é uma alegoria histórica que se passa na época das invasões holandesas em Pernambuco, no século XVII , aborda a questão da lealdade e da traição, numa clara alusão à conjuntura política do período em que foi escrito. Inclui canções famosas de Chico Buarque, como “Anna de Amsterdã”, “Bárbara”, “Tatuagem” e “Não existe pecado ao sul do Equador” .
A peça fala do Brasil Colônia, em 1630, e a disputa pelo controle do açúcar (na época, quase uma moeda forte em se tratando de negociações entre os países) em Pernambuco, questionando a posição de Domingos Fernandes Calabar (1600-1635), um brasileiro, mulato, que inicialmente fazia parte das tropas portuguesas, mas que , segundo a história, ficou ao lado dos holandeses, indo contra a coroa. Por isso recebeu a alcunha de “traidor” e foi torturado, enforcado e esquartejado.
A primeira montagem do musical foi proibido em 1974. Foi um dos muitos espetáculos censurados, pela ditadura militar, que eram submetidos a uma censura prévia. Os produtores enviavam o texto para ser examinado pela censura federal. O texto , na maioria das vezes, se aprovado, sofria mutilações. Depois dessa “aprovação”, a censura teria uma segunda etapa: era necessário marcar um ensaio para que o censor assistisse a peça e comprovasse se a produção estava seguindo as diretrizes determinadas. No caso de “Calabar”, os censores não foram ver o ensaio, e , na véspera da estréia, a peça foi proibida.
O texto foi enviado enviado previamente à censura federal, em Brasília e liberado impróprio para menores de 18 anos, em abril de 1973. Os autores procuraram um produtor, Fernando Torres, e um encenador, Fernando Peixoto. Foi reunida uma equipe de produção que agregava os nomes mais significativos do teatro e da música no Brasil: Orquestração de Edu Lobo, direção musical de Dory Caymmi, coreografia de Zdeneck Hampl, cenografia de Hélio Eichbauer. Durante um mês e meio, cerca de trezentas pessoas foram testadas para o elenco, que reunia mais de 40 intérpretes. Entre os intérpretes principais, alguns nomes de conhecida importância no teatro, no cinema e na televisão, como Betty Faria, Lutero Luiz, Odilon Vagner, Anselmo Vasconcelos, entre outros. O cenário começou a ser construído e os figurinos começaram a ser executados.
A parte sonora incluía música ao vivo.Os ensaios foram iniciados em setembro de 1973, e a estreia foi marcada para 8 de novembro. No dia 30 de outubro, com o espetáculo pronto, os produtores fizeram requerimento à censura estadual para fixar a data do ensaio especial para os censores, a fim de obter o alvará de licenciamento do espetáculo, já que o texto continuava liberado (com todas as páginas rubricadas e carimbadas pela censura federal). Nessa data receberam um documento da Censura Federal, informando que a peça havia sido “avocada por instância superior para o reexame do texto”, razão pela qual aquela divisão da Censura não poderia marcar a data do ensaio.
Os produtores colocaram advogados no Rio de janeiro e em Brasília. Os ensaios prosseguiram até 11 de novembro. No dia 12 os advogados fizeram contato com o chefe da Polícia Federal, em Brasília, que afirmou precisar de 3 a 4 meses para emitir um parecer sobre o assunto. Desde o dia 7 de novembro, a imprensa foi proibida de mencionar a palavra “Calabar”; mesmo do que seria a data da estreia, os produtores só conseguiram colocar nos jornais um pequeno anúncio, sem menção ao título da peça nem ao nome do teatro onde seria encenada – o Teatro João Caetano, pertencente ao governo estadual.
A data da estreia chegou e a liberação não saiu. O teatro ficou lotado, com ingressos vendidos inclusive para outras sessões e a decisão final só veio em janeiro de 1974, com o veto total da peça. Com o veto, “Calabar” se tornou vítima da maior arbitrariedade da censura daquela época e da história do teatro nacional, causando enorme prejuízo aos produtores do espetáculo, entre eles Fernando Torres e sua mulher, a atriz Fernanda Montenegro: “Perdemos muito dinheiro com a proibição. O que nos salvou foi uma montagem de ‘O amante de madame Vidal’, cujo sucesso pagou as dívidas. Mas o desespero após a censura foi tanto, pelo prejuízo e pelo medo de uma retaliação mais violenta, que sequer guardamos a documentação da peça”, afirmou.
Entre as justificativas dadas pelos censores à proibição havia a suspeita de que a montagem teria sido financiada por comunistas, direto de Moscou.
 
Sete anos após a censura, em 24 de janeiro de 1980, o texto foi anistiado e liberado para uma montagem no Teatro São Pedro, em São Paulo, com Martha Overbeck, Othon Bastos e Renato Borghi no elenco e direção do próprio Peixoto. A peça estreou quatro meses depois. E outras montagens se seguiram.  

 DIA 17 DE JANEIRO DE 1976, MORRE MANOEL FIEL FILHO
 
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O operário metalúrgico Manoel Fiel Filho, nasceu em Quebrângulo, Alagoas, terra natal do escritor Graciliano Ramos, no dia 7 de janeiro de 1927. saiu do Sítio Gavião onde vivia, aos 18 anos de idade. Morou na cidade de São Paulo desde os anos 50. Foi padeiro e cobrador de ônibus antes de se tornar operário metalúrgico na Metal Arte Industrial Reunidas, no bairro da Mooca. Lá trabalhou no setor de prensas metálicas por 19 anos. Ele era casado com Thereza de Lourdes Martins Fiel, tinha duas filhas, e morava num sobrado na Vila Guarani.
Como fazia todos os dias, Manoel Fiel Filho acordou cedo, banhou-se, tomou café e foi para a Metal Arte. Era uma sexta feira , 16 de janeiro de 1976, e , por volta do meio-dia, dois homens, sem qualquer ordem judicial, o retiraram do trabalho, foram com ele até a sua residência na vila Guarani, revistam a casa em busca de exemplares do jornal Voz Operária, do Partido Comunista Brasileiro (PCB), nada encontraram e, sob os olhares apreensivos da mulher, Thereza Fiel, levam o metalúrgico para o Destacamento de Operações e informações do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi). “Ele me deu um beijo na testa e foi embora. Eu falava: – Não leva ele, não”, disse Thereza, ao lembrar que o marido chegou a dizer que voltaria logo. “E ele nunca mais voltou”.
Após o sequestro de Fiel, Thereza reuniu toda a família, incluindo as duas filhas, e peregrinou por várias delegacias de polícia busca de informações do companheiro. “Um conhecido da Polícia Civil disse que ele estava na Operação Bandeirantes, (grupo criado em 1969 pelo exército, com apoio de empresários para coordenar todas as operações dos órgãos de repressão) e que só se entrava lá com ordem do presidente da República”.
Thereza soube da morte do marido no dia seguinte, sábado, 17 de janeiro de 1976, por volta das 22 hs. Um carro parou em frente à casa. “Desceu um sujeito com um saco de lixo preto na mão. Ele disse: – Essa aqui é a roupa dele, e ele está morto.
Embora a família não soubesse, Manoel Fiel Filho era responsável pela difusão do Jornal “Voz Operária, do PCB, e pela organização do partido entre os operários das fábricas do bairro da Mooca, conforme relatório da Comissão Nacional da Verdade (CNV). A morte do metalúrgico ocorreu menos de três meses após o assassinato do jornalista Vladimir Herzog, no mesmo local e em circunstâncias parecidas, sob a versão oficial de suicídio.
Embora não tivesse provocado a mesma comoção social que marcou a despedida do jornalista, a morte de Manuel Fiel Filho causou o afastamento do comandante do 2º Exército, general Ednardo D’ávila Mello, quatro dias depois do assassinato do metalúrgico.
No dia seguinte à sua prisão, os órgãos de segurança emitiram nota oficial afirmando que Manoel havia se enforcado em sua cela com as próprias meias. Porém, de acordo com colegas , quando preso, usava chinelos sem meias.
Quando os parentes conseguiram a liberação do corpo, para ser enterrado, verificou-se que apresentava sinais evidentes de torturas, principalmente na região da testa, nos pulsos e no pescoço. No entanto, o exame necroscópico, solicitado pelo de legado de polícia Orlando D. Jerônimo e assinado pelos legistas José Antônio de Mello e José Henrique da Fonseca, simplesmente confirmava a versão oficial do suicídio.
O Inquérito Policial Militar (IPM) da morte de Manoel Fiel Filho foi arquivado em maio de 1976 e concluiu que não houve violência, defendendo a hipótese de suicídio, não “havendo crime a capitular no código militar ou penal civil, nem transgressão disciplinar prevista nos regulamentos militares”.
A morte de Manoel Fiel Filho e a do jornalista Vladimir Herzog, também forjada como suicídio nas dependências do DOI-Codi, em outubro de 1975, acabaram precipitando o processo de redemocratização do país, pois a decisão do então presidente Ernesto Geisel de exonerar comandante do 2º Exército, general Ednardo D’ávila Mello, mostrava que ele não admitiria retrocessos políticos. Em agosto de 1974, Geisel anunciou a abertura política da ditadura militar, em discurso no Palácio da Alvorada a dirigentes da Arena. Na ocasião, ele prometeu uma “lenta, gradativa e segura distensão” política no país.
 
A saída do general D’Ávila Mello não acabou com as violações dos direitos humanos nos porões da ditadura, mas os torturadores passaram a ser mais cuidadosos e a linha dura militar perdeu força política dentro das forças armadas, o que levou, em 1977, à derrota do general Sylvio Frota, em suas pretensões de suceder Geisel na Presidência da República. O presidente escolhido por Geisel foi o general João Batista Figueiredo.
 
A família de Fiel Filho, em 1979, entrou com um processo na justiça pedindo reparação. Em dezembro de 1980, a 5ª Vara de Justiça Federal de São Paulo determinou o pagamento de indenização, mas a União recorreu. Em 1987, a sentença foi confirmada pelo então Tribunal Federal de Recursos e novamente o governo recorreu da decisão. Finalmente, em 1995, o Tribunal Regional Federal (TRF) de São Paulo condenou a União a pagar uma indenização, na época de R$ 260 mil (referentes à salários acumulados e corrigidos desde a morte de Fiel Filho) à família.  

DIA 16 DE JANEIRO DE 1970, PRISÃO DE MÁRIO ALVES
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                “Hoje o movimento / se faz imperceptível. / Os filhos estão mortos. / O povo, adormecido. / Não vem da rua aos teus  ouvidos / nenhuma canção de ninar. / Dir-se-iam depostas todas as armas, / o gesto de fogo enfim dobrado, / Entre os combatentes  / há quem já não reconheça o caminho. / Há quem interrogue, com tristeza, a praça vazia. / Se nesta hora o inimigo te procura, / recusa o jantar que te oferece. Recusa a paz, / a vida te oferece. / O jantar te daria um assento à mesa da noite. / Esta paz é a tua escravidão. / E se agora o inimigo te propõe a vida, é chegada a hora de tua morte.”
            Com  este poema intitulado “Poema depois do suplício”, o poeta e ex-guerrilheiro Pedro Tierra, em seu livro “Poemas do povo da noite” homenageia Mário Alves, o jornalista, militante comunista desde os 15 anos de idade, fundador e dirigente do  Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), que por participar da luta armada contra a ditadura militar, foi preso, torturado e morto , nos porões do DOI-CODI, no quartel da Rua Barão de Mesquita, no Rio de Janeiro, no dia 16 de janeiro de 1970.
            Ex-líder estudantil, teórico do marxismo-leninismo e líder revolucionário, Mário Alves nasceu no dia 14 de junho de 1923, em Sento Sé, interior da Bahia. Aos 15 anos de idade, ainda na Bahia, em plena ditadura do Estado Novo, Ingressou no PCB – Partido Comunista brasileiro, participando das lutas estudantis e das lutas populares contra o nazi-fascismo, exigindo a participação do Brasil na guerra ao lado das forças aliadas.
            Após a guerra, em 1945, os comunistas se fortaleceram no Brasil e no mundo. O PCB foi legalizado e Mário Alves foi eleito para o Comitê  estadual do Partido. Em 1953, viajou para a União Soviética para participar de um curso de marxismo-leninismo. Em 1957 foi eleito  membro do Comitê Central do PCB. Em 1958, viajou para a República Popular da China e assumiu a direção do jornal Novos Rumos, do PCB. Mário Alves dominava vários idiomas e durante o período de clandestinidade trabalhou como tradutor para garantir seu sustento.
            No início da década de 1960, Mário Alves atuou na secretaria nacional de educação do PCB. Nessa época começou a discordar das diretrizes adotadas pelo partido, que defendia a aliança com a burguesia nacional, ao invés da continuação da luta revolucionária da classe trabalhadora. Como golpe militar de 1964, Mário Alves passou a viver novamente na clandestinidade, sendo preso em julho. Foi libertado em 1965, graças a um habeas corpus.
            A luta política dentro do PCB se intensificou. A maioria defendia a continuidade da política de conciliação com a burguesia nacional e a via pacífica para derrotar a ditadura. Um grupo de dirigentes e militantes, entre eles Mário Alves, defendiam a luta armada para derrubar o regime. Em 1968, Mário Alves junto com outros companheiros como Apolônio de Carvalho e Jacob Gorender, fundou o PCBR – Partido Comunista Brasileiro Revolucionário, sendo escolhido seu secretário-geral, seguindo o caminho da luta armada.
            No dia 16 de janeiro de 1970,  Mário Alves, com 46 anos , foi preso e levado para o DOI-Codi , na rua Barão de Mesquita e torturado durante a noite do dia 16 e a madrugada do dia seguinte. Os presos Raimundo José Barros Teixeira Mendes, José Carlos Brandão Monteiro, Manoel João da Silva e Antônio Carlos de Carvalho, também torturados,  ouviram o sofrimento do dirigente do PCBR ao longo do interrogatório.
            No livro “Desaparecidos  Políticos”, o advogado Raimundo Teixeira Mendes, revelou que presenciou por meio de uma abertura no alto da parede da cela a violência na sala ao lado: “Depois de violentamente espancado, torturado com choques elétricos, no pau de arara, afogamentos, Mário Alves manteve a posição de nada responder… então introduziram um cassetete de madeira com estrias, que provocou a Perfuração de seus intestinos e a hemorragia que determinou a sua morte. “
            A esposa de Alves, Dilma, e o advogado Modesto da Silveira fizeram inúmeros esforços pra localizar o militante. Foram enviados pedidos de habeas corpus para todas as forças na tentativa de descobrir o paradeiro do guerrilheiro, mas nenhum órgão de repressão assumiu a prisão. Devido à busca, Dilma também chegou a ser interrogada.  Processou o governo e com base nos depoimentos daqueles presos que estavam na cela ao lado da sala de tortura onde Mário foi empalado, a mulher conseguiu provar em juízo sua prisão e assassinato.
            No dia 21 de outubro de 1981, a juíza Tânia de Melo Heine, da Primeira Vara Federal, responsabilizou a União pelo seqüestro, tortura ,morte e ocultação do cadáver do jornalista: “Mário Alves de Souza Vieira faleceu em conseqüência de maus tratos sofridos nas dependências  do DOI-CODI”, afirmou a juíza em sua sentença.
            Foi o primeiro e único caso de reconhecimento na Justiça da prisão e morte de um “desaparecido político”. O corpo não foi localizado. Por conta disso, Dilma e sua filha Lúcia insistiram no direito de enterrar Mário Alves. Todos os anos, no dia 16 de janeiro, depositavam uma palma de flores na estátua de Tiradentes, em frente à Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro – ALERJ.
            Em dezembro de 1987, o Tribunal Federal de Recursos confirmou a sentença da juíza Tânia Heine e responsabilizou a união pelo assassinato de Mário Alves nas dependências do DOI-CODI, no quartel da rua Barão de Mesquita. Em setembro de 1995, o Congresso Nacional aprovou um projeto do Executivo que reconhece a morte de 136 presos polpíticos desaparecidos durante o governo militar e estabelece uma indenização para as famílias. Mário Alves está na lista.
            Em maio de 2013, no Rio de Janeiro, o Ministério Público Federal denunciou e pediu a condenação de cinco agentes da ditadura militar por “seqüestro qualificado, tortura e morte” de Mário Alves. Os cinco acusados, Luiz Mário Valle Correia Lima (tenente Correia Lima), Luiz Timótheo  de Lima (inspetor Timóteo), Roberto Augusto Duque Estrada (capitão Duque Estrada), Dulene Garcez dos Reis (tenente Garcez) e Valter da Costa Jacarandá (major Jacarandá), tem ainda o requerimento do MPF para que percam qualquer cargo público que ainda ocupem, tenham o cancelamento de suas aposentadorias ou qualquer provento remunerado que ainda recebam e sejam obrigados a pagar uma indenização de R$ 100 mil à família do morto.
           


DIA 15 DE JANEIRO DE 1919, MORRE ROSA LUXEMBURGO

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                “Aqui  jaz,  Rosa Luxemburgo, judia da Polônia , vanguarda dos operários alemães, morta por ordem dos opressores. Oprimidos, enterrai vossas desavenças!” Com esse poema, o poeta alemão Bertold Brecht, homenageou a revolucionária, filósofa e economista marxista judia, polonesa-alemã, Rosa Luxemburgo, que participou da fundação de partidos de esquerda na Polônia e na Alemanha, tornando-se referência  mundial  de luta, tanto teoricamente quanto na prática, contra a opressão no final do século 19 e início do século XX.
            Rosa  Luxemburgo nasceu no dia 5 de março de 1871 na cidade de Zamose, na Polônia, ocupada, na época  pelo império Russo. Era a quinta filha de Eliasz Luxemburg , um comerciante de madeira, e de Line Lowenstein.  Aos cinco anos de idade, após uma doença no quadril, Rosa teve ficou um ano engessada e acamada,  e como resultado, uma de sua pernas cresceu menos do que a outra, o que a fez mancar pelo resto da vida.
            Ainda no ginásio, adolescente,  Rosa Luxemburgo entrou para o Partido do Proletariado, iniciando-se na vida política e organizando uma greve geral que resultou na morte de quatro líderes e na dissolução do partido. Apesar disso, Rosa e outros membros do partido que escaparam da prisão,  continuaram a se reunir clandestinamente.
            Em 1887, é aprovada no vestibular. Em 1889, aos 18 anos, fugiu para a Suíça, para escapar de uma ordem de prisão expedida contra ela. Em 1897, casa-se com Gustav Lubeck, obtendo cidadania alemã, mudando-se no ano seguinte para a Alemanha. Começa a estudar na Universidade de Ciências Aplicadas de Zurique, ao lado de outras personalidades socialistas. Conciliando seus estudos de economia política e direito com as atividades revolucionárias, obteve doutorado em 1898, com a tese intitulada “O desenvolvimento industrial da Polônia”.
            No mesmo ano, muda-se para Berlin e filia-se ao Partido Social Democrata da Alemanha (SPD). Começa a atuar na agitação revolucionária. Em 1899, publica a obra “Reforma ou Revolução?” onde critica o revisionismo da teoria marxista  e o argumento de que o capitalismo atingiria um desenvolvimento tal que impediria crises e levaria a possibilidades de transformação meramente por iniciativas institucionais e pacíficas.
            Em 1904, ficou presa por quase dois meses, acusada de ser contra os esforços de preparação para a guerra no país. Durante a Revolução Russa de 1905, ela concentrou sua atenção no movimento socialista no Império Russo, defendendo que “a partir desta data, o proletariado russo estourou no cenário político como classe pela primeira vez” Defendeu a teoria marxista da revolução, em oposição aos mencheviques e ao Partido Socialista Revolucionário, e em apoio aos bolcheviques. Em 1906, Rosa começou a defender sua teoria de greve de massas como o instrumento de luta revolucionária mais importante do proletariado. Pela agitação apaixonada, Luxemburgo recebeu o apelido de “Rosa Sangrenta”.
            Em 1907, ela foi novamente presa, por dois meses. Em outubro do mesmo ano, passou a atuar como professora de economia política e história econômica na escola do Partido Social Democrata Alemão, atividade que exerceu até 1914, conciliando com outras  atividades políticas, como representar o partido social democrata polonês e lituano no Bureau Socialista Internacional em Bruxelas, além de escrever obras como “A acumulação do Capital” e “Introdução à economia política” .
            Em 1914, Rosa articulou o Grupo Internacionale, que mais tarde se transformaria na “Liga Espartaquista”,  em protesto à aprovação de créditos de guerra por parte da socialdemocracia.  O grupo defendia que os soldados alemães abandonassem a guerra para iniciar uma revolução no país. Foi presa, julgada e condenada a um ano de prisão por incitamento à desobediência civil, num discurso onde condenava a guerra  o imperialismo, além de publicar a obra“Militarismo, Guerra e Classe Trabalhadora”.
            A partir de 1915, mesmo presa, Luxemburgo não deixou de atuar politicamente. Escreveu “A crise da socialdemocracia” e a brochura “A revolução russa”, na qual se contrapõe a alguns aspectos dos bolcheviques russos dos quais ela discordava. O grupo Internacional e continuou se articulando dentro do Partido Social Democrata até ser expulso.
            Foi libertada no dia 8 de novembro de 1918, no início da revolução alemã, dando continuidade à agitação revolucionária, dirigindo o jornal “A Bandeira Vermelha” e fundando, com Harl  Liebknecht, no dia 31 de dezembro, o Partido Comunista Alemão (KPD).
              Em janeiro de 1919, explode a “Insurreição de Janeiro”, liderada pela Liga Espartaquista, onde operários invadiram o Parlamento Alemão,  mas foram rapidamente desalojados pelo exército. Após 5 dias de violentos combates de rua, a insurreição foi derrotada.  No dia 15, após uma reunião de avaliação do movimento, Rosa e Liebknecht são seqüestrados, torturados e assassinados. O corpo de Rosa Luxemburgo foi encontrado nas águas geladas do Rio Landwehrkanal. O corpo de Karl foi jogado no Parque Tiergarten. Seus assassinos jamais foram condenados.   
            Rosa Luxemburgo tinha 48 anos quando foi assassinada. Após sua morte, Rosa passou a ser o alvo de violentas críticas, em especial dos dirigentes da social-democracia internacional. Em sua defesa,  Lênin escreveu: “A esses (críticos) responderemos com um velho ditado russo: Às vezes as águias descem e voam entre as aves do quintal, mas as aves do quintal  jamais se elevarão até as nuvens”.

DIA 14 DE JANEIRO DE 1971, CHEGAM AO CHILE OS PRESOS TROCADOS PELO EMBAIXADOR SUÍÇO.
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“Começava um novo tempo nas nossas vidas.  Fomos descendo do avião, já sem algemas (os policiais brasileiros da escolta foram impedidos de desembarcar), nos abraçando emocionados, rindo, chorando, cantando a internacional, acenando para os companheiros brasileiros e chilenos que faziam uma carinhosa manifestação para nos recepcionar”. Esse é o trecho de um depoimento de  Umberto Trigueiros  Lima, conhecido como Mazine, um dos 70 presos políticos  trocados pelo embaixador suíço, sobre o desembarque no Chile no dia 14 de janeiro de 1971.
O ano de 1970 ficou marcado, no Brasil, por uma onda de sequestros a autoridades diplomáticas. A estratégia bem sucedida no caso do embaixador americano  Charles Elbrick, em setembro de 1969, solto em troca da libertação  de 15 presos políticos, levou os grupos que lutavam contra a ditadura militar a promover outras ações de gênero. 
No dia 11 de março de 1970, o cônsul japonês Nobuo Okushi foi sequestrado em São Paulo e trocado, quatro dias depois, por cinco presos, além dos três filhos menores de uma das detentas. Três meses depois, no dia 11 de junho, no Rio de Janeiro, o embaixador da Alemanha Ehrenfried Anton Theodor Ludwig Von Holleben  foi sequestrado e trocado por 40 guerrilheiros presos, além da divulgação, na Europa, de um documento denunciando a tortura no Brasil. 
No dia 7 de dezembro de 1970, um comando da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), chefiado pessoalmente pelo capitão Carlos Lamarca, sequestrou no Rio de Janeiro, na rua Conde de Baependi, bairro das Laranjeiras, o embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher. Na abordagem ao carro de Bucher, um dos três  seguranças, Hélio de Araújo de Carvalho, reage, é ferido e morre mais tarde no hospital. Participaram da ação os militantes Alex Polari Alverga (Bartô), Inês Etienne Romeu (Alda) e Maurício Guilherme da Silveira (Honório), entre outros.  
Iniciava-se assim o mais longo dos sequestros, o último da série e o primeiro em que o regime recusou-se a atender integralmente as exigências dos grupos revolucionários. Bucher foi levado para um cativeiro em Rocha Miranda, no qual passaria 40 dias em cativeiro, foi o mais longo sequestro político da história do país. 
Durante os dias em que permaneceu prisioneiro, Giovanni Bucher e os militantes contra o regime mantiveram relações cordiais, discutindo até os problemas econômicos, sociais e políticos do país em longas partidas de baralho. Um dos guerrilheiros, Alfredo Sirkis, com apenas 19 anos na época, chegou a escrever, anos depois: “O tio era bonachão, prosador, dotado de um fino, e por vezes, ferino senso de humor. Foi de alguma maneira cativando a todos, mesmo os mais durões”.
A VPR exigia, em troca do embaixador,  a libertação de 70 presos, a divulgação de um manifesto, o congelamento de preços em todo o país por 90 dias e a liberação das catracas dos trens do Rio de Janeiro. O governo levou 48 horas para responder e avisou que negociaria apenas a libertação dos presos. Lamarca aceitou. O primeiro nome da lista era o de Eduardo Leite, o Bacuri, comandante do sequestro do embaixador da Alemanha, em junho. Ele havia sido preso no Rio em agosto e levado para São Paulo, onde fora brutalmente torturado. No dia seguinte ao sequestro de Bucher, Bacuri foi assassinado  pela equipe do delegado Sérgio Paranhos Fleury. Seu nome foi substituído na lista. 
Dias depois, o regime informou que não aceitava libertar 13 dos presos políticos listados, quase todos participantes dos sequestros anteriores. Feitas as substituições, o governo disse que 18 pessoas se recusavam a deixar o país. A ação caminhava para ser desmoralizada. A maioria da direção da VPR decidiu executar o embaixador, responsabilizando a ditadura pelo fracasso das negociações. 
Para Lamarca, a morte de Bucher seria usada de forma ostensiva contra eles e ainda não serviria para libertar os presos que sofriam as agruras da tortura. Lamarca usou sua autoridade de comandante para poupar a vida de Bucher. “Sou o comandante da ação, decido eu, não vamos matar o embaixador”, afirmou o comandante, dando continuidade às negociações. Houve novas recusas por parte do governo e novas trocas, num processo que durou um mês.
Os 70 presos libertados e banidos, chegaram a Santiago do Chile no dia 14 de janeiro, 47 dias depois da captura do embaixador suíço. Bucher foi libertado e recusou-se a identificar seus sequestradores quando foi interrogado pela polícia. 
Na manhã do dia 16 de janeiro de 1971, Bucher foi deixado próximo ao penhasco da igreja da Penha. Encerrava-se o ciclo de seqüestros a diplomatas realizados pelas organizações da esquerda durante o período da ditadura. Encerrava-se um conturbado e complexo momento da história do Brasil. Os seqüestros permitiram a libertação de cerca de 130 importantes presos políticos, que viviam sob tortura e risco de vida diante de um governo repressivo e ilegítimo, instaurado sob tanques de guerra e canhões, em 1964.
Em seu documento “2011 – 40 ANOS DO VÔO DA LIBERDADE”, Humberto Trigueiros afirmou: “Com eterna gratidão e reconhecimento ao comandante Carlos Lamarca e aos combatentes da VPR que realizaram aquela ação revolucionária audaz e vitoriosa. E também a todos os brasileiros  da nossa geração  (e aqui  não falo em idade, que pode ter ido dos 12 aos 80) que não se acovardaram, que foram capazes de enfrenta aqueles duros e difíceis tempos, quando dizer não poderia significar a morte, quando falar em árvores era quase um crime… Enfim, a todos os que OUSARAM LUTAR…!”.

 DIA 13 DE JANEIRO DE 1999, MORRE NELSON WERNECK SODRÉ
Nelson Werneck Sodré (Capa)
Nelson Werneck Sodré é considerado um dos maiores intelectuais e historiadores brasileiros. Foi militar, pesquisador, jornalista, escritor, autor de 58 livros, em sua maioria referência sobre a história da luta política e de classes do Brasil.Grande pensador, de vastos conhecimentos sobre a teoria marxista, sua obra é leitura obrigatória para todos os que se interessam pela verdadeira história do país, que não é contada pela história oficial.
Nelson Werneck Sodré nasceu no Rio de Janeiro, no dia 27 de abril de 1911. Filho de Heitor de Abreu Sodré e Amélia Werneck Sodré. Após estudar em escolas públicas e em alguns internatos, ingressou no Colégio Militar do Rio de Janeiro, em 1924, com 13 anos de idade, e na Escola Militar de Realengo, seis anos depois.
Paralelamente à carreira militar, Sodré atuou na grande imprensa, a partir de 1929, publicando centenas de artigos. Concluído o curso, Sodré fez a “declaração de aspirantes” em janeiro de 1934 e logo em seguida foi designado par servir no Regimento de Artilharia de Itu, o tradicional Regimento Deodoro. Foi também em Itu que conheceu Yolanda Frugoli, com quem se casou.
Após a decretação do Estado Novo, em 1937, tornou-se ajudante-de-ordens do general José Pessoa, designado comandante da 9ª Região Militar, em Mato Grosso, em março de 1938. Foi nessa ocasião, quando o Exército foi chamado a intervir em conflitos de terra entre grandes proprietários e agricultores pobres naquele estado, que Sodré teria iniciado a sua inclinação à esquerda, na direção do marxismo.
Ainda em 1938, Sodré publicou seu primeiro grande livro, “História da Literatura Brasileira”, uma análise das questões literárias a partir das relações de propriedade e dos conflitos sociais. Amigo pessoal de Graciliano Ramos, Jorge Amado, entre outros grandes nomes da literatura na época, filiou-se ao Partido Comunista do Brasil (PCB).
Em 1944, iniciou o curso da Escola de Comando e Estado-Maior, concluindo-o em 1946. No ano seguinte, começou a lecionar na Escola, onde permaneceu até 1950 como chefe do Curso de História Militar, participando da campanha “O Petróleo é Nosso”, chegando a dirigir o departamento cultural da escola.
Em 1951, foi desligado da Escola, devido às suas posições políticas de esquerda, que assumiu publicamente, e sua militância política. Foi transferido para o 5º Regimento de Artilharia, em Cruz Alta (RS), onde permaneceu durante quase cinco anos. Em 1955, de volta ao Rio de Janeiro, iniciou suas atividades como professor do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB), instituição rejeitada pelos militares conservadores.
Em 1956, começou a colaborar com o jornal “Última Hora”, onde escrevia a seção literária e os editoriais. Nesse período, passou a integrar a Comissão Diretora da Biblioteca do Exército e a colaborar com o jornal “O Semanário”.
No início de 1962, insatisfeito com as perseguições políticas no exército, Nelson passou à reserva com a patente de general, entregando-se totalmente às atividades intelectuais e ao exercício do magistério no ISEB, onde passou a chefiar o Departamento de História. Nesse mesmo ano, publicou o livro “Formação Histórica do Brasil”, que rapidamente se tornou uma obra de referência . Gerou debates e polêmicas, inserindo-se na grande discussão, iniciada no final dos anos 50 e avançou na década de 60, sobre a chamada “revolução brasileira” que envolveu os grandes intelectuais do período, como Caio Prado Júnior, Celso Furtado, entre outros, e que procurava apontar os rumos que o país deveria seguir.
Com o golpe militar de 01 de abril de 1964, duas semanas depois, Nelson Werneck Sodré teve seus direitos cassados por dez anos. Foi preso no dia 26 de maio e enviado ao Rio de Janeiro, onde ficou detido por 57 dias. Como o regime militar havia tirado de Nelson o direito de ensinar, fechando inclusive o ISEB, sua atividade passou a ser exclusivamente o estudo e a produção de novos livros. Publicando, em 1965, “A História Militar do Brasil”, não parando mais de escrever e publicar sua obra até sua morte.
 
Sua última obra publicada em vida, a 58ª, foi o livro “A Farsa do Neoliberalismo”, lançada em 1995. Em 1998, foi publicado o livro “Tudo é Política, 50 anos do pensamento de Nelson Werneck Sodré” contendo textos inéditos em livro e censurados, organizados por Ivan Alves Filho. Nelson Werneck Sodré morreu no dia 13 de janeiro de 1999, na cidade de Itu (SP), deixando a viúva Yolanda Frugoli Sodré e uma filha. 

 
 


 

DIA 12 DE JANEIRO DE 2010, MORRE ZILDA ARNS

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Não existe ser humano mais perfeito, mais justo e mais solidário e sem preconceitos que as crianças. Como os pássaros que cuidam dos seus filhos ao fazer um ninho no alto das árvores e nas montanhas longe dos predadores, ameaças e perigos, e mais perto de Deus, devemos cuidar de nossos filhos com um bem sagrado, promover o respeito a seus direitos e promovê-los”.
Esse é um trecho do último discurso da dra. Zilda Arns, médica pediatra e sanitarista, fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança, fundadora e coordenadora nacional da Pastoral da Pessoa Idosa, organismos de ação social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Também foi representante titular da CNBB, do Conselho Nacional da Saúde e membro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES). Toda uma vida dedicada ao à luta pelos direitos das crianças, dos idosos, dos pobres.
Zilda Arns Neumann nasceu em Forquilhinha, Santa Catarina, no dia 25 de agosto de 1934, 13ª dos 16 filhos do casal brasileiro de origem alemã, Gabriel Arns e Helene Steiner. Em 1953, começou a estudar medicina, na Universidade Federal do Paraná – UFPR. No mesmo ano que entrou na faculdade, ela começou a cuidar de crianças menores de um ano. Na época, Zilda se impressionou com a grande quantidade de crianças internadas com doenças de fácil prevenção, como diarréia e desidratação.
No dia 26 de dezembro de 1959, casou-se com Aloísio Bruno Neumann (1931-1978), com quem teve seis filhos. No mesmo ano, formou-se em medicina, especializando-se em saúde pública, pediatria e sanitarismo, visando a salvar crianças pobres da mortalidade infantil, da desnutrição e da violência em seu contexto familiar e comunitário.
Trabalhou como médica pediatra no Hospital de Crianças Cezar Pernetta, em Curitiba (PR), e posteriormente, como diretora de Saúde Materno Infantil, da Secretaria de Saúde do Estado do Paraná, cursando também várias especializações como Saúde Pública, pela Universidade de São Paulo (USP) e Administração de Programas de Saúde Materno Infantil , pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS).
Essa experiência fez com que, em 1980, Zilda fosse convidada para coordenar a campanha de vacinação Sabin para combater a primeira epidemia de poliomielite, que começou em União da Vitória (PR), criando um método próprio , depois adotado pelo Ministério da Saúde.
Em 1983, a pedido da CNBB, a Dra. Zilda criou a Pastoral da Criança, juntamente com Dom Geraldo Magela Agnello, Cardeal Arcebispo Primaz de São Salvador da Bahia, que na época era Arcebispo de Londrina. Nessa época, formularam um programa para diminuir a mortalidade infantil com o uso do soro caseiro, As comunidades católicas treinavam voluntários para ensinar mães pobres a usar o soro e evitar que seus filhos morressem de diarreia e desidratação. A primeira cidade a realizar esse trabalho foi Florestópolis, no Paraná, onde a mortalidade infantil era muito alta, logo a mortalidade que era de 127 óbitos para cada mil crianças, baixou para 28 óbitos.
Após 25 anos, a Pastoral acompanhou 1.816.261 crianças menores de seis anos e 1.407.743 famílias pobres em 4.060 municípios brasileiros. Neste período, mais de 261.962 voluntários levaram solidariedade e conhecimento sobre saúde, nutrição, educação e cidadania para as comunidades mais pobres, criando condições para que elas se tornem protagonistas de sua própria transformação social.
A Pastoral utiliza três instrumentos para multiplicar as informações: |Visita domiciliar às famílias; Dia do Peso, também chamado de Dia da Celebração da Vida e Reunião Mensal para Avaliação e Reflexão.
Em 2004, Zilda Arns recebeu da CNBB outra missão: Fundar e coordenar a Pastoral da Pessoa Idosa. Atualmente com mais de 163 mil idosos são acompanhados mensalmente por 19 mil voluntários de 579 municípios de 141 dioceses de 25 estados brasileiros.
Nos anos de 2001, 2002, 2003 e 2005 a Pastoral da Criança foi indicada pelo Governo Brasileiro ao Prêmio Nobel da Paz. Em 2006, a Dra. Zilda foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz, junto com outras 999 mulheres de todo o mundo selecionadas pelo Projeto 1000 Mulheres, da associação suíça 1000 Mulheres para o Prêmio Nobel da Paz.
Zilda Arns recebeu o título de Cidadã Honorária de 11 estados e 37 municípios brasileiros, 19 prêmios (nacionais e internacionais) e dezenas de homenagens de governos , empresas, universidades (incluindo vários títulos de Doutor Honoris Causa), e outras instituições, pelo
trabalho realizado na pastoral da Criança.
No dia 12 de janeiro de 2010, Zilda Arns estava em Porto Príncipe, no Haiti, realizando uma palestra sobre o seu trabalho na Pastoral, para um grupo de religiosos haitianos. Quando terminou a palestra permaneceu no prédio paroquial da Igreja Sacré Coeur, respondendo perguntas dos religiosos. Foi nesse momento que aconteceu o terremoto que destruiu a cidade de porto Príncipe. O prédio de três andares virou um amontoado de pedras e vigas. Zilda foi atingida na cabeça e morreu na hora, junto com outros religiosos que estavam na sala.
Em nota oficial, divulgada na tarde do dia 13 de janeiro de 2010, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que se sentia “profundamente consternado” com as consequências do terremoto e lamentava a morte da dra. Zilda Arns. O irmão da médica, o cardeal Dom Paulo |Evaristo Arns, arcebisto emérito de São Paulo, declarou em entrevista que a irmã “morreu de uma maneira muito bonita, morreu na causa que sempre acreditou”.
 
 Hoje, a Pastoral está presente em todos os estados brasileiros e em outros 21 países da África, Ásia, América Latina e do Caribe. No Brasil, conta com quase 200 mil voluntários e atende a 45 mil comunidades.

7776602DIA 11 DE JANEIRO DE 1945, NASCE GERALDO AZEVEDO
geraldo
 
Já vou embora / mas sei que vou voltar / Amor não chora / Se eu volto é pra ficar / Amor não chora /
que a hora é de deixar / O amor de agora pra sempre ele ficar / Eu quis ficar aqui mas não podia /
O meu caminho a ti não conduzia / Um rei mal coroado não queria /o amor em seu reinado / Pois sabia não ia ser amado / Amor não chora eu volto um dia / O rei velho e cansado já morria / Perdido em seu reinado / Sem Maria / Quando eu me despedia / No meu canto lhe dizia”
Esses versos, que compõem a “Canção da Despedida” de Geraldo Azevedo, em parceria com outro Geraldo, o Vandré, transformaram-se num hino à liberdade durante os anos de chumbo. Quando jovens tiveram que pegar em armas para defender a liberdade, a democracia, muitos desses jovens, encarcerados, após as longas sessões de tortura, só tinham a música como companhia. E no silêncio da madrugada, sozinho na cela, o jovem cantava: “Amor, não chora, eu volto um dia”.
Geraldo Azevedo de Amorim, cantor, compositor e violinista brasileiro, conhecido como Geraldo Azevedo, nasceu no dia 11 de janeiro de 1945, em Petrolina, no coração do sertão de Pernambuco, no bairro Jatobá, à beira do Rio São Francisco. Aos cinco anos de idade, ganhou do pai, José Amorim, seu primeiro violão. A mãe, Dona Nenzinha, professora, cantava e promovia eventos na escola que funcionava em sua própria casa, nesses eventos, Geraldo já cantava e se apresentava.
Mais tarde, na adolescência, com o surgimento da Bossa Nova, Geraldo encanta-se com o som de João Gilberto e passa a estudar violão com mais afinco, chegando a frequentar bailes, apenas para observar e aprender novas harmonias com os músicos. Aos 18 anos, muda-se para Recife, com a intenção de concluir os estudos e prestar vestibular para o curso de arquitetura. Trabalhou como projetista mas não chegou a concluir os estudos, envolvendo-se cada vez mais com a música e os movimentos culturais locais.
Conhece Naná Vasconcelos, Teca Calazans e Paulo Guimarães, passando a integrar o grupo “Construção”. Tocam nas noites de Recife, em Universidades e espaços culturais. Em 1965, funda o grupo “Raiz”, baseado nas artes teatrais, literárias e musicais nordestinas, trabalhando também na produção musical das peças de Emílio Borba Filho, no Teatro Popular do Nordeste. Nesse mesmo ano, conhece a cantora Eliana Pittman, que na época, fazia shows em Recife, com seu pai.
Em 1966, aos 22 anos, compõe a música “Aquela Rosa”, sua primeira composição completa, em parceria com Carlos Fernando; música gravada por Teca Calazans e vencedora do Festival de Música Popular do Nordeste. Em 1967, Geraldo muda-se para o Rio de janeiro, acompanhando o show de Eliana Pittman. Excursiona com a banda pelo Brasil.
Terminada a Turnê de Eliana Pittman, Geraldo forma o Quarteto Livre com Naná Vasconcelos e outros. Participa também da banda de Geraldo Vandré, compondo com ele a “Canção da Despedida”, em 1968. Devido às perseguições políticas, Geraldo Vandré sai do país.
Geraldo Azevedo participa de reuniões clandestinas no Teatro Gláucio Gil, ao lado de muitos artistas, e conhece Glauber Rocha, Caetano Veloso, Walter Lima Júnior, entre outros; ele fica responsável por colher assinaturas para o manifesto contra a censura.
Em 1969, os militares invadem o apartamento onde Geraldo morava com a esposa e um casal de amigos, levando-os presos. Geraldo passa 41 dias na prisão, onde é bárbaramente torturado. Sua esposa, Vitória, fica 80 dias na prisão. Após ser solto, Geraldo volta a trabalhar como projetista na Montreal Engenharia e chega a desenhar para alguns jornais de protesto contra o regime.
Com a chegada do amigo Alceu Valença ao Rio de Janeiro, Geraldo retorna aos poucos à vida musical. Juntos compões a música “Talismã”, que foi censurada pela ditadura, juntamente com “Canção da Despedida”. Alceu e Geraldo participam juntos do IV Festival Universitário da MPB com as canções “78 Rotações” e “Planetário”; e do Festival Internacional da Canção com “Papagaio do Futuro”, ao lado de Jackson do Pandeiro.
Em 1972, lançaram pela gravadora Copacabana o primeiro disco da dupla, chamado “Alceu Valença & Geraldo Azevedo”, conhecido como “Quadrifônico”, nesse disco estão os sucessos “Novena” (Geraldo Azevedo e Marcus Vinicius) e “Talismã” (Geraldo Azevedo e Alceu Valença). Após a gravação do disco, os dois seguiram carreira solo. Em 1974, Alceu e Geraldo compõem “Caravana”, grande sucesso na trilha sonora da novela “Gabriela Cravo e Canela, da TV Globo.
Ainda em 1974, Geraldo é preso novamente pela ditadura militar; sua esposa Vitória foi levada, grávida de seu segundo filho, à prisão, e obrigada a ouvir os gritos de tortura do marido. Ela logo foi solta; Geraldo passou dias na solitária e foi duramente maltratado. Em um dos interrogatórios, os torturadores o obrigaram a tocar violão, o que o salvou de novas torturas, pois ele passou a ser forçado a tocar para os torturadores e carcereiros dali em diante, até ser libertado.
Em 1976, foi lançado o seu primeiro disco solo, “Geraldo Azevedo”, pela gravadora Som Livre”, que traz os sucessos “Caravana”, “Barcarola do São Francisco” e “Talismã”. Em 1979, foi gravado o disco “Bicho de Sete Cabeças”, com a participação de Dori Caymmi, Zé Ramalho, Dominguinhos, Danilo Caymmi, Robertinho de Recife, Amelinha e Elba Ramalho. Nesse disco estão as canções “Táxi Lunar” (parceria com Alceu Valença e Zsé Ramalho); “Bicho de sete Cabeças” (parceria com Zé Ramalho e Renato Rocha), entre outros.
Em 1982, Geraldo une-se a Xangai, Elomar e Vital Farias , que saem em turnê pelo Brasil com o projeto “Cantoria”, que rende dois discos: “Cantoria 1” e “Cantoria 2”,pela gravadora Quarup, lançados em 1984 e 1988, sendo os primeiros discos gravados ao vivo em digital no Brasil.
Em 1985, lança seu primeiro disco solo gravado ao vivo, chamado “Geraldo Azevedo”, dentro do projeto “Luz do Solo”, com a participação de Zé Ramalho e Elba Ramalho, onde pela primeira vez é gravada a “Canção da Despedida”, até então censurada pela ditadura militar. No mesmo ano, Geraldo cria a Geração Produtora, sua editora exclusiva, sendo um dos primeiros artistas a iniciar o processo de independência das gravadoras.
Em 1986, lança o seu primeiro disco independente chamado “De Outra Maneira”; o trabalho ganha o Disco de Ouro e torna-se um dos seus maiores álbuns. Onde constam os sucessos “O Princípio do Prazer” (Geraldo Azevedo); “Chorando e Cantando” (Fausto Nilo e Geraldo Azevedo); e “Dona da Minha Cabeça (Fausto Nilo e Geraldo Azevedo). Em 1994, a música “Talismã” entra para a trilha do remake de “Irmãos Coragem”, da Rede Globo.
Em 1995, Inicia o Projeto “Dueto”, em parceria com Zé Ramalho, em turnê pelo Brasil. Em uma das apresentações, no Canecão, Rio de Janeiro, os amigos Alceu Valença e Elba Ramalho encontravam-se na platéia, e subiram ao palco para cantarem também, assim nasce uma das maiores reuniões musicais do Brasil: “O Grande Encontro”.
No ano de 1996, é gravado o disco “O Grande Encontro”, onde os quatro cantam clássicos de suas carreiras e resgatam sucessos de Luiz Gonzada, Geraldo Vandré, Chico Cesar, e Vital Farias. O trabalho ganha o Disco de Platina Triplo. Em 1997, é lançado “O Grande Encontro 2”, gravado em estúdio, sem a participação de Alceu Valença.
Em 2016, Geraldo recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade do Vale do São Francisco (UNIVASF), Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e Faculdade de Ciências Aplicadas e Sociais de Petrolina (FACAPE), por sua contribuição à cultura e à arte brasileira. A solenidade ocorreu em sua terra natal, Petrolina. As músicas “Caravana”, “Barcarola do São Francisco”,Talismã” e “Moça Bonita”integraram a trilha sonora da novela “Velho Chico”, da TV Globo.
Em depoimento ao projeto “Depoimentos para a Posteridade”, do Museu da Imagem e do Som (MIS), Geraldo afirmou: “Hoje fazemos música em um país mais livre. Mas a lição que tirei daquela época e repasso aos mais jovens é que a arte sempre prevalece. Mesmo nas condições mais adversas, a arte e a cultura se sobressaem”.

DIA 10 DE JANEIRO DE 1948, CASSADOS OS MANDATOS PARLAMENTARES DO PCB
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O Partido Comunista Brasileiro (PCB), foi fundado em Niterói, Rio de Janeiro, sob o nome de Partido Comunista do Brasil, em 25 de março de 1922, por nove delegados, representando cerca de 73 militantes de diferentes regiões do país. Apesar de seu pouquíssimo período na legalidade, e de ter sido a matriz da qual surgiram vários partidos e movimentos importantes para a esquerda brasileira, o PCB é considerado o mais antigo e o mais importante partido brasileiro, confundindo-se com a história do Brasil a partir do início do século XX.
Já no mês de junho do ano de sua fundação, o governo de Epitácio Pessoa o coloca na ilegalidade. Tornando-se legal apenas em janeiro 1927, quando elegeu Azevedo Lima para a Câmara dos Deputados. Sendo proscrito novamente em agosto.
Em 1935, comandado por Luiz Carlos Prestes, o lendário “Cavaleiro da Esperança”, o PCB participa da Aliança Nacional Libertadora (ANL), movimento de massas que buscava, entre outras providências, a Reforma Agrária. Após a ANL ser posta na ilegalidade, o PCB comanda a revolta denominada “Intentona Comunista”. A insurreição foi derrotada, seguindo-se violenta repressão. , num processo que termina com a instalação da ditadura do Estado Novo, em 1937. Com a maioria dos seus dirigentes presos, inclusive Prestes, o PCB ficou desarticulado.
Em 1945, Os dirigentes do PCB são anistiados, e o PCB retorna à legalidade, obtendo seu registro eleitoral. Nas eleições presidenciais, realizadas em 2 de dezembro daquele ano, o PCB concorreu à presidência da República e à Assembleia Nacional Constituinte, alcançando um resultado surpreendente. Obteve 10% da votação nacional, elegendo 15 deputados federais, entre eles, Jorge Amado, Carlos Marighella, Gregório Bezerra e Maurício Grabóis; e um senador, Luiz Carlos Prestes, o segundo mais votado do país, suplantado apenas por Getúlio Vargas, o primeiro mais votado.
Entre as 13 agremiações partidárias, o PCB tornou-se a quarta força eleitoral , atrás do Partido Social Democrático (PSD), da União Democrática Nacional (UDN) e do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Nesse período, diversos partidos comunistas pelo mundo, sobretudo na Europa, também tiveram grande crescimento eleitoral. A política adotada por todos, de estabelecer alianças para combater o avanço do nazi-fascismo, deu bons resultados.
Também nas eleições municipais de 1946, o PCB obteve ótimo resultados, elegendo centenas de vereadores, e uma grande bancada na Câmara Municipal do Distrito Federal (Rio de Janeiro).
Em apenas dois anos de legalidade, o PCB chegou à surpreendente marca de 200 mil filiados, consolidando-se como partido de massas e com forte atuação nos movimentos sociais espalhados pelo país, criando principalmente as Ligas Camponesas, principal instrumento de luta pela reforma agrária, além da Juventude Comunista, que mobilizava os estudantes por todo o Brasil. O que preocupava as classes dominantes e seus partidos conservadores, que iniciaram, com apoio da imprensa e de setores do judiciário, uma campanha pela cassação do Partido Comunista.
No dia 7 de maio de 1947, o Tribunal Superior Eleitoral, por 3 votos contra 2, decidiu-se pela cassação do registro partidário. No dia 10 de maio, o Ministro da Justiça determinou no encerramento das atividades do Partido Comunista em todo o território Nacional. Imediatamente as sedes do Partido foram invadidas, ilegalmente, e fechadas pela polícia.
No dia 21 de outubro de 1947, a sede do jornal Tribuna Popular foi atacada e seus ocupantes espancados pela polícia. No mesmo dia, Dutra rompeu relações diplomáticas com a URRS e, poucos dias depois, se realizou uma manifestação anti-comunista de apoio à decisão do governo. Ela foi promovida por sindicalistas de direita e empresários que liberaram seus trabalhadores e forneceram transporte gratuito. Assim, a reação buscava mobilizar os trabalhadores menos politizados para a campanha contra os comunistas.
No dia 7 de dezembro, o líder da bancada comunista, Maurício Grabóis fez seu histórico discurso em defesa dos mandatos afirmando: “Sr. Presidente, o que está se passando neste Parlamento é uma traição à democracia (…) A verdade é esta: somos a expressão legítima do povo brasileiro. Podem nos chamar de agentes de qualquer nação, mas a nossa atitude tem sido das mais patrióticas, sem precedentes em nossa história política, em defesa das instituições democráticas e dos interesses do Brasil. As outras bancadas não podem dizer o mesmo, porque são constituídas , na sua quase totalidade, de representantes dos latifundiários, dos industriais, dos reacionários e de advogados de bancos estrangeiros”.
Finalmente, no dia 10 de janeiro de 1948 o projeto de cassação foi aprovado na Câmara dos Deputados por uma ampla margem de votos, 179 contra apenas 74. O PSD votou massivamente a favor da cassação, seguido pelos pequenos partidos conservadores. A UDN dividiu-se ao meio e a maioria dos deputados do PTB se posicionou contra a cassação.
Ao combativo deputado Gregório Bezerra coube fazer o último discurso da bancada na Câmara dos Deputados, logo em seguida, já cassado, seria preso sob a falsa acusação de ter ateado fogo num quartel em João Pessoa, pela qual Bezerra passaria 18 meses na prisão.
Em, 1960, ainda na ilegalidade, adota o nome Partido Comunista Brasileiro, mantendo a sigla PCB. No dia 18 de fevereiro de 1962, um grupo comandado por João Amazonas, Mauricio Grabois, entre outros, afasta-se do PCB e forma nova agremiação partidária denominada Partido Comunista do Brasil e adota a sigla PCdoB. Após o golpe militar de 1964, o PCdoB opta pela luta armada, iniciando os preparativos para dar início à Guerrilha do Araguaia.
 
Em 1985, com o fim do regime militar e o início da Nova República, o PCB, o PCdoB, entre outras siglas oriundas do chamado “Partidão”, passam a funcionar na legalidade.

DIA 9 DE JANEIRO DE 2003, PROMULGADA A LEI 10.639
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                O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em uma de suas primeiras ações à frente do governo brasileiro, assinou a Lei nº 10.639, em 09 de janeiro de 2003, alterando a LDB, Lei 9.394/96, que tornou obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-brasileira. A Lei 10.639 foi criada com o objetivo de levar para as salas de aula mais informações sobre a cultura afro-brasileira e africana do que a escravidão negra no Brasil. Propondo novas diretrizes para valorizar e ressaltar a presença africana na sociedade, além de ser um instrumento contra a discriminação e o preconceito racial, a Lei ainda não é cumprida em todas as escolas.
            Marco fundamental na história das lutas anti-racismo e pela democratização do ensino, a lei 10.639, que  completa 14 anos em 2017, é mais um capítulo  da Política da Igualdade Racial promovida nos governos Lula e Dilma, que consiste numa série de ações que vinha,  juntamente com a implementação do Estatuto da Igualdade Racial, e da criação da Seppir – Secretaria de Promoção de Políticas de Igualdade Racial, que coordena ações integradadas de vários órgãos governamentais que implementam programas educacionais e sociais; valorizando  a população afro-descendente brasileira.
            Segundo Jaqueline Santos, assessora do Programa Diversidade e Raça na Educação da Ação Educativa, a construção desta pauta começou há mais de um século, quando os/as negros/as do pós-abolição viram na educação formal uma maneira de ascender socialmente . “Sabemos que o ambiente escolar é responsável pela manutenção das desigualdades e da discriminação.  Em um primeiro momento, a educação foi extremamente valorizada como forma da população negra alcançar novos postos e enfrentar os/as brancos/as numa sociedade em pleno processo de modernização. A história começa a mudar quando acontece a percepção de que a educação eurocentrista, amplamente praticada nas escolas, inferiorizava racialmente negros/as. Era preciso romper, era preciso re-significar a África”, comenta a educadora.
            Ao longo dos anos – sobretudo com o surgimento dos novos movimentos sociais na década de 1970 e a retomada das organizações negras em 1978 após o refluxo ocorrido em função do auge do período ditatorial – a educação ganhou cada vez mais destaque. O cenário se tornou ainda mais favorável na Constituinte de 1988, quando o ensino da história do Brasil,  considerando as diferentes culturas e etnias passou a ser exigência comum das entidades negras.
            Na primeira metade da década de 90 do século XX, foi realizado um dos eventos mais significativos para o movimento negro brasileiro, a Marcha Zumbi dos Palmares Contra o Racismo, Pela Cidadania e a Vida. Recebidos por Fernando Henrique Cardoso, no Palácio do Planalto, os/as organizadores/as entregaram ao presidente o “Programa de Superação do Racismo e Desigualdade Racial”, ato que culminou em mudanças como a revisão dos livros didáticos ou mesmo eliminação daquelas obras que traziam os/as negros/as de forma estereotipada, vinculados a valores pejorativos.
            Mais do que isso, a contínua pressão e mobilização conquistou, por meio de leis, a inclusão de disciplinas sobre a História dos Negros no Brasil e do Continente Africano nos ensinos fundamental e médio das redes estaduais e municipais de estados como a Bahia e cidades como Belo Horizonte, Porto Alegre, Belém, Aracaju, São Paulo, Teresina e Brasília. Jaqueline relembra que apesar da obrigatoriedade do estudo da história dos/as negros/as, pouco se fez para que ocorresse uma efetiva implementação destas normas estabelecidas regionalmente.
            No início de 2003, no entanto, com a posse do presidente Lula, o crescimento do debate em âmbito nacional resultou, finalmente, na alteração da Lei de Diretrizes e Bases da Educação com a sanção da conhecida lei 10.639, que determinou os seguintes artigos:
Art. 26 – A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira.
§ 1ª – O Conteúdo programático a que se refere o caput deste artigo incluirá o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil.
§ 2ª – Os Conteúdos referentes à História e Cultura Afro-Brasileira serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de Educação Artística e de Literatura e História Brasileiras.
Art. 79-B. O calendário escolar incluirá o dia 20 de novembro como “Dia Nacional da Consciência Negra”.
            Todos estes dispositivos legais encontraram nas “Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnicos-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana” as orientações para formulação de seus projetos comprometidos com a educação de relações étnico-raciais positivas. Este parecer, aprovado em 2004, procurou dar respostas na área de educação para demanda da população afrodescendente, por meio da construção de uma política curricular que combatesse o racismo e as discriminações, especialmente dos negros.
            Diante desta contextualização, Jaqueline chama a atenção para a importância da participação e do controle social, sem os quais, segundo a educadora, seria impossível pensar em uma forma de regulamentação que efetive a implementação da Lei 10.639.  Avançamos, mas não podemos parar por aí, a legislação federal é genérica, devemos buscar o acúmulo que temos enquanto movimento, estabelecer metas e lutar para que elas sejam cumpridas”, conclui.
            Denise Carreira, Coordenadora da Área de Educação da Ação Educativa, recorda que um ano após a sanção da 10.639,  os movimentos negros, entidades da área de educação e setores governamentais já se organizaram no sentido de acompanhar à incorporação da diversidade étnico-racial nas práticas escolares.
            “Foi um período de muitas pesquisas, cruzamento de dados, visitas às escolas, diálogos com gestores/as. Precisávamos checar como a 10.639 estava chegando às mais diferentes partes do país. Logo percebemos vários pontos em comuns nas análises, que culminavam em uma implementação fragmentada sem apoio dos/as gestores/as escolares, tendo como característica uma baixa institucionalização. Bastava fazer uma feira no dia 13 de maio, levar um grupo de capoeira para escola no dia 20 de novembro que se acreditava estar implementando a lei”, relembra.
            A partir deste diagnóstico e de uma série de encontros denominados “Diálogos Regionais sobre a Implementação da Lei 10.639/2003”, coordenado pelo professor Valter Silvério em 2008, as entidades do movimento negro passaram a exigir a construção de um plano que estimulasse as redes de ensino a garantir condições concretas para efetivação de uma educação anti-racista. Como decorrência, foi criada a Comissão Interministerial responsável por desenvolver o plano de implementação da 10.639.
             Denise destaca que o objetivo não era sobrepor as diretrizes, mas sim apresentar condições para que “a lei ganhasse raízes no mundo da escola”. Ela destaca os eixos do documento: Fortalecimento do marco legal; 2) Política de formação para gestores e profissionais de educação;  3) Política de material didático e paradidático; 4) Gestão democrática e mecanismos de participação social 5) Avaliação e Monitoramento; 6) Condições institucionais .
             Para a coordenadora, “o momento em que vivemos vem muito da reflexão promovida pelo Plano da 10.639. Afinal, o que significa implementar esta lei? Quais são os elementos que a caracterizam? Temos que ter como horizonte o debate sobre qualidade educacional, combater desigualdades é premissa para a garantia do direito humano à educação de qualidade. Para isso, não podemos esquecer da demanda do financiamento, além do que precisamos pensar e incluir nossas metas no Plano Nacional de Educação”.
            Em 2017, com o impeachment da presidente Dilma, com a nova política neoliberal  implementada pelo governo golpista de Michel Temer, além do advento de um Congresso Nacional de maioria conservadora e, em grande parte, religiosa-fundamentalista, tendo aprovado, inclusive a famigerada lei “Escola Sem Partido”, corre-se o risco de um desmonte da política de Igualdade Racial. O que faz com que a mobilização, não só do movimento negro, como de todas as forças progressistas, seja amplificada,para  que avanços como a lei 10.639 não sejam retirados do povo brasileiro.

DIA 8 DE JANEIRO DE 1912,   FUNDADO O PARTIDO NACIONAL AFRICANO
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            O Congresso Nacional Africano (ANC),  foi fundado no dia  8 de Janeiro de 1912, na África do Sul como Congresso Nacional dos Nativos Sul-africanos (South African Native National Congress ou SANNC). por um conjunto  de chefes tribais,  representantes de igrejas, intelectuais, estudantes e  grupos da sociedade civil,  decididos a construir uma organização para lutar pelos direitos dos negros. Estes direitos incluíam o direito à terra, à liberdade de movimentos e de emprego – que eram recusados aos negros sul-africanos pelo  regime racista denominado “Apartheid”, em vigor no país, implantado pela  minoria branca . A proposta principal era defender maiores liberdades civis, assim como o fim das penas injustas contra a população negra do país.
            Temendo o crescimento do partido, o governo da recém-instaurada União da África do Sul iniciou um sistema de repressão violenta aos negros sul-africanos. Em 1913, foi promulgado o Ato de Terras (Land Act), que forçava os “nativos” (como eram conhecidos os negros) a abandonar as áreas rurais e migrar para os centros urbanos a fim de trabalhar.
            Anos depois, em 1923, o SANNC ganhou o apoio da União Industrial e Comercial (ICU) e do Partido Comunista, formando assim um novo e mais articulado partido chamado Congresso Nacional Africano. Em 1927, o presidente do CNA, J.T Gumede, propôs uma união com os comunistas, fato que não procedeu fazendo com que o partido permanecesse na obscuridade até os anos de 1940. A partir deste período o CNA tomou uma iniciativa mais próxima das massas operárias dos centros urbanos, retomando sua popularidade inicial.
 
            Todos os que se opunham ao apartheid, particularmente os negros sul-africanos, ficaram sujeitos a uma opressão sem precedentes. Até mesmo manifestações pacíficas, foram objeto de violência, como, por exemplo, no ato que ficou conhecido como  “O Massacre de Sharpeville”, que ocorreu no dia  21 de Março de 1960, quando  ocorreu,  na cidade de Sharpeville, na província de Gauteng, na África do Sul, um protesto, realizado pelo Congresso Pan-Africano (PAC). O protesto pregava contra a Lei do Passe, que obrigava os negros da África do Sul a usarem uma caderneta na qual estava escrito onde eles poderiam ir.
            Cerca de vinte mil manifestantes reuniram-se em Sharpeville, uma cidade negra nos arredores de Johannesburg, e marcharam calmamente, num protesto pacífico. A polícia sul-africana conteve o protesto com rajadas de metralhadora.Morreram 69 pessoas, e cerca de 180 ficaram feridas. Após esse dia, a opinião pública mundial focou sua atenção pela primeira vez na questão do apartheid.
            Em 1961, uma liderança – que incluía Nelson Mandela, Oliver Tambo e Walter Sisulu – constatou que a resistência pacifica tinha fracassado. Convenceram a maioria do ANC a adotar uma política de luta armada e a formação da ala militar. Foi criada então a “Lança da Nação”, também conhecida pela sigla “MK”, o braço armado do CNA, tendo Mandela como primeiro comandante em chefe. Era a resposta do movimento ao “Massacre de Sharpeville”,  no entendimento de que o apartheid não mais poderia ser combatido com a não-violência.
            Segundo o próprio Mandela,  a instituição não poderia ser o começo de um militarismo; a organização deveria ser uma força militar totalmente subordinada a um órgão político central. O treinamento militar seria paralelo ao político, de forma a ficar bem definido que a revolução servia para tomar o poder, e não para habilitar atiradores. Após centenas de atos de sabotagem, como a destruição de postes de eletricidade, ataques a postos policiais, entre outros,  Mandela e várias lideranças do ANC foram presos ou fugiram  para o exílio.
            Em 11 de junho de 1964,  Mandela recebe uma pena de prisão perpétua. A prisão dos líderes do CNA não esmoreceu a sede de justiça do povo Sul-Africano, que continuou sua luta contra o regime, o que fez com que o governo aumentasse a repressão.
             O “Levante de Soweto” foi um dos mais sangrentos episódios de rebelião negra desde o início da década de 1960, desencadeado pela repressão policial do apartheid. No dia  16 de junho de 1976, o movimento estudantil organizou uma passeata de protesto contra a inferioridade das “escolas negras” na África do Sul. Estima-se que havia entre 15.000 e 20.000 estudantes na  manifestação pacífica.  Os estudantes, cantando, marchavam por Soweto (subúrbio negro em Johanesburgo) em direção a um estádio aberto, onde fariam um comício. A passeata  foi alvo de uma bomba de gás lacrimogêneo lançada por um policial, para, em seguida, ser atingida pelos  disparos das tropas de choque munidas de armas automáticas. O número de pessoas mortas oficialmente é de 95, mas há estatísticas de que foram 700. Um dos mortos foi o estudante Hector Pieterson, aos 13 anos de idade, que se tornou símbolo do massacre.
            No decorrer dos 27 anos que ficou preso, Mandela se tornou de tal modo associado à oposição ao apartheid que o clamor “Libertem Nelson Mandela” se tornou o lema das campanhas antia-partheid em vários países. Durante os anos 1970, ele recusou uma revisão da pena e, em 1985, não aceitou a liberdade condicional em troca de não incentivar a luta armada. Mandela continuou na prisão até fevereiro de 1990, quando a campanha do CNA e a pressão internacional  conseguiram que ele fosse libertado em 11 de fevereiro, aos 72 anos, por ordem do presidente Frederik Willem de Klerk.
            Nelson Mandela e Frederik de Klerk dividiram o Prêmio Nobel da paz em 1993. Como presidente do CNA (de julho de 1991 a dezembro de 1997) e primeiro presidente negro da África do Sul (de maio de 1994 a junho de 1999), Mandela comandou a transição do regime de minoria no comando, o apartheid, para o de uma democracia plena, ganhando respeito internacional por sua luta em prol da reconciliação interna e externa.
              Desde o fim do regime conhecido como Apartheid, em 1994, o CNA é o principal partido político da África do Sul, sendo apoiado pela aliança do  Congresso dos Sindicatos Sul africanos com  o Partido Comunista Sul-Africano. O líder  Nelson Mandela  foi a figura mais influente do partido, assim como de todo o continente africano. Nas eleições de 2009, o Congresso Nacional Africano obteve 65.9% dos votos para Assembleia Nacional, confirmando-se como o partido político dominante. O atual líder do CNA é o também Presidente da RepúblicaJacob Zuma.

 

DIA 6 DE JANEIRO DE 1872, NASCE JULIANO MOREIRA, O PAI DA PSICOLOGIA  BRASILEIRA
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                Negro, pobre, filho de uma empregada doméstica, nascido poucos anos antes da assinatura da Lei Áurea, Juliano Moreira contrariou em sua vida todos os prognósticos, todas as expectativas para um jovem negro num país onde a elite,  ainda impactada pela abolição, se preparava em ampliar a segregação. Foi médico, psiquiatra, diretor de hospital , professor universitário e pioneiro, tanto no tratamento  no tratamento da saúde mental, quanto em várias outras áreas da medicina, sendo considerado “O pai da psicologia brasileira”.
                Juliano Moreira nasceu em Salvador, no dia 6 de janeiro de 1872, filho de Galdina Joaquina do Amaral, que trabalhava como doméstica na residência de Luís Adriano Alves de Lima Gordilho, Barão de Itapuã. Somente após a morte de sua mãe, quando Juliano tinha 13 anos de idade, é que ele foi assumido pelo pai, Manuel do Carmo Moreira Junior, português, inspetor de iluminação pública.
                Graças ao apoio do Barão de Itapuã, seu padrinho, que era médico e professor da Faculdade de Medicina da Bahia, Juliano Moreira fez os cursos preparatórios e ingressou  no curso de medicina, em 1886, com 14 anos de idade, incompletos. Formou-se em 1891, aos 19 anos.  No mesmo ano, prestou concurso para professor da mesma universidade onde se formou. A banca examinadora era quase toda constituída de escravocratas e não queriam um mulato ao seu lado na faculdade. O salão nobre ficou lotado de estudantes, torcendo por Juliano. Quando saiu o resultado, mostrando que o jovem médico foi aprovado por unanimidade, aplausos e vivas ecoaram por todo o campus, a comoção foi geral.
                Em 1894, Juliano funda, junto com Nina Rodrigues e outros médicos, a Sociedade de Medicina e Cirurgia do Estado da Bahia. Nesse período trabalhou na Inspetoria de Higiene, assistindo à população de rua que sofria de febres e desinterias em cidades nos arredores de Salvador.
                De 1895 a 1902, Juliano freqüentou cursos sobre doenças mentais e visitou muitos asilos europeus, na Alemanha, Inglaterra, França, Itália e Escócia. Em 1899, Juliano Moreira organizou uma conferência em que divulgou as idéias de Sigmund Freud , sendo por isso considerado o precursor da psicanálise no Brasil.
                Em 1903,  assume  no Rio de Janeiro, a direção do Hospital Nacional dos Alienados,  efetuando mudanças na qualidade de vida dos internos. Uma das primeiras medidas tomadas por ele foi a separação das crianças do pavilhão de adultos, colocando-as em local especial para elas. Entre outras mudanças revolucionárias, aboliu os coletes, as camisas de força e as grades de ferro nas janelas, adotando a terapia do repouso e o trabalho em  oficinas. Em 1907, fundou a Sociedade Brasileira de Psiquiatria, Neurologia e Medicina.
                Como intelectual, Juliano Moreira combateu a tese denominada de “Racismo Científico”,  defendida pela maioria dos seus colegas médicos, de que a degeneração do povo brasileiro era devido à mestiçagem, especialmente por conta da suposta contribuição negativa dos negros ,polemizando com o colega Nina Rodrigues, entre outros. Destacou-se também na área da Dermatologia, sendo o primeiro pesquisador a identificar a leishmaniose cutâneo-mucosa e buscou provar que a cor da pele não influenciava a na saúde das pessoas.
                Em 1911, criou o manicômio Judiciário, onde recebeu, em 18 de abril, o “Almirante Negro” João Cândido, líder da Revolta da Chibata, que cumpria pena na Ilha das Cobras, sendo transferido para o Hospital dos Alienados, por ser considerado doente mental, ali permanecendo durante dois meses. Em 1917, Juliano Moreira ingressou na Academia Brasileira de Ciências, na vaga de Oswaldo Cruz.
                Juliano Moreira foi o primeiro psiquiatra brasileiro a receber reconhecimento internacional. Em 1928, foi convidado pelas Universidades de Tóquio, Kioto, Sendai, Hokaido, Fuknoka, Osaka, entre outras, no Japão, para realizar conferências. Foi recebido como celebridade pela classe médica do país; as sociedades japonesas de Neurologia e Psiquiatria elegeram-no membro Honorário. O imperador do Japão concedeu-lhe a Ordem do Tesouro Sagrado, uma das maiores honrarias daquele país.  
                Mais tarde, seguiu para a Europa, onde as Sociedades de Neurologia e Psiquiatria de Berlim e Hamburgo o elegeram seu membro honorário, assim como a Sociedade Médica de Munique e a Cruz Vermelha Alemã. A Universidade de Hamburgo conferiu-lhe a Medalha de Ouro, que era a maior honra conferida a um professor estrangeiro.
                Em 8 de dezembro de 1930, Juliano Moreira foi destituído da direção do Hospital Nacional de Alienados, onde também morava. Aposentado, foi morar num hotel em Santa Teresa. Juliano morreu no dia 2 de maio de 1932, aos 59 anos, de Tuberculose, em Petrópolis, Rio de Janeiro.

DIA 5 DE JANEIRO DE 1932, NASCE UMBERTO ECO
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“As redes sociais dão o direito de falar a uma legião de idiotas que antes só falavam em um bar depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a humanidade. Então, eram rapidamente silenciados, mas, agora, têm o mesmo direito de falar que um prêmio Nobel. É a invasão dos imbecis” – Frases como essa, dita em entrevista ao jornal “La Stampa”, mostram a sinceridade  com que o escritor, filósofo, semiólogo e professor universitário Umberto Eco tratava os mais variados temas, sem medo de polêmicas, doesse a quem doesse.
Umberto Eco nasceu no dia cinco de janeiro de 1932, na cidade de Alexandria, em Piemonte, na Itália. Filho de Giulio Eco e Giovanna Eco. Estudou na Universidade de Turim, onde se inscreveu inicialmente em Direito mas acabou se transferindo para o curso de literatura e filosofia medieval, doutorando-se em 1954 com uma tese sobre São Tomás de Aquino. 
Começou sua carreira como filósofo sob a orientação de Luigi Pareyson, dedicando-se aos estudos da estética medieval. Na década de 1960, Eco notabilizou-se pelos seus estudos acerca da cultura de massa, em especial os ensaios contidos no livro “Apocalípticos e Integrados” (1964), onde ele defende uma nova orientação nos estudos dos fenômenos da cultura de massa. 
A partir da década de 1970, Eco passa a tratar quase que exclusivamente de Semiótica, publicando livros como “As formas do Conteúdo” (1971) e “Tratado Geral de Semiótica” (1975), entre outros. alcançando fama na comunidade acadêmica internacional. 
Em 1980, publicou o romance “O Nome da Rosa”, que lhe trouxe fama mundial. Ambientado num mosteiro na Idade Média, pleno de erudição e intrigas, o livro foi  foi um sucesso de vendas. Foi adaptado para o cinema em 1988 por Jean Jacques Annaud, e teve Sean Connery no papel principal. 
Além de “O Nome da Rosa”, Eco publicou outros três romances que foram sucesso no mundo inteiro: “O Pêndulo de Foucault” (1988), “A ilha do dia antes” (1994) e “Baudolino” (2000). Eco foi um dos poucos autores que conseguiram destaque tanto no cenário acadêmico como no literário, uma vez que conseguiu conciliar o trabalho teórico-crítico com produções artísticas, exercendo influência considerável nos dois âmbitos.
Umberto Eco morreu em Milão, Itália, no dia 19 de fevereiro de 2016, aos 84 anos de idade.

DIA 4 DE JANEIRO DE 1988, MORRE HENFIL

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“Somos combatentes, idealistas mas plenamente conscientes, porque ter consciência não nos obriga a ter teoria sobre as coisas, só nos obriga a sermos conscientes”. Essa é uma das frases famosas de Henfil, escritor, jornalista e um dos maiores cartunistas brasileiros, que resistiu à ditadura com cartuns inteligentes e irônicos. Autor da expressão “Diretas Já”, nome do movimento pela volta das eleições populares e pelo fim da ditadura militar, Henfil participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT) e do jornal “O Pasquim”, um marco na luta contra a ditadura.
Henrique de Souza Filho, conhecido como Henfil, nasceu no dia 5 de fevereiro de 1944, emn Ribeirão das Neves, Minas Gerais e cresceu na periferia de Belo Horizonte, onde freqüentou um curso supletivo noturno e um curso superior em sociologia na Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG, que abandonou depois de dois meses. Trabalhou como embalador de queijos, contínuo em uma agência de publicidade e jornalista, até seespecializar, no início da década de 1960, em ilustração e produção de histórias em quadrinhos.
A estréia como ilustrador se deu em 1964, quando, a convite do editor e escritor Roberto Drummond, começou a trabalhar na revista “Alterosa”, de Belo Horizonte, onde criou “Os fradinhos”. Foi Drummond que criou o apelido que o acompanhou por toda a vida. Ele juntou as primeiras sílabas dos nomes Henrique e Filho.
Em 1965, Henfil passou a colaborar com o jornal “Diário de Minas”, produzindo caricaturas políticas. Em 1967, criou charges esportivas para o Jornal dos Sports, do Rio de Janeiro. Também teve seu trabalho publicado nas revistas “Realidade”,”Visão”, “Placar” e “O Cruzeiro”.
A partir de 1969, passou a colaborar com o “Jornal do Brasil “e com “O Pasquim”, onde seus personagens atingiram um grande nível de popularidade. Em 1970, lançou a revista “Fradim”, com sua marca registrada: Um desenho humorístico, crítico e satírico, com personagens tipicamente brasileiros e que retratavam as situações da época.
Com a decretação do AI-5, que garantia a censura dos meios de comunicação, e os órgãos de repressão prendendo e torturando os “subversivos”, Henfil, lançou a revista “Fradim” pela Editora Codecri, que tornou seus personagens conhecidos. Além dos fradinhos, Cumprido e Baixim, a revista reuniu Graúna, Bode Orelana, o nordestino Zeferino, e, mais tarde, Ubaldo, o paranóico.
Henfil envolveu-se também com cinema, teatro e televisão, trabalhando na Rede Globo, como redator do extinto programa “TV Mulher”, além de literatura, publicando sete livros entre 1976 e 1984: “Hiroshima, Meu Humor”, “Diário de um Cucaracha”, “Dez em Humor (Coletiva), “Diretas Já”, “Henfil na China”, “Fradim de Libertação” e “Como se Faz Humor Político”.
Henfil ficou conhecido por sua atuação nos movimentos sociais e políticos brasileiros, lutando contra a ditadura, pela democratização do país, pela anistia aos presos políticos e pelas Diretas Já. Na história dos quadrinhos no Brasil, renovou o desenho humorístico com seus personagens. Em 1981, Henfil ganhou o“Prêmio Vladimir Herzog” na categoria Artes pelo conjunto de sua obra, pela revista “IstoÉ”.
Henfil morreu no dia 4 de janeiro de 1988, aos 43 anos, vítima de Aids, doença contraída em uma transfusão de sangue. Hemofílico, ele tinha a saúde precária, assim como seus dois irmãos, o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho , e o músico Francisco Mário, que também morreram de Aids.

DIA 3 DE JANEIRO DE 1974, NASCE MV BILLL
 
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            “Eu não queria ta nesse bagulho / JÁ to no prejuízo um tiro na barriga  / Na próxima batida quem sabe levam minha vida  / Eu vou deixar meu moleque sozinho  / Com tendência a trilhar meu caminho / Se eu cair só minha mãe vai chorar / Na fila tem um monte querendo entrar no meu lugar / Não sei se é por virar bandido / Ou se matar por um salário mínimo / Eu no crime ironia do destino /  Minha mãe ta preocupada / seu filho ta perdido / Enquanto não chegar a hora da partida  / Agente se cruza nas favelas da vida
            Esse é um trecho de “Soldado do morro”, uma das músicas mais conhecidas de MV BILL, um dos mais conhecidos e premiados rappers do Brasil, que também atua como ator, escritor e ativista brasileiro.
            Alex Pereira Barbosa nasceu no dia 3 de janeiro de 1974, no bairro Cidade de Deus, Rio de Janeiro, onde reside até hoje. Filho do bombeiro e sambista conhecido como Mano Juca e da dona de casa Cristina. Ganhou o apelido de “Bill” aos oito anos de idade.
            Sua relação com o movimento Hip-Hop começou em 1984, quando assistiu o filme “Collors – As cores da Violência”, de Spike Lee. A partir daí passou a ter o rap como fonte de militância  e sobrevivência. Já nesse tempo, cantava com o pai na escola de samba da comunidade. O  título de  MV apareceu mais tarde, em 1991, quando algumas vizinhas evangélicas da comunidade o rotularam como “Mensageiro da Verdade”, por causa do modo como ele transmitia a realidade das favelas.
            Em 1993, Bill participou da coletânea musical “Tiro Inicial”, de diversos estilos de música, a qual revelou outro rapper, “Gabriel o Pensador”. Foi a partir desse ano que MV Bill decidiu seguir a carreira de rapper.
            Em 1998, Bill lançou o disco “CDD Mandando Fechado”, pela gravadora Zâmbia Fonográfica, com músicas que contavam a realidade da Cidade de Deus. No ano seguinte, este álbum  foi regravado com a adição de três novas músicas: “De Homem pra Homem”, “Sem Esquecer as Favelas” e “Soldado do Morro”, relançado pela Natasha Records, com o título de “Traficando Informação”, esta última se transformou  no  videoclipe, lançado ainda em 1999, pela Conspiração Filmes.
            1999 foi um ano agitado para o MV Bill Participou do Free Jazz Festival  como um dos únicos artistas de rap, onde causou polêmica ao se apresentar com uma arma na cintura, que mais tarde afirmou ser de brinquedo. Nesse ano criou, junto com Cesso Athayde e Nega Gizza a Central Única das Favelas (CUFA), que atua em todos os estados do Brasil.
            Um dos projetos mais importantes da CUFFA é o Prêmio Hutúz, considerado o maior da América Latina e teve dez edições, entre 2000 e 2009. O Prêmio Hutúz, fez parte de um festival que sempre tem, todos os anos,  sua abertura em 4 de novembro,  o “Dia da Favela” e conta com shows , batalhas de Mcs, oficinas e exposição de grafite, e outras atividades. Além disso, a CUFA organiza vários projetos, como competições esportivas, de dança e grafite, rádios comunitárias e exibição de filmes.
            Em 2000, MV Bill lançou o videoclipe “Soldado do Morro”, onde também retrata os traficantes do morro. Foi acusado de apologia ao crime por usar um fuzil em todo o videoclipe. Os cantores Caetano Veloso, Djavan e Gilberto Gil se posicionaram a favor de Bill. O clipe foi premiado, no mesmo ano, com o “Video Music Brasil 2001”, na MTV, como “Melhor videoclip de Rap”.
            Em 2004, por causa do seu trabalho na área social e à frente da CUFA, Bill recebeu o Prêmio de Destaque da Unicef de 2004. Foi também escolhido como uma das 10 pessoas mais militantes do mundo pela UNESCO.
            Em abril de 2005, MV Bill iniciou também sua carreira de escritor, lançando com o produtor Celso Athayde o livro “Cabeça de Porco”, que foi co-escrito por Athayde e Luiz Eduardo Soares e lançado pela Editora Objetiva. Em 2006, Bill lançou junto com Athayde o famoso livro e documentário “Falcão – Meninos do Tráfico”, que conta a trajetória de dezessete meninos envolvidos com o tráfico de drogas em diferentes favelas, sendo que somente um deles sobreviveu. A partir do dia  19 de março de 2006, o documentário começou a ser exibido no “Fantástico”, da Rede Globo. O filme recebeu o “Prêmio Rei”, da Espanha.
 
            No mesmo ano,o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou MV Bill para uma audiência particular no Palácio do Planalto, onde foi presenteado com o DVD e o livro. Em 2010, Bill entrou para o elenco da novela “Malhação”, da Rede Globo, onde interpretou o personagem Antonio, pai de uma adolescente grávida. 

 DIA 1 DE JANEIRO DE 2011, TOMA POSSE A PRIMEIRA MULHER PRESIDENTE DO BRASIL
CELSO17 - BSB - 01/01/2011 - POSSE DILMA - NACIONAL - Posse da presidente eleita Dilma Rousseff que assume o mandato deixado por Luiz Inacio Lula da Silva no Palacio do Planalto em Brasilia.         FOTO: CELSO JUNIOR/AE

CELSO17 – BSB – 01/01/2011 – POSSE DILMA – NACIONAL – Posse da presidente eleita Dilma Rousseff que assume o mandato deixado por Luiz Inacio Lula da Silva no Palacio do Planalto em Brasilia. FOTO: CELSO JUNIOR/AE

 
            No dia 31 de outubro de 2010, a candidata do Partido dos Trabalhadores (PT), com a coligação “Para o Brasil Seguir Mudando”, que agregava  mais oito siglas, foi eleita a primeira mulher presidente da República do Brasil, em segundo turno, com 55.752.529 votos, 56% dos votos válidos, derrotando em 15 estados, mais o Distrito Federal, o segundo colocado, José Serra, do PSDB, e a coligação “O Brasil Pode Mais”, que teve 43% dos votos válidos.
            A posse ocorreu no dia 1 de janeiro de 2011, em cerimônia iniciada às 14 hs. No plenário do Congresso Nacional, em Brasília. Ela foi empossada, juntamente com o vice-presidente, Michel Temer. A cerimônia foi conduzida pelo então presidente do Senado Federal, José Sarney. A presidente eleita leu o compromisso oficial de “manter, defender e cumprir a Constituição, observar as leis, promover o bem geral do povo brasileiro, sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil”.
            Em seu discurso, após o juramento, a presidente eleita afirmou: “…Meus queridos brasileiros e brasileiras, pela decisão soberana do povo, hoje será a primeira vez que a faixa presidencial cingirá o ombro de uma mulher. Sinto uma imensa honra por essa escolha do povo brasileiro e sei do significado histórico desta decisão. Uma enorme responsabilidade perante a nação. Para assumi-la, tenho comigo a força e o exemplo da mulher brasileira. Abro meu coração para receber , neste momento, uma centelha da sua imensa energia.  E sei que meu mandato deve incluir a tradução mais generosa desta ousadia do voto popular que, após levar à Presidência  um homem do povo. Um trabalhador, decide convocar uma mulher para dirigir os destinos do país.
            …Vivemos um dos melhores períodos da vida nacional: milhões de empregos estão sendo criados;nossa taxa de crescimento mais que dobrou e encerramos um longo período de dependência do Fundo Monetário Internacional, ao mesmo tempo em que superamos a nossa dívida externa. Reduzimos, sobretudo, a nossa histórica dívida social, resgatando milhões de brasileiros  da tragédia  da miséria e ajudando outros milhões a alcançarem a classe média.  Mas,  em um país com a complexidade do nosso, é preciso sempre querer mais, descobrir mais, inovar nos caminhos e buscar sempre novas soluções…”
            Ao todo, 47 líderes estrangeiros, destes, 23 chefes de estado, assistiram à posse de Dilma Rousseff. Participaram também, cerca de 15 governadores eleitos, além de cerca de 20 mil pessoas que vieram de todos os cantos do país, ocupando a Esplanada dos Ministérios e a Praça dos Três Poderes.
            Entre 2011 e 2014, a presidente Dilma Rousseff cumpriu o desafio de manter o Brasil no rumo do desenvolvimento econômico, da política externa de valorização da integração regional e, principalmente,da redução da desigualdade. A presidente ainda reforçou o combate à corrupção. Em quatro anos, pôs fim , de uma vez por todas, a práticas de engavetamento de processos,  investigações e denúncias.
            Na área social, a presidente Dilma criou o Brasil Sem Miséria, que trouxe avanços ao Programa Bolsa Família. Um plano que ataca a pobreza extrema  em três eixos: garantia de renda , acesso a serviços e inclusão produtiva. Resultado: 22 milhões de brasileiros deixaram a miséria e o Brasil saiu, em 2014, do Mapa Mundial da Fome, relatório Global da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura  (FAO).
            Dilma ainda avançou em outro direito essencial, que garante dignidade e o ambiente adequado para o desenvolvimento das famílias mais pobres. Com subsídios federais que chegaram a 96% do imóvel, foram entregues pelo programa Minha Casa Minha Vida 1,87 milhão de moradias, e outras 1,6 milhão contratados para o segundo mandato. Ou seja, ao todo são 3,7 milhões de moradias para mais de 7 milhões de pessoas.
            Logística, mobilidade urbana para as grandes cidades e aeroportos, nenhuma área foi esquecida. Em quatro anos, a capacidade de energia estalada cresceu 16 mil MW e foram concluídas 53 linhas de transmissão , chegando a quase 20 mil quilômetros de extensão. Foram mais de 5 mil quilômetros de obras rodoviárias concluídas, entre construção, pavimentação, adequação e duplicação. Foram concluídas mais de mil quilômetros de estradas de ferro, como a Norte-Sul, a Transnordestina, a Ferronorte e a integração Leste-Oeste. Os aeroportos ganharam terminais modernos, com padrão internacional e capacidade superior à demanda. A capacidade instalada dos aeroportos brasileiros aumentou em 191%. Passou de 97,9 milhões para 285 milhões de passageiros por ano.
            A área da Educação teve, pelo menos, dois momentos históricos nos quatro anos do primeiro governo Dilma. O primeiro foi, por iniciativa da presidente, com forte apoio da população, a destinação dos recursos do pré-sal para o setor. A expectativa era que os recursos ultrapassassem R$ 1 trilhão. Dilma também sancionou o Plano Nacional de Educação, com investimento previsto de 10% do Produto Interno Bruto.
            A educação profissional ganhou destaque com a criação do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego que garantiu mais de 8 milhões de vagas. Foram oferecidos mais de 600 cursos técnicos e profissionalizantes para melhorar a qualidade de mão de obra nacional e impactar diretamente a produtividade das empresas brasileiras.
            No ensino superior, o Exame Nacional do Ensino Médio bateu recorde de inscritos e democratizou o acesso de estudantes a 115 universidades federais, estaduais e institutos de tecnologia por meio do Sistema de Seleção Unificada, o SISU. O Brasil chegou a 7 milhões de universitários e o Ciência sem Fronteiras garantiu a mais de 80 mil brasileiros, bolsas de estudos nas maiores universidades do mundo.
            Na área da Saúde, o grande marco do primeiro governo Dilma para melhorar o acesso à saúde foi a criação do Programa Mais Médicos que reuniu quase 15 mil profissionais do Brasil e do exterior e garantiu, em 3.785 municípios, o acesso inédito à atenção básica. A proposta, aliás, foi além de importar profissionais. Previa a criação de 11.500 vagas em cursos de graduação de medicina até 2017 e 12.400 para residência médica, até 2018.
            Esses são alguns exemplos da verdadeira revolução administrativa promovida pelo governo Dilma, sem contar as políticas públicas  para as mulheres, para as crianças, para a Igualdade Racial. Políticas que melhoraram a vida de milhões  de brasileiros e brasileiras e que vem sendo desativadas, uma a uma, pelo governo golpista, entreguista e neoliberal de Michel Temer, do PSDB e do PMDB, que se não forem interceptados, com a volta de um governo legítimo e popular, com certeza levará o país ao retrocesso, com índices comparáveis aos do tempo do governos Collor e  FHC, onde as privatizações, a recessão e o arrocho salarial, davam as cartas, comandados pelo FMI. Quem viver verá.

DIA 31 DE DEZEMBRO DE 2009, MORRE ANTONIO ROBERTO VASCONCELOS
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Militante histórico do Partido Comunista Brasileiro (PCB), ex-vereador, Antonio Roberto de Vasconcellos, conhecido como “Camarada Vasco”, nasceu no Rio de Janeiro no dia 20 de setembro de 1916.
Em 1935, participou do levante popular conhecido como “Intentona Comunista”, liderado por Luis Carlos Prestes, cuja derrota impôs severa perseguição aos comunistas por todo o país. Prisões, torturas e mortes em série tornaram-se matéria cotidiana e levaram o então PCB à quase extinção nos anos seguintes; os comunistas experimentaram a fúria do chamado Estado Novo (1937-1945). Vasco permaneceu na clandestinidade até até 1945, quando o PCB retomou a legalidade.
Nas eleições de 2 de dezembro de 1945, os comunistas elegeram Luis Carlos Prestes, o “Cavaleiro da Esperança”, Senador da República, e 14 deputados para a Assembléia Constituinte. O PCB deixava a clandestinidade e crescia a olhos vistos, uma situação que duraria pouco tempo, em 7 de maio de 1947, o Tribunal Superior Eleitoral reconduziu o PCB à ilegalidade , condição em que permaneceu até 1985.
Dirigente estadual do PCB em Mato Grosso, Antonio Roberto de Vasconcelos participou ativamente da reorganização dos comunistas no pós-1945 e presenciou o notável crescimento do partido. As poucas centenas de militantes dispersos em 1942 tormaram-se 50.000 em 1945 e chegaram a 200.000 nos dois anos seguintes. Vasco pertencia àquela seleta geração de comunistas presentes no instante em que aquele pequeno partido de quadros assumira contornos de um partido de massas, quando o PCB se tornara “Partidão”.
Vasco dirigiu a edição do Jornal “O Democrata” em Campo Grande, de 1945 à 1964. Foi eleito vereador em Campo Grande, entre 1958 e 1962. Nesse período, colocou seu mandato à disposição dos movimentos populares, realizando um encontro de todos os pais de santo, denunciando a discriminação e a perseguição que sofriam. Em 1963, esteve na União Soviética e frequentou a Universidade Patrice Lumunba, onde participou de aulas sobre Karl Marx.
Com o golpe militar de abril de 1964, Vasco refugiou-se na cidade de Hosqueta, no Paraguai, onde passou a trabalhar como padeiro. Vasco foi indiciado em inquérito policial Militar (IPM), por ser considerado um dos chefes do Movimento Comunista no Estado do Mato Grosso, e ter posto em funcionamento, segundo a Abin,“um partido dissolvido por força de dispositivo legal e, naquela situação, ter cometido atos enquadráveis em artigos diversos da Lei 1.802/53 – Lei de Segurança Nacional (LSN)”.
Teve sua prisão decretada pela Justiça da comarca de Mato Grosso, cinco meses após a instalação da ditadura militar no país. Em 27 de outubro de 1965, por força do Ato Institucional nº 2, teve seus direitos políticos cassados por 10 anos.
Em 1967, morou em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, trabalhando também como padeiro. Em 1968, recebeu a determinação do partido para seguir para São Paulo, clandestinamente. Em São José do Rio Preto (SP), onde teve contato com Aloysio Nunes Ferreira, militante da ALN (Aliança Libertadora Nacional) e Carlos Marighela, líder máximo da ALN que o convidaram a aderir à luta armada, o que Vasco recusou, por permanecer fiel à linha política do PCB, aprovada em 1967, de que atuaria na resistência democrática.
No dia 18 de outubro de 1972, Vasco foi preso em Rio Preto e removido para Campo Grande, onde ficou 7 meses na prisão. “Tortura só houve moral”, afirmava o comunista, anos depois, lembrando que, com o fim da caçada aos grupos guerrilheiros, as atenções dos órgãos repressivos voltaram-se ao único organismo de esquerda a lutar contra a ditadura seguindo os estreitos limites da democracia bipartidária; em resumo, com o fim da luta armada, o PCB – partidário da via democrática, tornou-se alvo e justificativa do terror praticado pelos assassinos à serviço do regime.
Em 1981, Vasco fundou e dirigiu o jornal “Participação”. Também nesse período liderou a campanha da Legalidade do PCB em Rio Preto. Em 22 de outubro de 1985 , Vasco recebeu da Câmara Municipal de Campo Grande/MS, em sessão solene, um título de homenagem do Legislativo Campograndense, conferida anualmente aos cidadãos, “que de uma forma ou de outra contribuíram para a melhoria social, política e econômica do Estado”.
Entre 1991 e 1992, Vasco foi coordenador do Movimento Popular Prof. Manoel Antunes”, além de ter destacada participação na organização de associações populares desde 1980.
 
 No dia 31 de dezembro de 2009, Antonio Roberto de Vasconcelos, o “Camarada Vasco”, morreu aos 93 anos de idade, em São José do Rio Preto-SP.

Dia 30 DE DEZEMBRO DE 1972, MORRE CARLOS NICOLAU DANIELLI
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“Nossa geração teve pouco tempo / começou pelo fim / mas foi bela a nossa procura / ah! moça, como foi bela a nossa procura / Mesmo com tanta ilusão perdida, quebrada / mesmo com tanto caco de sonho / onde até hoje / a gente se corta”
Esse poema do ex-guerrilheiro e poeta Alex Polari fala de uma geração que não se entregou, quando a ditadura se instalou em nosso país, não se acovardou e pegou em armas pra enfrentar as trevas, a opressão, a entrega da soberania e das riquezas do nosso povo ao imperialistas, que insistem em fazer do Brasil e da América do Sul o seu quintal. Muitos pagaram com a vida, a ousadia de resistir, como foi o caso de Carlos Dannielli, operário, militante e dirigente do PcdoB, Partido Comunista do Brasil, preso, torturado e morto, aos 43 anos, nos porões da repressão.
Carlos Nicolau Danielli nasceu na cidade de Niterói, Rio de Janeiro, no dia 14 de setembro de 1929, filho de Pascoal Egídio Danielle e Virgínia Sílvia Chaves, começou a trabalhar ainda jovem, aos quinze anos, em estaleiros de construção naval da cidade de São Gonçalo. Em 1946, filiou-se à Juventude Comunista, tornando-se um de seus dirigentes. Dois anos depois, em 1948, passou a fazer parte do Partido Comunista Brasileiro (PCB), sendo eleito para o Comitê Central do “Partidão” em 1954.
Em 1962, Danielli, juntamente com outro dirigente, Angelo Arroyo, viajou para Cuba para prestar solidariedade ao povo cubano durante a crise dos mísseis. Danielli era responsável pelo jornal “A Classe Operária”, editado na clandestinidade e distribuído de mão em mão em vários estados do país. No mesmo ano, juntamente com João Amazonas, Maurício Grabois, Pedro Pomar, entre outros, afastou-se do PCB e fundou o Partido Comunista do Brasil (PCdoB).
Após o golpe militar de 1964, o PCdoB optou pela luta armada e Danielli, na clandestinidade, ficou responsável pela imprensa do partido, participando ativamente da preparação do movimento guerrilheiro do Araguaia, recrutando e encaminhando militantes, arrecadando equipamentos, remédios e outros recursos necessários para a guerrilha. Participou também, de vários eventos internacionais, buscando estreitar laços de solidariedade com os partidos comunistas de outros países.
Danielli foi preso no dia 28 de dezembro de 1972, às 19 horas, na Rua Loefgreen, no bairro de Vila Mariana, em São Paulo, pelos agentes do DOI-CODI, juntamente com Maria Amélia de Almeida Teles e César Augusto Teles, também militantes do PCdoB.
Levados para as dependências do DOI-CODI no II Exército de São Paulo, Danielli e os companheiros foram submetidos a sessões de tortura, sob o comando do delegado de polícia Aparecido Laerte Calandra, do capitão Dalmo Lúcio Muniz Cirillo, e do chefe do DOI-CODI do II Exército, na época major, Brilhante Ustra.
Três equipes diferentes se revezaram nas sessões de tortura a Danielli, iniciadas no dia 28 e terminando na madrugada do dia 30 de dezembro de 1972, resultando na morte do militante. Danielli foi torturado para delatar companheiros, planos do partido e “aparelhos” da organização desde o momento em que foi preso.
A longa tradição dos comunistas no mundo inteiro é a de não revelar segredos partidários, não delatar companheiros, nem sob torturas físicas cruéis, nem sob negociações espúrias. Quando a ditadura prendia, sobretudo depois do AI-5, de 1968, torturava sistematicamente os presos políticos. O objetivo era levá-los à delação e o prêmio era a vida. Muitos não delataram e conseguiram sobreviver; outros não conseguiram sobreviver, mas não delataram; e houve os que delataram para ter uma sobrevida, sem dignidade.
Danielli está no grupo dos que não conseguiram sobreviver à selvageria das torturas que lhe foram infrigidas, mas não delatou. Morreu, mas vive na memória de seus companheiros de luta e do povo brasileiro, que o consideram herói.
 
Danielli foi enterrado como indigente no Cemitério Dom Bosco, em Perus, São Paulo, pelos agentes do DOI-CODI. Após a promulgação da anistia, seus restos mortais foram sepultados por seus familiares e amigos , no dia 11 de abril de 1980, em Niterói.

DIA 29 DE DEZEMBRO DE 1903, NASCE CÂNDIDO PORTINARI, O POETA DA COR
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“…Eis que a mão decide: / Todos os meninos, ainda os mais desgraçados, /sejam vertiginosamente felizes / como feliz é o retrato / múltiplo verde-róseo em duas gerações /.. Agora há uma verdade sem angústia / mesmo no estar-angustiado. / O que era dor é flor, conhecimento / plástico do mundo. /E por assim haver disposto o essencial, / deixando o resto aos doutores de Bizâncio,bruscamente se cala / e voa para nunca-mais / a mão infinita / a mão-de-olhos-azuis de Candido Portinari.”
Esse é um trecho do poema “A Mão”, com o qual Carlos Drummond de Andrade, homenageia o amigo, Cândido Portinari, considerado um dos maiores e mais revolucionários artistas plásticos brasileiros do século XX, foi o pintor brasileiro a alcançar maior projeção internacional.
Cândido Portinari nasceu em uma fazenda de café onde trabalhavam os pais, na cidade de Brodowski, interior de São Paulo, no dia 29 de dezembro de 1903, filho dos imigrantes italianos, Giovan Battista Portinari e Domenica Torquato, originários de Chiampo (Vêneto). Com a vocação artística logo na infância, Portinari teve pouco estudo, não completando sequer o ensino primário.
Aos 14 anos de idade, uma trupe de pintores e escultores italianos que atuavam na restauração de igrejas, passa pela região de Brodowski e recruta Portinari como ajudante. Seria o primeiro grande indício do talento do pintor brasileiro.
Aos 15 anos, já decidido a aprimorar seus dons, Portinari deixa São Paulo e parte para o Rio de janeiro para estudar na Escola Nacional de Belas Artes (ENBA). Durante seus estudos na ENBA, Portinari começa a se destacar e chamar atenção tanto dos professores como da imprensa. Aos 20 anos, já participava de diversas exposições, ganhando elogios em artigos de jornais. Nessa época, já começa a se aproximar dos artistas do movimento considerado marginal na época: o Modernismo.
Em 1928, Portinari ganha o prêmio do Salão ENBA e uma viagem para a Europa, morando dois anos em Paris, que foram decisivos para sua trajetória artística, fazendo contato com grandes artístas da época, como Van Dongen, e Othon Friessz, além de conhecer Maria Martinelli, uma uruguaia de 19 anos, com quem se casaria. A distância de suas raízes aproximou o pintor mais do Brasil, despertando nele um interesse social mais profundo.
Em 1931, Portinari volta ao Brasil com outras propostas artísticas, ganhando notoriedade na imprensa, expõe em Nova Iorque e em Washington, onde se impressiona com uma obra que mudaria seu estilo novamente: “Guernica” de Pablo Picasso. Em 1935, ainda em Nova Iorque, Portinari recebeu uma premiação por sua obra “Café”. Deste momento em diante, sua obra passou a ser mundialmente conhecida.
A segunda fase do movimento modernista brasileiro, entre 1930 e 1945, é caracterizada por um engajamento político ainda mais incisivo dos artistas que, inconformados com a penúria vivenciada pela maior parte da população, buscavam fomentar movimentos de mudança social por meio de suas obras – sempre preocupados em mantê-las ao alcance do povo, fora do exclusivismo das galerias refinadas. Cândido Portinari, ao lado de outros artistas como Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral, Lasar Segal, entre outros escritores e poetas, participaram assiduamente desse movimento.
Portinari filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) em 1945 e concorreu a deputado federal, no mesmo ano, e a senador pelo estado de São Paulo em 1947. Neste último pleito, Portinari era apontado pelas pesquisas como amplo favorito, mas acabou derrotado por uma pequena margem de votos, o que levantou suspeitas de fraude.
Com o PCB colocado na ilegalidade em 1948, Portinari teve de se exilar com a família no Uruguai. O engajamento comunista custou-lhe a ausência na inauguração de uma de suas obras primas: O painel “Guerra e Paz”, que ordenaria o prédio das Nações Unidas em Nova Iorque. A proibição dos EUA de comparecer ao evento lhe causou imensa tristeza.
Em 1952, com a anistia geral, Portinari pôde voltar ao Brasil. Retomando seu contato e seu trabalho com os escritores modernistas, como Cecília Meireles, Vinícius de Moraes, Manoel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, entre outros. Trabalhou como ilustrador na revista “O Cruzeiro”, ilustrando os fascículos semanais de romances como “Os Cangaceiros, de José Lins do Rêgo e “Memórias Póstumas de Brás Cubas” de Machado de Assis, entre outros.
 
Cândido Portinari morreu no dia seis de fevereiro de 1962, aos 58 anos de idade, vítima de intoxicação em função das tintas que usava nas telas. Encontra-se sepultado no Cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro.

 DIA 28 DE DEZEMBRO DE 2006, SANCIONADA A LEI QUE CRIA A SEPROMI NA BAHIA
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O poeta já dizia: “Deve-se deixar de ser escravo, nunca de ser negro / Ser negro não é defeito, é missão, uma nobre missão / E não nos puderam calar os mais pobres de espírito com pedras no coração / Porque os cadeados que nos fecharam as senzalas não nos fecharam a garganta / Ainda que nos explodissem o quilombo, nosso canto ecoava com teimosia e se espalhava pelas montanhas. É por essas e outras que temos que ocupar espaços, pra mostrar aos nossos filhos e aos filhos de todas as raças / que negro é sinônimo de beleza, coragem e luta / nunca de vergonha ou submissão”.
Como nos versos do poeta negro Sérgio Alves, é preciso sempre abrir espaços para os negros, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, já no comecinho do seu governo, criou no dia 21 de março de 2003, a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial – SEPPIR, pela Medida Provisória nº 111, convertida na Lei nº 10.678, de 23 de maio do mesmo ano, o Presidente da República tornava explícitas as balizas para o enfrentamento da problemática racial, inaugurando uma nova página no tratamento dispensado pelo Estado Brasileiro aos problemas resultantes da discriminação e das desigualdades raciais.
A SEPPIR tem por missão acompanhar e coordenar políticas de diferentes ministérios e outros órgãos do governo brasileiro para promoção da igualdade racial, articular, promover e acompanhar a execução de diversos programas de cooperação com organismos públicos e privados, nacionais e internacionais e, ainda, acompanhar e promover o cumprimento de acordos e convenções internacionais assinados pelo Brasil que digam respeito à promoção da igualdade racial e ao combate ao racismo.
No dia 28 de dezembro de 2006, foi sancionada, no Estado da Bahia, a lei 10.549/06 que modifica a estrutura organizacional da Administração Pública do Poder Executivo Estadual e dá outras providências, entre elas, foi a criação da Secretaria de Promoção da Igualdade – SEPROMI, que tem por finalidade planejar e executar políticas de promoção da igualdade racial e proteção dos direitos dos indivíduos e grupos étnicos atingidos pela discriminação e demais formas de intolerância, bem como, planejar e executar as políticas públicas de caráter transversal para as mulheres.
A SEPROMI tem como estrutura básica, o Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra, o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Mulher, a Superintendência de Políticas para as Mulheres e a Superintendência de Promoção da Igualdade Racial, que tem por finalidade, orientar, apoiar, coordenar e acompanhar programas e atividade voltadas à implementação de políticas para a promoção da igualdade e da proteção dos direitos de indivíduos e grupos raciais e étnicos afetados por discriminação racial e demais formas de intolerância.
A Bahia tem avançado na execução de políticas afirmativas e de combate ao racismo através da SEPROMI. Entre as principais estratégias da pasta em 2016 estão a ampliação de parcerias com demais órgãos do poder público, ações transversais, diálogo com s segmentos representativos do movimento negro e da sociedade civil, além de campanhas de sensibilização. Foi instituído o Sistema de Financiamento de Políticas de Igualdade Racial, com reserva de parte do Fundo de Combate à Pobreza (Funcep) para programas e projetos na área.
Na série de diálogos e parcerias estabelecidas pela SEPROMI em 2016 constam o Fórum de Gestores Municipais de Promoção da Igualdade Racial, composto por cem municípios de diversos territórios de identidade. De caráter consultivo, o Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN) é outra instância vinculada, formada por 21 conselheiros, com maioria representativa na sociedade civil. Já a Comissão Estadual para a Sustentabilidade dos povos e Comunidades Tradicionais (CESPCT) reúne segmentos de indígenas, ciganos, terreiros, marisqueiras e pescadores, fundos e fechos de pasto, geraizeiros, quilombolas e extrativistas.
Com a decisão do governo golpista de Michel Temer de extinguir ministérios ligados à lutas pelos direitos humanos, como o do Desenvolvimento Agrário, das Mulheres e da Igualdade Racial,
Não nos resta muita esperança com relação à manutenção dos programas como os da Política de Igualdade Racial no Brasil.  No caso do Estado da Bahia, sob o comando do governador Ruy Costa Pimenta (PT), podemos ter certeza da continuidade dos avanços conquistados pela SEPROMI, no fortalecimento e na garantia dos direitos dos negros e na valorização do diálogo com o movimento negro baiano para viabilizar as suas reivindicações.
 

DIA 27 DE DEZEMBRO DE 1943, NASCE MAURÍCIO TAPAJÓS

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“Quando o muro separa uma ponte une / Se a vingança encara o remorso pune /Você vem me agarra, alguém vem me solta / Você vai na marra, ela um dia volta / E se a força é tua ela um dia é nossa / Olha o muro, olha a ponte, olhe o dia de ontem chegando / Que medo você tem de nós, olha aí / Você corta um verso, eu escrevo outro / Você me prende vivo, eu escapo morto / De repente olha eu de novo / Perturbando a paz, exigindo troco / Vamos por aí eu e meu cachorro / Olha um verso, olha o outro / Olha o velho, olha o moço chegando / Que medo você tem de nós, olha aí / O muro caiu, olha a ponte / Da liberdade guardiã / O braço do Cristo, horizonte / Abraça o dia de amanhã”
Esses versos, da música “Pesadelo”, considerada um hino de resistência à ditadura militar, são uma parceria de paulo Cesar Pinheiro com Maurício Tapajós, um dos mais engajados compositores do cancioneiro político brasileiro. Ativista da MPB, lutou pela dignidade da profissão, enfrentou a censura da ditadura militar e criou entidades de valorização e fortalecimento do músico independente.
Maurício foi um melodista dos mais inspirados, que compunha e tocava violão com elegância e simplicidade. Compôs em dupla com grandes letristas, como Paulo Cesar pinheiro (Tô voltando), Aldir Blanc (Querelas do Brasil), Hermínio Bello de Carvalho (A Mangueira é la no Céu) , Nei Lopes (A cidade se diverte), Cacaso (Carro de boi), Capinan (A gente ama), entre outros parceiros e outras melodias, construindo uma obra marcada pela canção de protesto e pela inspiração em temas nacionais.
Nasceu no dia 27 de dezembro de 1943, em uma família carioca com forte ligação com a música. O pai, Paulo tapajós, era radialista, compositor e cantor, e foi, com os irmãos, responsável pela estreia musical do poeta Vinícius de Moraes na parceria “Loura ou Morena”, de 1928. Os irmãos, Paulinho e Dorinha Tapajós, também eram cantores
Em 1963, teve pela primeira vez registrada em disco uma composição de sua autoria, “Carro de boi”, em parceria com Cacaso, gravada pelo grupo “Os Cariocas”. Em 1966, assinou a direção musical e a trilha sonora, em parceria com Herminio Bello de Carvalho e Cacaso, da ópera popular “João Amor e Maria”, de autoria de Hermínio. A ópera, dirigida por Kleber Santos e Nelson Xavier, teve no elenco Betty Faria, Fernando Lébeis, José Wilker e Cecil Thiré, além do MPB-4, encenada no Teatro Jovem. Em 1967, emplacou o primeiro sucesso, “Mudando de Conversa”, uma parceria com Hermínio, na voz de Dóris Monteiro.
Em 1968, formou-se pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de janeiro. Em 1972, no auge dos anos de chumbo, Tapajós compôs, com Paulo Cesar Pinheiro, a música “Pesadelo”, que se tornaria um hino da resistência à ditadura militar. Para driblar a censura, Pinheiro mandou a letra no meio de uma infindável coleção de letras românticas que seriam gravadas pela gravadora Odeon, onde trabalhava, assim, a música foi liberada.
“Mesmo depois de liberada , as pessoas tinham medo de gravar, mas o MPB-4 sempre foi valente. Apesar disso, sempre que eles cantavam“Pesadelo”, ninguém entendia como tinha passado pela censura. As emissoras de rádio tinham medo de tocá-la. ‘Pesadelo‘ foi sem dúvida a música que mais me marcou. Contaram que durante a guerrilha do Araguaia, na selva, eles cantavam ‘Pesadelo’. Dizem que foi a música que mais ajudou na fase da luta armada” , afirmou Paulo Cesar Pinheiro, em uma entrevista.
Outra obra histórica, composta em parceria com Pinheiro foi a música “Tô Voltando”, que homenageia os exilados de volta ao Brasil após a Anistia, gravada, entre outros, pela cantora Simone.
Em 1977, Maurício fundou a gravadora e editora musical “Saci” (Sociedade de Artistas e Compositores Independentes), em parceria com Aldir Blanc, Paulinho da Viola, Joyce, João Bosco, Sérgio Ricardo, Ivan Lins e Gilson Peranzeta. Fundaram também duas outras entidades de luta pelos direitos autorais dos artistas, a “Sombrás” e a AMAR – (Associação dos Músicos, Arranjadores e Regentes).
Tapajós atuou na produção de de vários shows coletivos. Pela “Saci” lançou “Olha aí” e o LP duplo “Aldir Blanc & Maurício Tapajós”.A Saci também lançou obras de grandes compositores como Wilson Batista, João Bosco e Aldir Blanc.
Maurício dirigiu shows no “Projeto Pixinguinha” e “O Som do Meio Dia”. Musicou as peças “Yerma” de Garcia Lorca e “O Coronel e o Lobisomem”, de Joaquim Cardoso, e ainda assinou a direção musical de “Arena Conta Tiradentes” de Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal.
Maurício Tapajós morreu no dia 21 de abril de 1995, aos 52 anos de idade, de um ataque cardíaco, em seu apartamento em Ipanema. Ele sofria do coração há alguns anos. Foi enterrado às 17 hs do dia 22 de abril, no Cemitério São João Batista.
 
No mesmo ano de sua morte, foi realizado no Teatro João Caetano, no Rio, o show tributo “Amigos lembram Maurício Tapajós”, com a participação de muitos companheiros, como o irmão Paulinho, Chico Buarque, Paulinho da Viola, Carlinho Vergueiro, João Nogueira, Sérgio Ricardo, e muitos outros.  

DIA 26 DE DEZEMBRO DE 1893, NASCE MAO TSÉ-TUNG

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                Chamado de “O Timoneiro” pelo povo chinês, Mao Tsé-Tung foi o grande líder  revolucionário que mudou a história da China e um dos maiores personagens da história mundial. Um dos mais influentes teóricos do comunismo  do século XX, Mao desenvolveu idéias sobre revolução e guerrilha que influenciaram marxistas do mundo inteiro, inclusive no Brasil, onde o PC do B, então na clandestinidade, desenvolveu ações guerrilheiras durante a década de 1970.
            Mao nasceu no dia 26 de dezembro de 1893, na aldeia camponesa de Shaoshan, ao sul do país.  Desde jovem, revoltou-se com a situação social opressiva de seu país e em 1918, quando trabalhava na biblioteca  da  Universidade de Pequim, começou a ter contato com o marxismo, filiando-se ao recém-fundado Partido Comunista Chinês, sob influência do Partido Comunista soviético, que acabara de chegar ao poder com a Revolução Russa de 1917.
            Inicialmente, o PC Chinês uniu-se ao velho Partido Nacionalista de Sun Yat-Sem , já que esse era a única organização com chances reais de tomar o poder e reunificar a China. Inicialmente o casamento deu certo. Juntas, forças revolucionárias dos dois partidos chegaram a conquistar várias cidades chinesas. Mas quando Chiang Kai-Shek se tornou o líder dos nacionalistas, após a morte de Sun Yat-Sem, em 1925, o crescente poder dos comunistas passou a ser visto como uma ameaça.  Em 1927, Kai-Shek rompeu a aliança e começou a perseguir os membros do PC Chinês.
            Perseguido pelo governo, nos anos seguintes, Mao organizou uma guerrilha de resistência nas montanhas do Sudeste do país. Organizou um exército, fundou sindicatos  e escolas, consolidando-se como o grande líder do PC Chinês. Em 1931, Mao liderou a Longa Marcha, uma caminhada épica que durou 12 meses, e deslocou cerca de 100 mil chineses numa jornada de quase 10 mil quilômetros, cruzando  18 montanhas, 24 rios e muitos trechos de deserto chinês. Os sobreviventes chegaram a Yanan, no norte do país, onde fundaram um governo comunista. Enquanto o Estado oficial tinha o apoio da classe média urbana e de ricos chineses exilados, os revolucionários conquistaram as massas, tornando-se a maior força militar do país, sob o comando de Mao.
            Em 1949, depois de muitas batalhas contra outras forças políticas e contra os japoneses, que dividiram o país, foi fundada a República Popular da China. Mao tornou-se seu presidente, assim como secretário-geral do Partido Comunista Chinês. No entanto, a China era um país atrasado em termos econômicos e industriais. Na tentativa de resolver esses problemas, usando como combustível a ideologia revolucionária, Mao lançou em 1958 a política que chamou de “Grande Salto para a Frente” com a intenção de industrializar o país. Nesse período, que durou até 1956, a produção agrícola foi ampliada em 70%.
            A partir de 1956, com o fim da relação amistosa com os russos, cessou a ajuda material e financeira da União Soviética. Com isso, o Grande Timoneiro  teve que comandar a economia chinesa com seus próprios recursos. A partir de 1966, Mao promoveu o que chamou de Revolução Cultural, rompendo com as velhas lideranças do PC Chinês, que ainda seguiam a orientação soviética. É nesse período que é publicado o Livro Vermelho, coletânea de citações e trechos dos discursos de Mao. Um livro em formato de bolso, utilizado para a doutrinação ideológica das massas.
 
            Mao Tsé-Tung morreu de ataque cardíaco, no dia 9 de setembro de 1976, aos 82 anos. Seu corpo foi sepultado no Mausoléu de MaoTsé-Tung, em Pequim, na China. 

DIA 25 DE DEZEMBRO DE 1973, MORRE MAURÍCIO GRABOIS

 

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         Não ficarei tão só no campo da arte, e, ânimo firme, sobranceiro e forte,tudo farei por ti /para exaltar-te, serenamente, alheio à própria sorte. Para que eu possa um dia contemplar-te / dominadora, em férvido transporte, direi que és bela e pura em toda parte, por maior risco em que essa audácia importe. Queira-te eu tanto, e de tal modo / em suma, que não exista força humana alguma / que esta paixão embriagadora dome.
E que eu por ti, se torturado for, possa feliz, indiferente à dor, morrer sorrindo a murmurar teu nome”
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             Esse belo poema intitulado “Liberdade”, escrito pelo líder comunista Carlos Marighella, colega de escola em Salvador, ilustra a vida e a obra de Maurício Grabois, um dos mais destacados líderes comunistas da história do país, dirigente do PCB (Partido Comunista Brasileiro), jornalista, fundador do PCdoB, ex-deputado e comandante da Guerrilha do Araguaia, morto em combate contra a ditadura militar. Enfim, um herói nacional que a imprensa oficial, porta voz das elites  dominantes e golpistas, se recusa a mostrar.
            Maurício Grabois nasceu em Salvador, BA, no dia 2 de outubro de 1912, filho do comerciante Agostim Grabois e de Dora Grabois, ambos judeus de nacionalidade russa. Fez o curso primário em vários colégios devido às inúmeras viagens e mudanças da família, por conta do trabalho do pai. Em 1920, quando a família regressou a Salvador, concluiu a escola primária. Em 1925 ingressou no Ginásio da Bahia, passando a sentir interesse pela política por influência de seu diretor, Bernardino José de Souza. Também na época conheceu e tornou-se amigo de Carlos Marighella, que freqüentava o mesmo colégio.
            Formou-se em 1929. No início do ano seguinte foi para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, onde passou a freqüentar o curso preparatório para a Escola Militar de Realengo, nela ingressando em 1931. Em 1932, filiou-se ao PCB e iniciou um grupo militante dentro da Escola Militar, sendo expulso em 1933. Ingressou na Escola de Agronomia, onde cursou se tornou dirigente da Juventude Comunista, ala jovem do PCB e, em 1934, foi encarregado do setor nacional de agitação e propaganda da Juventude Comunista do Brasil.
            Em 1935, integrou-se nas ações desenvolvidas pela Aliança Nacional Libertadora (ANL), ajudando a organizar a chamada Intentona Comunista, através da luta armada, que foi reprimida por forças do governo. A partir daí, na clandestinidade, Maurício Grabois foi responsável pela edição clandestina do jornal“A Classe Operária” e dirigiu a editora Vitória, também do PCB. Em 1941, foi preso e solto no ano seguinte.
            Ao sair da prisão, Grabois integrou o Secretariado Nacional  Provisório, encarregado de reorganizar nacionalmente o partido e organizar a “Conferência da Mantiqueira”, que ocorreu em agosto de 1943, quando foi eleito membro do Comitê Central, da Comissão Executiva e do Secretariado do Comitê Central.
            A derrubada de Getúlio Vargas e a legalização do PCB levaram o partido a entrar na vida democrática institucional brasileira, e Grabois foi eleito deputado federal  como companheiro de chapa de Luiz Carlos Prestes, eleito senador. Participou da Assembléia Constituinte de 1945-1946 e liderou a bancada comunista, que tinha então 14 deputados , entre eles Jorge Amado e Marighella. Também foi membro da Comissão de Relações Exteriores da Câmara.
            Em 1947, no entanto, o registro do partido foi cassado, e o PCB passou a ser ilegal. Em janeiro de 1948, os mandatos  dos parlamentares comunistas foram caçados e eles passaram a atuar na  clandestinidade. Grabois trabalhou como redator do programa do partido e ajudou a organizar o IV Congresso do PCB em 1954, sendo reeleito para o Comitê Central.  
            Em 1956, Nikita Khrushchov discursa no XX Congresso do PCUS denunciando os supostos crimes de Josef Stalin e renegando o legado do líder soviético. A mudança de orientação, conhecida como “Revisionismo”, provoca um racha no PCB e, em  fevereiro de  1962, junto com João Amazonas, Pedro Pomar, Carlos Danielli e outros, Grabois deixa o PCB e funda o Partido Comunista do Brasil, PCdoB.
            Em 1964 ocorre o golpe militar no Brasil, Maurício Grabois dirigia o jornal “A Classe Operária”. Os comunistas se dividem entre os que defendem a oposição clandestina, aliada aos democratas de centro-direita, depois organizados no MDB (Movimento Democrático Brasileiro) e os que optam pela luta armada. Maurício Grabois foi um dos principais defensores da posição em defesa da luta armada no partido. Em 1966, uma conferência aprova a adoção de táticas revolucionárias para tentar derrubar o regime militar e implantar um regime comunista no Brasil.
            Em 1967, Grabois  iniciou os preparativos de um movimento de guerrilha na região do Araguaia, sul do Pará, onde passou a viver, estabelecendo-se na localidade de Faveira. Em 1972, o Exército descobriu o núcleo guerrilheiro no Araguaia. As tropas enviadas à região, estimadas em 20 mil homens , eliminaram 59 guerrilheiros do PCdoB, entre eles Maurício Grabois e seu filho, André Grabois.
            O comandante da Guerrilha do Araguaia, Maurício Grabois , morreu no final da manhã do dia 25 de dezembro de 1973, aos 61 anos, de arma em punho, se defendendo de um ataque inimigo. A Guerrilha do Araguaia ainda é uma vasta fonte de pesquisa e de análise para garantir o direito à verdade e à memória  dos que ali deram a vida no combate ao regime de terror que moldou o golpe de 1964. A guerrilha do Araguaia foi um acontecimento que vai sendo dimensionado na medida em que dados novos são revelados. Será mais ainda quando os arquivos da ditadura forem abertos.
            Em sua homenagem, o PCdoB batizou seu instituto partidário com o nome de Instituto Maurício Grabois, fundado em 1995, dez anos após a legalização do partido que o militante histórico ajudara a fundar em 1962.


DIA 23 DE DEZEMBRO DE 1957, NASCE ANA JÚLIA CAREPA

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                “Ana Júlia é uma guerreira, ela é uma pessoas que sabe correr riscos, tendo a dimensão do que pode e do que não pode alcançar”, comentou a psicoterapeuta Zildinha Sequeira, amiga desde a  adolescência.  “Ela é boa de palanque, de discurso e de intervenção”, disse o cientista político Edir Veiga, da Universidade Federal do Pará, que nos anos 70, foi colega de Ana no então clandestino Partido Comunista Revolucionário. São dois depoimentos que ajudam a mostrar o perfil de Ana Júlia Carepa,  militante do PT , bancária, líder sindical, que foi vereadora, deputada, senadora e governadora do estado do Pará e continua na luta.
            Filha do  engenheiro civil  Arthur Sampaio Carepa  e  da  dona-de-casa Maria José de Vasconcelos carepa,  Ana Júlia nasceu em Belém, no dia 23 de dezembro de 1957. Em 1976, iniciou o curso de arquitetura na Universidade Federal do Pará (UFPA), começando sua carreira política no movimento estudantil, ingressando no clandestino Partido Revolucionário Comunista (PRC), liderado na época por José Genuíno e Tarso Genro.  Foi a primeira presidente eleita do Centro Acadêmico Livre de Arquitetura da UFPA, onde desempenhou um papel importante na reorganização do curso e na elaboração de um novo currículo.
            Em 1980 formou-se em arquitetura. Em 1981, foi aprovada em concurso para o  Banco do Brasil e tornou-se diretora do Instituto dos Arquitetos do Brasil, seção Pará, cargo que ocupou por dois anos. Passou a atuar também no movimento social, ajudando a fundar o Movimento das Mulheres do  Campo e da  Cidade.
             Em 1982, filiou-se ao Partido dos Trabalhadores (PT),  participando,  em 1983,  do Movimento de Oposição Bancária (MOP), que fortaleceu a Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Pará. Participou do I e II Congressos dos Funcionários do Banco do Brasil, em Brasília e São Paulo, nos anos de 1989 e 1992, respectivamente. Em 1991 foi eleita representante do Pará no Conselho Nacional  dos Funcionários do Banco do Brasil.
            Em outubro de 1992, foi eleita vereadora em Belém com a maior votação entre os candidatos do PT. Dentre os projetos apresentados durante o seu mandato, buscou assegurar ônibus 24 horas na cidade e a criação do Conselho Municipal da Condição Feminina. Presidiu a Comissão de Administração Pública da Câmara Municipal, entre 1993 e 1995, assumindo também, em 1993, a Liderança do PT. Fora do Parlamento, destacou-se como organizadora dos movimentos de mulheres.
            Em outubro de 1994, elegeu-se deputada federal, renunciando ao seu mandato de vereadora. Em sua atuação parlamentar, teve destaque na defesa de conquistas populares. Atuou contra  projetos do governo Fernando Henrique Cardoso (FHC), da reforma  da previdência que tentava restringir direitos como a licença-maternidade.
            Na votação de emendas à Constituição encaminhadas pelo governo FHC, votou contra o fim do monopólio estatal das telecomunicações e da Petrobras, na exploração do petróleo, a permissão de embarcações estrangeiras  operarem no transporte de carga e passageiros entre portos do país, e o fim das diferenças jurídicas entre empresas nacionais e estrangeiras. Integrou, como titular na comissão especial sobre a irrigação da Ilha de Marajó (1995) , nas Comissões de Ciência, e Tecnologia, de Comunicação e Informática (1995 e 1996) e de Fiscalização Financeira e Controle (1996).
            Nas eleições municipais de outubro de 1996, elegeu-se vice-prefeita de Belém, na chapa do também petista Edmilson Rodrigues , com apoio da Frente Belém Popular, coligação que reuniu  PT, PSTU, PCdoB, PCB, PPS e psb; a frente venceu o segundo turno, realizado em novembro. Ana Júlia assumiu a vaga, renunciando ao mandato de deputada federal. Em outubro de 1998, Ana Júlia candidatou-se ao Senado, mas não foi eleita. Em outubro de 2000, candidatou-se à  vereadora de Belém, sendo eleita a mais votada da história de Belém até os dias atuais, com cerca de 26 mil votos. 
Em 2002, foi eleita senadora . A primeira mulher a representar o Pará no Senado da República, com votação histórica, mais de um milhão de votos. Como senadora, Ana Júlia atuou no fortalecimento do empreendedorismo, na CPMI do Banestado e na CPMI que apurou casos de exploração sexual de crianças e adolescentes em todo o país.
            Nas eleições de outubro de 2006, Ana Júlia candidatou-se ao governo do Pará, sendo eleita como a primeira mulher a governar o Estado como governadora titular, com 1.673.648 votos, o equivalente  a 54% dos votos válidos no segundo turno, derrotando o ex-governador Almir Gabriel, do PSDB.  Tomou posse como governadora no dia 1º de janeiro de 2007. Em 2010,  candidatou-se mas não foi reeleita.
            Atualmente, Ana Júlia ocupa o cargo de Diretora Administrativa e Financeira da Brasilcap Capitalização SA. (Subsidiária do Banco do Brasil), desde dezembro de 2011, e também é Conselheira Fiscal do Sindicato das Seguradoras do Rio de Janeiro.

DIA 22 DE DEZEMBRO DE 1955, FUNDAÇÃO DO DIEESE
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                O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos – DIEESE , foi criado no dia 22 de dezembro de 1955, por um grupo de vinte dirigentes do movimento sindical, para suprir a necessidade de uma instituição  confiável de dados econômicos. O movimento sindical suspeitava de que os índices econômicos oficiais da época eram manipulados, prejudicando  os trabalhadores.
                O primeiro presidente do DIEESE foi Salvador Romano Losacco, do Sindicato dos Bancários e  o primeiro diretor técnico foi o sociólogo José Albertino Rodrigues, que deram início a uma longa trajetória baseada no tripé pesquisa, assessoria e educação. 
                Um dos primeiros trabalhos do DIEESE, ainda na década de 1950, foi uma pesquisa  sobre o custo de vida na cidade de São Paulo, um levantamento com o objetivo de mostrar a real inflação, que serviria como base para o Índice de Custo de Vida (IVC). A pesquisa era feita através do acompanhamento,  por um grupo de técnicos, de nove  famílias que concordaram em participar e seu resultado forneceu subsídios técnicos para que os dirigentes sindicais negociassem a aumento salarial.
                Com o passar dos anos, o DIEESE expandiu o número de pesquisas: além de preços, mercado e condições de trabalho, perfil de categorias profissionais, políticas  públicas,renda, etc. O trabalho também foi aprimorado em outra dimensões e passou a abranger outras áreas, como a assessoria às entidades sindicais durante as negociações salariais.
                Após o golpe militar de 1964, o Dieese sofreu com a desarticulação do movimento sindical, e foi  impedido de realizar suas funções devido à intervenção no Sindicato dos metalúrgico de São Paulo, onde estava sediado, retomando suas atividades em 1965. Mesmo com a repressão, o Departamento conseguiu apoiar os trabalhadores, fornecendo cálculos e estudos sobre a política salarial, cada vez mais arrochada. O DIEESE chegou a realizar, clandestinamente, estudos para o MIA – Movimento Intersindical Anti-Arrocho.
                Foram os técnicos do Dieese que, em 1977, denunciaram que o índice oficial da inflação de 1973 havia sido manipulado, resultando em um rebaixamento dos salários. Esta denúncia abriu uma grande discussão na sociedade, deflagrando uma série de manifestações operárias pela reposição salarial. Reforçou também o acerto do movimento sindical em investir e apoiar o surgimento desta instituição de assessoria que foi criada para contrapor os índices de custo de vida apresentados por ocasião das negociações salariais quando os números eram produzidos sob o domínio dos patrões.
                Em 1978, com a retomada dos movimentos grevistas os principais sindicatos sofreram intervenção, fazendo o projeto ficar parado até 1985, quando os trabalhadores voltam a comandar as principais instituições. Esse período coincide com o surgimento e desenvolvimento dos computadores pessoais e a informatização, que se transforma num poderoso aliados dos sindicatos.
                Em 2005, quando o DIEESE  comemorava seu  50º aniversário, gozando de credibilidade nacional e internacional;  e reconhecida como órgão de utilidade pública em várias regiões do país, as entidades sindicais decidiram que era o momento de investir no antigo objetivo: a instituição da universidade do trabalhador. Assim, a partir de 2006, teve início o projeto para viabilizar o que veio a se chamar Escola DIEESE de Ciências do Trabalho, que promoveria cursos de graduação e pós-graduação, além de disciplinas de especialização para dirigentes sindicais. Em 2010 a escola foi fundada.
 
                No dia 18 de setembro de 2015, um grupo de 24 alunos recebeu o certificado de conclusão de curso superior em Ciências do Trabalho . Era a formatura da primeira turma organizada pelo DIEESE, iniciada em 2012, completando um percurso histórico de 60 anos.  
 


 
 
 
 
 
 

DIA 20 DE DEZEMBRO DE 1989, PROMULGADA A LEI CAÓ

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        A lei Afonso Arinos, sancionada por Getúlio Vargas em 1951, estabelecia que o racismo era apenas uma contravenção,portanto, até a década de 80, o racismo, perante o Estado brasileiro , era apenas uma prática semelhante ao jogo do bicho, atualmente.  Ou seja, ”não pode, mas está liberado”.
            Criada há exatos 31  anos, a Lei 7.716/89, conhecida como “Lei Caó” define os crimes resultantes de preconceito racial. A legislação determina a pena de reclusão para quem comete atos de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou  nacionalidade. Com a sanção, a lei regulamentou o trecho da Constituição federal que torna inafiançável  e imprescritível  o crime de racismo, após dizer que todos são iguais sem discriminação de qualquer natureza.
            A lei ficou conhecida como “Caó”, em homenagem ao seu autor, o deputado Carlos Alberto de Oliveira.  Desde 20 de dezembro de 1989, quem impede o  acesso de pessoas devidamente habilitadas para cargos no serviço ou recusar a contratar trabalhadores em empresas privadas por discriminação deve ficar preso de dois a cinco anos.
        É determinada também a pena para  quem, de modo discriminatório, impede o acesso a estabelecimentos  comerciais (um a três anos);  quem impede que crianças se matriculem em escolas (três a cinco anos);  e quem  impede que cidadãos negros entrem em restaurantes, bares ou edifícios públicos ou utilizem transporte  público (um a três anos). Os funcionários públicos, que cometerem racismo, podem perder o cargo. Trabalhadores de empresas privadas estão sujeitos a suspensão de até três meses. As pessoas que incitarem a discriminação e o preconceito também podem ser punidas, de acordo com a lei.
            Baiano de Salvador, Carlos Alberto de Oliveira nasceu no dia 20 de dezembro de 1941. Filho de uma costureira e de um marceneiro , Carlos Alberto de Oliveira iniciou sua militância política na Associação dos Moradores da Federação. Foi também vice-presidente da UNE. Com esse curriculum, foi preso e torturado pela ditadura militar. Migrou para o Rio de Janeiro, onde se tornou uma das lideranças mais influentes do PDT – Partido Democrático Trabalhista, fundado e presidido por Leonel Brizola. Com a eleição de Brizola ao governo do Estado, Caó tornou-se Secretário de Estado de Trabalho e Habitação.
                Jornalista e advogado, Caó foi presidente do Sindicato dos Jornalistas  do Rio de Janeiro. Durante mandato de deputado federal, deixou sua marca na luta pela ampliação dos direitos civis. Na Assembléia Constituinte de 1988, Caó apresentou a emenda que determina que“a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível”.
                À princípio, a Lei Caó (Lei 7.716/89) veio penalizar apenas os crimes decorrentes de raça ou cor, todavia, o artigo 1º  foi revogado pela lei 9.459/97 que passou a ter nova redação:
               
                “Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”
               
                Essa lei histórica, que criminaliza o racismo, ainda não incluía o crime de intolerância religiosa. Com a nova redação de 1997, passou a considerar crime, também, essa forma de intolerância. A Lei Caó foi mais uma vitória do movimento negro, que nunca desistiu da luta pela igualdade racial e contra todas as formas de racismo e discriminação, e atuando em várias frentes, tem conseguido avanços significativos nessa luta.
                Com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, à presidência da República, em 2003, o Brasil deu um grande passo no combate à discriminação racial. Tanto a nível de legislação como a nível de políticas públicas. No dia 21 de março de 2003, foi criada a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial – SEPPIR, pela Medida Provisória nº 111, convertida na Lei nº 10.678, de 23 de maio do mesmo ano. O presidente da República tornava explícitas as bases para o enfrentamento da problemática racial, inaugurando uma nova página no tratamento dispensado pelo Estado Brasileiro às mazelas resultantes da discriminação e das desigualdades raciais.
                A SEPPIR iniciou uma aproximação com setores responsáveis pela política de promoção da igualdade racial ligados à ONU ( Organização das Nações Unidas) e a outros organismos internacionais, representando o Brasil no Comitê para Eliminação da Discriminação Racial (Cerd), em Genebra; além de elaborar o Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial e suas Diretrizes e criou um grupo constituído pelos diversos ministérios para estabelecer metas e indicar custos para a execução das políticas de igualdade racial.  
                Em 2010, o então presidente Luis Inácio  Lula  da Silva  sancionou a Lei 12.288/10, de autoria do Senador Paulo Paim (PT), que instituiu o Estatuto da Igualdade Racial. Essa lei,  aproveitou vários pontos da Lei Caó, garantindo mais direitos e proteção à população negra e afro-descendentes, e sua importância é que ela determina, pela primeira vez na história,  a obrigação do poder público de manter políticas públicas que beneficiam a população afro-descendentes do nosso país, comprovadamente, maioria da população e a mais sacrificada pela desigualdade histórica que, desde o descobrimento, beneficia uma elite conservadora e egoísta, que não se preocupa com o bem estar da maioria da população, o que traria, como conseqüência, o progresso do Brasil.

 DIA 19 DE DEZEMBRO DE 1899, NASCE MARTIN LUTHER KING (PAI)
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                Quando recebeu o Prêmio Nobel da Paz, Marthin Luther King Jr. Afirmou: “Meu pai decidiu nunca mais entrar num ônibus da cidade por ter presenciado certas brutalidades de que eram vítimas os passageiros negros. Foi ele que assumiu o comando da luta pela igualdade de salários dos professores e teve um papel preponderante, nos tribunais, para que se eliminasse a segregação…”, Assim  o pastor lembrou a luta do pai, que o influenciou e iniciou  saga da família que, até hoje, apesar de todas as perseguições e violência, luta  pela igualdade racial nos Estados Unidos, influenciando os movimentos negros do mundo inteiro.
            Líder pioneiro na defesa dos direitos civis, o reverendo Martin Luther King, conhecido como King Pai, nasceu no dia 19 de dezembro de 1899, em Stockbridge, Geórgia, Estados Unidos. Nascido como Michael King, trocando mais tarde o nome para Martin,  era filho de James (Jim) King (1864-1933) e de Delia Linsey King (1875-1924), era o primogênito de nove irmãos e sua família vivia da agricultura no sistema de parceria ou meação.
            Era membro da Igreja Batista Floyd Chapel e decidiu tornar-se um pregador, após ser influenciado por ministros que se preparavam para a defesa da igualdade racial. Nessa época, já  participava de movimentos contra a segregação racial,  como o  boicote aos sistema de ônibus após o ataque racista aos passageiros negros, que restou sem um processo contra os responsáveis.
            Mudou-se de  Stockbridge para Atlanta, onde sua irmã Woodie trabalhava com o pastor Adam Daniel  Williams, então líder da Igreja Batista Ebenezer. Quando começou a namorar a filha de Willians, Alberta,  a família dela o encorajou a concluir seus estudos e tornar-se pastor. Ao terminar o colegial na Bryant Preparatory School, começou a pregar em várias igrejas para negros de Atlanta.
            Em 1926, iniciou sua formação como pastor no Morehouse College. No dia 25 de novembro do mesmo ano, depois de oito anos de namoro, Michael e Alberta casaram-se na Igreja Ebenezer. O casal teve três filhos, em quatro anos: Willie Christine em 1927, Marthin Luther, Jr.  Em 1929 e Alfred Daniel  em 1930.
            Em março de 1931, com a morte do sogro, Michael o sucedeu,  tornando-se o líder da Igreja Batista Ebenezer, conquistando a confiança da comunidade negra e o respeito dos brancos.  Com o país em meio à Grande Depressão, a igreja lutava contra as dificuldades financeiras e para isso organizou sociedades e campanhas de arrecadação que logo fizeram-na superar a crise. Com isso, em 1934, King havia se tornado um respeitado líder na igreja local e mudou seu nome de Michael para Martin Luther King.
            Como líder da Igreja  Ebenezer, King Pai tornou-se  uma referência do movimento pelos direitos civis na Geórgia, de onde partiu para ser um dos líderes do NAACP – Associação Nacional  Para o Progresso das Pessoas de Cor e da Liga Cívica e Política. Dirigiu a luta por salários iguais entre os professores negros e brancos em Atlanta.Teve ainda papel crucial na revogação da lei Jim Crow no estado. Defendia a necessidade de um ministério religioso negro educado e politicamente engajado.
            Em 1944, ao concluir um curso brilhante num estabelecimento de ensino secundário da cidade, Martin Luther King Jr. Ingressou no Colégio Universitário de Morehouse, onde já o precediam “três gerações de King”. Optou pela Teologia. No dia 25 de fevereiro de 1948, foi ordenado pastor no templo de Ebenezer. Promovido a assistente na paóquia do pai, Luther King Jr. Continuou o estudo de sociologia. No mesmo ano, trocou Morehouse por Chester, na Pensilvânia.
            Em sua autobiografia denominada “Uma autobiografia de Desenvolvimento Religioso”, Luther King Jr. Lembra de episódios como o dia em que seu pai  e ele saíram  de uma loja de sapatos porque haviam pedido a ele e seu filho mudarem de lugar: “Aquela foi a primeira vez que vi o papai tão furioso. Aquela experiência me revelou, numa idade bastante nova, que meu pai não havia se subordinado ao sistema, e desempenhou um grande papel na formação de minha consciência. Ainda me recordo a caminhar ao seu lado, rua abaixo, quando me dissera – ‘Eu não me importo quanto tempo ainda viverei com este sistema, mas eu nunca irei aceitá-lo’.”
            Outra história lembrada por King Jr. Foi de uma vez em que o carro que seu pai estava guiando foi parado por um oficial de polícia, e este o tratara por garoto (boy). King pai então apontou para seu filho, dizendo-lhe:”Este é um garoto. Eu sou um homem; até que você me trate como tal eu não o escutarei”.
            Em 1960, quando Martin Luther King Junior. Foi preso numa passeata pacífica em Atlanta, Robert Kennedy telefonou ao juiz e intercedeu por sua libertação. Embora King pai fosse opositor dos Kennedy por estes serem católicos, manifestou sua aprovação por este telefonema e mudou seu apoio a esta família.
            Após o assassinato do filho ilustre, em 1968, King pai continuou servindo como pastor na Igreja Batista Ebenezer até 1975. Sua esposa, Alberta, havia sido assassinada em junho do ano anterior.  Em 1979, King Pai foi um dos muitos membros do Morehouse  College mantidos reféns por um grupo de estudantes que exigiam reformas no currículo e na direção. Um desses alunos era Samuel L. Jackson. Anos depois, Jackson tornou-se um reconhecido ator, indicado ao Óscar.
            Em 1977, King pai estava presente, juntamente com a viúva de seu filho,  Coretta Scott King, quando o então presidente Jimmy Carter, premiou postumamente Martin Luther King Jr. com a Medalha Presidencial da Liberdade. Em 1980, publicou uma autobiografia.
            Em 1984, Martin Luther King, Pai, morreu de infarto do miocárdio, no Crawford W. Long Hospital, em Atlanta. Foi sepultado em South View Cemitery, Atlanta, Fulton County, Geórgia, nos Estados Unidos.

 DIA 18 DE DEZEMBRO DE 1945, NASCE ADÃO PRETTO
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“Com as mãos / de plantar e colher / com as mesmas mãos / de romper as cercas /  do mundo Te tecemos / Desafiando os ventos / sobre nossas cabeças / Te levantamos / Bandeira da terra, / Bandeira da luta, / Bandeira da vida, / Bandeira da liberdade! / Sinal de liberdade! / a que juramos: não nascerá sobre tuas sombras / um mundo de opressores. / Sinal de terra / Conquistada! / Sinal da luta / e da esperança /sinal da vida / multiplicada / E quando a terra retornar / Aos filhos da terra / repousará sobre os ombros, /  dos meninos livres / que nos sucederão!!!”
Com esse poema, intitulado “A bandeira do MST”, o grande poeta Pedro Tierra homenageia o maior e mais importante movimento  de luta pela reforma agrária do Brasil. E por extensão, pode-se homenagear também seus fundadores e seus militantes. Um deles é Adão Pretto, um dos fundadores  do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) do Rio Grande do Sul, participante das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e da Comissão  Pastoral da Terra (CPT), que, eleito deputado estadual e federal, levou para o parlamento a luta pela reforma agrária e pela melhoria de vida do trabalhador rural.
Adão Pretto nasceu em Coronel Bicaco (RS), no dia 18 de dezembro de 1945. Quando tinha 2 anos de idade, a família mudou-se para um município vizinho, Miraguaí, localizado a cerca de 400 km de Porto Alegre, na região do Alto Uruguai, onde cresceu, e jovem começou a trabalhar como agricultor, iniciando sua trajetória política no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Miraguaí, do qual chegou a ser presidente, participando das CEBs e da CPT, instituições ligadas à Igreja Católica, destacando-se como liderança expressiva do movimento camponês.  
Em 1980 filiou-se ao PDT – Partido Democrático Trabalhista. Em 1985 ingressou no Partido dos Trabalhadores (PT),  e foi eleito deputado estadual. Em 1986, na Assembléia Legislativa, presidiu a CPI da Violência no Campo, para investigar os conflitos entre grandes fazendeiros e trabalhadores rurais. Em 1987, lançou um livro sobre o tema, denominado “Queremos Reforma Agrária”, pela Editora Vozes.
Em 1991, tomou posse, pela primeira vez, como deputado federal. Na Câmara, opunha-se aos ruralistas na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural. Sua principal bandeira foi a reforma agrária, sempre atuando na defesa das causas dos movimentos sociais populares, em especial aos ligados às questões do campo, como a defesa dos interesses dos pequenos agricultores e da luta do MST. Com esse trabalho foi reeleito nos anos de 1994, 1998, 2002 e 2006, sempre pelo PT. 
Seu último cargo na câmara foi como presidente da Comissão de Legislação Participativa. O último projeto de lei do deputado Adão Pretto foi apresentado em outubro de 2008, e propõe o fim do pagamento de indenização compensatória nos processos de desapropriação para fins de Reforma Agrária. 
Adão Pretto morreu  às 8 h. no dia 5 de fevereiro de 2009, aos 63 anos.  O deputado estava internado em estado grave , após uma cirurgia para retirada do pâncreas. O velório ocorreu na Assembléia legislativa do Rio Grande do Sul e o sepultamento foi no cemitério Jardim da Paz , em Porto Alegre.
No dia 16 de dezembro de 2015, a Câmara Municipal de Porto Alegre aprovou, por unanimidade, o projeto de lei do vereador Carlos Comassetto (PT), que dá nome de “Avenida Deputado Adão Pretto” ao atual Beco da Taquara na Lomba do Pinheiro, na capital. O evento de inauguração da placa fez parte da “Semana Adão Pretto“, quando, há 5 anos, os movimentos sociais de Porto Alegre realizam palestras, atividades culturais e políticas em homenagem ao parlamentar e líder, referência da luta camponesa.


DIA 17 DE DEZEMBRO DE 1936, NASCE O PAPA FRANCISCO

 
Pope Francis waves after leading his weekly general audience at St. Peter's Square at the Vatican June 11, 2014.  REUTERS/Giampiero Sposito  (VATICAN - Tags: RELIGION)

Pope Francis waves after leading his weekly general audience at St. Peter’s Square at the Vatican June 11, 2014. REUTERS/Giampiero Sposito (VATICAN – Tags: RELIGION)

                Francisco, é o primeiro papa latino –americano e também o primeiro a adotar o nome de São Francisco de Assis, santo italiano que abdicou de uma vida de luxo para se dedicar aos pobres e à natatureza. É o primeiro pontífice não europeu em mais de 1.200 anos e também o primeiro papa jesuíta da história. Escolheu o nome do santo de Assis com a ajuda do cardeal brasileiro, dom Cláudio Hummes. No momento que a votação começava a dar sinais de que sereia eleito papa, dom Cláudio Hummes disse, “Não se esqueça dos pobres”, o então Cardeal Bergoglio, lembrou-se das palavras do amigo e adotou o nome de Francisco.  
            Jorge Mario Bergoglio nasceu em Buenos Aires, no bairro de Flores, Argentina, filho de um casal de imigrantes italianos do Piamonte. Seu pai, Mario Bergoglio era ferroviário e a mãe, Regina Maria Sivoni, dona de casa. Aos 20 anos sofreu uma grave infecção respiratória e teve um de seus pulmões extraído. Aos 21 anos, depois de abandonar as aulas de técnico em química, entrou para o noviciado da Companhia de Jesus, e se formou em Filosofia.
            Foi ordenado sacerdote jesuíta em dezembro de 1969. No ano seguinte, graduou-se em Teologia . Tornou-se responsável pela Ordem Jesuíta na Argentina, função que exerceu até 1978. Entre os anos de 70 e 80, lecionou filosofia e teologia em escolas de Buenos Aires. Foi reitor da Faculdade de Filosofia  e Teologia de São Miguel, onde estudou, de 1980 a 1986.  Em 1986, passou alguns meses na Alemanha, para finalizar sua tese de doutorado. Em 1992, foi designado bispo auxiliar de Buenos Aires e em 1998, arcebispo primaz da Argentina . Em 21 de fevereiro de 2001, foi nomeado cardeal pelo papa João Paulo II.
            Bergoglio sempre foi um homem de hábitos simples. Morava sozinho em um apartamento pequeno, fazia sua própria comida, andava de ônibus e de metrô. As visitas às favelas de Buenos Aires eram freqüentes,  como era freqüente também o seu trabalho social, sempre em favor da população mais pobre. Durante os protestos ocorridos na Argentina contra os planos de austeridade do governo, o cardeal fazia discursos em Buenos Aires apoiando as manifestações dos trabalhadores,  destacando os contrastes entre os ricos e os pobres “que eram perseguidos por querer trabalhar”.
            Em 2005, o cardeal foi denunciado por supostas conexões com o sequestro, pela ditadura argentina, dos padres jesuítas Orlando Virgilio Yorio e Francisco Jalics, em 23 de maio de 1976, quando trabalhavam sob o comando de Bergoglio. A  denúncia teve por base artigos jornalísticos e o livro “Igreja e Ditadura” escrito por Emilio Mignone. Porém, essas afirmações foram desmentidas pelos próprios padres Jalics e Yório. Pelo contrário, investigações constataram que o cardeal trabalhou incansavelmente para a libertação deles e de vários presos políticos, tendo montado uma rede clandestina para proteger pessoas perseguidas e ajudá-las a fugir dos militares.
            Segundo Sérgio Rubin, biógrafo autorizado do cardeal, Bergoglio, frequentemente dava abrigo a pessoas perseguidas pela ditadura em propriedades da Igreja, e uma vez deu seus próprios documentos de identidade a um homem que se parecia com ele, para que pudesse fugir da Argentina. O vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 1980, o argentino Adolfo Perez Esquivel, perseguido pela ditadura, afirmou que alguns bispos foram cúmplices do regime, mas não foi o caso de Bergoglio. O mesmo declarou a argentina Graciela Fernández Meijide, membro da ONG Assembléia Permanente para os Direios Humanos (APDH).
            As relações de Bergoglio com o  governo da Argentina  tiveram  momentos de tensão, desde a gestão de Nestor Kichner (2003-2007) e também com o de Cristina Kichner (2007-2015). As críticas do cardeal não impediram a Argentina de se tornar o primeiro país da América Latina a legalizar o casamento gay ou fizeram com que a líder argentina parasse de promover  a contracepção gratuita e a inseminação artificial.  
            A Igreja de Bergoglio não teve nenhuma voz quando a Suprema Corte argentina expandiu o acesso aos abortos legais em casos de estupro. Quando o arcebispo de Buenos Aires argumentou que as adoções por gays eram uma discriminação contra as crianças, Cristina comparou seu tom “Às épocas medievais e à Inquisição”, Ainda assim, a presidente compareceu em sua intronização e também foi a primeira chefe de Estado a reunir-se com ele.
            No dia 13 de março de 2013, Jorge Mario Bergoglio foi eleito Papa pelo conclave para ser o sucessor do papa Bento XXI, que renunciou ao cargo no dia 28 de fevereiro .  O cardeal argentino já era cotato para assumir o papado em 2005, no conclave que elegeu o cardeal Joseph Ratzinger, mas sua posse foi prorrogada. O primeiro papa latino-americano da história da Igreja Católica será chamado de Francisco I apenas quando existir Francisco II, segundo o Vaticano.
            Assumindo a Igreja em meio a muitos escândalos de pedofilia e de administração do Vaticano, Francisco não fugiu dos desafios. Em abril de 2013, ordenou que a congregação continue com a linha iniciada por Bento XVI, agindo de forma decisiva contra o abuso sexual de menores por membros da Igreja Católica, promovendo medidas para a proteção e ajuda às crianças que sofreram esse tipo de violência e auxiliando nos processos contra os culpados.
            Em 11 de julho de 2013, o papa assinou um decreto de Motu próprio, reformando o código penal do Vaticano e tornando mais rígidas as sanções para esse tipo de crime. Em 22 de março de 2014, nomeou os oito primeiros integrantes da “Comissão de Proteção às Crianças”, Órgão instituído por ele em 2013 para combater mundialmente os abusos sexuais de menores na Igreja Católica. Em abril de 2014, o Papa pediu perdão pelos casos de pedofilia e abusos sexuais cometidos por sacerdotes da Igreja Católica.
            Em uma decisão inédita na história da Igreja Católica, em setembro de 2014 o Papa Francisco ordenou pessoalmente a prisão do ex-arcebispo e ex-embaixador da Santa Sé, o polonês Jozef Wesolowskide, acusado de abusos sexuais durante o período de 2008 a 2013, quando era representante diplomático da Igreja Católica na República Dominicana.
 
            Leonardo Boff, um dos expoentes da Teologia da Libertação, é otimista sobre a relação do Papa Francisco com os pobres: “O Papa Francisco tem tanto o vigor como a ternura que precisamos para criar um novo mundo espiritual”. E disse  ainda que trabalham juntos para apoiar causas universais, como os direitos humanos, a partir da perspectiva dos pobres, o destino da humanidade que sofre, os serviços para as pessoas que vivem marginalizadas
 


 DIA 16 DE DEZEMBRO DE 1976, MORRE PEDRO POMAR
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                Político, militante comunista histórico,  líder e fundador do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Pedro Pomar nasceu no dia 23 de setembro de 1913, em Óbidos, Estado do Pará. Era filho da maranhense Rosa de Araújo Pomar, costureira,  e do escritor peruano peruano Felipe Cossío Del Pomar,  um dos fundadores da Aliança para a Revolução Americana (PARA).
            Aos 13 anos, em 1926, o jovem Pedro deixou Óbidos e mudou-se para o Pará, para estudar no Gymnásio Paraense, onde começou a atuar no movimento estudantil.  Em 1932, Aos 19 anos entrou para a Faculdade de Medicina e participou da organização do movimento armado em favor dos constitucionalistas de São Paulo. Foi quando conheceu a escritora, jornalista do Diário de Notícias e militante comunista Eneida de Moraes, que o recrutou para o Partido Comunista Brasileiro (PCB).
            Nessa época, Pedro Pomar também era jogador de futebol profissional pelo Clube do Remo. Em 5 de dezembro de 1935, casou-se com Catharina Patrocínia Torres, que na época tinha 17 anos. O casal teve quatro filhos.
            Aos  22 anos, no terceiro ano de medicina, Pomar foi preso pela primeira vez, em janeiro de 1936, após participar do levante popular apelidado de “Intentona Comunista”.  Solto em junho de 1937. Com a repressão política aumentando, Pomar resolveu viver na clandestinidade, abandonando o curso de medicina  e tornando-se militante profissional do PCB.  Foi novamente preso em 2 de setembro de 1940. Fugiu da cadeia , em direção ao Rio de Janeiro, junto com João Amazonas e outros integrantes do partido no dia 5 de agosto de 1941.
            A partir daí, Pomar tornou-se o principal dirigente do Comitê Estadual do PCB, em São Paulo coordenando a reorganização do partido em escala nacional, atuando nas fábricas, escolas, sindicatos, associações, etc. Em 1943, Pomar coordenou a chamada “Conferência da Mantiqueira”.
            Em 1945, Pomar concorreu a uma vaga de deputado federal pelo Pará. Não fez campanha e não conseguiu se eleger. Em 1947, concorreu pela coligação PCB-PSP (Partido Social Progressista). Recebeu 135  mil votos, a maior votação da época. O registro do PCB foi cassado ainda em 1947, durante o governo Eurico Gaspar Dutra. Dos parlamentares comunistas, Apenas Pedro Pomar e Diógenes Arruda Câmara, que haviam sido formalmente eleitos pela sigla do PSP, não perderam seus mandatos.
            Na tribuna, Pomar denunciava as arbitrariedades da forte e violenta repressão política aos comunistas. Mais do que isso, Pomar facilitava a entrada de seus companheiros na clandestinidade e colocou seu mandato a serviço da ajuda aos militantes comunistas perseguidos. Várias tentativas ocorreram dentro do parlamento para que seu mandato fosse cassado, o que ocorreu apenas em 1950.
            Pomar voltou à clandestinidade,  devido à proibição de candidatura de comunistas de qualquer partido. Foi morar no Rio Grande do Sul, atuando sob o codinome Ângelo. Em 1953, voltou ao Rio de Janeiro com sua famíia. Membro do Comitê  Central e da Executiva do PC, foi secretário de Educação e Propaganda, encarregado de supervisionar os cerca de 25 jornais mantidos pelo partido em todo o país. Foi ainda Secretário político do Comitê Metropolitano do Rio de Janeiro. Ainda em 1953, Pomar fez parte do Comitê secreto de coordenação da vitoriosa greve dos 300 mil em São Paulo. Foi estudar na União Soviética, só retornando em 1955.
            Após muitas divergências internas, Pomar foi expulso do partido, e criou, em fevereiro de 1962, o PCdoB – Partido Comunista do Brasil, com Ângelo Arroyo, Carlos Danielli, João Amazonas, Kalil Chace, Lincoln Oest e Maurício Grabois.
            Em 1964, com o golpe militar, a polícia vasculhou e depredou a casa de Pomar, no bairro Tatuapé em São Paulo e decretou sua prisão preventiva. Pomar escapou com a família e voltou para a clandestinidade, disfarçado de vendedor de medicamentos, em suas viagens para áreas rurais, onde recrutava e instalava militantes.
            No dia 16 de dezembro de 1976, em  São Paulo,  numa operação que ficou conhecida como “Chacina da Lapa”, os órgãos de segurança descobriram que estava acontecendo uma reunião da alta cúpula do PCdoB, cercaram a casa onde estavam Ângello Arroyo, João Batista Franco Drummond e Pedro Pomar. Os agentes invadiram a casa sem chance de defesa para os militantes. Pomar e Arroyo foram mortos no local; Drummond foi levado e torturado até a morte no DOI-Codi.
 
            Pomar foi enterrado sob nome falso em Perus, no Cemitério Dom Bosco. Em 1980 seu corpo foi localizado por sua família, que fez o traslado dos restos mortais para Belém do Pará. 

 DIA 15 DE DEZEMBRO DE 1944, NASCE CHICO MENDES
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                “Me abraço à natureza / E a Deus peço axé / Em louvor a Chico Mendes /  Sua luta, sua fé / Homem simples, seringueiro /  Um valente brasileiro /  Que ao mundo fez seu manifesto /  Um protesto à crueldade e à tirania / Das derrubadas, das queimadas /   É Amazônia em agonia…” Esse trecho da música gravada por Simone, de autoria de Almir de Araújo  e Marquinho Lessa é uma das muitas homenagens a Chico Mendes, um seringueiro, sindicalista, conhecido internacionalmente por sua luta pela preservação da Amazônia,  considerado herói nacional, um mártir da luta pelos direitos humanos.
            Francisco Alves Filho, conhecido como Chico Mendes, nasceu em Xapuri, no Acre, no dia 15 de dezembro de 1944, filho do migrante cearense Francisco Alves Mendes e de Maria Rita Mendes. Ainda criança começou a trabalhar como seringueiro, acompanhando o pai em excursões pela mata. Só aprendeu a ler aos 20 anos de idade, já que na maioria dos seringais não havia escolas, nem os proprietários de terras tinham intenção de criá-las em suas propriedades.
            Segundo relato do próprio Chico, foi o militante comunista Euclides Távora,  que participou no levante comunista de 1935 em Fortaleza e na Revolução de 1952 na Bolívia, que o ensinou a ler. Após retornar ao Brasil, Távora fixou residência em Xapuri,  abrindo-lhe também os olhos sobre as condições de vida dos trabalhadores que dependiam da Floresta Amazônica e o avanço do desmatamento.
            A luta de Chico Mendes como sindicalista começou em 1975, quando assumiu a secretaria geral do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Basiléia, no Acre. Criou , pouco tempo depois, o Conselho Nacional dos Seringueiros, organização não governamental de defesa das condições de vida e trabalho das comunidades que dependiam diretamente da floresta.
            A partir de 1976, participou ativamente das lutas dos seringueiros para impedir o desmatamento. A tática utilizada pelos manifestantes era o “empate” – manifestações pacíficas em que os seringueiros protegem as árvores com seus próprios corpos. Organizou também várias ações em defesa da posse da terra pelos habitantes nativos, os chamados posseiros.
            Em 1977,  participou da fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri. No mesmo ano foi eleito vereador pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB) local. Nesse período, começaram a surgir as primeiras ameaças de morte por parte dos fazendeiros e os problemas com seu partido, o MDB, que não era solidário com as suas lutas.
            Em 1979, o vereador Chico Mendes utilizou  seu mandato para promover um grande fórum de discussões entre lideranças sindicais, populares e religiosas na Câmara Municipal de Xapuri, lotando o auditório da Câmara. Acusado de subversão pela ditadura militar, é preso e torturado mas, sem apoio político  não consegue registrar na polícia a ocorrência da tortura da qual foi vítima.
            Em 1980, participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), tornando-se uma de suas principais lideranças no Acre e participando de comícios ao lado de Luis Inácio Lula da Silva na região. No mesmo ano, foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional a pedido de fazendeiros da região, que o acusavam de envolvimento no assassinato de um capataz de uma fazenda.
            Em 1981, Chico Mendes assumiu a presidência do Sindicato de Xapuri. Em 1982, candidatou-se a deputado estadual pelo PT, não conseguindo se eleger. Em 1984, foi julgado pelo Tribunal Militar de Manaus e absolvido por falta de provas.
            Em outubro de 1985, organizou o 1º Encontro Nacional dos Seringueiros, durante o qual foi criado o Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS), que se tornou a principal referência da categoria. Do encontro, surgiu também a proposta de criar uma “União dos Povos da Floresta” que previa a união dos interesses dos seringueiros  e indígenas na defesa da Floresta Amazônica.
            Em 1987, Chico recebeu em Xapuri  uma comissão da ONU (Organização das Nações Unidas), mostrando a devastação causada na Floresta Amazônica por empresas financiadas pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). Após levar as denúncias ao Senado dos Estados Unidos, o BID suspendeu os financiamentos a estas empresas. No mesmo ano, Chico recebeu vários prêmios na área  de ecologia e meio ambiente  em função de sua luta em defesa da floresta amazônica e de seus povos nativos. O mais importante deles foi o “Global 500”, entregue pela ONU.
            Em 1988, Chico participou da criação das primeiras reservas extrativistas do Estado do Acre. Foi eleito suplente da direção nacional da CUT – Central Única dos Trabalhadores. Percorreu o Brasil participando de seminários, palestras e congressos onde denunciava as ameaças de morte e as intimidações que ele e outros seringueiros estavam sofrendo por parte dos fazendeiros membros da recém-criada UDR (União Democrática Ruralista).
            No dia 22 de dezembro de 1988, uma semana após completar 44 anos, Chico Mendes foi assassinado com tiros de escopeta na porta dos fundos de sua casa, quando saía para tomar banho. Sua morte repercutiu no mundo inteiro, divulgando a causa dos seringueiros.  Chico deixou viúva, Ilzamar, e dois filhos: Sandino e Elenira.
            No dia 16 de dezembro de 2013, foi sancionada pela presidente Dilma Rousseff a lei que declara Chico Mendes como sendo o Patrono do Meio Ambiente no Brasil.
 
            “…É a Amazônia em agonia / que  hoje chora a saudade / De Nova York a Xapuri  / Do Oiapoque ao Chuí” Assim te homenageamos. Companheiro  Chico Mendes – Presente!!

DIA 14 DE DEZEMBRO DE 1938, NASCE LEONARDO BOFF
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                “Quem olha a cena político-social-econômica atual se pergunta sinceramente: O Brasil tem jeito ? Um bando de ladrões, travestidos de senadores-juízes condenam, contra todos os argumentos contrários, uma mulher inocente, a presidenta Dilma Rousseff, contra a qual não se acusa de nenhuma apropriação de bem público e de corrupção pessoal”.
            Depoimentos como esse nos mostram  o pensamento de Leonardo Boff, teólogo , escritor, professor universitário e um dos maiores representantes da Teologia da Libertação,  corrente progressista da igreja católica. Conhecido internacionalmente por sua luta em defesa  da democracia, Boff é  uma das maiores vozes contra o impeachment da presidente Dilma, enfrentando a onda golpista e reacionária que assola o país.
            Leonardo Boff, pseudônimo de Leonardo Genésio Darci Booff, nasceu em Concórdia, Santa Catarina, no dia 14 de dezembro de 1938. Filho de professores, ingressou na Ordem dos Frades Menores em 1959, graduando-se em Teologia no Instituto dos Franciscanos de Petrópolis do Rio de Janeiro e foi ordenado sacerdote e 1964. Em 1970, doutorou-se  em Filosofia e Teologia na Universidade de Munique, Alemanha.
            Ao retornar ao Brasil, ajudou a consolidar a Teologia da Libertação no país. Lecionou Teologia Sistemática e Ecumênica  no Instituto Teológico Franciscano em Petrópolis (RJ) durante 22 anos. Foi editor das revistas Conciliun (1970-1995); Revista Internacional de Teologia e Revista de Cultura Vozes(1984-1992) e Revista Eclesiástica Brasileira (1970-1984).
             É autor de mais de 70 livros, entre os quais: “A Águia e a Galinha”, considerado um Best-seller”;  “Jesus Cristo Libertador”; “O Rosto materno de Deus”;  “Ecologia: Grito da Terra, grito dos pobres” e um dos seus mais conhecidos no mundo, “Igreja, Carisma e Poder” publicado em 1982,  onde explica os princípios da Teologia da Libertação na própria Igreja, procurando mostrar que a libertação não vale só para a sociedade, mas também para a igreja e suas relações internas. Que é papel da Igreja pregar a libertação na sociedade e se comprometer  com os oprimidos  para que eles se organizem e busquem sua  libertação. Sustentando a tese de que a Igreja Católica Romana pode e deve mudar.
            Suas críticas sobre a doutrina católica e à hierarquia da Igreja expressos nos seus livros renderam  a Boff um processo junto à Congregação para a Doutrina da Fé, então dirigida por Joseph R, depois Papa Bento XVI. Em 1985, Boff foi condenado pelo Vaticano a um ano de “silêncio Obsequioso” , perdendo sua cátedra e suas funções editoriais na Igreja Católica.
            Em 1992, ante novo risco de punição, desligou-se da Ordem Franciscana e pediu dispensa do sacerdócio. Casou-se com a educadora popular e militante dos direitos humanos Márcia Monteiro da Silva Miranda. Boff afirma que nunca deixou a Igreja: “Continuei e continuo dentro da Igreja e fazendo teologia como antes” , mas deixou de exercer a função de padre dentro da Igreja.  No mesmo ano fez parte da comissão da redação da “Carta da Terra”, uma declaração dos princípios étnicos fundamentais para a construção do século XXI.
            Em 1993, Boff foi aprovado em concurso público como professor de Ética, Filosofia da Religião e Ecologia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ),  onde é atualmente professor emérito.  Como professor visitante, lecionou em várias universidades pelo mundo, como a Universidade de Lisboa; Universidade de Salamanca (Espanha); Universidade de Harvard (Estados Unidos), Universidade de Basel (Suíça), entre outras.
            Leonardo Boff recebeu títulos Dr. Honoris Causa em várias unicversidades, como a Universidade de Turin, a Universidade de Lund, Suécia, a Universidade de Rosário, Argentina, entre outras. Em 2001, por seu compromissa com a justiça dos pobres e com a ecologia, foi homenageado com o prêmio Nobel alternativo da Paz.

DIA 13 DE DEZEMBRO DE 1968, DECRETADO O ATO INSTITUCIONAL Nº 5 
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                O Jornal do Brasil publicou em edição extraordinária:  “Previsão do tempo: Tempo negro. Temperatura sufocante. O ar está irrespirável. O país está sendo varrido por fortes ventos. Máx. 38° , em Brasília. Mín. 5º nas Laranjeiras”. Assim, a imprensa brasileira recebeu a notícia da decretação do AI-5, no dia 13 de dezembro de 1968, que marcou o início do período mais duro da ditadura militar. Editado pelo então presidente Arthur da Costa e Silva, o ato deu ao regime uma série de poderes para reprimir seus opositores.
            O ano de 1968, “O ano que não terminou”, segundo Zuenir Ventura, ficou marcado na história como um ano de manifestações pelo mundo inteiro. Na Europa, nos Estados Unidos,  na China, entre outros países, milhares foram às ruas protestar contra as condições de trabalho e educação, contra a guerra do Vietnã, entre outras reivindicações. No Brasil, uma onda de revolta e resistência  à ditadura militar ocorreu em todo o país. O movimento estudantil, na linha de frente das manifestações,  realizava enfrentamentos quase diários contra as forças de segurança.
             Em março de 1968, uma manifestação pela  melhoria da alimentação e da redução dos preços no restaurante Calabouço, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, sofreu forte repressão da polícia e resultou na morte do estudante Edson Luis de Lima Souto. O enterro contou com mais de 50 mil pessoas e iniciou uma escalada de manifestações estudantis, organizada pela UNE (União Nacional dos Estudantes), cujo ápice foi a “Passeata dos Cem Mil”, no Rio de Janeiro, em junho .
            Os trabalhadores também promoveram ações por melhores condições de trabalho e contra a ditadura. Duas grandes greves operárias foram duramente reprimidas. Em abril, 20 mil metalúrgicos de Contagem , Minas Gerais, entraram em greve. Em Osasco, São Paulo, 15 mil  cruzaram os braços para serem atendidas suas reivindicações trabalhistas, além de protestarem contra o crescente autoritarismo da ditadura.
            Os setores mais reacionários do governo militar, chamados de “linha dura”, defendiam que o governo deveria ser mais enérgico no combate às “idéias” subversivas. O diagnóstico militar era o de que havia “um processo bem adiantado de guerra revolucionária  liderado pelos comunistas”.
            A gota d’água para a promulgação do AI-5 foi  o pronunciamento do deputado Márcio Moreira Alves, do MDB, na Câmara, nos dias 2 e 3 de setembro, lançando um apelo para que o povo não participasse dos desfiles militares do dia 7 de setembro  e para que as moças, “ardentes de liberdade”, se recusassem a sair com oficiais. Na mesma ocasião, outro deputado do MDB, Hermano Alves, escreveu uma série de artigos no Correio da Manhã, considerados pelos militares como “provocações irresponsáveis e intoleráveis”.
            O governo solicitou ao Congresso a cassação dos dois deputados. Seguiram-se dias tensos no cenário político. No dia 12 de dezembro, a Câmara recusou, por uma diferença de 75 votos  (e com a colaboração da própria Arena, partido da situação), o pedido de licença para processar Márcio Moreira Alves. No dia seguinte, foi baixado o AI-5, que autorizava o presidente da República, em caráter excepcional e, portanto, sem apreciação judicial, a: decretar o recesso do Congresso Nacional; intervir nos estados e municípios, cassar mandatos parlamentares; suspender, por dez anos, os direitos políticos de qualquer cidadão; decretar o confisco de bens considerados ilícitos e suspender a garantia do habeas-corpus.
            No mesmo dia, foi decretado o recesso do Congresso Nacional por tempo indeterminado. Ao fim do mês de dezembro de 1968, 11 deputados  federais foram cassados, entre eles Márcio Moreira Alves e Hermano Alves. A segunda lista, de 19 de janeiro de 1969, incluiu dois senadores, 35 deputados federais, três ministros do STF – Supremo Tribunal Federal e um ministro do STM – Superior Tribunal Militar.
            Três meses desde a edição do AI-5, encarregados dos inquéritos políticos passaram  a poder prender qualquer cidadão por 60 dias, dez dos quais deveriam permanecer incomunicáveis. “Em  termos práticos, esses prazos destinavam-se a favorecer o trabalho dos torturadores”, conta Elio Gaspari no livro “A Ditadura Envergonhada”.  Sessenta e seis professores foram expulsos das universidades – dentre eles Florestan Fernandes e  Caio Prado Junior. Emissoras de televisão e de rádio e redações de jornais foram ocupadas por censores. Artistas como Marília Pera, Caetano Veloso e Gilberto Gil foram os primeiros a conhecer as carceragens da polícia política.
            Ao todo, 333 políticos tiveram  seus direitos políticos suspensos em 1969, dos quais 78 deputados federais, cinco senadores, 151 deputados estaduais, 22 prefeitos e 23 vereadores. O  Congresso permaneceu fechado até outubro, quando foi reaberto para eleger Médici.
            Este golpe dentro do golpe fortaleceu e centralizou o poder executivo nas mãos dos militares, intensificando a repressão à resistência contra o regime. Após o AI-5, órgãos de inteligência e repressão militar foram criados, como a Operação Bandeirantes (OBAN),  subordinada ao exército e financiada por grandes empresários. A OBAN depois passou a se chamar Centro de Operações para a Defesa interna (CODI) e coordenava o Departamento de Operações Internas (DOI), estrutura conhecida como DOI-CODI. Outro organismo de repressão criado foi o Departamento de Ordem Política e Social (DOPS).
            Com a intensificação da repressão, os grupos de resistência armada passaram a realizar assaltos a bancos, para financiar suas atividades e  sequestros de embaixadores, para serem trocados por guerrilheiros presos, numa guerra sangrenta, num período denominado como “anos de chumbo”.
            O AI-5, que foi seguido por mais 12 atos institucionais, 59 atos complementares e oito emendas constitucionais, duraria até 13 de outubro de 1978, no governo Ernesto Geisel, quando foi promulgada a emenda constitucional nº 11, cujo artigo 3º revogava todos os atos institucionais e complementares que fossem contrários à Constituição Federal. Restaurando, inclusive, o habeas corpus.  

DIA 12 DE DEZEMBRO DE 1945, NASCE WAGNER TISO
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            Quem participou das passeatas pelas “Diretas Já!”, que sacudiram O Brasil inteiro em 1984, se emocionava quando do carro de som vinham aqueles versos: “Quero falar de uma coisa / Adivinha onde ela anda / Deve estar dentro do peito / Ou caminha pelo ar / Pode estar aqui do lado / Bem mais perto que pensamos / A folha da juventude / É o nome certo desse amor / Já podaram seus momentos / Desviaram seu destino / Seu sorriso de menino / Quantas vezes se escondeu”  .
            Era um momento de luta e de esperança, de redemocratização do país, ainda traumatizado depois de 20 anos de ditadura militar, 20 anos de trevas, quando jovens pegaram em armas pela democracia, sofrendo perseguição, clandestinidade, prisão, tortura e exílio.  Voltando ao país, começando a assumir sua luta política, estudantes, sindicalistas, militantes do movimento popular nas ruas, cobrando eleições diretas para presidente, enfim, democracia plena.
            Jovens, estudantes, capitaneados pela UNE e  pelas organizações secundaristas, como sempre, na vanguarda das passeatas.  “Mas renova-se a esperança / Nova aurora a cada dia / E há que se cuidar do broto /  Pra que a vida nos dê Flor, flor e fruto / Coração de estudante /  Há que se cuidar da vida / Há que se cuidar do mundo / Tomar conta da amizade”.  O que muita gente não sabe é que essa letra e essa música, “Coração de Estudante”, que se tornou o hino das Diretas Já, e que  tão bem captou o sentimento dos jovens naquele momento, cantada na voz poderosa do ídolo Milton Nascimento, é de autoria de Wagner Tiso, em parceria com o próprio Milton.
            Wagner Tiso, pianista, tecladista, compositor,maestro e diretor musical, nasceu em Três Pontas, no dia 12 de dezembro de 1945, vindo de uma família mineira com origens no Leste Europeu, seu pai, Francisco Ribeiro Veiga, era bancário e sua mãe, Walda Tiso Veiga, professora de piano.  O primeiro contato de Wagner com a música foi por meio das aulas de piano que a mãe  ministrava ao mais velho dos quatro irmãos.
            Ainda criança, Wagner adotou o acordeon como seu primeiro instrumento, o que o aproximou de outro menino acordeonista: Milton Nascimento, conhecido como “Bituca”. Mais tarde, escolheria o piano como seu principal instrumento. No início dos anos 60, a fim de estudar, mudou-se para Alfenas, aprendendo teoria musical com o maestro Paulo Moura e  formando com o amigo Milton e outros colegas os “Ws Boys”, um conjunto que animava os bailes em Belo Horizonte e outras cidades de Minas. Nesse período conheceram Mariltou Borges e sua família, com quem montaram o “Clube da Esquina”, movimento musical de muito sucesso.
            Em 1964 foi para o Rio de janeiro e lá atuou em diversos grupos como “Sambacana”, “Quarteto de Edison Machado”, Paulo Moura , “Som Imaginário” e como acompanhante de artistas como Marcos Valle, Maysa, Cauby Peixoto, Ivon Cury e o próprio amigo Milton Nascimento, com quem montou o Grupo Berimbau.         
            A partir de 1970,  passa a acompanhar Milton com a banda que se tornaria, posteriormente, o lendário Som Imaginário ao lado de Zé Rodrix, Tavito, Robertinho Silva, Luiz Alves e Frederah. Integrante do Clube da Esquina, logo começou a fazer sucesso no exterior, apresentando-se em Atenas e Montreux, e também acompanhando não só Milton, como também de Flora Purim, Ron Carter e Airto Moreira. foram dele os arranjos para músicas de Gonzaguinha, Paulo Moura, Johnny Alf, MPB-4, Dominguinhos, o próprio Milton e outros.
            Começa a fazer também, trilhas sonoras de vários filmes  importantes, como “Os deuses e os mortos”, de Ruy Guerra; “Chico Rei”, de Walter Lima Júnior; “O Grande Mentecapto”, de Oswaldo Caldeira, “O Guarani”,de Norma Benguel, entre outros; além de novelas e  minisséries para televisão, como “Dona Beija, telenovela da TV Manchete; “o Primo Basílio” e “O Sorriso do Lagarto”, para a TV Globo.
            Wagner Tiso recebeu diversos prêmios, como o da “Ordem dos Músicos do Brasil”; o de Melhor álbum instrumental (1974) e o Prêmio Melhor Música Golden Metais (1991) – pelo filme “O Grande Mentecapto”. Wagner Tiso é considerado patrimônio musical da música mineira, brasileira e internacional. Com sua obra, continua até hoje, nos proporcionando  “Alegria e muito sonho / Espalhados no caminho / Verdes, planta e sentimento / Folhas, coração / Juventude e fé” . Obrigado, Wagner Tiso.
 


DIA 11 DE DEZEMBRO DE 2009, MORRE JAMIL HADDAD
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                “A  Frente Brasil Popular foi criada no Senado. Participaram João Amazonas, Lula, o Gabeira e eu. Participei de todas as campanhas do Lula. O fato dele ter sido um trabalhador, com o passado que teve, favorece a que ele tenha uma cabeça mais voltada para melhorar a área social”. Esse é um pouco do que pensava Jamil Haddad, médico ortopedista que foi deputado estadual e federal, prefeito, senador e ministro da Saúde, um verdadeiro socialista democrático, preocupado com seu país e  seu povo.
            Jamil Haddad nasceu no Rio de Janeiro, no dia 2 de abril de 1926. Começou suas atividades políticas no movimento estudantil,  ainda na Universidade do Brasil (atual UFRJ), onde cursava Medicina, com especialização em Ortopedia. Atuou como representante da UNE – União Nacional dos Estudantes, até se formar, em 1949. Era também atleta de basquete,  sendo várias vezes campeão universitário, campeão carioca pelo Tijuca Tênis Clube (1949) e pelo Flamengo, em 1950.
            Em 1953, ingressou no Partido Socialista Brasileiro e foi eleito pela primeira vez deputado estadual em 1962. Nesse mandato foi vice-líder da oposição na Assembléia Legislativa do então Estado da Guanabara, dedicando seu mandato às lutas democráticas e em defesa dos trabalhadores,  presidindo a CPI que investigou o assassinato de mendigos no governo Carlos Lacerda.
            Em 1963, casou-se com Aída Gomes Haddad, o casal não teve filhos. Em 1964 veio o golpe militar que derrubou o presidente João Goulart e deu início a um período de trevas e perseguição a políticos, sindicalistas, intelectuais, estudantes e outros agentes populares de esquerda. Haddad colocou seu mandato à disposição dos perseguidos e de oposição à ditadura militar.
            Em 1965, foi reeleito, mesmo sem fazer campanha. Em 1966, O Ato Institucional nº 2 (AI-2) tinha acabado com todos os partidos, autorizando apenas dois, Arena, da situação e o MDB, de oposição. Haddad filiou-se ao MDB no mesmo ano, dando continuidade à sua luta pelas causas populares. Foi membro das CPIs sobre a introdução e o uso de anticoncepcionais no país sem controle médico e sobre o tráfico de entorpecentes  em escolas da rede estadual.
            Em 1968, presidiu a CPI que investigou a morte do estudante Edson Luis de Lima Souto, ocorrida durante uma invasão policial ao restaurante estudantil do Calabouço, no Castelo, centro do Rio. Ainda em 1968, teve seu mandato de deputado estadual cassado e os direitos políticos suspensos por 10 anos, de acordo com artigo 4 do Ato Institucional nº 5 (AI-5), de 13 de dezembro de 1968. Mesmo cassado e como militante do MDB, continuou na luta, combatendo a ditadura, as desigualdades  sociais e trabalhando pela construção do socialismo democrático no Brasil.
            Em 1979, com a abertura e a anistia, filiou-se ao recém-fundado PDT de Leonel Brizola que se elegeu governador do Rio de janeiro em 1982. Em 1983, Haddad foi indicado por Brizola para a prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, permanecendo no cargo de março a dezembro daquele ano, quando renunciou ao cargo, sendo substituído por Marcelo Alencar.  Em seu curto mandato como prefeito, organizou e entregou praticamente pronto o Sambódromo, melhorou a merenda escolar e deu início ao programa dos CIEPs.
            Em 1985, Saturnino Braga foi eleito prefeito, Haddad, seu suplente, assumiu a cadeira no Senado. Em 1988, participou da fundação do novo Partido Socialista Brasileiro, sendo eleito seu presidente. Em 1990, com o fim de seu mandato como senador, foi eleito deputado federal.
            Em 1992, foi convidado pelo presidente Itamar Franco para assumir o ministério da Saúde. Em sua gestão, o Sistema Único de Saúde (SUS) foi implantado  em quatrocentos municípios brasileiros e foi precursor dos medicamentos genéricos, tendo sido autor do Decreto nº 793, de 5 de abril de 1993, que determinava que todo estabelecimento de venda de remédios deveria ter, em local visível, a lista de medicamentos genéricos disponíveis. Haddad também propôs a ampliação do orçamento da Central de Medicamentos (CEME) para fabricação de remédios mais baratos nos laboratórios oficiais. Em 1994, o PSB rompeu com o governo Itamar Franco e Haddad deixou o ministério.
            Em 14 de março de 2003, no governo Luiz Inácio Lula da Silva, Haddad assumiu a direção do Instituto Nacional do Câncer (INCA),  permanecendo no cargo por 5 meses.
            No dia 11 de dezembro de 2009, Jamil Haddad, presidente de Honra do PSB – Partido Socialista Brasileiro,  morreu de infarto, aos 83 anos, em sua residência, na Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro.  O governo do Estado do Rio decretou luto de três dias.
            Em 2011, o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO), órgão normatizador de procedimentos de ortopedia no  Brasil, passou a chamar-se Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad.

10 DE DEZEMBRO, DIA INTERNACIONAL  DOS DIREITOS HUMANOS
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                Após a divulgação das atrocidades cometidas pela Alemanha Nazista, depois da segunda guerra mundial, a comunidade mundial,  na sessão de fevereiro de 1946, do Conselho Econômico e Social da ONU – Organização das Nações Unidas determinou que uma  comissão de direitos humanos desenvolvesse os trabalhos de elaboração da Declaração Universal dos Direitos Humanos em três fases, sendo que a primeira fase era a elaboração do documento com as declarações dos direitos humanos. Essa fase foi finalizada pela Comissão em 18 de junho de 1948.
                A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi instituída pela Assembléia Geral da ONU,  em 10 de dezembro  de 1948, com a aprovação do documento final, por 48 votos a favor, nenhum contra e oito abstenções (a maior parte do bloco soviético, como Bielorrússia, Tchecoslováquia, Polônia, Ucrânia, União Soviética e Iugoslávia, além da África do Sul e Arábia Saudita).
                O documento foi  elaborado,  em sua maior parte, pelo jurista canadense John Peters Humphrey, que com a ajuda de pessoas de todas as partes do mundo consolidou os direitos  que depois foram adotados pela ONU. Humphrey, que  havia sido nomeado Diretor da Divisão de Direitos  Humanos da ONU, por seu trabalho como jurista dedicado à causa dos direitos humanos, foi convidado pelo Secretariado das Nações Unidas para ajudar na elaboração do documento,  formando uma comissão de vários países, como França, Austrália, Estados Unidos, China, entre outros,  que na época tinham como objetivo montar a Carta de Direitos, como então era chamada a Declaração.
                A origem da Declaração Universal dos Direitos Humanos está muito ligada aos abusos cometidos contra a humanidade, principalmente em períodos de guerras. Entre a primeira guerra mundial e o fim da segunda, diversas evidências de abuso e desrespeito ao ser humano se tornaram conhecidas, assim logo após o fim da segunda grande guerra, a maioria dos países concordaram com a necessidade de estabelecer regras básicas que pudessem trazer a paz e o respeito à dignidade do homem.
                A criação da declaração se baseou em três conceitos principais, são eles: a liberdade, que é a característica de ser livre, que todos os homens devem usufruir, a igualdade, onde todos devem ser tratados de forma igual, não podendo poder qualquer tipo de discriminação; e a fraternidade, que é a qualidade de olhar pelos mais pobres e mais fracos que necessitem de ajuda.
                A Declaração vem sendo  adotada ou vem influenciando  muitas constituições nacionais de vários países desde 1948.  Tem se prestado também como fundamento para um crescente número de tratados internacionais e leis nacionais , bem como para organizações internacionais, regionais, nacionais e locais na promoção e proteção dos direitos humanos.
                Seus princípios estão detalhados em tratados internacionais tais como Convenção Internacional sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação Racial, Convenção Sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra a Mulher, Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança, Convenção contra a Tortura e Outros Tratamentos  ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes, entre muitos outros.
                 A data de 10 de dezembro como  Dia Internacional dos Direitos Humanos foi instituída em 1950 pela ONU como uma data para reflexão sobre o respeito à dignidade humana e também para alertar sobre  lugares onde ainda existem violações dos direitos humanos.
                O alcance universal  dos direitos humanos, entretanto, não deve ser restrito a apenas um dia, mas entendido para todos os dias do ano. Pensando nisso, encabeçados pelo Escritório do Alto comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), a ONU  declarou em 2013,  que o dia será celebrado sob a bandeira dos “Direitos Humanos  365”, que engloba a idéia de que “todo dia é dia dos Direitos Humanos” e que cada um de nós, em todos os lugares , em todos os tempos, tem direito a toda a gama de direitos que englobam os direitos humanos.
                O secretário-geral Ban-Ki-moon, deixou  claro em sua mensagem que “os direitos humanos são para todos nós, não importa nossa classe, opiniões ou orientação sexual”. Para o secretário, as violações dos direitos humanos são mais do que tragédias pessoais, mas o alarme de que pode haver uma crise muito maior.
 
                 Como resultado desses “alarmes”, a campanha lançada em 2013, procura antecipar violações antes de se tornarem atrocidades em massa ou crimes de guerra, fortalecendo a luta contra a injustiça, a intolerância e o extremismo em todo o planeta.
 

 

DIA 9 DE DEZEMBRO DE 1895, NASCE ISADORA DOLORES IBARRURI  GÓMEZ

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            Líder comunista Basca, heroína na guerra civil espanhola, na luta contra o fascismo e as forças comandadas pelo general Franco, conhecida como La Pasionaria, nasceu  em Gallarta, uma localidade da província de Biscaia, no País Basco, na Espanha, no dia 9 de dezembro de 1895. Seu pai e seu irmão eram mineiros. O pai, monarquista conservador, mandava a menina Dolores representá-lo em reuniões  políticas, para depois, transmitir-lhe as informações sobre os debates. Dessa forma Dolores começou sua atividade política. 
            Aos quinze anos, Dolores começou a trabalhar  numa oficina de costura, mais tarde, como doméstica em casa de ricos comerciantes, sendo submetida a uma carga horária excessiva de trabalho, mesmo assim, não perdia sua  sede de saber, lia e estudava sem cessar, seu amor à leitura era conhecido em todo o povoado.  
            Em 1916, aos 21 anos, Dolores casa-se com Julián Ruiz, mineiro como seu pai, militante da Frente Socialista. Isidora ingressou na Frente e participou da greve geral de 1917, ano em que festejou a Revolução Bolchevique. Em 1918, Dolores começa a colaborar com a imprensa operária, escrevendo seus primeiros artigos, assinando sob o pseudônimo de La Pasionaria, que a acompanharia por toda a vida. 
            Em 1920, junto com o marido, rompeu com a Frente, que não aceitou se unir à Internacional Comunista criada por Lênin e participou da fundação do Partido Comunista Espanhol (PCE). No mesmo ano nasce seu filho Ruben. 
            Em 1921, Dolores foi eleita para a direção do Partido Comunista em Biscaia. Foi nomeada delegada para o I Congresso do Partido Comunista da Espanha, surgido da fusão do Partido Comunista Operário e do Partido Comunista Espanhol.  Em 1923, deu à luz trigêmeas, das quais apenas uma sobrevive, Amaya. Alguns anos depois, separa-se do marido. 
            A ditadura de Primo de Rivera, representou para os trabalhadores revolucionários de Biscaia, perseguições e  prisões. A fome e a miséria eram diárias, A casa da Pasionaria era um refúgio permanente dos militantes fugitivos, com os quais, Dolores se reunia para traçar estratégias e estudar o marxismo nas poucas obras revolucionárias que eram traduzidas para o castelhano. 
            Em 1930, realizou-se a chamada “Conferência de Pamplona” do Partido Comunista de Espanha. Dolores Ibarruri  foi eleita membro do Comitê Central. Tornou-se editora do jornal do partido. No mesmo ano foi presa. Ao ser solta, viajou para Moscou e na volta, foi presa novamente.  Em 1931, cai a monarquia. A República convoca eleições Constituintes. Dolores é libertada e é indicada pelo partido para disputar uma vaga no parlamento, sendo eleita deputada constituinte com milhares de votos.
            No poder, o bloco republicano-socialista aplicava medidas e leis repressivas contra os trabalhadores, em defesa dos interesses da grande burguesia e dos latifundiários. No dia 1 de maio de 1931, o governo proibiu as manifestações operárias. Os comunistas anunciaram sua decisão de realizar a manifestação, com ou sem permissão. Foi realizada em Bilbao, nos Campos Elíseos, um comício que reuniu milhares de pessoas para ouvir o discurso da Pasionaria. Após o discurso, a polícia iniciou a repressão. Um oficial se apoderou da bandeira vermelha. Imediatamente, Dolores lançou-se sobre o oficial e arrancou-lhe a bandeira, marchando adiante, à frente de cerca de duas mil pessoas, desfilando sob aplausos da população.
                Em 1932, Dolores é presa novamente, ficando encarcerada em Larrínaga, mais tarde, por 10 meses em Madri, até ser transferida para Bilbao, onde se formou o processo contra ela, no qual se pedia 18 anos de cárcere. Pasionaria negou-se a ser defendida por advogados reacionários, defendendo-se brilhantemente ela própria, conquistando a liberdade. No mesmo ano, Dolores, ao lado do líder José Diaz, assumiu o comando do Partido Comunista de Espanha. 
            No comando do Partido, Dolores deu início à implementação  da Frente Única pela unidade sindical da classe operária, para impulsionar a revolução democrática. Chamava a classe operária e o povo espanhol, para deter os avanços do fascismo. Participou da criação e dirigiu em toda a Espanha Comitês de luta contra a guerra e o fascismo. Em 1933, Dolores criou os Grupos de Mulheres Anti-fascistas. 
            No verão de 1934, atendendo a uma convocação da Pasionaria, milhares de mulheres de Madri, manifestaram-se nas ruas contra a mobilização de reservistas, uma grande manifestação de massas de mulheres que serviu de exemplo e estímulo ao movimento de luta contra o fascismo e a guerra em toda a Espanha. 
            No início de 1936,  Passionaria voltou às Astúrias para socorrer filhos de mineiros encarcerados. Ao chegar a Madri, foi detida. Saiu da prisão e foi novamente indicada para concorrer às eleições. Em fevereiro foi eleita deputada por Astúrias, colocando seu mandato a serviço da luta contra o fascismo e contra a guerra civil. 
            A Frente popular de esquerda vence as eleições, mas a direita não aceita a perda de poder e se lança à guerra para restaurar a monarquia. O verão de 1936 marca o início da guerra. São três anos de luta com mais de 400 mil mortes. Dolores escreve, discursa, anima os combatentes nas frentes de batalha. Amada e admirada, ela é a heroína da República e todos vibram ao ouvir seus slogans: “Antes morrer de pé do que viver de joelhos!”;  “Os fascistas não passarão!” ou “É melhor ser a viúva de um herói, que a mulher de um covarde!”. 
            As forças franquistas, com o apoio dos nazistas, vencem a guerra  e colocam o general Franco no poder, no ano de 1939, Dolores e muitos outros comunistas partem para Moscou. Foram 38 anos de exílio, durante os quais, a revolucionária não descansou. Atuou na III Internacional Comunista, visitou países socialistas, sendo eleita, em 1942, secretária-geral do PCE e, em 1960, sua presidente. 
            Em 1977, um ano após a morte de Franco, num momento de transição democrática, a velha revolucionária se aproximava dos 82 anos, voltou para a Espanha, mas não se aposentou. Participou de eventos, escreveu suas memórias “O único Caminho”,  foi eleita deputada, e permaneceu líder honorária do Partido Comunista de Espanha até sua morte, ocorrida em 1989, aos 94 anos, mesmo ano em que caiu o muro de Berlim. 

DIA  8 DE DEZEMBRO DE 1980, MORRE JOHN LENNON
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                No dia 20 de março de 1969, John Lennon, um dos fundadores do grupo The Beatles,  considerada a mais importante banda  de rock de todos os tempos, casava-se com a artista plástica japonesa Yoko Ono, em uma cerimônia  civil ocorrida no rochedo de Gibraltar, onde aproveitaram para divulgar o evento  denominado “Na cama Pela Paz”, em protesto contra a guerra do Vietnã.
            No mesmo ano, em setembro, Lennon organizou o Festival Sweet Toronto, para promover “A Paz no Mundo”. No fim do ano, devolveu ao Palácio de Buckingham  a sua medalha de Membro da Ordem do Império Britânico à Rainha Elizabeth II, como forma de protesto contra o envolvimento da Grã Bretanha na guerra Nigéria-Biafra e também  na guerra do Vietnã.  Não satisfeito, Lennon informou aos companheiros seu afastamento definitivo dos Beatles (que teve seu fim decretado em abril de 1970),   Dando início a uma nova fase de sua vida e de sua carreira.
             No início dos anos 1970, John Lennon acentuou a sua atuação política e impressionou integrantes da Nova Esquerda inglesa, até então reticentes em relação ao artista, por ele não ter se manifestado durante o panorama revolucionário de 1968.
            Em 1971, John e Yoko  mudaram-se para Nova Yorque,  nos Estados Unidos e no ano seguinte realizaram o álbum Some Time in New York City, com canções dele e de Yoko, que denunciavam a violência policial, a discriminação racial e as mazelas do capitalismo. Na época, John recebia em sua casa vários ativistas e criticava a postura do presidente americano Rixard Nixon.
             Participaram de vários eventos políticos, tendo como objetivo a promoção da paz, os direitos das mulheres e trabalhadores, entre outros temas. Seu envolvimento com líderes de extrema-esquerda norte-americana, como Jerry Rubin, Abbie Hoffman e John Sinclair, além de seu apoio formal ao partido dos Panteras Negras, deu início a uma perseguição ilegal do governo Nixon ao casal. A pedido do governo, a Imigração iniciou um processo de extradição de John Lennon dos Estados Unidos, baseando-se oficialmente em uma condenação por porte e uso de maconha, a que Lennon havia sido submetido em 1968, na Inglaterra.
            Ainda em 1971, John Lennon cantou no concerto “Free John Sinclair” em Ann Arbor, no campus da Universidade de Michigan Sinclair era um ativista anti-guerra preso por dez anos por portar dois cigarros de maconha. John e Yoko participaram do concerto ao lado de Stevie Wonder e outros músicos, que revezavam suas canções com os discursos dos ativistas Jerry Rubin, Bobby Seale e Angela Davis, dos Panteras Negras.
            Lennon foi perseguido pelo FBI e chegou a ser expulso dos EUA, ficando fora do país por quase dois anos, mas se manteve fiel às suas convicções políticas, através de suas músicas, que se tornaram verdadeiros hinos da juventude e da esquerda no mundo inteiro. No dia 9 de agosto de 1974, Nixon deixou a Casa Branca após o escândalo de Watergate. Em 1975, John Lennon conseguiu finalmente seu Green Card, voltando a morar nos EUA.
            Na noite de 8 de dezembro de 1980, quando voltava para o apartamento onde morava em Nova Iorque, no edifício Dakota, em frente ao Central Park,  John foi abordado por um rapaz que durante o dia havia lhe pedido um autógrafo. O rapaz era Mark David Chapman, um fã dos Beatles e de John, com problemas mentais, que acabou disparando 5 tiros  com revólver calibre 38, os quais 4 acertaram em John Lennon, que morreu no hospital, aos 40 anos de idade.
 
            O corpo de John Lennon foi cremado no Ferncliff  Cemetery, em Hartsdale, cidade do estado de Nova Iorque, e suas cinzas foram guardadas por Yoko Ono. 
 
 


DIA 6 DE DEZEMBRO DE 2009, EVO MORALES É REELEITO PRESIDENTE DA BOLIVIA

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O pior inimigo da humanidade é o capitalismo. Isso é o que provoca levantes como o nosso, uma rebelião contra o sistema, contra o modelo neoliberal, que é a representação de um capitalismo selvagem. Se o mundo inteiro não tomar conhecimento dessa realidade, que os estados nacionais não estão provendo nem mesmo o mínimo para a saúde, educação e o desenvolvimento,  então a cada dia direitos humanos fundamentais estão sendo violados.”
            Com esse pensamento, Evo Morales, de etnia uru-aimará,  tornou-se o primeiro presidente de origem indígena da Bolívia em 2005 e foi reeleito em 6 de dezembro de 2009. De orientação socialista, o foco de seu governo é a reforma agrária e a nacionalização de setores chaves da economia, enfrentando a influência dos EUA e de grandes corporações nas questões internas do país. 
            Juan Evo Morales Ayma, nasceu no dia 26 de outubro de 1959, em Orinoca, pequeno povoado indígena do departamento do  Oruro, na Bolívia, onde se fala o dialeto aimará, sendo o castelhano sua segunda língua. Filho de Dionísio e Maria, agricultores pobres que chegaram a ter sete filhos, dos quais apenas três sobreviveram além dos dois anos de idade, por causa das precárias condições de vida da família.
            Até 1960, os Morales trabalhavam nas minas que foram fechadas naquele ano e tiveram que se retirar, como milhares de famílias para outra região, no leste do país, o Chapare,  em busca de melhores condições de vida, cultivando verduras. Com a invasão dos produtos estrangeiros no mercado, aos camponeses do Chapare sobrou a alternativa de trabalhar no cultivo da folha de coca, planta cuja folha é mascada ou usada em chás pelos indígenas.
            O pequeno Evo cresceu escutando o rádio porque em seu povoado não havia televisão e nem chegavam jornais. Sempre sonhou em estudar e se formar jornalista. Terminou sua educação secundária e atribuiu a sua educação posterior ao que chama de “universidade da vida”, incluindo seu serviço militar aos 17 anos de idade. Trabalhou também como pastor de lhamas, pedreiro e músico, até ingressar nos cocaleros  sindicato dos trabalhadores do cultivo da coca de San Francisco, em Chapare, dando início à sua carreira no movimento sindical. 
            Em 1981, Evo foi nomeado secretário de esportes dos cocaleros. Durante os anos 1990, os cocaleros fizeram oposição ao governo de Hugo Banzer Suárez, que atuava para a erradicação total do cultivo de coca no país, alegando que a Bolívia era rotulada como país produtor de drogas. 
            Admirador da ativista indígena guatemalteca Rigoleta Menché (Prêmio Nobel daz Paz em 1992) e de Fidel Castro, por sua oposição à política norte-americana, Morales assume a presidência da Federacion del Trópico de Cochabamba, uma federação de camponeses plantadores de coca que resiste aos  planos governamentais para a erradicação desses cultivos, defendendo que são parte da cultura ancestral dos indígenas. 
            Como líder sindical, Morales foi eleito membro do Congresso em 1997, representando as províncias de Chapare e de Carrasco de Cochabamba, com 70% dos votos do distrito, mais que qualquer outro dos parlamentares eleitos naquela ocasião. 
            Em janeiro de 2002, Morales foi acusado de terrorismo e destituído do Congresso.Em março, sua expulsão foi declarada inconstitucional e ele  apresentou sua candidatura para as eleições presidenciais que se realizaram em 27 de junho. Com uma campanha voltada para as classes populares e anti Estados Unidos, obteve o segundo lugar.
            Nas eleições presidenciais de 2005, Morales conseguiu ser vencedor, ao obter 53,74% dos votos, contra 28,59% do segundo colocado. Pela primeira vez na Bolívia, um indígena subia ao poder pelo voto popular.Em 22 de janeiro, foi empossado presidente em uma cerimônia em La Paz, onde recebeu inúmeros chefes de estado, incluindo o então presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente venezuelano Hugo Chávez, entre outros. Em seu discurso de posse, Morales descreveu sua presidência como o marco de uma nova era e que 500 anos de colonialismo agora tinham chegado ao fim. Já empossado presidente, Morales foi recepcionado na Praça São Francisco por cerca de 100 mil pessoas e jornalistas de todo o mundo. 
            Segundo o Instituto Nacional de Estatísticas (INE), a Bolívia reduziu consideravelmente seus índices de pobreza e pobreza extrema de 2005 a 2015. O governo Evo Morales atribuiu a conquista a seus programas sociais, somado à reforma agrária e a mudanças na economia.  “A pobreza na Bolívia diminuiu em 21 pontos percentuais”, informou o INE  em comunicado enviado à AFP. A pobreza recuou de 59,6% em 2005 para 38,6% em 2015.
            A pobreza extrema, no mesmo período, diminuiu 19,9 pontos percentuais, de 36,7% para 16,8%, segundo o mesmo relatório oficial emitido no Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU).
 
            Segundo o ministério da Economia da Bolívia, um dos recursos mais importantes com os quais contou para financiar essas políticas foi a nacionalização dos hidrocarbonetos em maio de 2016, quando Evo Morales assumiu o poder, e que permitiu ao estado administrar os recursos pela exploração do gás natural. Essas receitas abriram caminho para a transferência de renda, como bônus sociais a crianças, idosos e mulheres e aos “aumentos salariais” implantados em todo o país. 

DIA 5 DE DEZEMBRO DE 2012, MORRE OSCAR NIEMEYER

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                Considerado um dos maiores  arquitetos do Brasil, respeitado e responsável por mais de 600 projetos espalhados por todo o mundo, Oscar Niemeyer é um dos maiores representantes da arquitetura moderna da história, tendo como característica principal o uso do concreto armado para as suas construções. Com seu estilo inconfundível, Niemeyer é referência não só pela sua obra arquitetônica, mas também pela sua luta incansável pela democracia e pelos direitos humanos no país.
            Oscar Ribeiro de Almeida Niemeyer Soares, nasceu no bairro de Laranjeiras, Rio de Janeiro no dia 15 de dezembro de 1907, filho do funcionário público  Oscar de Niemeyer Soares e Delfina Ribeiro de Almeida.  Em 1928, aos 21 anos, casou-se com Annita Baldo, 18 anos. O casamento foi no mesmo ano da formatura no ensino médio, e para sustentar a família, Niemeyer começou a trabalhar na tipografia de seu pai.
            Em  1929 se matricula no curso de Engenharia e Arquitetura da Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, onde se forma em 1934. Inicia na profissão como estagiário no escritório de Lucio Costa e Carlos Leão.
             Em 1936, foi designado para colaborar com o arquiteto suíço Le Corbusier na elaboração do projeto do Ministério da Educação do Rio de Janeiro.  Em 1939, aos 32 anos, em Nova York, colaborou com Lucio Costa no projeto do Pavilhão do Brasil na Feira Mundial que acontecia naquela cidade.
            Em 1940, Niemeyer conheceu o então prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek, que o convidou para realizar o seu primeiro grande projeto, o “Conjunto  Arquitetônico da Pampulha”, formado por um cassino, a Casa de Baile, o Clube e a Igreja de São Francisco de Assis ou Igreja da Pampulha. Os edifícios foram concluídos em 1943 e receberam aclamação internacional após a exposição “Brasil Builds” no Museu de Arte Moderna de Nova York (MOMA).
            Em 1945, Niemeyer filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro e essa opção política veio a lhe criar problemas. Em 1946, foi convidado a dar um curso na Universidade de Yale, nos Estados Unidos, mas não pôde entrar no país. No entanto, no ano seguinte, ganhou por unanimidade o concurso para participar da equipe responsável pelas construção da sede da Organização das Nações Unidas em Nova York e obteve visto de entrada para desenvolver seus projetos. 
            No início dos anos 50 projetou o parque do Ibirapuera e o Edifício Copan, que se tornariam cartões-postais da cidade de São Paulo. Também viajou pela primeira vez à Europa, participando do projeto para a reconstrução de Berlim.
            Em 1 de janeiro de 1956, Juscelino Kubitschek assumiu a Presidência da República. Convidou Niemeyer para trabalhar na construção de Brasília. O arquiteto realiza vários projetos  para a nova capital do país. Entre eles o Palácio da Alvorada, o Palácio do Planalto, o Itamarati, O Congresso Nacional, a Catedral, a Praça dos três Poderes, o Superior Tribunal Federal e o Teatro Nacional. A nova capital do Brasil foi inaugurada em 21 de abril de 1960.
            No início de 1960, foi nomeado coordenador da Escola de Arquitetura da recém-fundada Universidade de Brasília (UnB), que tinha como reitor o antropólogo Darcy Ribeiro. Em 1964, foi surpreendido em Israel pela notícia do golpe militar de 31 de março no Brasil. Ao retornar ao país, em novembro, foi chamado a depor no famigerado DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), um dos principais órgãos de repressão política da ditadura militar.
            Em 1965, juntamente com outros 222 professores, Niemeyer deixou a UnB em protesto contra a nova política universitária  do governo . Praticamente impedido de trabalhar no Brasil, o arquiteto transferiu-se para Paris, onde projetou a sede do Partido Comunista Francês. Além de projetos na Itália (sede da Editora Mondadori) e na Argélia (Universidade de Constantine, Mesquita de Argel), acompanhou a exposição de sua obra na Europa, inclusive no museu do Louvre.  
            Em 1980, com o início da política de abertura no Brasil, Niemeyer retorna. No mesmo ano, projetou o Memorial Juscelino Kubitschek em Brasília. Em 1982, a convite de Leonel Brizola e Darcy Ribeiro, governador e vice recém-eleitos do Rio de Janeiro, projeta os CIEPs e o Sambódromo do Rio de Janeiro.
            Em 1987, projeta o Memorial da América Latina em São Paulo. Em 1988, é criada a Fundação Oscar Niemeyer a fim de preservar o seu acervo de cerca de 500 trabalhos. Em 1990, Niemeyer e o “Cavaleiro da Esperança” Luiz Carlos Prestes desligaram-se do Partido Comunista Brasileiro (PCB), por discordarem das orientações partidárias.
            Em 1991 projetou o Museu de Arte Contemporânea (MAC), em Niterói  e o Parlamento da América Latina. Em 1996, projetou  o Monumento Eldorado Memória, doado ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Nos anos seguintes, Niemeyer continuou trabalhando em dezenas de projetos no Brasil e em diversos países.
            Em 2007, Niemeyer completou o centésimo aniversário, perfeitamente lúcido e ativo. Neste mesmo ano, foi eleito o nono  gênio mundial vivo em uma lista compilada pela empresa Syntetics (Lista dos 100 maiores gênios vivos); viu iniciadas as obras de um centro cultural que levava seu nome, na Espanha, o “Centro Niemeyer, em Avilés, Astúrias; O presidente da Rússia, Vladmir Putin, conferiu-lhe a condecoração da Ordem da Amizade, no dia 14 de dezembro.
            No mesmo ano de 2007, o Iphan tombou 35 obras do arquiteto, nas quais 24 foram selecionadas pelo próprio Niemeyer. No dia 12 de dezembro, recebeu a mais alta condecoração do governo francês pelo conjunto de sua obra, o título de Comendador da Ordem Nacional da Legião de Honra.
            No dia 5 de dezembro de 2012, Poucos dias antes de completar 105 anos de idade, Oscar Niemeyer morreu no Rio de Janeiro, em decorrência de uma infecção respiratória. Ele estava internado desde 2 de novembro no Hospital Samaritano, em Botafogo, na Zona Sul da cidade. Foi sepultado no Cemitério São João Batista  no Rio de Janeiro, onde também encontra-se sepultada  sua única filha Anna Maria Niemeyer, falecida também em 2012.
 


 

DIA 4 DE DEZEMBRO DE 2011, MORRE SÓCRATES

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            Antes de encerrar a carreira, após participar da Seleção Brasileira  que disputou a Copa do Mundo de 1986, ao saber por um repórter da TV Globo  que torcedores do Flamengo estavam organizando uma passeata para convencê-lo a não trocar o time pelo Santos, Sócrates,   conhecido como “doutor”, respondeu:  “Acho que o brasileiro tem mesmo que lutar por seus direitos, mas não pode ser só no futebol”. Esse era o perfil do homem  que era considerado um dos maiores atletas de todos os tempos, dentro e fora dos gramados.
            Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, mais conhecido como Sócrates, nasceu no dia 19 de fevereiro de 1954, em Belém (PA).  Seu pai, que era funcionário público, gostava de literatura e resolveu  homenagear filósofos e escritores  gregos na hora de escolher  o nome de alguns dos filhos. Sócrates teve mais cinco irmãos: Sóstenes, Sófocles, Raimundo Filho, Raimar  e Raí,  o caçula, que também se tornaria ídolo no Brasil pelo São Paulo.
            Começou a carreira aos 17 anos no Botafogo de Ribeirão Preto (SP), onde já era considerado um fenômeno. Também com esta idade, ingressou na faculdade de medicina. Sem abandonar os estudos ou o futebol, terminou o curso em 1977. Neste mesmo ano, foi campeão da Taça Cidade de São Paulo/1977, sagrando-se artilheiro do campeonato. No ano seguinte, foi para o Corinthians, onde atuou ao lado de Palhinha e do amigo Casagrande.
             Pelo Corinthians, foi um dos líderes do chamado movimento da Democracia Corintiana, que reivindicava para os jogadores mais liberdade e mais influência nas decisões administrativas  do clube. Por suas atividades e opiniões políticas, chegou a ser “fichado” pela ditadura militar, juntamente com seu amigo   e colega de clube,  Casagrande.
            Sua estréia pela Seleção Brasileira aconteceu em 1979, em um amistoso contra o Paraguai. Sócrates foi uma das estrelas da equipe de 1982, considerada uma das mais completas desde a copa de 70.    No ano seguinte, foi vice-campeão da Copa-América  pela Seleção, sendo eleito pela FIFA  o melhor jogador sul-americano do ano.
             Fora de campo, militava politicamente, participou do movimento pelas Diretas Já! (1983/1984) Também era articulista da revista Carta Capital, do Jornal Agora São Paulo e era comentarista esportivo do programa Cartão Verde da TV Cultura.
            Entre 1984 e 1985, aos 30 anos, faz uma rápida passagem pelo Fiorentina da Itália. Na Copa do Mundo de 1986, estaria novamente em campo, mas a seleção já não tinha o mesmo brilho. Sócrates perdeu um pênalti no jogo contra a França, na decisão que desclassificou o Brasil. Em 1989, o doutor ainda atuaria no Flamengo, no Santos  e no Botafogo de Ribeirão Preto.
            Após encerrar a carreira de jogador, Sócrates tornou-se técnico do Botafogo. Em 1996, atuou como técnico da equipe equatoriana LDU, mas demitiu-se  alegando falta de profissionalismo dos jogadores. Em 1999, atendeu a um convite do companheiro de seleção, Leandro e assumiu como técnico o comando do Cabofriense.
            Em 2002  lançou, em conjunto com o jornalista Ricardo Gozzi, pela Boitempo Editorial, o livro “Democracia Corintiana: a utopia em jogo”, no qual conta sua experiência durante o período da Democracia Corintiana.
            Em 2004, foi incluído pela FIFA, na lista dos 125 melhores jogadores vivos da história.     Em 2006, Sócrates foi a única unanimidade em uma pesquisa realizada pela revista Placar para escolher o “Time de todos os tempos” do Corinthians. Em 10 de junho de 2011, o doutor recebeu um convite para treinar a Seleção de Cuba.
            Em agosto de 2011, Sócrates foi internado na UTI do Hospital Albert Einstein devido a uma hemorragia digestiva alta causada por hipertensão portal. Após essa primeira internação, admitiu que tinha problemas de alcoolismo. Após uma segunda internação em setembro, Sócrates seria internado mais uma vez em dezembro de 2011, devido a um grave quadro de choque séptico.
            Sócrates morreu na madrugada de 4 de dezembro de 2011, dia em que o Corinthians sagrou-se penta-campeão brasileiro de futebol. Minutos antes da partida, jogadores e comissão técnica do Corinthians prestaram um homenagem ao “doutor”, repetindo o gesto  utilizado por ele nas comemorações de seus gols. O ídolo foi sepultado no cemitério Bom Pastor, na cidade de Ribeirão Preto que, logo após o falecimento, decretou luto oficial.
            No dia 8 de dezembro de 2011, foi lançado oficialmente o documentário “Ser Campeão é Detalhe” sobre a Democracia Corinthiana, com depoimentos de personagens da época, inclusive, de Sócrates, a quem o filme foi dedicado e que ganhou uma homenagem durante o lançamento.
            A morte de Sócrates repercutiu na imprensa esportiva mundial. A FIFA , entidade máxima do futebol mundial, prestou homenagem ao craque.
            Por meio de nota oficial, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) determinou que em todos os jogos da última rodada do Campeonato Brasileiro de 2011 se fizesse um minuto de silêncio.  Mino Carta, editor da revista Carta Capital, onde Sócrates era colunista, publicou um texto no site oficial da revista homenageando um de seus mais destacados membros.
            O Corinthians,  pelo qual Sócrates se tornou famoso no mundo inteiro, em nota oficial afirmou: “…O Sport Club Corinthians Paulista e toda a sua Fiel Torcida se despedem com tristeza do Magrão, mas também ficamos agradecidos pela honra de ter visto um dos maiores jogadores da história do futebol vestindo o manto alvinegro por tantos jogos. Obrigado pelos lindos gols, pelos toques geniais, pelo futebol magistral que só Sócrates tinha. Obrigado Doutor!”.


DIA 3 DE DEZEMBRO DE 2007, MORRE HELONEIDA STUDART

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            “É preciso voltar os olhos para a população feminina como grande articuladora da paz. E para começar, queremos pregar o respeito ao corpo da mulher”.  Com textos como esse, publicado no livro “O poder desarmado”, A  escritora, jornalista, teatróloga , defensora dos direitos das mulheres, deputada estadual eleita para seis mandatos, quatro pelo Partido dos Trabalhadores (PT),  Heloneida Studart, mostrava o seu pensamento, a sua forma de luta, sem medo e sem retrocesso. Uma guerreira que fez da cultura um eficaz instrumento de luta pelos direitos humanos.
            Heloneida Studart nasceu em Fortaleza, Estado do Ceará, no dia 9 de abril de 1932. Filha de Edite Studart e Vicente Soares. Pelo lado materno descendia do historiador Barão de Studart e, pelo paterno, descendia do líder abolicionista Antonio Bezerra de Menezes, um geógrafo famoso. Aos nove anos de idade, estudando no colégio de freiras Imaculada Conceição de Fortaleza, ela escreveria sua primeira história infantil, “A Menina Que fugiu do Frio”. A partir daí, decidiu que seria escritora.
            Com dezesseis anos, Heloneida mudou-se para o Rio de Janeiro, estreando como colunista do Jornal “O Nordeste”, onde suas opiniões já causavam polêmicas na época. Em 1952, casou-se com Franz Orban, com quem teve seis filhos homens. O casal adotou também uma filha.
             De Fortaleza, ela trouxe os originais de seu primeiro romance “A primeira pedra”, que seria publicado em São Paulo, em 1953 pela Editora Saraiva.  Em 1957 publicou o romance “Dize-me o teu nome”, que foi premiado pela Academia Brasileira de Letras e laureado com o Prêmio Orlando Dantas, do jornal Diário de Notícias.  Em 1960 começou a trabalhar no Correio da Manhã e na revista Manchete;  a partir daí trabalhou muitos anos como jornalista.
            Em 1965, Heloneida filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro e começou a se envolver com as questões sociais e populares. Em 1966, assume a presidência do Sindicato das Entidades  Culturais  (Senambra). Em 1969, é presa pela ditadura militar. No presídio São Judas Tadeu, onde ficou presa, escreveu os textos “Quero meu filho” e “Não Roubarás”, que mais tarde seriam exibidos em mini-séries de sucesso pela TV  Rede Globo.
            Com o fim do Regime militar e a Anistia, Heloneida publicou  diversos romances, entre eles “O pardal é um pássaro azul”  (que foi traduzido em quatro idiomas); “O Estandarte da Agonia” e “O torturador em romaria”. Devido ao grande sucesso de seus livros, a Editora Vozes publicou os ensaios “Mulher objeto de cama e mesa”, obra que vendeu 280 mil exemplares e se transformou em uma espécie de bíblia do feminismo brasileiro; e “Mulher , a quem pertence seu corpo ?” Esses dois trabalhos tiveram, cada um, dezenas de edições.
            Em 1978, com 60 mil votos, Heloneida foi eleita deputada estadual do Rio de Janeiro pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Ela reelegeu-se em 1982, novamente pelo PMDB, sendo inclusive vice-líder da bancada de 1979 a 1988, ano em que deixou o partido, e participou da fundação do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB)  mas não concordou  com o neoliberalismo adotado pelo partido e se filiou ao PT em 1989, onde militou até o final.
            Durante a Assembléia Constituinte, fez parte do “Lobby do batom” onde trabalhou duramente pelos direitos trabalhistas específicos das mulheres, entre as quais, a licença maternidade de 120 dias. Em 1990 e 1994, Helô se reelege como deputada estadual. Em 2001 assume como suplente. Em 2002 volta a se reeleger, com 30.000 votos.
            Como legisladora, Heloneida se destacou por criar muitas leis que beneficiaram as mulheres trabalhadoras. Entre elas, ressaltam-se  a Lei 2.649/1996, que garantiu o exame de DNA para mães de baixa renda . Também a Lei 4103/2003 que obriga as unidades públicas e conveniadas   de saúde  a realizar a cirurgia  re-construtiva de mama em mulheres que sofreram mutilações pelo câncer.
            Além disso, fundou duas instituições importantes, com várias companheiras feministas: o Centro da Mulher Brasileira, a primeira entidade feminista  do país e o Centro Estadual dos Direitos  da Mulher (Cedim; e foi presidente da Comissão Permanente dos Direitos Humanos.
            Durante sua atuação parlamentar, exerceu vários cargos de destaque, como presidente da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro- Alerj –  (1981 a 1982); quando  Implantou  o projeto “Libertas quae será Tamen, contendo três peças que explicavam algumas das lutas de libertação do povo brasileiro: “Tiradentes, o Zé de Vila Rica” ;”Bárbara do Crato” e “Frei Caneca”. O seu público alvo era constituído  por alunos de escolas públicas, e os intérpretes, em sua maioria, eram adolescentes que moravam em favelas.
            Foi também presidente da Comissão Permanente da Defesa dos Direitos Humanos da Alerj.  Nos anos de 2002 a 2006, foi a primeira vice-presidente da Alerj, participando de projetos importantes como a TV Alerj, da construção e inauguração do Centro Administrativo da Casa, na Rua da Alfândega. Em 2007,  Já como ex-deputada, foi nomeada para os cargos de diretora do Centro Cultural e do Fórum de Desenvolvimento Estratégico do Estado do Rio de Janeiro Jornalista Roberto Marinho, da Assembléia Legislativa.
            Profissional polivalente, ficou conhecida nacionalmente por sua participação nos debates da TV (como o do programa “Sem Censura” da TV Educativa , onde atuou durante dois anos), nos programas de rádio e na publicação de artigos nos principais jornais cariocas.
            No livro “Mulheres Brasileiras”, da Editora  Record, Heloneida Studart foi indicada como uma das 100 brasileiras mais importantes do século XX. Mais recentemente, a Fundação de Mulheres Suíças  escolheu 1.000 mulheres para concorrerem ao prêmio Nobel da Paz. Dentre elas, 52 eram brasileiras ; e Helô  estava entre elas.
            Heloneida  Studart  morreu às 8h30 do dia 3 de dezembro de 2007, de parada cardíaca, aos 75 anos, na Casa de Saúde São José, no Humaitá, Rio de Janeiro, após passar por uma cirurgia de coração. O velório ocorreu No saguão Getúlio Vargas, no Palácio Tiradentes. O corpo foi cremado no dia 4 de dezembro, no  Cemitério do Caju, Zona Portuária do Rio.

DIA 1 DE DEZEMBRO DE 1902, EUCLIDES DA CUNHA LANÇA “OS SERTÕES”
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        “Marcado pela própria natureza / O nordeste do meu Brasil / Ó solitário sertão / De sofrimento e solidão / A terra é seca / Mal se pode cultivar / Morrem as plantas  e foge o ar / A vida é triste nesse lugar / Sertanejo é forte, supera a miséria sem fim / Sertanejo homem forte, dizia o poeta assim…” Esse é um trecho da letra do samba-enredo  apresentado na avenida pela Escola de samba “Em Cima da Hora” em 1976.  Considerado por especialistas como um dos melhores de todos os tempos, o samba-enredo Os Sertões, de Edeor de Paula, conquistou  dois Estandartes de Ouro. É uma  síntese poética do livro de Euclydes da Cunha.
         A obra-prima de Euclides da Cunha, “Os Sertões”, de 1902, é livro pioneiro do modernismo brasileiro. Trata-se, segundo Antônio Houaiss, de “um livro inigualável pelo seu tema, de rara beleza e singular objetividade. É um painel do Brasil – gentes, terras, viver cotidiano na guerra e na paz”. O crítico literário Alexei Bueno considera Os Sertões ‘uma das três grandes epopéias da língua portuguesa, podendo ser comparada à Ilíada— assim como Os Lusíadas podem ser comparados à Eneida e Grande Sertão: Veredas, à Odisseia.
            O livro narra a Guerra de Canudos e explica com riqueza de detalhes os fatos dessa guerra que dizimou a população da cidade, criada por Antônio Conselheiro. Uma descrição feita pelo jornalista, escritor e engenheiro Euclides da Cunha, relatando as quatro expedições a Canudos, criando o retrato real só possível pela testemunha ocular da fome, da peste, da miséria, da violência e da insanidade da guerra. Retratando minuciosamente o movimento de tropas, o autor constantemente se prende à individualidade das ações e mostra casos isolados, mostrando o ponto de vista do sertanejo, do homem da terra.    
            Em Os sertões, Euclides da Cunha usou uma linguagem  rica em termos científicos, apresentando um verdadeiro retrato do Brasil no fim do século XIX, discutindo  problemas que transcendem o conflito que ocorreu no interior da Bahia. A obra narrativa mistura literatura, sociologia, filosofia e história, geografia, geologia, antropologia, por isso sua preciosidade e grandiosidade.
            O autor, adepto do determinismo, teoria que afirma ser o homem influenciado pelo meio, pela raça e pelo momento histórico, dividiu a obra em três partes, a saber: A terra (o meio), é uma descrição detalhada cientificamente,  mostrando todas as características do lugar, o clima, as secas, a terra, enfim;  O homem (a raça), é uma descrição feita sociológica e antropologicamente, mostrando  o habitante do lugar, sua relação com o meio, sua gênese etnológica, seu comportamento, crença e costume; mas depois se fixa na figura de Antônio Conselheiro, o líder de Canudos. Apresenta seu caráter, seu passado e relatos de como era a vida e os costumes de Canudos, relatados por visitantes e habitantes capturados.
            Estas duas partes são essencialmente descritivas, pois na verdade “armam o palco” e “introduzem os personagens” para a verdadeira história, a Guerra de Canudos, relatada na terceira parte:  A luta (o momento), onde relata a mobilização do governo para recrutar soldados do país  inteiro para a guerra, os combates. Uma descrição feita pelo jornalista e ser humano Euclides da Cunha, retratando minuciosamente movimento de tropas, o autor constantemente se prende à individualidade das ações e mostra casos isolados marcantes que demonstram bem o absurdo de um massacre que começou por um motivo tolo – Antônio Conselheiro reclamando um estoque de madeira não entregue – escalou para um conflito onde havia paranóia nacional,  pois suspeitava-se que os “monarquistas” de Canudos, liderados pelo “famigerado e bárbaro Bom Jesus Conselheiro” tinham apoio externo. No final, foi apenas um massacre violento onde estavam todos errados e o lado mais fraco resistiu até o fim com seus derradeiros defensores – um velho, dois adultos e uma criança.
 
“Os jagunços lutaram / até o final / defendendo Canudos naquela guerra fatal”
 
            Euclides Rodrigues Pimenta da Cunha da Cunha nasceu no Rio de Janeiro, em 20 de janeiro de 1866. Perdeu a mãe aos três anos, passando o restante da infância e a adolescência sob cuidados de seus tios, em diferentes cidades ou fazendas do interior do Rio de Janeiro. Quando jovem, ingressou na Escola Militar, onde recebeu formação positivista, de oposição à monarquia.
            Mas Euclides passaria pouco tempo na Escola Militar. Num gesto de indisciplina e de crítica à monarquia, durante uma comemoração, jogou no chão a arma que deveria apresentar à passagem do ministro da Guerra. Ao mesmo tempo, proferiu palavras contra a passividade dos colegas. Foi preso e expulso da escola, mas seu gesto ficou, entre os republicanos, como um símbolo de idealismo e coragem.
            Partiu, então, para São Paulo, onde passou a escrever para o jornal “A Província de S. Paulo”. Proclamada a República, voltou à carreira militar, fazendo o curso de artilharia na Escola Superior de Guerra e, em seguida, os de estado-maior e engenharia militar, bacharelando-se em matemática e ciências físicas e naturais. Foi, então, promovido a primeiro-tenente. Continuou atuando na imprensa, tratando de diferentes problemas do país. Apoiador de Floriano Peixoto, recusou, contudo, qualquer prêmio ou oferta de cargos, só aceitando o que era previsto em lei.
            Em 1895, abandonou a carreira militar, tornando-se engenheiro civil. Dividia seu tempo, assim, entre a superintendência de obras do Estado e colaborações para o jornal “O Estado de S. Paulo”. Depois de escrever, em 1897, dois artigos sobre a Guerra de Canudos, foi convidado a viajar até a Bahia, como correspondente de “O Estado”, e de lá relatar os acontecimentos.
            Suas cartas e inúmeras pesquisas que realizou posteriormente serviram-lhe para escrever, entre 1898 e 1901, “Os Sertões. A obra, aliás, foi escrita paralelamente à chefia dos trabalhos de reconstrução da ponte de aço que ruíra na cidade de São José do Rio Pardo, no interior do Estado de São Paulo.
            Graças a “Os Sertões”, Euclides foi eleito para a Academia Brasileira de Letras e para o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Mais tarde, seria nomeado, pelo barão de Rio Branco (então ministro das Relações Exteriores), chefe da Comissão de Reconhecimento do Alto Purus. Viajou, então, milhares de quilômetros pela Amazônia. De volta ao Rio de Janeiro, trabalhou no Itamarati, redigindo o relatório da viagem ao Purus e corrigindo ou elaborando mapas da região visitada.
           
            Euclides escreveu mais três livros: “Contrastes e confrontos”, de 1907, formado por estudos publicados, em sua maior parte, na imprensa, analisando diferentes temas; “Peru versus Bolívia”, também de 1907, apresenta a defesa brasileira num pleito internacional; e, finalmente, “À margem da história”, obra póstuma, de 1909, o segundo livro de Euclides em importância, e trata, em grande parte, de problemas da Amazônia.
 
            Euclides da Cunha Morreu em 15 de agosto de1909, aos 43 anos de idade, ao tentar matar, o jovem amante de sua esposa, Dilermando de Assis, mas este reage matando-o a tiros, no bairro da Piedade, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Até hoje o episódio, conhecido como Tragédia da Piedade, é alvo de controvérsias. Euclides é sepultado no Cemitério de São João Batista. Seus restos mortais hoje encontram-se em São José do Rio Pardo. 

DIA 30 DE NOVEMBRO DE 1934, NASCE LUIZA ERUNDINA
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                “Pelos que deram a vida pela democracia no Brasil e pelo empoderamento das mulheres, meu voto é não!”  Assim Luiza Erundina declarou seu voto no dia 17 de abril de 2016, quando foi votado pela Câmara dos deputados o impeachment da presidente Dilma Rousseff, dia conhecido como o “Dia da Vergonha”.
            Luiza Erundina de Souza nasceu em Uiraúna, na Paraíba, no dia 30 de novembro de 1934. É a sétima de dez filhos do artesão de selas e arreios de couro Antonio Evangelista de Souza e de Enedina de Souza Carvalho. Começou a trabalhar ainda na infância, vendendo bolos feitos pela mãe.
            Repetiu a 5ª série duas vezes para não parar de estudar, uma vez que a cidade não tinha curso ginasial. Foi morar em Patos, com uma tia, em 1948, para cursar o ginásio.
             Em 1958, graças à  sua militância na Igreja Católica, assumiria, aos 24 anos de idade, o seu primeiro cargo público como diretora de Educação e Cultura da Prefeitura Municipal de Campina Grande. Em 1964 foi nomeada secretária de Educação e Cultura  dessa cidade. Em 1967, Formou-se em serviço social pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em João Pessoa.
            Começou sua atuação  política na década de 1970, ainda em Campina Grande, participando das Ligas Camponesas e fazendo oposição ao golpe militar. Naquela época, a participação de mulheres na política era quase nula. Por essa razão, ela passaria a sofrer perseguições.
            Em 1971, Erundina mudou-se para São Paulo. Nesse mesmo ano foi aprovada  em um concurso público para assistente social da prefeitura, indo trabalhar com os nordestinos migrantes nas favelas da periferia da cidade e logo depois passou a colaborar com movimentos de periferia que reivindicavam moradia e ocupavam terrenos públicos abandonados, muitas vezes em associação com as Comunidades Eclesiais de Base.
            Em 1980, foi convidada pelo então líder sindical Luiz Inácio Lula da Silva a ser uma das fundadoras do Partido dos Trabalhadores (PT), pelo qual se elegeu vereadora em 1982 e deputada estadual em 1986. Em 1987, enfrentou  e foi agredida pela Polícia Militar durante uma manifestação de funcionários públicos, promovida pelo PT, contra o governo do Estado, à época comandado por Orestes Quércia.
            Em 15 de novembro de 1988, Luiza Erundina foi eleita prefeita do município de São Paulo, cumprindo o mandato entre 1989 e 1993. Na sua gestão, implementou mudanças na área de educação, tendo como seu secretário o grande educador Paulo Freire e, depois, Mário Sérgio Cortella, reconhecidos internacionalmente, que implementaram medidas de impacto, como o aumento de salário e capacitação dos professores da rede municipal, a melhoria da distribuição e qualidade da merenda escolar, a implantação dos MOVAs  – Movimentos de Alfabetização, Centros de alfabetização e instrução de adultos, entre outras medidas.
            Na saúde, implantou serviços de fonoaudiologia, neurologia, entre outros, nos postos de saúde da cidade, além do desenvolvimento de políticas sociais mais voltadas para a periferia.  A gestão de Erundina colocou a problemática habitacional como prioridade ao apoiar a implantação da habitação de interesse social por mutirão auto-gerido, o que ajudou a diminuir o déficit habitacional no município.  
            Na área da cultura, comandada pela professora e filósofa  Marilena Chauí, foi responsável pela construção do Sambódromo do Anhembi, projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, pela restauração de grandes bibliotecas  do centro da cidade e a sanção da lei de incentivo fiscal para a cultura do município.  
            Após o término de seu mandato na prefeitura em janeiro de 1994, Erundina foi convidada pelo então presidente, Itamar Franco, para ser ministra-chefe da Secretaria de Administração Federal. Cargo que ocupou por quase um ano. Em 1998, deixou o PT e filiou-se ao Partido Socialista Brasileiro (PSB). No mesmo ano foi eleita deputada federal e conseguiu se reeleger nas eleições seguintes (2002, 2006, 2010 e 2014). Em 2016, Erundina saiu do PSB e se filiou ao PSOL.
            Erundina sempre combateu na Câmara a postura golpista e retórica da maioria dos parlamentares da casa que sempre defendiam uma reforma política mas sem levá-la adiante de fato. Ela também acusou a mídia de se portar como um partido político.
            Erundina foi mais uma combatente na Câmara dos Deputados contra o golpe midiático, jurídico e parlamentar,  arquitetado contra a presidente Dilma Rousseff. Defensora da democracia e da Constituição, sempre vigilante na luta contra o retrocesso e a retirada das conquistas históricas do povo  brasileiro.

DIA 28 DE NOVEMBRO DE 1820, NASCE FRIEDRICH ENGELS
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            “Os comunistas não se rebaixam a dissimular suas opiniões e seus fins. Proclamam abertamente que seus objetivos só podem ser alcançados pela derrubada violenta de toda a ordem social existente. Que as classes dominantes tremam à idéia de uma revolução comunista! Os proletários nada têm a perder a não ser suas algemas. Têm um mundo a ganhar. PROLETÁRIOS DE TODO O MUNDO, UNI-VOS!”.  Assim, Friedrich Engels e seu grande companheiro Karl Marx encerram o seu Manifesto Comunista, sua obra mais conhecida, escrito entre dezembro de 1847 e janeiro de 1848, onde afirmam que: “A história da humanidade é a história da luta de classes”.
            Filósofo social, político, revolucionário, Friedrich Engels nasceu em Barmen, distrito de Wuppertal, na Alemanha, no dia 28 de novembro de 1820. Filho de rico industrial alemão, cursou a escola secundária, mas não chegou a concluí-la, sendo levado pelo pai para trabalhar no escritório das empresas. Logo se impressionou com a miséria em que viviam os trabalhadores da fábrica da família.
            Usando o pseudônimo de Friedrich Oswald, escreveu artigos que o levaram a freqüentar o Clube dos Doutores e se tornar amigo de Karl Marx. Foi também atraído pelo movimento dos “Jovens Hegelianos” ou “Hegelianos de Esquerda”, criado após a morte do filósofo Hegel.
            Entre 1841 e 1842, Engels serviu como voluntário num regimento de artilharia em Berlim. Ainda em 1842, foi enviado por seu pai para Manchester, na Inglaterra, para trabalhar na fábrica de linhas de costura. Assumiu por um tempo a direção da fábrica e suas observações dessa época formaram a base para escrever “A situação da Classe Trabalhadora na Inglaterra”. Em  1844, Engels publica “A Origem da Família, da Propriedade Privada  e do Estado”. Nesse mesmo ano rompe com os Hegelianos de esquerda e junto com Marx escreve as obras “A Sagrada Família” em 1844 e “Ideologia Alemã”, entre  1845 e 1846.
            Em 1848, uma onda revolucionária tomou conta da Europa. Entre os combatentes consolidava-se o proletariado, que empobrecidos sob os efeitos da Revolução Industrial, formavam uma massa desprovida de projeto político consistente, capaz de alterar sua própria condição. Nesse cenário, Marx e Engels lançaram o “Manifesto Comunista”,  que fornecia as bases para a organização proletária.
            O socialismo Científico, idealizado por Marx e Engels, segundo eles, não procurava construir de forma abstrata uma sociedade ideal, mas baseando-se na análise das realidades econômicas, da evolução histórica e do capitalismo, formulando leis e princípios determinantes da História em direção a uma sociedade sem classe e igualitária.
            Nos escritos de Marx e de Engels, particularmente em “O Manifesto Comunista” (1948), “Crítica da Economia Política” (1859), e “O Capital” (1867), os filósofos criticam a sociedade capitalista e rejeitam o Socialismo Utópico, considerando que a sociedade de cada época é determinada pelas condições econômicas. Após a morte de Marx, em 1883, Engels  se encarregou de publicar o II e o III volumes de “O Capital”, obra que causaria nas décadas seguintes uma revolução na Economia e nas Ciências Sociais.
            Muitas das obras de Engels foram em parceria com Marx, mas Engels escreveu sozinho algumas das obras mais importantes para o desenvolvimento do Marxismo, como “Ludwig Feuerbach e o Fim da Filosofia Clássica Alemã”,Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico” e “A origem da família, da propriedade privada e do Estado”.
            Friedrick Engels  morreu de câncer na garganta, em Londres, Inglaterra, no dia 5 de agosto de 1895. Após a cremação,  no crematório Woking, suas cinzas foram espalhadas em Beachy Head, perto de Eastbourne como ele tinha pedido.

DIA 27 DE NOVEMBRO DE 1936, NASCE ANITA LEOCÁDIA PRESTES
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 “Querida Anita, meu querido marido, meu garoto: choro debaixo das mantas para que ninguém  me ouça, pois parece que hoje as forças não conseguem alcançar-me para suportar algo tão terrível. É precisamente por isso que esforço-me para despedir-me de vocês agora, para não ter que fazê-lo  nas últimas e difíceis horas (…).  Lutei pelo justo, pelo bom e pelo melhor do mundo. Prometo-te agora, ao despedir-me, que até o último instante  não terão porque se envergonhar de mim. Quero que me entendam bem: preparar-me para a morte não significa que me renda, mas sim saber fazer-lhe frente quando ela chegue(…). Até o último momento manter-me-ei  firme e com vontade de viver.  Agora vou dormir para ser mais forte amanhã. Beijo-os pela última vez.” 

            Este é um trecho da última carta de Olga  Benário  Prestes, escrita a seu companheiro, o líder comunista  Luiz Carlos Prestes, conhecido como o “Cavaleiro da Esperança”  e à sua filha Anita Leocádia, do campo de concentração de Ravensbrück, antes de ser conduzida à morte na câmara de gás, em abril de 1942.  

            Anita Leocádia nasceu no dia 27 de novembro de 1936, em Bernimstrasse, prisão destinada às mulheres na Alemanha nazista, para onde sua mãe, judia alemã e comunista, foi levada após ser deportada do Brasil, pelo governo de Getúlio Vargas, aos sete meses de gravidez.  Da companhia materna desfrutou apenas até os catorze meses quando a avó, Leocádia Prestes, conseguiu resgatá-la, após intensa campanha internacional. Foi então com a avó e a tia Lygia, a quem considera como segunda mãe, para o exílio no México.

            Em 1945, após o fim do Estado Novo, então aos nove anos, Anita chegou ao Brasil e pôde, finalmente, conhecer o pai, liberto após nove anos de prisão, na qual permaneceu praticamente incomunicável. Mesma oportunidade não teve a avó Leocádia, que em 1942, faleceu no exílio.

            Em 1964, Anita graduou-se em Química Industrial pela Escola Nacional de Química da antiga Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em 1966, durante a ditadura militar, obteve o título de mestre em Química Orgânica.

            No início da década de 1970, Anita exilou-se na União Soviética.  Em agosto de 1972, foi indiciada em virtude da militância política. Julgada à revelia em julho de 1973, foi condenada à pena de quatro anos e seis meses pelo Conselho Permanente de Justiça para o Exército.

            Em dezembro de 1975, Anita Prestes recebeu o título de Doutora em Economia e Filosofia pelo Instituto de Ciências  Sociais de Moscou. Quatro anos depois, em setembro de 1979, foi beneficiada pela Lei de Anistia no Brasil.

            Em 1990 recebeu o título de Doutora em História Social pela Universidade Federal Fluminense  (UFF). Em 1992, Anita  ingressou, por concurso público, como professora da Universidade Federal  do Rio de Janeiro (UFRJ),  onde Atualmente leciona no Programa de Pós-Graduação em História Comparada e é presidente do Instituto Luiz Carlos Prestes.  

            Em 2004, Anita  abriu mão de indenização de cem mil reais, concedida pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, referentes ao tempo em que permaneceu exilada, doando-a a uma instituição de combate ao câncer. Anita optou por permanecer apenas, com o direito de incorporar o período ao tempo de aposentadoria . Reação semelhante manifestou diante da indenização concedida a seu pai, Luiz Carlos Prestes, recusando a parte que lhe caberia como filha.

            Historiadora, palestrante no Brasil e no exterior, Anita organizou  em 2004, na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ), uma exposição em homenagem aos 80 anos da Coluna Prestes. Na ocasião relatou haver tido a oportunidade de apresentar ao pai, falecido em 1990, sua tese de doutorado sobre esse movimento histórico.

             Em 2008, participou das homenagens de 24 anos da Galeria Olga Benário, em Berlim, criada pela Associação dos Perseguidos pelo Regime Nazista e que comemorava o centenário de nascimento de sua mãe. Anita inaugurou a “pedra de tropeço”, placa colocada na calçada dos locais onde moraram vítimas do holocausto.


DIA 26 DE NOVEMBRO DE 1931 , NASCE ADOLFO PEREZ ESQUIVEL
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            “Algo importante que o brasileiro deve ter é a busca da memória. Não é apenas buscar o passado. A memória deve iluminar o presente e ser base para as gerações futuras”, costuma afirmar o  arquiteto, escultor e ativista de direitos humanos argentino, Adolfo Perez Esquivel, um defensor da democracia na América Latina, considerado uma referência da esquerda mundial.
            Esquivel nasceu no dia 26 de novembro de 1931, em Buenos Aires, Argentina.  Escultor, estudou  arquitetura na Escola Nacional de Belas Artes da Universidade Nacional de La Plata. A partir de 1968, dedicou sua vida a propagar a não violência e defender os direitos humanos: fundou o Jornal “Paz e Justiça” em 1973, e a partir de 1974 se tornou seu secretário. A publicação se tornou a voz do movimento pacifista na América Latina.
            Ainda em 1974, na cidade de Medellin, na Colômbia, Adolfo Pérez Esquivel coordenou a fundação do Servicio Paz y Justicia en América Latina(SERPAJ-AL), junto com vários bispos, teólogos, militantes, líderes comunitários e sindicalistas. O SERPAJ-AL se dedicou a defender os Direitos Humanos no continente e a difundir a Não-Violência Ativa como instrumento de transformação da realidade e de enfrentamento dos crimes de tortura e desaparecimento forçado de militantes políticos e agentes comunitários e pastorais, praticados pelas Ditaduras Militares que haviam se instalado por toda a América Latina, com o apoio dos Estados Unidos que viviam então o auge da Guerra Fria com a União Soviética.
            Entre 1977 e 1979, foi preso e torturado  por questões políticas. Durante esta reclusão recebeu o Prêmio Memorial de Paz Juan XXIII, entregue pela Organização Pax Christi Internacional. Por suas atividades em defesa dos direitos humanos,  Adolfo Pérez Esquivel recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 1980.
            No dia 15 de março de 2016, Esquivel escreveu para o Portal Internacional de Notícias: “A corrupção não se combate violando a Constituição. Se combate com transparência e mais democracia. Transparência não somente do poder executivo, mas também dos poderes Judiciais e suas estruturas. Temos que estar atentos nas articulações que estão presentes no continente. Durante décadas obscuras vivemos ditaduras impostas mediante a Golpes de Estado, seguidos por governos constitucionais e as democracias frágeis   dos anos 80 e 90, que foram fortalecidas com grande esforço, tratando de encontrar caminhos de desenvolvimento e de resistência em sua luta contra a pobreza, a fome e marginalização”.
            Esquivel também afirma que, após um período de grandes avanços no século XXI , hoje a região está passando por situações de conflito , com novas tentativas para desestabilizar as instituições democráticas em países com governos progressistas . “Estamos preocupados com os ataques da oposição  política , a mídia e setores do poder judiciário contra a Presidenta do Brasil, Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que esteve recentemente vítima de uma operação Policial para levá-lo preso”, afirma ele, denunciando que  foi uma  ação política clara e injusta, que tem como objetivo a desmoralização pública do ex-presidente, acusando-o de corrupção para parecer culpado sem ter  nada provado contra ele.
            Esquivel denunciou que a oposição política e seus aliados lançaram uma forte campanha para derrubar a Presidenta Dilma e destruir o PT, utilizando a metodologia de golpe suave , imposta no continente para derrubar o ex-presidente Manuel Zelaya em Honduras e Fernando Lugo no Paraguai, com o cumplicidade do poder judiciário, da grande imprensa e / ou parlamentares , forças armadas , empresas e o apoio dos Estados Unidos .
            No dia 28 de abril de 2016, em visita ao Brasil, Esquivel visitou  o Senado, onde ocorria uma sessão deliberativa extraordinária. Ao avistá-lo, o senador Paulo Paim (PT-RS), que presidia a sessão, concedeu  licença para o argentino fazer “uma saudação de paz aos senadores”.
                Em seu discurso, Esquivel disse que o Brasil estava  prestes a sofrer o que chamou de “golpe de Estado”. O Nobel da Paz repetiu o que já havia dito um pouco mais cedo, ao sair do Palácio do Planalto, após encontro com a presidenta Dilma Rousseff. Ele comparou o processo de impeachment de Dilma ao que ocorreu em Honduras e no Paraguai, com a destituição dos presidentes Manuel Zelaya, em 2009, e Fernando Lugo, em 2012.
            “Acima dos interesses partidários estão os interesses do povo do Brasil e de toda América Latina”, afirmou, na época, o ativista argentino. Ele disse esperar que saísse a melhor decisão do Senado pelo bem da democracia e da vida do povo brasileiro, o que não aconteceu.

25 DE NOVEMBRO, DIA INTERNACIONAL DA NÃO VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER
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         O dia 25 de Novembro,  foi   instituído pela Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em  1999, como  o Dia Internacional da Não Violência sobre a Mulher. A data foi escolhida para homenagear as irmãs Mirabal (Pátria, Minerva e Maria Teresa), conhecidas como “Las Mariposas”, que no dia 25 de novembro de 1960,” foram brutalmente assassinadas pela ditadura de Rafael Leônidas Trujillo, da República Dominicana. As três participavam do movimento de resistência à ditadura no país e pagaram com a própria vida. Seus corpos foram encontrados no fundo de um precipício, estrangulados, com os ossos quebrados. As mortes repercutiram, causando grande comoção no país. Pouco tempo depois, o ditador foi assassinado.
            Em 25 de Novembro de 1991 teve início a Campanha Mundial pelos Direitos Humanos das Mulheres, sob a coordenação do Centro de Liderança Global da Mulher, que propôs 16 Dias de Ativismo contra a Violência sobre as Mulheres. Os 16 dias começam no 25 de Novembro e encerram-se no dia 10 de Dezembro, aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamado em 1948.
            Segundo a ONU, 70% de todas as mulheres do planeta já sofreram ou sofrerão algum tipo de violência em, pelo menos um momento de suas vidas, independente de nacionalidade, cultura, religião ou condição social. São vários tipos de violência, desde o assédio em seus locais de trabalho, até o assassinato, cometido por familiares, companheiros, namorados, pais, irmãos, vizinhos, etc. são dados de estarrecer.  
            Segundo  o Fundo das Nações Unidas para a Infância –  UNICEF, Mais de 100 milhões de meninas poderão ser vítimas de casamentos forçados durante a próxima década.  A mutilação genital é realizada em cerca de 3 milhões de meninas e mulheres por ano.
            Os chamados “crimes de honra” são homicídios de mulheres, jovens ou adultas, a mando da própria família, por alguma suspeita ou caso de “transgressão sexual” ou comportamental, como adultério, recusa de submissão a casamentos forçados, relações sexuais ou gravidez fora do casamento – mesmo se a mulher tiver sido estuprada. O crime é praticado para não “manchar o nome da família”. 5 mil mulheres são mortas por crimes de honra no mundo por ano,  segundo a ONU.
             No Brasil, 43% das mulheres em situação de violência sofrem agressões diariamente; para 35%, a agressão é semanal (Centro de Atendimento à Mulher). Em média, a cada 11 minutos uma mulher é estuprada em nosso país. (Fórum Brasileiro de Segurança Pública). 
            As brasileiras ganham, em média, 76% da renda dos homens (IBGE). Apenas 5% de cargos de chefia  de empresas são ocupados por mulheres (OIT). Num ranking mundial que analisou a desigualdade de salários em 142 países, o Brasil ficou na posição 124. Segundo o Fórum Econômico Mundial, Vão se passar 80 anos para que elas ganhem o mesmo que eles. Igualdade de salários só em 2095 .
            Para enfrentar esses problemas, os governos Lula e Dilma implementaram vários programas sociais visando o empoderamento e a melhoria de vida das mulheres. Colocar todas as ações previstas na Lei Maria da Penha em prática foi para Jacira Melo, do Instituto Patrícia Galvão, um importante destaque do governo Dilma no combate à violência doméstica . A inauguração de centros de acolhimento de vítimas de violência, as Casas da Mulher Brasileira, está incluída nessas medidas, “O programa cria uma referência interessante para ser implementada”. Ela cita também a lei que tipifica o crime de feminicídio  (homicídios cuja motivação envolve o fato de a vítima ser mulher) e aumenta as penas previstas pelo Código Penal. O texto foi sancionado no Brasil em março de 2015, pela presidenta Dilma.
            Segundo o relatório da ONU Mulheres Brasil de 2015, entre os avanços que ocorreram no governo Dilma , está  a maior presença das mulheres no mercado de trabalho formal. Segundo elas, programas como Bolsa Família e políticas públicas de acesso à educação, como o Pronatec, permitiram que mais brasileiras tivessem registro em carteira. “O programa do governo de Dilma em termos de políticas públicas teve um impacto significativo na vida das pessoas mais pobres, especialmente das mulheres negras, as mulheres são maioria entre as beneficiárias de programas sociais. E também estão mais presentes nas empresas e escolas”, diz Nadine Gasman, da ONU Mulheres Brasil.
            Dados da entidade também mostram aumento de 800% no número de micro-empreendedoras individuais em seis anos, passando de 21 mil em 2009 para 2,1 milhões em 2014. Desse total, mais de 495 mil pertenciam ao Bolsa Família. Para Jacira Melo, o programa teve uma participação importante na emancipação feminina já que nos mandatos de Dilma mulheres se tornaram titulares do benefício nas famílias. Antes, com Lula, homens também podiam  ser responsáveis pelo cartão.
            Além da concessão do Bolsa Família, a coordenadora da pós-graduação em Ciência Sociais da UERJ Clara Araújo cita as condições mais flexíveis de empréstimos no Minha Casa Minha Vida e em outros programas de crédito habitacional, o que beneficiou  as mulheres. “Quando são chefes de família sem cônjuge e com filhos, as mulheres têm uma renda menor. Se não houver um olhar em relação a isso, elas serão sempre excluídas.”
            Outra medida favorável à emancipação feminina no governo Dilma foi a aprovação da “PEC das Domésticas”, emenda constitucional que amplia os direitos das empregadas domésticas. O texto que regulamenta a PEC foi publicado no Diário Oficial em junho de 2015 e garante sete novos direitos a essas profissionais, como auxílio-creche, seguro-desemprego e salário-família.
            A lei que permite às empresas ampliarem a licença-paternidade de 5 para 20 dias também é mencionada como tópico positivo. Em março, Dilma sancionou o texto, que cria a Política Nacional Integrada para a Primeira Infância e permitiria que pais dividissem os cuidados com as crianças por mais tempo.
            A representante do Instituto Patrícia Galvão aponta que o feito mais importante de Dilma com relação a esse tema é a “construção cultural”.”Tenho certeza que todas as gerações de mulheres agora vêem como uma possibilidade real ocupar uma Presidência da República ou mesmo estar onde elas decidirem que querem estar no mercado de trabalho. Isso ninguém vai tirar, nem o impeachment”, afirmou.
            Com o corte de vários programas sociais implementados pelo governo golpista de Michel Temer e com a maioria conservadora no Congresso, as conquistas sociais das mulheres correm o risco de um retrocesso. O Dia Internacional da Não Violência Contra a Mulher é uma importante data para os movimentos sociais mobilizarem a sociedade nessa luta pela manutenção dessas conquistas.
  

DIA 21 DE NOVEMBRO DE 1965, MORRE ASTROJILDO PEREIRA

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                Escritor, jornalista, fundador e dirigente do Partido Comunista  do Brasil (PCB),  Astrojildo  Pereira nasceu  em 1890,  no município de Rio Bonito (RJ).  Ainda adolescente mudou-se para Niterói e estudou no Colégio Anchieta , dirigido por jesuítas. Depois se transferiu para o Colégio Abílio. Aos quatorze anos pensou em tornar-se frade e aos quinze, começou a abraçar o ateísmo.  Nesse mesmo período abandonou o colégio. Sem religião e sem escola, tornou-se um autodidata. 
            O seu primeiro envolvimento com a luta política se deu durante a “Campanha Civilista”, ocorrida em 1910, que tentava levar Ruy Barbosa à presidência da República. A vitória do Marechal Hermes da Fonseca o decepcionou profundamente. No mesmo ano um acontecimento contribuiu para dar novo rumo à sua vida: a “Revolta da Chibata”. O desencanto com a religião e a educação formal transbordaria agora para o desencanto com o regime liberal-oligárquico e com o próprio capitalismo. Assim, estava semeado o terreno no qual brotariam as novas idéias libertárias.
            Em 1911 seguiu para a França, onde trabalhou e  teve a ajuda de um grupo de brasileiros que viviam na Europa. Travou contato com lideranças e teve acesso a muitas publicações libertárias. Em 1913, de volta ao Brasil, casou-se com a filha do anarquista Everardo Dias. No mesmo ano, estava entre os organizadores do 2º Congresso Operário Brasileiro  e iniciando sua carreira de jornalista, atividade a que se dedicaria durante a maior parte de sua vida.
            No ano de 1917 ocorreram importantes greves operárias  no Brasil, a principal foi a de São Paulo. Na Rússia, em novembro, eclodiu a revolução socialista que teria grande inpacto em todo o mundo. Astrojildo foi um dos militantes anarquistas mais entusiasmados com o feito dos operários russos, dirigidos pelos bolcheviques, e logo se transformou num dos principais propagandistas da revolução russoa entre nós. Escreveu inúmeros artigos desmentindo as calúnias  divulgadas pela imprensa burguesa tradicional.
            Em 1918, Astrojildo foi preso por participar da insurreição  anarquista, sendo libertado em 1919. Pouco a pouco, o anarquista convicto passou a rever as teorias que serviam de base às suas convicções políticas e filosóficas. Sob o impacto mundial das conseqüências da Revolução Bolchevique, fascinado pelo  que estava acontecendo no recém-fundado Estado Soviético, acabou aderindo ao socialismo científico.
            Astrojildo funda, em 1921, o Grupo Comunista do Rio de Janeiro. No ano seguinte, em março de 1922, reuniu os vários grupos bolchevistas regionais para criar o Partido Comunista do Brasil, reconhecido dois anos depois como Seção Brasileira da III Internacional.
            Sua primeira viagem à União Soviética foi em 1924, na condição de Secretário-Geral do partido. No ano seguinte, junto com Otávio Brandão, iniciou a publicação do jornal “A Classe Operária”, órgão oficial do PCB. Em 1927, viajou à Bolívia para entrar em contato com o líder tenentista refugiado Luiz Carlos Prestes, o legendário “Cavaleiro da Esperança”, a fim de aproximá-lo do marxismo-leninismo, entregando-lhe documentos do PCB e livros marxistas.  Em 1928, passou a ser um dos integrantes do Comitê Executivo da III Internacional.
            No início de 1929, eleito para a direção da Internacional Comunista, partiu para Moscou e ali trabalhou no Secretariado para a América Latina. Em 1930, voltou ao Brasil. No mesmo ano, por conta de problemas internos, desligou-se do partido e passou a colaborar no jornal carioca “Diário de Notícias” e na revista “Diretrizes”. Como crítico literário, especializou-se na obra de Machado de Assis e Lima Barreto.
            Em 1945, retornou ao PCB , passando a colaborar com sua imprensa partidária. No entanto, após a cassação do partido em 1947, por divergir da diretriz política implantada por Luiz Carlos Prestes, afastou-se novamente do partido.
            Após o golpe militar de 1964, Astrojildo foi preso no mês de outubro , por três meses, já com o estado de saúde precário. Morreu no Rio de Janeiro, em 1965.

20 DE NOVEMBRO, DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA
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O Dia da Consciência Negra é uma data celebrada no Brasil no dia 20 de novembro. Este dia está incluído na Semana da Consciência Negra e tem como objetivo a reflexão sobre a valorização dos negros na sociedade brasileira, o impacto que a chamada Diáspora do Povo africano teve na evolução da cultura brasileira. Sociologia, política, religião,gastronomia, entre várias outras áreas, foram profundamente influenciadas pelas culturas negras e africanas.
            O dia 20 de novembro foi escolhido em homenagem a Zumbi dos Palmares, data na qual foi morto, lutando pela liberdade do seu povo, em 1695. Zumbi, líder dos Quilombo dos Palmares, o maior e mais conhecido  dos mais de 200 quilombos que se formaram no Brasil, dedicou sua vida à luta contra a escravatura no período do Brasil colonial, onde os escravos  começaram a ser introduzidos por volta de 1594. Zumbi simboliza a luta do negro contra a escravidão, o preconceito, a discriminação, constituindo-se, hoje, como  grande herói brasileiro.
           Em 2003, no dia 9 de janeiro, a lei 10.639 incluiu o Dia Nacional da Consciência Negra no Calendário escolar. A mesma torna obrigatório o ensino sobre as diversas áreas da História e da cultura Afro-Brasileira. São abordados temas como a luta dos negros no Brasil, cultura negra brasileira, o negro na sociedade nacional, inserção do negro no mercado de trabalho, discriminação, identificação de etnias, etc.
            Em 2011, a presidente Dilma Rousseff sancionou a Lei 12.519/2011, que criou a data, mas que não obriga que ela seja feriado. Isso significa que ser feriado ou não vai variar de cidade para cidade. O Dia da Consciência Negra é comemorado em mais de mil cidades, sendo  feriado em mais de 800 cidades brasileiras. 
            No Rio de Janeiro, graças à Lei Estadual  4007/2002, sancionada em 11/11/2002, pela então governadora Benedita da Silva, o Dia da Consciência Negra é feriado em todos os municípios,  Como ocorre em Alagoas, Amazonas, Amapá, Mato Grosso e no Rio Grande do Sul.
            Os grupos de negros que se reúnem em luta por cidadania e liberdade, perpassam por toda a História do Brasil. Até a Abolição da escravatura, em 1888, esses movimentos  eram quase sempre clandestinos e de caráter específico, posto que seu principal objetivo era a libertação dos negros cativos. Visto que os escravos eram tratados como propriedade privada, fugas e insurreições, além de causarem prejuízos, ameaçavam a ordem vigente e tornavam-se objetos de violência e repressão não somente por parte da classe senhorial, mas também do próprio Estado e seus agentes. As principais revoltas negras foram: A Revolta dos Alfaiates, realizada em 1798, na Bahia e a Revolta dos Malês, ocorrida na Cidade de Salvador, liderada por Pacifico Licutan e Luiza Mahin, em 1935, onde negros escravos, de religião Muçulmana, revoltaram-se.
            Com a assinatura da Lei Áurea e o fim do império, os grupos negros se incorporaram a diversos movimentos populares, como a Guerra de Canudos e  a Revolta da Chibata, em 1910, liderada pelo marinheiro João Cândido. A partir dessa data, os movimentos sociais afro-brasileiros começam a trilhar novos caminhos, numa tentativa de lutar pela cidadania recém-adquirida e evoluir para organizações de âmbito nacional.  Surge a chamada imprensa Negra, com periódicos como O Menelick (1915); A Rua (1916);  O Alfinete (1918); A Liberdade (1919; A Sentinela (1920), entre muitos outros.
            Com a proposta de uma maior representatividade política, surge a Frente Negra Brasileira – FNB – Fundada em 16 de setembro de 1931, constituindo-se como partido político em 1936 e extinta pela ditadura do Estado Novo, de Getúlio Vargas, em 1937. Nesse mesmo ano, Abdias do Nascimento cria o Teatro Experimental do Negro – TEN, responsável por uma expressiva produção teatral que buscava dinamizar a “consciência da negritude brasileira”, segundo palavras do seu criador.
           Na década de 70, em plena ditadura militar, foram criadas várias entidades que defendiam as questões raciais. Era a época do chamado Movimento “Black Power”, com forte influência do movimento negro americano, sob a liderança do Pastor Martin Luther King, Malcohn X e os Panteras Negras, nos Estados Unidos, ou por Nelson Mandela na África do Sul. Em 1977, foi fundado em São Paulo o Movimento Negro Unificado – MNU- entre outras entidades nacionais, com a proposta de unificar os vários grupos que atuavam em todo o Brasil. 
            Somente na década de 1990.as entidades do chamado Movimento Negro, fizeram com que medidas contra o racismo e a desigualdade racial ganhassem maior destaque , após a Marcha Zumbi+10 realizada em Brasília. Após a III Conferência Mundial Contra o Racismo, na África do Sul, em 2001, o governo brasileiro se compromete a promover políticas de promoção da Igualdade Racial.
 
            Com a posse  do presidente Lula, em 2003, foi criada a Secretaria Especial de Política de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República, com status de ministério, encarregada de implementar a Política de Igualdade Racial com várias Ações Afirmativas, entre elas: Programas de bolsas de estudos, inclusão de negros ou grupos discriminados em empregos ou escolas/universidades, por meio de cotas, metas, bônus, financiamentos, prioridade para empréstimos, distribuição de terras, moradias, etc. Além de sancionar leis, como o Estatuto da Igualdade Racial, entre outras ações, que buscam maior participação e cidadania para os afro-brasileiros, erradicando de vez com a discriminação e o racismo no Brasil. 

DIA 19 DE NOVEMBRO DE 1936,NASCE FRANCISCO MILANI
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                Francisco Ferreira Milani nasceu em São Paulo no dia 19 de novembro de 1936. Era filho do ator Carlos Milani. Começou a trabalhar aos 13 anos numa rádio do interior paulista. No fim da década de 1950, entrou para a TV Tupi, onde atuou nos teleteatros “TV Comédia” e “TV Vanguarda”.
            Militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB) desde a juventude,  Participou ativamente do Centro Popular de Cultura (CPC),  da União Nacional dos Estudantes, (UNE), a convite do dramaturgo Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha, um dos seus fundadores, em 1961. Na época , já tinha participado do filme “Crime do Sacopã” (1963), de Roberto Pires.  Em 1964, com o golpe militar, Milani presenciou a invasão e o incêndio do prédio da UNE, onde funcionava o CPC.
            Em 1967, Milani atuou no filme “Terra em Transe”, obra prima de Glauber Rocha, expoente do chamado “Cinema Novo”.  Em seguida, foi obrigado a se afastar do mundo artístico por contra da repressão política da ditadura militar. Nesse período, chegou a trabalhar como caminhoneiro, sob o nome falso de Romeu.
            Em 1970, voltou para a televisão.  Na TV Globo, foi escalado para atuar em três novelas de Janete Clair: “Irmãos Coragem”  (1970), “O Homem que deve morrer” (1971)  e “Selva de Pedra” (1972), além de “Cavalo de Aço” (1973) de Walter Negrão. Ainda nos anos 1970, exerceu a função de dublador, emprestando a voz a personagens de Paul Newman, Robert Redford,  Charles Bronson, entre outros.
            Em 1978, trabalhou no elenco de duas novelas em TV Tupi, “Aritana” e “Roda de Fogo”. Em 1980, Milani voltou a trabalhar na Globo, fazendo várias novelas e Casos Especiais, como “Romeu e Julieta”, “Brilhante”, “Barriga de Aluguel”, entre outras. Participou de minisséries famosas, como “Bandidos da Falange” (1983), “Anos Rebeldes” (1992), “Engraçadinha” e “Aquarela do Brasil “(2000).
            Na gestão do prefeito Saturnino Braga (janeiro de 1986 a setembro de 1978) foi presidente do Instituto Municipal de Arte e Cultura (RioArte). Nos anos 90, voltou a participar de vários humorísticos da Globo, como “Escolinha do Professor Raimundo”, “Zorra Total” e “Casseta e Planeta Urgente”.
 Foi eleito vereador no Rio de Janeiro pelo PCB (Partido Comunista Brasileiro) nas eleições de 1992. É de sua autoria a lei 1672,que criou a Riofilme, Empresa Municipal de Incentivo ao cinema. Essa lei prevê como finalidades da RioFilme a distribuição de filmes no país e no exterior, a realização de mostras e apresentação de festivais, no país e no exterior, visando à difusão do filme brasileiro em seus aspectos culturais, artísticos e científicos; a realização de atividades comerciais relacionadas com o objetivo principal de sua atividade; a co-produção e participação na realização de obras audiovisuais de qualquer natureza.
 De acordo com dados da Riofilme, desde a sua criação,  foram lançados mais de 200 filmes nacionais no mercado. A empresa  surgiu em um momento em que o cinema brasileiro estava no fundo do poço. Em 1990, o ex-presidente Collor havia acabado com a Embrafilme e com todas as possibilidades de se fazer cinema no Brasil. A Riofilme, uma empresa municipal se transformou no único meio de se fazer cinema no País. Vale lembrar que entre 1990 e 1993 não se fez filmes no Brasil. A produção só foi retomada com a criação da Riofilme, que participava como produtora ou distribuidora. Podemos afirmar que a Riofilme é a mãe da retomada do cinema brasileiro.
 
            Em 1995, Milani filiou-se ao Partido Comunista do Brasil, partido pelo qual, no ano 2000, foi candidato a vice-prefeito na chapa de Benedita da Silva (PT) nas eleições municipais do Rio de Janeiro.  
            Paralelamente a suas atividades políticas, Milani continuou atuando em televisão e no teatro, participando de várias peças, algumas com direção de seu filho, Carlos Milani, como “Estranhos Casais” (1999),  de Chico Anysio, e em 2000, na montagem de “Bodas de Papel”, de Maria Adelaide Amaral.
            Francisco Milani morreu no dia 13 de agosto de 2005, aos 68 anos, de câncer, deixando mulher e 3 filhos.

DIA 18 DE NOVEMBRO DE 1968, NASCE LUIZIANNE LINS
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O movimento estudantil  é o espaço de representatividade dos estudantes. Onde eles se organizam para cobrar seu direito à  Educação pública e de qualidade.  Onde adolescentes e jovens discutem os problemas do país e militam organizadamente na cobrança de seus direitos. O movimento estudantil,  através de suas entidades municipais, estaduais  ou federais, como a União Nacional dos Estudantes (UNE), sempre foi protagonista nos maiores acontecimentos na história desse país, ocupando as ruas sempre que a liberdade,  a democracia  e os Direitos Humanos estão ameaçados.
            Desse movimento estudantil, vanguarda na luta contra a opressão e o retrocesso, saem muitos dos jovens que nos representam politicamente no Congresso Nacional, nas Assembléias Legislativas, nas Câmaras de Vereadores ou no Poder  executivo. Um desses jovens é Luizianne Lins, ex-presidente da UNE, jornalista, professora universitária, prefeita em dois mandatos, deputada federal, militante do Partido dos Trabalhadores (PT), que forjou na luta no movimento estudantil  o alicerce que norteia a sua luta política diária, em prol de uma sociedade mais justa e fraterna.
            Luiziane Lins nasceu em 18 de novembro de 1968 em Fortaleza, Ceará, Filha do Coronel reformado do Corpo de Bombeiros José Sérgio Austragesilo Lins e de Luiza Maria de Oliveira Lins.  Em 1987 começou sua militância no movimento estudantil Secundarista e em grupos de esquerda. Em 1988 ingressou no curso de Comunicação Social da  Faculdade de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará (UFC) e no mesmo ano foi eleita presidente do Centro Acadêmico (CA).
            Em 1990, Luizianne é eleita presidente do DCE (Diretório Central dos Estudantes), em 1993 é escolhida diretora da UNE e no mesmo ano é nomeada Secretária Estadual de Juventude do Partido dos Trabalhadores.
            Em 1996, foi eleita a vereadora mais votada do PT, reeleita em 2000. Na Câmara dos Vereadores, direcionou seu mandato em defesa da mulher, da juventude , dos deficientes e da população mais pobre, ocupando os cargos de Presidente da Comissão de Educação, Cultura e Desporto; e presidente da Comissão de Defesa da Mulher, da Juventude e da Criança, essa última, criada através de um projeto de sua autoria.
            Em 2002, Luizianne foi eleita deputada estadual, a quarta mais votada no estado e a mulher mais votada do país, com 60.821 votos, ocupando o cargo de presidente da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania e foi titular da Comissão de Agropecuária e Recursos Hídricos. Sua atividade parlamentar priorizou projetos na área de Educação, juventude, cultura, sexualidade, movimentos populares, questões de gênero, meio ambiente e defesa dos direitos humanos.
            Em outubro de 2004, foi eleita prefeita de Fortaleza com 620.174 votos. Com um mandato que se destacou pela redução da mortalidade infantil e materna; e a ampliação dos programas federais como saúde, da família e Bolsa Família, além de outros programas como saneamento, e o maior programa de Construção de casas populares da história do município. Construiu o Hospital da Mulher, com equipamentos de última geração.
Em 2008, candidatou-se à reeleição à prefeitura sendo reeleita no primeiro turno com 50,16% dos votos. Dando continuidade aos projetos vitoriosos do primeiro mandato, além de outros de mobilidade urbana, como o que colocou as passagens dos transportes coletivos mais baratas entre as grandes capitais brasileiras, barateando mais ainda aos domingos, dando gratuidade para 10.000 pessoas com deficiência. Em 2011, Luizianne foi considerada, através de uma pesquisa da Revista “Fale!”, um dos 30 cearenses mais influentes do ano.
Em 2014, foi eleita deputada federal com 130.717 votos, tendo seu mandato voltado para a luta contra a violência contra a mulher, apresentando projetos que visam a proteção da criança, do adolescente e juventude. Em outubro de 2016, candidatou-se à prefeitura de Fortaleza, ficando em 3º lugar, com 193.687 votos.
Luizianne é  um dos parlamentares que atuaram no congresso contra o golpe e o impeachment da presidente Dilma Rousseff,  e contra as investidas conservadoras para aprovar projetos que podem levar o país a um retrocesso social, como a PEC 241, chamada de “A PEC do fim do mundo”, a MP 746, que propõe mudanças significativas no Plano Nacional de Educação, como o famigerado “Escola Sem Partido” e a extinção de disciplinas fundamentais como Educação Física, Filosofia e sociologia, entre outros projetos reacionários e nocivos para a Educação brasileira.
Propus 25 emendas ao texto, sobre: retorno das disciplinas retiradas; tempo e progressividade da implementação das mudanças; conceituação do notório saber e forma de contratação não precarizada; transferência de recursos, fomento e valor por aluno; carga horária mínima, compatibilidade com o Plano Nacional de Educação, dentre outras. Protestos das juventudes se espalham pelo País. Um coro contra a MP 746 e a Pec 55. Nos somamos a esses descontentes. Contra a elitização do ensino médio. Pelo ensino de qualidade. Por um Brasil para todas e todos”, afirmou a deputada, recentemente.
“…Mas é preciso ter força / É preciso ter raça / É preciso ter gana sempre / Quem traz no corpo a marca / Maria, Maria / Mistura a dor e a alegria” Esses versos de Milton Nascimento e Fernando Brant servem muito bem para homenagear grandes mulheres que estão sempre alertas, que nunca desistem de lutar e sabem que a luta continua a cada dia, a cada amanhecer, contra forças do atraso e da exploração que nunca estão satisfeitas com seus privilégios e  querem cada vez mais retirar direitos da classe trabalhadora, dos mais pobres e necessitados.
 
Mulheres como Luiziane Lins que, dia após dia, ano após ano, não perdem a raça, não perdem a gana e estão na luta. Mostrando ao país o valor da mulher brasileira. 

DIA  17 DE NOVEMBRO DE 1949, NASCE JOSÉ GRAZIANO
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“Acredito que para levar alimento às pessoas é preciso estabelecer um conjunto de políticas de estímulo à criação de empregos de qualidade e geração de renda, o apoio à agricultura familiar para aumentar a oferta local de alimentos e fortalecer a rede de proteção social, como os programas de transferência de renda”. Essa fala resume o pensamento de José Graziano, engenheiro agrônomo, professor, escritor, ex-ministro extraordinário de Segurança Alimentar do governo Lula, responsável pelo programa Fome Zero no país  e, por duas vezes,  Diretor-Geral da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO).  
Graziano nasceu em 17 de novembro de 1949 na cidade de Urbana, no estado norte-americano de Illinois. Seus pais são brasileiros de origem italiana (da região da Calábria). Assim sendo, Graziano  possui cidadania tripla, sendo norte-americano (de nascença), italiano e brasileiro.
Graduou-se como engenheiro agrônomo em 1972 pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo, onde também fez mestrado em 1974, com dissertação versando sobre a distribuição de renda no país. Doutorou-se pela Universidade Estadual de Campinas em 1980, tornando-se, nesta instituição,  professor titular de Economia Agrícola. Possui, ainda, pós-doutorado na Universidade da Califórnia e no Instituto de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Londres.  
Como escritor, Em 1980, publicou sua obra mais conhecida: “O que é a questão agrária”, pela editora Brasiliense. Ao todo, Graziano  publicou mais de 30 livros.
Em 2001, Graziano coordenou a elaboração do Programa Fome Zero,  um dos principais projetos da campanha de Lula para a presidência. Depois da eleição de Lula, Graziano foi nomeado para chefiar o Ministério Extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome, implantando o Programa Fome Zero, responsável por retirar 28 milhões de pessoas da linha de pobreza .
Em 2004, Lula criou o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDA), para absorver as funções do Ministério Extraordinário, nomeando Patrus Ananias como ministro e trazendo  Graziano  para ser assessor especial da Presidencia da República. Em março de 2006, Graziano tornou-se representante regional da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO)  para a América Latina e Caribe. Durante sua permanência no cargo, Graziano conseguiu que os países da América Latina fossem os primeiros em nível mundial a assumir o compromisso de erradicar a fome até 2025.
Em 26 de junho de 2011, com o apoio de Lula, Graziano foi eleito Diretor-Geral da FAO, durante a 37ª Conferência da Organização em Roma, Para o período de 2012 a 2015. Ao assumir o cargo, Graziano comandou grandes transformações na dinâmica da organização, mudando a destinação dos recursos para o fortalecimento de parcerias com a sociedade civil, o setor privado e o meio acadêmico, ampliando a colaboração com parceiros externos e conseguindo mais apoio para a cooperação  entre os países em desenvolvimento.
No dia 6 de junho de 2015, Graziano foi reeleito Diretor-Geral da FAO. Candidato único, teve 177 dos 182 votos dos representantes dos países reunidos na 39ª Conferência da FAO, na sede da entidade em Roma.  Lula participou do primeiro dia do evento e, durante seu discurso, defendeu as políticas sociais brasileiras e disse que o país estava  prestes a superar a fome e a miséria.
“Pela primeira vez, há uma geração de brasileiros que cresce sem conhecer o drama da fome. A fome não é um fenômeno natural, mas sim um fenômeno social que é resultado de um desequilíbrio nas estruturas econômicas dos países”, disse o ex-presidente brasileiro.
Segundo Graziano, em entrevista, o  país mostrou, durante os governos Lula e Dilma  que, com vontade política e políticas articuladas, podemos avançar rapidamente na redução da fome e da pobreza extrema. O Bolsa Família, por exemplo, beneficiou  mais de 13 milhões de famílias a um custo inferior a 0,5% do PIB. A combinação do fortalecimento da rede de proteção social e do estímulo produtivo a setores como a agricultura familiar tem ajudado o Brasil a enfrentar as crises recentes. Esse exemplo inspirou  outros países.
“O Brasil desfez o mito de que investir nos mais pobres é mero assistencialismo”, costumava  afirmar José Graciano, que atualmente se vê pessimista  com o desmonte dos avanços sociais conquistados nos governos Lula e Dilma, programas que fizeram com que a ONU retirasse o país do Mapa da Fome em 2014.  
Desde que assumiu, o  governo golpista de Michel Temer,está promovendo um desmanche sem precedentes nos programas sociais brasileiros.   No MDA, por exemplo, além das demissões em massa de técnicos especializados, o governo vem liquidando com as políticas setoriais, que incluem o Pronaf  (financiamentos para pequenos produtores rurais), o Pronera (de educação na reforma agrária) e o Pronatec/Campo (ensino técnico rural).
Foram  retirados também,  recursos dos programas de agricultura familiar (Plano Safra), da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), de Apoio ao Cooperativismo, do Minha Casa Minha Vida Rural, entre muitos outros, mostrando que aos golpistas só interessa aumentar os cofres públicos para outros fins,deixando de ter os pobres como prioridade, beneficiando o mercado e os detentores do poder econômico.
Se continuar esse desmanche,  em pouco tempo, o Brasil estará de volta ao mapa da fome, aos índices vergonhosos que acreditávamos estar definitivamente erradicados, como a mortalidade infantil, o analfabetismo, a violência contra a mulher, a desigualdade racial,  entre outros temas que, nos governos Lula e Dilma eram prioridade e tem sido deixados de lado pelo governo golpista de Michel Temer, condenando o Brasil ao inevitável retrocesso.


DIA 16 DE NOVEMBRO DE 1922, NASCE JOSÉ SARAMAGO

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                “Estamos afundados na merda do mundo e não se pode ser otimista. O otimista, ou é estúpido ou insensível ou milionário”. Essa frase mostra bem a personalidade do escritor, jornalista e militante político português José Saramago. Um homem que não tinha medo de expressar seu pensamento, sua visão do mundo, polêmico, teve embates históricos com várias instituições como a Igreja Católica e o Estado de Israel.
            Comunista, Ateu, cético, e pessimista, considerado um dos maiores pensadores da literatura mundial , Saramago sempre teve atuação política marcante e levantava a voz contra as injustiças, a religião constituída  e os grandes poderes econômicos, que ele via como grandes doenças de seu tempo.  Várias vezes questionado sobre sua postura, ele se descrevia como um  “comunista libertário”, sem medo e sem dogmas.
            Filho e neto de camponeses, José Saramago nasceu na aldeia de Azinhaga, província do Ribatejo, Portugal, no dia 16 de novembro de 1922. Seus pais emigraram para Lisboa quando ele não havia ainda completado dois anos. A maior parte de sua vida ocorreu, portanto, na capital. Fez estudos secundários que, por dificuldades econômicas, não pôde prosseguir.
            Seu primeiro emprego foi como serralheiro mecânico, tendo exercido depois diversas profissões: desenhista, funcionário da saúde e previdência social, tradutor, editor, jornalista. Publicou seu primeiro livro, o romance “Terra do Pecado”, em 1947, depois ficou quase 20 anos sem publicar, argumentando que “não tinha nada a dizer”, trabalhando nesse período como editor e jornalista, voltando a publicar somente em 1966, o livro de poesia “Os Poemas Possíveis”.
            Em 1969, em plena ditadura Salazarista, Saramago filiou-se ao Partido Comunista Português. Trabalhou durante doze anos numa editora, exercendo a direção literária e de produção. Após a  “Revolução dos Cravos”, ocorrida no dia 9 de junho de 1974, Saramago ingressou  na redação do jornal “Diário de Notícias”, como comentarista político, afirmando que “O DN vai ser o instrumento nas mãos do povo português, para a construção do socialismo”.
            Entre os vários textos que escreveu, Saramago nunca escondeu que acreditava na instauração de regime socialista recorrendo à força das armas. São dele as afirmações: “Ou esta Revolução se suicida(…) ou se recupera pela única via que lhe deixam aqueles que a querem liquidar”.  “A violência revolucionária é uma legítima defesa quando está em causa a vida e o futuro de um povo inteiro”, entre outras.
            A partir de 1976, Saramago passou a viver exclusivamente de seu trabalho literário, primeiro como tradutor, depois como autor. O reconhecimento mundial chegou com “Memorial do Convento”, de 1982, a que se seguiu “O ano da morte de Ricardo Reis”, dois anos depois. Os dois romances receberam o prêmio PEN Clube Português.
Em 1985, foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada. Em 1988, , casou-se com a tradutora espanhola Pilar Del Rio.
            Seu romance “O  evangelho segundo Jesus Cristo”, de 1991, provocou polêmica com a Igreja Católica e foi proibido em Portugal em 1992. O romance mostrava um Jesus humano, com dúvidas, fraquezas e conversando com um Deus cruel. Em um dos episódios, Jesus perdia sua virgindade com Maria Madalena.
            Em 1995, ganhou o “Prêmio Camões” pelo conjunto da obra e publicou “Ensaio sobre a Cegueira”. Em 1997, escreveu a introdução para o livro de fotos “Terra”, em que o fotógrafo Sebastião Salgado retratava a rotina do movimento dos Sem-Terra no Brasil. No mesmo ano , uma exposição sobre o trabalho de Saramago foi exibida no Brasil. “José Saramago: a consciência dos sonhos” trazia cerca de 500 documentos originais e outros tantos digitalizados, reunidos em um formato que, misturando o tradicional e a tecnologia moderna, levavam o visitante a uma agradável e rara viagem pela vida e pela obra do escritor português.
Em 1998, ele recebeu o Prêmio Nobel de Literatura,  e a 3 de dezembro do mesmo ano foi elevado a Grande Colar da Ordem Militar de Santiago da Espada,  uma honra geralmente reservada apenas a Chefes de Estado.
Em 2003, Saramago envolveu-se em nova polêmica. No dia 13 de outubro, em visita a São Paulo, , em entrevista a um  Jornal, Saramago fez críticas à posição de Israel no conflito contra os palestinos, afirmando que os israelenses, oprimindo os palestinos, “não aprenderam nada com o sofrimento de seus pais e avós” ,o que causou a imediata reação de vários grupos e entidades judaicas. Em defesa de Saramago, autores afirmaram que ele não se insurgiu contra os judeus, mas contra a política de Israel.
Seu último livro, “Caim”, lançado em 2009, também foi muito criticado pela Igreja Católica e segundo ele, voltou a suscitar “incompreensões, resistência  e  ódios velhos de pessoas que ficam comentando o livro que não leram”, afirmou.
Autor de mais de 30 livros, Saramago era considerado como o criador de um dos universos literários mais pessoais e sólidos do século XX e uniu a atividade de escritor com a de homem crítico da sociedade, denunciando injustiças e se pronunciando sobre conflitos  políticos de sua época. José Saramago morreu no dia 18 de junho de 2010, aos 78 anos, na província de Las Palmas, na Espanha.

DIA 15 DE NOVEMBRO DE 2008, GOVERNO LULA CONCEDE ANISTIA POLÍTICA A JOÃO GOULART
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                No dia 15 de novembro de 2008, o ex-presidente da República João Goulart, deposto pelo golpe militar de 1964 e sua viúva, Maria Tereza Goulart, tiveram seus pedidos de anistia política concedidos, após julgamento  realizado  pela Comissão de Anistia Política do Ministério da Justiça, em Natal (RN), durante a 20ª Conferência Nacional dos Advogados do Brasil. Participaram do evento várias autoridades. Entre eles o então  ministro da Justiça, Tarso Genro, e os presidentes da Câmara e do Senado.
Após o julgamento, Tarso Genro, leu uma carta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não compareceu ao evento por estar na reunião do G-20 Washington,   onde ele destaca a anistia a Jango como um pedido oficial de desculpas do Estado Brasileiro.
“O ato de hoje não apenas homenageia sua memória, mas também marca um pedido oficial de desculpas do Estado Brasileiro pela sua Comissão de Anistia que, em nome do povo, reconhece os erros do passado” Na carta, Lula afirma  também que a decisão representa a renovação do compromisso público firmado pela sociedade em 1988, com a elaboração da Constituição, de avançar na consolidação de um projeto de nação baseado na verdade, na valorização da diferença e da vida.
O presidente disse ainda que o evento homenageava um “grande líder da nação”. “Nunca será demais destacar o papel heróico de Jango para o povo brasileiro, uma vez que ele representa um Brasil mais justo, mais igualitário e mais democrático . Infatigável defensor da pátria e das reformas de base.” Jango viu o ocaso do Estado de Direito no Brasil, que o obrigou ao exílio e à morte longe da sua terra natal”,  encerrou .
João Belchior Marques Goulart , conhecido como Jango, nasceu em São Borja, Rio Grande do Sul, em 1 de março de 1964, seus pais eram Vicente Rodrigues Goulart , um estanceiro e coronel da Guarda Nacional que havia lutado a favor de Borges de Medeiros na Revolução de 1923, e Vicentina Marques Goulart, dona de casa. Jango era filho mais velho de oito irmãos. Sua família era amiga e tinha negócios com a família de Getúlio Vargas. 
Jango formou-se advogado em 1939  mas nunca atuou no ramo do Direito. Com a morte do pai, em 1943, Jango, o filho mais velho, assumiu a administração das propriedades rurais.O jovem tornou-se um dos estanceiros mais influentes da região antes dos 30 anos. Após a renúncia de Getúlio Vargas, em outubro de 1945, Jango assumiu a carreira política, aceitando o convite de Getúlio para ingressar no Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Ele foi o primeiro presidente do PTB local e, mais tarde, se tornaria presidente estadual e nacional.
Em 1947, Getúlio o convenceu a concorrer a uma cadeira na Assembléia Legislativa. Ele foi eleito com 4.150 votos, tornando-se o quinto candidato mais votado, à frente de seu cunhado Leonel Brizola, outra estrela em acensão do PTB. Seu mandato foi voltado para a luta em defesa de subsídios  para dar de comer aos mais pobres. Em 1950, Jango foi eleito para a Câmara dos Deputados com quase 40 mil votos, tornando-se o segundo candidato mais votado do PTB no Rio Grande do Sul.
Em 1952, licenciou-se da Câmara para assumir a Secretaria de Estado de Interior e Justiça e no ano seguinte, o presidente Getúlio Vargas o nomeia Ministro do Trabalho. Como ministro  ele convocou o 1º Congresso Brasileiro de Previdência Social e assinou uma série de decretos em favor da previdência, tais como o financiamento de casas, a regulação de empréstimos pelo Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Bancários (IAPI) e o reconhecimento dos funcionários do Conselho Fiscal do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Industriários.
Em 1954, Jango articulou um aumento do Salário mínimo, enfrentando muita pressão do patronato,   mas com o apoio dos sindicatos e da classe trabalhadora. No Dia do Trabalhador, Vargas assinou o decreto do novo salário mínimo, aumentado em 100%.
Depois do suicídio de Vargas, Jango renunciou, assumindo a presidência nacional do PTB, ele foi considerado o principal nome trabalhista do país. Em 1955, foi eleito vice-presidente do Brasil  na chapa PTB/PSD. Na ocasião obteve mais votos que o presidente eleito, Juscelino Kubtsheck. Naquela época, as votações para presidente e vice eram separadas. No ano seguinte, casou-se com a jovem Maria Thereza Fontella, com quem teve dois filhos, João Vicente e Denise.
Na eleição de 1960, foi novamente eleito vice-presidente, concorrendo pela chapa de oposição ao candidato Jânio Quadros, que venceu o pleito. Em 25 de agosto de 1961, enquanto João Goulart realizava uma visita diplomática à Republica Popular da China, Jânio Quadros renunciou ao cargo de presidente. Os ministros militares tentaram impedir a posse de Jango, e o presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli, foi empossado presidente.
Liderada por Leonel Brizola, então governador do Rio Grande do Sul, a Campanha da Legalidade exigia a posse de Goulart, Brizola e o General Machado Lopes, comandante do III Exército, baseado no Rio Grande do Sul, mobilizaram o estado em defesa dessa causa. Usando uma cadeia de mais de cem emissoras de rádio, Brizola clamava que a população saísse às ruas para defender a legalidade.
No Congresso Nacional, os parlamentares também se opuseram ao impedimento da posse de Jango. Na volta da China, Goulart aguardou em Montevidéu, capital do Uruguai, a solução da crise político-militar. Como os militares não cediam, o Congresso fez uma proposta conciliatória: a adoção do parlamentarismo. No dia 2 de setembro de 1961, o sistema parlamentarista foi aprovado pelo Congresso Nacional.
No dia 8 de setembro de 1961, Jango assumiu a presidência, Tancredo Neves, tornou-se primeiro ministro. Em 1962, o governo divulgou o Plano Trienal, elaborado pelo economista Celso Furtado, para combater a inflação e promover o desenvolvimento econômico. Em Janeiro de 1963, num plebiscito, o povo brasileiro escolheu o sistema presidencialista.
No dia 13 de março de 1964, em frente ao edifício Central do Brasil, sede da Estrada de Ferro Central do Brasil, o Comício da Central, como ficou conhecido, reuniu cerca de 150 mil pessoas, incluindo sindicatos, associações de servidores públicos e estudantes.  Goulart anunciou uma série de medidas que foram denominadas como Reformas de Base, que continham mudanças profundas como Reforma Agrária, Reforma Educacional, Reforma Fiscal, Reforma eleitora e Reforma Urbana, Reforma bancária, entre outras, que incluíam a nacionalização de vários setores industriais, energia elétrica, refino de petróleo, químico farmacêutico, etc. O que contrariava as elites e os setores conservadores da sociedade.
No dia 31 de março de 1964, começou a movimentação de tropas de Juiz de Fora, em direção ao Rio de Janeiro. Este foi o primeiro ato dos militares que culminaria no golpe de estado . Na madrugada de 1º de abril, Jango voltou para Porto Alegre e foi para a casa do comandante do 3º Exército. Reuniu-se com Brizola que sugeriu um novo movimento de resistência, mas Goulart não acatou para evitar “derramamento de sangue”. Partiu para o exílio no Uruguai. No dia 10 de abril , o Congresso Nacional declarou a vacância da Presidência da República.
No dia 10 de abril de 1964,  João Goulart  teve seus direitos políticos cassados por 10 anos, após a publicação do Ato Institucional nº 1 (AI-1). No dia  6 de dezembro de 1976. Jango morreu, vítima de um ataque cardíaco, no município argentino de Mercedes. Como seu amigo e mentor Getúlio Vargas, “Deixou a vida para entrar na história”.

14 DE NOVEMBRO, DIA NACIONAL DA ALFABETIZAÇÃO
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                O Dia Nacional da Alfabetização é comemorado anualmente no Brasil desde 14 de novembro de 1966, a data foi criada em homenagem à criação do Ministério da Educação e Cultura (MEC), em 1930, a partir do Decreto de Lei nº 19.402.
            No Brasil também se comemora o Dia Internacional da Alfabetização, em 8 de setembro. Esta data foi instituída pela Unesco – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, em 1967, alertando principalmente para o fato de que o processo de aprendizagem é um dos principais fatores responsáveis pelo desenvolvimento de qualquer país.
            Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), Um  país com população alfabetizada sempre apresenta bons índices de desenvolvimento humano, já que, obtendo conhecimento, as pessoas encontram melhores condições de se desenvolver profissionalmente, o que, em contrapartida, gera melhor remuneração, trazendo condições de melhoria de qualidade de vida. A alfabetização traz conseqüências diretas na vida das pessoas, tornando a sociedade melhor e mais organizada. O fato de saber ler e escrever é a base para gerar maior auto-estima, qualidade de vida e melhoria das condições gerais da população de um país.
            Preocupada com o analfabetismo no mundo, a ONU estabeleceu metas a serem cumpridas por seus países membros, mesmo com esse incentivo, a organização calcula haver perto de 800 milhões de adultos analfabetos no mundo, com pelo menos 250 milhões de crianças consideradas analfabetas funcionais.
            No Brasil, com relação à alfabetização, o Pnad – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios mostrou que a taxa de analfabetismo caiu de 15,6%  em 1995, para 9,7% em 2009, uma queda significativa, que mostrava que o governo estava no caminho certo.
            O Ideb – Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, calculado pela primeira vez em 2005, tendo a participação de 7,1 milhões de alunos,  mostrou que o Brasil conseguiu cumprir as metas previstas para os 1º a 5º anos do ensino fundamental, ultrapassando-as em 0,3 ponto. A meta estabelecida era de 5,0, tendo alcançado 5,3.
            No dia 8 de novembro de 2012, a presidente Dilma Rousseff lançou um novo projeto com o objetivo de erradicar o analfabetismo entre crianças de no máximo oito anos até o fim da década. O Pacto Nacional pela Alfabetização, que já tinha sido assinado pelas secretarias de educação de todos os estados do país e de 5.270 municípios, e consistia numa parceria coordenada pelo Ministério da Educação (MEC) entre governos federal, estaduais  e municipais.
“O pacto tem um caráter de urgência , é uma tarefa inadiável. Não nos conformamos com o fato de que, em média, 15% das crianças de até 8 anos de idade não estejam plenamente alfabetizadas. Queremos um país de igualdade de oportunidades, em que haja garantias para todos os cidadãos. O pacto pela alfabetização é o caminho fundamental para isso. O futuro do país está em jogo”, afirmou Dilma no discurso de lançamento do pacto.
            A meta era que todas as crianças da rede pública de ensino fossem alfabetizadas em português e matemática até o terceiro ano do ensino fundamental. Para isso, R$ 2,7 bilhões provenientes da União foram repassados aos estados e municípios em 2013 e 2014. Uma das ações do pacto era a formação continuada de 360 mil professores alfabetizadores. Eram 18 mil profissionais orientadores capacitados em 34 universidades públicas brasileiras, que eram responsáveis por cursos de 200 horas aos educadores. O  pacto previa também uma premiação de R$ 500 milhões para as escolas que se saíssem melhor nas avaliações propostas.
            Em 2014, o governo Dilma  instituiu o Plano Nacional de Educação (PNE),que incluía 20 estratégias para a educação nos próximos 10 anos, havendo a meta de que estados e municípios alfabetizassem todas as crianças até o final do 3º ano do ensino fundamental, tendo também como meta a erradicação do analfabetismo e a redução de pelo menos 50 %  na taxa de analfabetismo funcional. Com o PNE  O Brasil procurava atingir o patamar que hoje é considerado a média dos países da OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento  Econômico, que é de 6,0 pontos na primeira fase do ensino fundamental e o Brasil já atingiu 5,3 pontos.
            A meta do PNE, investindo nas escolas estaduais e municipais, era a de melhorar seu índices e atingir a meta proposta de 6 pontos em 2022, ano em que o Brasil irá comemorar o bicentenário da independência.
            Após o impeachment da presidente Dilma o governo golpista de Michel Temer, depois de suspender contratações dos programas Minha Casa Minha Vida, Pronatec, Fies, entre outros,  bloqueou o sistema de cadastro para o programa Brasil Alfabetizado, criado no governo Lula em 2003 e ampliado pelo governo Dilma.
            Estados e municípios, relataram o bloqueio e suspensão do repasse e a informação foi confirmada pelo Ministério da Educação. Referência na área da educação e elogiado por especialistas do mundo inteiro, o programa reduziu a taxa de analfabetismo de 12,4% da população em 2002 para 8,3% em 2014. Atualmente, 168 mil alunos estão cadastrados no atual ciclo, iniciado antes do golpe. O Ministério da Educação atual anunciou que não há previsão para abertura de novas turmas. Até 2015, o programa mantinha ciclos de ao menos 1 milhão de alunos por ano.
            A suspensão de programas destinados à educação, demonstra a total falta de compromisso do governo Temer, com a educação pública e de qualidade, que tanto levaram o país em direção ao progresso e à justiça social. E que, se nada mudar, estaremos retrocedendo e,no mínimo, condenando o Brasil ao eterno subdesenvolvimento.

DIA 11 DE NOVEMBRO DE 1945, NASCE DANIEL ORTEGA
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                Augusto Cesar Sandino  (1895-1934), foi um revolucionário na Nicarágua, comandou uma rebelião contra a intervenção militar dos Estados Unidos no país entre 1926 e 1933. Embora os Estados Unidos fizessem de tudo para mostrá-lo como bandido, era considerado um herói  pelo seu povo e em grande parte da América Latina.
            Após vários anos à frente de seu  Exército de Defesa  da Soberania Nacional da Nicarágua, Sandino conquistou muitas vitórias, seja contra tropas formadas pelas elites dominantes do país, seja contra tropas americanas, como os Marines,  que se retiraram do país em janeiro de 1933, após um acordo de cessar-fogo, entre Sandino e  o governo americano, que garantiu a posse do presidente Juan Batista Sacasa.
            Em fevereiro de 1933, Sandino encontrou-se com Sacasa em Manágua, durante o qual ele ofereceu sua lealdade ao presidente e concordava em ordenar a entrega de armas de seus homens. Em troca, Sacasa garantiria anistia aos soldados rebeldes de Sandino, além do controle sobre uma grande parte do departamento de Jinotega, para onde poderiam se mudar com suas famílias e receberiam fundos para estabelecer fazendas comunais.
            Após depor as armas, Sandino foi enganado e traído por ordem do general  Anastasio Somoza García, quando retornava de uma nova rodada de negociações com Sacasa, Sandino foi emboscado e executado em Manágua, no dia 21 de fevereiro de 1934, por homens da Guarda Nacional.  Dois anos depois, Somoza obrigou Sacasa a renunciar, declarando-se presidente, estabelecendo uma dinastia que dominaria a Nicarágua  durante as 4 décadas seguintes.
            Em homenagem a líder Augusto Cesar Sandino, foi fundada a Frente Sandinista de Libertação Nacional  (FSLN), em 1961, quando foram formados os primeiros grupos de estudos marxistas na Universidade Nacional Autônoma da Nicarágua e na Universidade de León. A organização se inspirava no pensamento nacionalista e amtiimperialista de Sandino. A partir de então, a FNLN passou a liderar a insurreição popular , que durou vários anos. Dentre seus militantes, estava um jovem revolucionário chamado Daniel Ortega.
            José Daniel Ortega Saavedra nasceu na cidade de  La Libertad, Nicarágua, no dia 11 de novembro de 1945. Nasceu em uma família de classe média. Seus pais, Daniel Ortega e Lidia Saavedra, eram opositores do regime do ditador Anastasio Somoza. Sua mãe foi presa pela Guarda Nacional de Somoza por estar com posse de cartas de amor que, de acordo com a polícia, eram mensagens políticas codificadas.  Daniel tinha dois irmãos: Humberto, ex-general e escritor , e Camilo, morto em combate em 1978.
            Ortega iniciou cedo na luta política. Ele só cursou até a sexta série do ensino fundamental e aos 15 anos já havia sido preso por subversão. Logo entrou para a Frente Sandinista de Libertação Nacional e em 1965 já fazia parte da direção do movimento. Em 1967 Ortega foi preso pelo assalto à mão armada de uma filial do Bank of America.
            Durante o período em que esteve preso na penitenciária de El Modelo, no subúrbio de Manágua, ele foi bárbaramente  torturado, escrevendo vários poemas, onde denunciava as péssimas condições da prisão. Quando foi solto em 1974,  junto com outros prisioneiros sandinistas, em troca de somozistas, prisioneiros da organização , Ortega se exilou em Cuba, onde recebeu treinamento de guerrilha por vários meses. Mais tarde, retornou secretamente à Nicarágua, para comandar a ressurreição popular.   
            No início de 1978, uma guerra civil tomou conta do país após a morte do jornalista Pedro Joaquim Chamorro, que participava ativamente contra a ditadura da família Somoza. Por meio de batalhas contra as forças governistas, a FNSL conseguiu dominar o Palácio Nacional de Manágua. Em 1979, Somoza abandonou o país, dando fim a uma dinastia que deixou 50 mil mortos e assolou a Nicarágua por 40 anos.
             A Revolução Sandinista  assumiu o poder por meio da formação da Junta do Governo de Reconstrução Nacional, comandada por Daniel Ortega, que prometia dar fim às mazelas que tomavam conta do país. O novo governo estatizou empresas e propriedades, implantou a Reforma Agrária,  realizando um governo voltado para a população mais pobre do país.
            Em 1984, Ortega foi eleito presidente  pela primeira vez  em eleições livres,  mas seu governo enfrentou uma guerra civil provocada pelos  “Contras”  – rebeldes financiados e armados pela CIA,  criados em 1981, para desestabilizar o governo sandinista.
            Em 1988, Ortega perdeu as eleições para Violeta Barrios de Chamorro, apoiada por uma coligação de partidos majoritariamente neoliberais e conservadores. Com a economia em crise, foi negociado um acordo de paz, que levou à realização de novas eleições presidenciais em 1990.
            Desde então, Ortega tentou mais de uma vez candidatar-se à presidência, mas só conseguiu reconquistar o poder em 2006, quando vence sua segunda eleição presidencial. Em 2011  foi reeleito presidente, e novamente em 2016, com mais de 70 % dos votos. Segundo o Banco Mundial, nesses 10 anos de governo sandinista, a pobreza foi reduzida em 13% e a Nicarágua conseguiu reduzir significativamente a taxa de violência e os problemas sociais.

DIA 10 DE NOVEMBRO DE 1972, MORRE A GUERRILHEIRA AURORA MARIA NASCIMENTO FURTADO
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            A Ação Libertadora Nacional (ALN) , organização política de ideologia socialista foi criada no fim de 1967 com a saída de Carlos Marighella do Partido Comunista Brasileiro, após sua participação na Conferência da Organização Latino-Americana de Solidariedade (OLAS) em Havana. A ALN era uma das organizações mais estruturadas da guerrilha urbana, em luta contra a ditadura militar, implantada em 1964,  sendo também a que mais contava com a participação de mulheres.
            Uma dessas militantes, era Aurora Maria Nascimento Furtado, ativa militante do movimento estudantil nos anos 1967-68, estudava psicologia na Universidade de São Paulo (USP) e colaborava na imprensa da União Nacional dos Estudantes (UNE), de São Paulo. Trabalhou como bancária na agência do Banco do Brasil, no bairro do Brás. Conhecida como Lola, foi militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB) até a promulgação do Ato Institucional nº 5 (AI-5), quando entrou para a ALN, passando  a atuar politicamente na clandestinidade.
            Atuando no Rio de janeiro, era responsável pela publicação do Jornal Ação, participando de inúmeras ações armadas, como o assalto à Casa de Saúde Doutor Eiras, no dia 2 de setembro de 1971 que deixou um saldo de três vigilantes de segurança mortos e a execução do marinheiro inglês David Cuthberg.
            No dia 9 de novembro de 1972, Aurora foi presa no bairro de Parada de Lucas, Rio de Janeiro, depois de ter entrado em uma blitz policial realizada por uma patrulha do 2º setor de Vigilância Norte. Tentando romper o cerco, Aurora acertou um policial, que morreu no local. Após correr alguns metros, foi aprisionada viva, dentro de um ônibus, onde havia se refugiado, sendo conduzida imediatamente para a delegacia policial conhecida como “Invernada de Olaria”, conhecida por suas atuações ligadas ao Esquadrão da Morte.
            Na Invernada, Aurora sofreu torturas no pau-de-arara, sessão de choques elétricos, espancamentos, afogamentos e queimaduras. Aplicaram-lhe também a “coroa de cristo”, fita de aço que vai gradativamente sendo apertada, esmagando aos poucos o crânio.
            No dia 10 de novembro, o corpo de Aurora foi encontrado crivado de balas na esquina das ruas Adriano com Magalhães Couto, no bairro do Méier (RJ), junto a um veículo VW, placa DH-4734, marcado de tiros. Segundo a versão oficial divulgada pelos órgãos de segurança, a militante teria morrido durante uma tentativa de fuga da guarnição da rádio-patrulha que a prendera.
            O corpo de Aurora foi submetido à necropsia no Instituto Médico Legal, pelos drs. Elias Freitas e Salim Raphael Balassiano, cujo laudo determinou como causa mortis “ferimentos penetrantes na cabeça”. As fotos que acompanharam o laudo de perícia do local, de nº 6507/72, mostraram marcas de tortura no corpo, aprofundamento do crânio e escoriações nos olhos, no nariz e boca, que não foram relatadas na necropsia.
            Através de advogados, a família obteve nova necropsia do IML, que constatou no corpo inúmeros sinais das torturas sofridas (queimaduras, cortes profundos, hematomas generalizados) com um afundamento no crânio de cerca de 2 cm, proveniente do emprego da “coroa de cristo”, a causadora da morte.
            A morte de Aurora sob tortura foi confirmada pelo depoimento do general de brigada da reserva e ex-comandante do DOI-CODI Adir Fiúza de Castro no livro “Os anos de chumbo:  a memória militar sobre a repressão”, organizado por Maria Celina D’Araújo, Gláucio Ary Dillon Soares e Celso Castro. O depoimento do general mostra que ele sabia das torturas praticadas no quartel; fala da violência dessas torturas e assume que, sendo impossível interrogar Aurora, nem pensou em enviá-la para um hospital, sendo melhor deixá-la morrer onde estava.
            O general falou ainda que permitiu as divulgação da falsa versão do tiroteio no Méier, relatando que ao ser interpelada por uma viatura, Aurora reagira à prisão, matando um agente e ferindo outro. “Um agente conseguiu segurá-la pelas pernas e debaixo de muito pau a pegaram e meteram na viatura. Foram para a Invernada de Olaria. E eles não estavam satisfeitos com um dos seus companheiros morto, com o rosto completamente estraçalhado. Calculo o que fizeram com ela”, afirmou.
            No dia 11 de novembro, o corpo de Aurora foi trasladado para São Paulo, sendo entregue à família em caixão lacrado, com ordens expressas para que não fosse aberto. A história de sua militância política e de seu suplício está narrada, de modo romanceado, no livro “Em Câmara Lenta”, escrito pelo cineasta e ex-preso político Renato Tapajós, que era então cunhado de Aurora. Segundo Tapajós, a batida policial em Parada de Lucas não foi aleatória nem a abordagem do veículo onde ela se encontrava foi casual, mas um cerco da repressão, feita pela polícia com a participação de agentes do CISA, o Serviço de Inteligência da Aeronáutica.


DIA 9 DE NOVEMBRO DE 1988, MASSACRE  EM VOLTA REDONDA
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Em  1988, a política econômica e industrial implementada pelo governo Sarney, baseada no arrocho salarial ,  nas privatizações e na submissão ao FMI (Fundo Monetário Internacional),   aprofundava cada vez mais a crise, causando estagnação e inflação galopante, que corroíam  cada vez mais os ganhos conquistados pelas lutas anteriores dos trabalhadores, que não viam outro caminho a não ser aumentar as mobilizações.
           No dia 4 de  novembro de 1988, 30 mil operários de duas grandes empresas de Volta Redonda , a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e a Fábrica de Estruturas Metálicas (FEM) haviam entrado em greve, com o apoio da comunidade local,  reivindicando reposição salarial de 26,06% ( percentual retirado do cálculo da inflação pelas regras do Plano Bresser) e mais 17,68% da URP (Unidade de Referência de Preços, média trimestral da inflação usada para corrigir salários) de julho.  As negociações fracassaram e os operários acabaram ocupando as instalações da CSN, no dia 7 de novembro.
               Em uma assembléia na CSN ocupada, os metalúrgicos decidiram por uma greve pacífica em que reivindicavam reajuste salarial com base no DIEESE, readmissão de demitidos do ano de 1987, Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) eleita pelos trabalhadores, jornada semanal de 40 horas e a implementação  do turno de 6 horas.
                No dia 9 de novembro, o Exército iniciou a repressão dentro e fora da CSN, usando tanques, bombas de gás e rajadas de metralhadoras contra trabalhadores indefesos,  tendo como trágico resultado a morte de três metalúrgicos no interior da empresa: Carlos Augusto Barroso, de 19 anos, Walmir Freitas Monteiro, 27 anos, e William Fernandes Leite, 22 anos, além de muitos feridos. Uma ação que chocou o país, ficando conhecida com “Massacre de Volta Redonda” .
                Após a repressão do Exército, a greve foi mantida, porém, como resposta, o Ministro da Indústria e Comércio ameaçou fechar a CSN. No dia 22 de novembro, a população deu um abraço simbólico na CSN e no dia 24 de novembro, em assembléia, os metalúrgicos decidiram pelo fim da greve.
                Em 1 de maio de 1989, foi inaugurado o “Memorial  9 de Novembro”, construído em homenagem aos mortos do massacre e projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, instalado na Praça Juarez Antunes, na Vila Santa Cecília, próximo à entrada da CSN.
                Esse memorial foi dinamitado na madrugada seguinte à sua inauguração. Essa atitude demonstrou até onde estava disposta a ir a repressão e se constituiu numa afronta direta ao recém-instaurado processo de democratização que o país atravessava. O Memorial 9 de Novembro foi reerguido pelos próprios metalúrgicos de Volta Redonda e reinaugurado em 12/08/1989.
                Em relação às mortes ocorridas em 9 de novembro de 1988, ninguém foi considerado culpado e as denúncias feitas pelo ministério Público foram rejeitadas. O General José Luís Lopes da Silva, comandante da invasão, tornou-se Juiz, pois foi indicado Ministro do Superior Tribunal Militar em 1990 pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso.
                As pressões contra os trabalhadores da CSN e contra o povo da cidade não pararam por aí. Com a eleição de Fernando Collor para presidente, novas demissões ocorreram e foram preparadas as condições para a sua privatização.
                A privatização da CSN foi aprovada em 11 de junho de 1992 pelo PNH, Plano Nacional de Desestatização. O seu edital de venda foi publicado em 9 de outubro de 1992 e, após o Decreto Federal 724, de 19 de janeiro de 1993, sua venda foi realizada em 2 de abril de 1993 pela metade do valor que ela havia sido avaliada na época, ou seja, pelo preço mínimo de R$ 1,2 bilhão.     

DIA 8 DE NOVEMBRO DE 1926, POLÍCIA FASCISTA PRENDE ANTONIO GRAMSCI
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                “A tendência democrática da escola não pode consistir apenas em que um operário manual se torne qualificado, mas em que cada cidadão possa se tornar governante.”          Essa frase ilustra  um pouco do pensamento de Antonio Gramsci,    um dos mais importantes pensadores do século XX, uma  das referências essenciais do pensamento de esquerda no século.  Fundador do Partido Comunista Italiano, distinguia-se de seus pares por desacreditar de uma tomada de poder que não fosse precedida por mudanças de mentalidade. Para ele, os agentes dessas mudanças seriam os intelectuais e um de seus instrumentos mais importantes, a escola.
            Antonio Francesco Gramsci nasceu em 1891, em Ales, na Sardenha, Itália, em uma família pobre e numerosa, filho de Francesco Gramsci, Antonio foi vítima, antes dos 2 anos, de uma doença que o deixou corcunda e prejudicou seu crescimento. No entanto, foi um estudante brilhante e aos 21 anos conseguiu um prêmio para estudar Letras na Universidade de Turim, cidade onde trabalhou como jornalista de publicações de esquerda, alcançando notoriedade com seus escritos de teoria política, fundando , juntamente com Palmiro Togliatti, em 1919, o jornal  L’ordine Nuovo, e contribuindo para o jornal La Città Futura.
            Frequentou  os círculos socialistas e entrou para o Partido Socialista em 1913. Em 1919, rompeu com o partido Socialista. Militou em comissões de fábrica e ajudou a fundar o Partido Comunista Italiano (PCI), em 1921. Em 1922, foi para Moscou, Rússia, onde representou o novo partido e conheceu Giulia Schucht, uma violinista com quem se casou e teve 2 filhos. O período em que estava em missão na Rússia coincidiu com o do crescimento do fascismo na Itália e Gramsci retornou à Itália com a missão de promover a unidade dos partidos de esquerda no país.
            Em 1924, Gramsci foi eleito deputado por Vêneto, região do Nordeste da Itália, organizando o lançamento do jornal oficial do PCI, denominadoL’Unità , vivendo em Roma enquanto sua família permanecia em Moscou.    
            No dia 8 de novembro de 1926, a polícia italiana prendeu Gramsci e o levou à prisão romana de Regina Coeli. Em seu primeiro julgamento, onde foi condenado a cinco anos de prisão, por suas atividades contra o regime fascista de Benito Mussolini, o juiz que o condenou proferiu a seguinte frase, que ficou célebre: “Temos que impedir esse cérebro de funcionar durante 20 anos”.
            No ano seguinte, foi condenado a vinte anos de prisão em Turim, próximo a Bari, capital da Apúlia. Em 1932, um projeto para a troca de prisioneiros políticos entre Itália e União Soviética, que poderia dar a liberdade a Gramsci, falhou. Em 1934, sua saúde estava seriamente abalada, e ele recebeu a liberdade condicional, após ter passado por alguns hospitais em Civitavecchia, Formia e Roma.
            A obra escrita de Antonio Gramsci é normalmente dividida cronologicamente em antes e depois da sua prisão pela ditadura fascista italiana. No período pré-cárcere, Gramsci escreveu ensaios sobre literatura e teoria política, publicados em jornais operários e socialistas. No Brasil, uma  parte desses textos foi publicada no livro Escritos Políticos.
            Do período passado no cárcere, há duas obras: as Cartas do Cárcere, contendo mensagens escritas a parentes ou amigos e que foram posteriormente reunidas para publicação, e os 32 Cadernos do Cárcere, de 2.848 páginas , que não eram destinados a publicação: trazem reflexões e anotações redigidas entre 8 de fevereiro  de 1929 e agosto de 1935, quando seus problemas de saúde se agravaram. Foi Tatiana Schucht, sua cunhada, que os organizou, sem levar em conta sua cronologia.
            Antonio Gramsci sempre lutou contra a ortodoxia, o autoritarismo, a fragmentação. Seu referencial teórico e sua prática política foram  marcados pelo pluralismo, pela flexibilidade, pela relação entre as aparentes disparidades e pela busca da autonomia do homem.
             Alguns conceitos criados ou valorizados por Gramsci hoje são de uso corrente em várias partes do mundo. Um deles é o de cidadania. Foi ele quem trouxe à discussão pedagógica a conquista da cidadania como um objetivo da escola. Ela deveria ser orientada para o que o pensador chamou de elevação cultural das massas, ou seja, livrá-las de uma visão de mundo que, por se assentar em preconceitos e tabus, predispõe à assimilação inconsciente da ideologia das classes dominantes.
            Ao contrário da maioria dos teóricos que se dedicaram à interpretação e à continuidade do trabalho intelectual do filósofo alemão Karl Marx (1818-1883); que concentraram suas análises nas relações entre política e economia, Gramsci deteve-se particularmente no papel da cultura e dos intelectuais nos processos de transformação histórica.
            Na escola prevista por Gramsci, as classes desfavorecidas poderiam se inteirar dos códigos dominantes, a começar pela alfabetização. A construção de uma visão de mundo que desse acesso à condição de cidadão teria a finalidade inicial de substituir o que Gramsci chama de senso comum – conceitos desagregados, vindos de fora e impregnados de equívocos decorrentes da religião e do folclore.
            Suas noções de pedagogia crítica e instrução  popular foram teorizadas e praticadas por pensadores do mundo inteiro, como no Brasil, por Paulo Freire, em sua obra “Pedagogia do Oprimido”, por exemplo.    Antonio Gramsci morreu em 27 de abril de 1937, aos 46 anos, em Lácio, Roma, na Itália.           


DIA 7 DE NOVEMBRO DE 1958, CHE GUEVARA LIDERA MARCHA RUMO A HAVANA
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A Revolução Cubana, o movimento armado e guerrilheiro liderado por Fidel Castro, Raul Castro,  Che Guevara, Camilo Cienfuegos,  entre outros, que derrubou a ditadura de Fulgêncio  Batista, contou com o apoio de estudantes universitários e camponeses que se opunham ao governo considerado corrupto e violento, que reprimia as manifestações populares. Denominado por Fidel Castro como “Movimento 26 de julho”, foi pouco a pouco conquistando o apoio da população cubana e de outros países, transformando em heróis, os guerrilheiros que participaram.
            A guerrilha nasceu quando Batista, acusado de implementar a corrupção generalizada no país, cancelou as eleições marcadas para junho de 1952. Fidel, então um dos candidatos, começou a organizar uma força rebelde para depor o governo.  Acompanhado de 160 homens, ele atacou o Quartel  Moncada no dia 26 de julho de 1953, uma iniciativa com o intuito de provocar um levante popular, mas não obteve sucesso. Fidel foi preso e condenado a 20 anos de prisão.
            Em 1954, Batista, numa eleição sob suspeita de fraude,  foi reeleito como presidente. Após a posse, Fidel  e seus homens foram  anistiados. Exilando-se no México, onde Raul apresentou o irmão ao médico argentino Ernesto “Che” Guevara.
 Em 1956, fundaram o Movimento 26 de Julho, nome dado em homenagem à data do ataque ao Quartel  Moncada,  organização  que, gradativamente, foi se tornando popular. No mesmo ano, Fidel, Raul Castro, Che, Camilo Cienfuegos, à frente de 80 guerrilheiros, retornam no iate Grahma  para Cuba. São atacados pelo Exército cubano: A maioria dos guerrilheiros são mortos nesse ataque, salvando-se apenas 12 homens , que fogem para as selvas da Sierra Maestra, no sudoeste de  Cuba.
Contando com apoio de grande parte da população rural, os guerrilheiros realizam ataques contra guarnições do governo na sierra  Maestra, entre 1956 e 1958. Em 14 de março de 1958, um embargo é imposto pelos Estados Unidos à venda de suprimentos militares ao governo cubano. A medida enfraquece as Forças Armadas do ditador Batista – muitos de seus aviões são impedidos de voar por falta de peças.
Numa tentativa de sufocar a guerrilha, o governo organiza um grande ataque em julho de 1958. Mas a derrota é retumbante: com pequenos combates isolados, cerca de 300 guerrilheiros  cercam 1.200 soldados. O exército perde 500 homens, contra só três baixas da guerrilha.
A série de triunfos da guerrilha quase é interrompida com a Batalha de Las Mercedes, entre 29 de julho e 8 de agosto de 1958. Fidel Castro perde 70 guerrilheiros, quase um terço de sua força, e propõe um cessar-fogo. Os guerrilheiros retornam à Sierra Maestra, onde se reagrupam para seguir lutando.
No dia 7 de novembro de 1958, dão início à grande Marcha em direção a Havana. Durante os combates, Fidel Castro nomeia  Che  comandante da segunda Coluna chamada “Coluna nº 4” . Em junho de 1958, Guevara forma a Coluna nº 8, com os novos recrutas para fazer frente à ofensiva final lançada por Batista um mês antes, mandando 10 mil soldados para destruir a guerrilha. Apesar de todo o poderia bélico, o exército de Batista é derrotado.
            Sob o comando de Che, o capitão Camilo Cienfuegos  assume a função de “Jefe de La Vanguardia”. No comando da vanguarda do pelotão da Coluna nº 4, travando  importantes batalhas, como as de Bueycito,  El Hombrito e Pino Del Agua, onde demonstrou grande habilidade militar que acabaram de impulsionar a formação do mito de “Señor de La Vanguardia”.
            O combate de maior destaque da campanha de Camilo Cienfuegos foi o de Yaguajay, que lhe rendeu o título de Heroe de Yguajay. Em 21 de dezembro de 1958, a vanguarda de Cienfuegos iniciou o cerco ao quartel de Yaguajay, um dos principais de toda a ilha, que estava sob o comando do capitão Abón Lee. A batalha se estendeu até 31 de dezembro, quando Lee se rendeu incondicionalmente. Essa batalha representou um golpe decisivo sobre as forças de Fulgêncio Batista.
            No dia 28 de dezembro de 1958, Guevara avança contra a cidade de Santa Clara, última cidade ainda nas mãos do regime antes de Havana. Ao saber da queda de Santa Clara, Batista decide fugir na noite de 1 de janeiro de 1959 para a República Dominicana. Os guerrilheiros chegam a Havana e ocupam os quartéis de Columbia e La Cabaña. símbolos do poder militar de Batista e seu exército. Em fevereiro de 1959, Ernesto Che Guevara é declarado cidadão cubano pelos serviços prestados à nação.
            A chegada de Fidel Castro e seus guerrilheiros ao poder trouxe grandes avanços na área social, especialmente na educação, onde foi erradicado o analfabetismo,  e na saúde, que foi estendida a todos os cubanos, transformando-se em referência mundial. Fidel Castro, até hoje, costuma repetir sua célebre frase: “Essa noite milhares de crianças irão dormir na rua, nenhuma delas é cubana”.

DIA 6 DE NOVEMBRO DE 1913,  GANDHI É PRESO ENQUANTO LIDERAVA MARCHA DE MINEIROS NA ÁFRICA DO SUL
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                “Olho por olho e o mundo acabará cego”;  “ Aprendi através da experiência amarga a suprema lição: controlar minha ira e torná-la como o calor que é convertido em energia. Nossa ira controlada pode ser convertida numa força capaz de mover o mundo”, frases como essas nos mostram o pensamento de Mahatma Gandhi, que mudou a história da India e ficou conhecido no mundo inteiro por sua política de desobediência civil e pelo uso do jejum como forma de protesto, sendo perseguido e preso diversas vezes pelas autoridades inglesas.
            Mohandas Karamchand Gandhi, conhecido como Mahatma, que em Sânscrito significa “grande alma”, foi um dos idealizadores e fundadores do moderno  Estado indiano e um defensor do princípio da não-violência como um meio de protesto.
            Mohandas Gandhi nasceu em 2 de outubro de 1869 em Porbandar, estado de Gujarat, Índia. Filho de Karamchand Gandhi, o dewan (ministro chefe) de Porbandar, e Putliba (quarta esposa de Karamchand). Eram descendentes de mercadores (a palavra Gandhi quer dizer vendedor, de mercearias e lojas de alimentos). Aos 13 anos, Mohandas casou-se com Kasturbai, da mesma idade, numa união acertada previamente entre as famílias. O casal teve quatro filhos, todos meninos: Harial Gandhi (1988), Manital Gandhi (1892), Ramdas Gandi (1897) e Devdas Gandhi (1900).
            Aos 19 anos a família de Mohandas o enviou para estudar Direito na Universidade de Londres. Após se formar, passou a trabalhar como advogado em Durban, África do Sul, em 1893. Nesse período começou sua trajetória política. Gandhi viajava de trem, na primeira classe, quando mandaram que se transferisse para a terceira classe por ele não ser branco. Ao recusar-se, foi jogado para fora do trem. O episódio fez com que começasse a advogar contra as leis discriminatórias da África do Sul.
Desde 1906, Gandhi usava o método da não-violência. Inspirava-se no Bhagavad Gita e nos textos de Leon Tolstoi, de quem ficou amigo e correspondente: “A não-violência não existe se apenas amamos aqueles que nos amam. Só há não-violência quando amamos aqueles que nos odeiam. Sei como é difícil assumir essa grande lei do amor. Mas todas as coisas grandes e boas não são difíceis de realizar ? O amor a quem nos odeia é o mais difícil de tudo. Mas, com a graça de Deus, até mesmo essa coisa tão difícil se torna fácil de realizar, se assim queremos”, afirmou.  
No dia 6 de novembro de 1913, Mohandas Gandhi liderou uma marcha de cerca de duas mil pessoas, a maioria mineiros indianos, na África do Sul. Tinha 44 anos. Foi preso. Pagou fiança e passados uns dias voltou a ser preso. Mais quatro dias De liberdade e nova prisão, desta vez com três meses de trabalhos forçados. Entretanto já eram 50 mil a fazer greve.
Durante a Primeira Guerra Mundial, Gandhi retornou à Índia, onde participou da campanha pelo não alistamento de indianos no Exército Britânico da Índia. Após a guerra, Gandhi se envolveu com o Congresso Nacional Indiano e com o movimento pela independência. Ganhou notoriedade internacional pela sua política de desobediência civil e pelo jejum como forma de protesto. Sempre que era preso, ocorriam protestos gigantes pela sua libertação.
Outra estratégia eficiente de Gandhi pela independência foi a política do swadeshi – o boicote a todos os produtos importados, especialmente os produzidos na Inglaterra. Aliada a isso estava sua proposta de que todos os indianos deveriam vestir o Khadi – vestimentas caseiras –  ao invés de comprar os produtos têxteis britânicos.
Sua posição pró-independência endureceu após o Massacre de Amritsar em 1920, quando soldados britânicos mataram centenas de indianos que protestavam pacificamente contra medidas  autoritárias do governo britânico. Uma das suas mais eficientes ações foi a “Marcha do Sal”, que começou em 12 de março e terminou em 5 de abril de 1930, quando Gandhi levou milhares de pessoas ao mar a fim de coletarem seu próprio sal , em vez de pagarem a taxa prevista sobre o sal comprado.
Em 8 de maio de 1933, Gandhi começou um jejum que durou 21 dias em protesto à opressão britânica contra a Índia. Em Bombaim, no dia 3 de março de 1939, Gandhi jejuou novamente em protesto às regras autoritárias para a Índia.
Durante a Segunda Guerra Mundial, Gandhi deixou claro que não apoiaria a causa britânica, na guerra a não ser que fosse declarada a independência da Índia, iniciando um movimento nacional que exigia a saída imediata de todos os britânicos do país, e se tornou em pouco tempo o Maior movimento pela independência da Índia de todos os tempos. Foi preso em Bombaim pela polícia em 9 de agosto de 1942 e mantido em cárcere por dois anos.
Gandhi teve grande influência entre as comunidades hindu e muçulmana no país. Costumava-se dizer que ele terminava rixas comunais apenas com sua presença. Gandhi posicionou-se veementemente contra qualquer plano que dividisse a Índia em dois estados , o que efetivamente aconteceu, criando a Índia – predominantemente hindu – e o Paquistão – predominantemente muçulmano. No dia da transferência de poder, Gandhi não celebrou a independência  com o restante da Índia, mas ao contrário, lamentou sozinho, em Calcutá, a partilha do país.
Em 13 de janeiro de 1948, Gandhi iniciou um jejum em protesto contra as violências cometidas por indianos e paquistaneses. No dia 20 do mesmo mês, ele sofreu um atentado, uma bomba foi lançada em sua direção, mas ninguém ficou ferido.
No dia 30 de janeiro de 1948, Gandhi foi assassinado a tiros, em Nova Déli, por um hindu radical que foi preso, julgado, condenado e enforcado, embora Gandhi, em seu último gesto, ter pedido para que seu assassino não fosse punido.
O corpo do Mahatma Gandhi foi cremado e suas cinzas jogadas no rio Ganges.


DIA 5 DE NOVEMBRO DE 2015, ROMPIMENTO DA BARRAGEM DE MARIANA

Mariana (MG) - Rompimento de duas barragens da mineradora Samarco na última quinta-feira (5). Em meio ao cenário de muita lama, barro e destruição, o que restou lembra uma cidade fantasma (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Mariana (MG) – Rompimento de duas barragens da mineradora Samarco na última quinta-feira (5). Em meio ao cenário de muita lama, barro e destruição, o que restou lembra uma cidade fantasma (Antonio Cruz/Agência Brasil)


            Na tarde de  5 de novembro de 2015, rompeu-se a  barragem de rejeitos de mineração denominada como Barragem de Fundão, localizada na cidade histórica de Mariana(MG), sendo responsável pelo lançamento no meio ambiente de 34 milhões de m³ de lama, resultantes da produção de minério de ferro pela mineradora Samarco, empresa controlada pela Vale S.A.  e pela britânica BHP Billiton.
            Considerada a maior tragédia ambiental da história brasileira, e a maior do mundo envolvendo barragens e rejeitos, o rompimento da barragem deixou 19 mortos, entre crianças e adultos, centenas de desabrigados e um rastro de destruição que se estendeu por 650 quilômetros Até o litoral, danificando a Mata Atlântica e a bacia do Rio Doce. Os distritos de Bento Rodrigues, Paracatu de Cima, Paracatu de Baixo e Barra Longa, na região Central de Minas Gerais, foram os mais afetados. Até hoje, um ano depois, o rejeito de mineração continua sendo despejado na bacia do rio Doce, afetando a vida de ribeirinhos.
            A  tsunami de lama chegou ao Rio doce, cuja bacia hidrográfica abrange 230 municípios dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, muitos dos quais abastecem sua população com a água do rio. No dia 22 de novembro, a lama chegou ao mar, no Norte do Espírito Santo, tendo várias praias interditadas e sendo proibida a pesca na região,  Ambientalistas consideraram que o efeito dos rejeitos no mar continuará por pelo menos mais 100 anos, mas não houve uma avaliação  final de todos os danos causados .
            Um ano após o desastre, o Ministério Público Federal de Minas Gerais denunciou 21 pessoas da mineradora Samarco e integrantes das empresas Vale S.A. e HP Billiton, controladoras da Companhia, por homicídio qualificado com dolo eventual (quando se assume o risco de matar) relo rompimento da Barragem do Fundão.
            Entre os denunciados estão o ex-presidente da Samarco, Ricardo Vescovi, e o diretor de operação e infra-estrutura da mineradora, Kleber Terra, três gerentes  da mineradora, onze integrantes do Conselho de Administração da empresa e cinco representantes das controladoras da Samarco, Vale e BHP Billiton. Todos são suspeitos também dos crimes de inundação, desabamento e lesões corporais graves. Eles ainda foram denunciados por crimes ambientais. Os mesmos que são imputados à Vale S.A. e BHP Billiton.
            Caso as denúncias sejam aceitas pela justiça, os acusados podem ir a júri popular e ser condenados a até 54 anos de prisão, além do pagamento de multa de reparação dos danos ao meio ambiente e daqueles causados às vítimas da tragédia, segundo explicou o Ministério Público Federal (MPF). A ação penal foi protocolada na Justiça Federal em Ponte Nova (MG), em outubro de 2016.
            Além da denúncia do MPF, a comissão interamericana de direitos humanos (CIDH) denunciou O Brasil junto à Organização dos Estados Americanos (OEA) – principal órgão de monitoramento do continente, do qual o CIDH faz parte. A denúncia, que foi apresentada por 15 organizações da sociedade civil durante a audiência ao vivo em Santiago do Chile, tratando entre outras coisas, da falta de participação das cerca de 3,2 milhões de pessoas afetadas direta e indiretamente pelo rompimento da barragem de Fundão,  do acordo bilionário de reparação fechado entra as empresas e o Governo Federal, de Minas Gerais e do Espírito Santo.
            A Empresa Vale S.A.  antiga Vale do Rio doce, uma das controladoras da Samarco, é a segunda maior empresa brasileira e maior produtora de minério do mundo. Foi uma das empresas privatizadas no governo Fernando Henrique Cardoso (FHC) que executou as maiores privatizações da história do Brasil. Em maio de 1997, Fernando Henrique privatizou a Vale do Rio Doce, fundada em 1942, vendendo a parte acionária pertencente ao governo por R$ 3,3 bilhões, sendo alvo de críticas e acusações de propina durante o leilão, já que o valor estimado na época do leilão era de R$ 92 bilhões de reais, ou seja, 28 vezes maior do que o que foi pago pela empresa.
            Em 2007, cerca de  107 ações judiciais questionando a venda estavam abertas, acusando o ex-presidente FHC e o ex-ministro José Serra de sub-valorizar a venda da companhia. Em 2010, o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, o mesmo que se declara publicamente inimigo do PT e dos movimentos sociais,  suspendeu todas as ações judiciais para anular o processo de privatização. A suspensão está em vigor até que o Supremo se pronuncie definitivamente sobre o caso.
            Segundo o Senador Pedro Simon, em dezembro de 2008, “A privatização da Vale do Rio Doce foi uma doação da empresa pública a um grupo privado. Fernando Henrique vendeu a Vale por menos do que o governador do Rio Grande do Sul, Antonio Britto, vendeu a Companhia de Energia Elétrica do Estado (CEEE)”.
            Em dezembro de 2011, o livro “A Privataria Tucana”, do repórter Amaury Jr, acusa a chamada “Era das Privatizações”, promovida pelo governo FHC, por intermédio de seu ministro do Planejamento, José Serra, de uma “verdadeira pirataria praticada com o dinheiro  público em benefício de fortunas privadas, por meio das chamadas ‘offshores” empresas de fachada do Caribe”.

4 DE NOVEMBRO – DIA DA FAVELA
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                “Eu só quero é ser feliz / andar tranquilamente na favela onde eu nasci / E poder me orgulhar / E ter a consciência que o pobre tem seu lugar”, mesmo quem não gosta de funk costuma cantarolar esses versos de Duda e Willian, sucesso em todo o Brasil, e que mostra a luta e o orgulho de quem nasceu e vive em alguma favela brasileira. É com esse espírito que foi criado o “Dia da Favela”, para que o Brasil reflita sobre a exclusão social, a resistência e a teimosia com que vivem milhões de moradores dessas comunidades no Brasil e no mundo.
                A origem do termo favela surgiu após a Guerra de Canudos, onde ficava o Morro da Favela, que tinha esse nome graças a uma planta conhecida como faveleira, farta no local. Alguns soldados, ao regressarem  vitoriosos ao Rio de Janeiro, em 1897, deixaram de receber o soldo,  estavam sem moradia na cidade e foram ocupando, com o apoio de um oficial, uma antiga chácara no Morro da Providência, surgindo a primeira favela do país, que ficou conhecida como Morro da Favela com habitações improvisadas e a falta de infra-estrutura.
                Usada oficialmente pela primeira vez no Brasil no dia 4 de novembro de 1900, a palavra favela surgiu quando o então delegado da 10ª  Circunscrição e  chefe da Polícia  da época, Dr. Enéas Galvão, redigiu  um documento  endereçado ao então prefeito da cidade, a respeito do Morro da Favela , solicitando providências e narrando o crescimento e os problemas sociais do local.        
                O maior impacto que a ditadura militar causou às comunidades talvez tenha sido a desmobilização de movimentos sociais que começavam a amadurecer no começo da década de 1960, tendo a Federação das Associações de Favelas do Estado da Guanabara (Fafeg) como principal representante (Com a fusão, passou a se chamar Federação das Associações de Favelas do Estado do Rio de Janeiro, Faferj). Nos 20 anos da ditadura, líderes comunitários e organizações sociais de favelas foram perseguidos, ao mesmo tempo em que estes lugares eram usados , por movimentos de esquerda, como local de organização e trabalho político.
                A luta contra as remoções foi o motivo que norteou a unificação das organizações  de favelas – fenômeno que fez parte de um momento de efervescência dos movimentos sociais, nos anos pré-ditadura, tanto no campo quanto na cidade. Foi durante a remoção da favela do Pasmado, em Botafogo, que a Fafeg foi criada.
                Um dos principais focos de resistência contra a ditadura estava nas favelas da região central e da Tijuca, segundo a pesquisadora Eladir Fátima Nascimento dos Santos, militante na época e autora da dissertação de mestrado “E por Falar em Faferj …Federação das Associações de Favelas do Estado do Rio de Janeiro (1963-1993) – Memória e história oral”,   lembrando que muitos faziam parte do Partido Comunista Brasileiro (PCB).
                Mas não só as favelas da Tijuca e do Centro eram foco de resistência. O Jacarezinho, também chamado de “Moscouzinho”, por causa da presença de líderes comunitários, como Irineu Guimarães, também ex-presidente da Faferj. Integrante do Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR-8), ele foi diversas vezes interrogado e preso pelo Dops. Podemos citar dezenas de comunidades que se tornaram focos de resistência, como Vigário Geral, entre outras.
                Somente no final da década de 1970,  os movimentos de favela, assim como os movimentos sociais em todo o país, começaram a se rearticular e a se multiplicar. Até então, os congressos da Fafeg  eram monitorados e diversas associações de moradores, como a União Pró-Melhoramento dos moradores da Rocinha  foram fechados, mesmo fazendo parte de um momento de abertura do regime, a repressão contra os movimentos de favela continuou no final dos anos 70 e início dos anos 1980.
                Comemorado em todo o Brasil desde 2002, uma iniciativa da Central Única de Favelas (CUFA), que vem realizando eventos culturais, debates, competições e atos públicos, como forma de lembrar a importância das comunidades e de sua identidade popular,   a data de 4 de novembro foi escolhida para marcar a primeira vez que a palavra “favela” foi utilizada oficialmente, para denominar uma ocupação popular no Morro da Providência, No Rio de Janeiro.
                Em 2005, a CUFA iniciou uma campanha, com a participação de várias entidades do movimentos sociais, que resultou na coleta de 700 mil assinaturas para a criação do Dia da Favela. A proposta resultou na aprovação do primeiro projeto de lei no país. Minas Gerais tornou-se  o primeiro estado a decretar oficialmente  a data como Dia das Favelas, através da lei nº 20.808, de 26 de julho de 2013, de autoria do deputado Estadual Durval Angelo (PT/MG).
                Segundo o IBGE, hoje cerca de 12 milhões de brasileiros moram em favelas. São 1.393.314  pessoas , nas 763 favelas do Rio de Janeiro, representando um grande mercado consumidor com um nível de empreendedorismo  acima da média mundial, onde as diferenças ensinam a conviver com poucos espaços,  e o sonho de um futuro melhor inspira a luta desses moradores, que não se acomodam e enfrentam, diariamente, a discriminação e  a exclusão social.
                “Meu nome é favela.  É do povo, do gueto a minha raiz.  Becos e vielas… Eu encanto e canto uma história feliz de humildade verdadeira, gente simples de primeira”, esses Versos de Arlindo Cruz ilustram a proposta do dia da favela:  reflexão, valorização e reconhecimento das lutas e das conquistas de gerações de milhares de famílias que buscam seu empoderamento, sua dignidade, sua cultura, sua alegria e seu protagonismo para superar as barreiras impostas históricamente por um sistema econômico e político que busca privilegiar uma classe dominante, em detrimento da classe trabalhadora, que constrói, diariamente, esse país chamado Brasil.


DIA 3 DE NOVEMBRO DE 1935, NASCE HERBERT DE SOUZA, O BETINHO
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                No CD   “Aldir Blanc, 50 anos”, gravado por vários artistas, em 1996,  em comemoração aos 50 anos de carreira do compositor Aldir Blanc, na faixa de encerramento, que contém a música “O Bêbado e o Equilibrista”, parceria de Aldir Blanc com João Bosco, Um verdadeiro hino em homenagem aos milhares de combatentes que lutaram contra a opressão e a ditadura militar, ouvimos a voz de Betinho, em tom de brincadeira: “Agora quem vai cantar ela sou eu”.
                Betinho, que é citado na música como “O irmão do Henfil”, que como tanta gente, partiu  “num rabo de foguete”, e continua até  hoje a inspirar os combatentes das gerações que se seguem, nasceu em Bocaiuva, Minas Gerais, no dia 3 de novembro de 1935, com o nome de batismo de Herbert José de Souza. Foi o quarto filho do casal Henrique Souza e Maria da Conceição Figueiredo. A família sofria com uma grave doença genética, a Hemofilia, uma doença no sangue que impede a coagulação, e que levou a óbito seu irmão mais velho, antes de completar dois anos de idade, em um acidente doméstico em que o sangramento de um corte não pode ser estancado.  
                Betinho cresceu em meio à realidade rural do interior de Minas Gerais, onde testemunhou, no trabalho do pai, que chefiava o almoxarifado de uma prisão agrícola, as dores das desigualdades sociais. Passou a morar em Belo Horizonte, onde  na adolescência,  começou sua militância política, integrando a JEC – Juventude Estudantil Católica.
 Estudou na Universidade de Minas Gerais (UFMG),   onde atuou na Juventude Universitária Católica  (JUC) e participou da fundação da Ação Popular (AP), organização formada por um grupo católico pró-socialismo.  Em 1962, formou-se em sociologia, indo trabalhar no Ministério da Educação e Cultura  e na Superintendência de Reforma Agrária, durante o governo de João Goulart.
Com o golpe de 1964, Betinho engajou-se na luta contra a ditadura militar. Passou sete meses no Uruguai e depois, de volta ao Brasil, foi trabalhar como operário na cidade paulista de Mauá. Em 1971, quando a repressão se intensificou, Betinho partiu para o exílio. No Chile, deu aulas na Faculdade Latino Americana de Ciências Sociais e assessorou o presidente Salvador Allende. Com o golpe militar chefiado por Pinochet, em 1973, Betinho novamente teve de exilar-se no Canadá e depois no México, onde fez doutorado e trabalhou como professor na Universidade Autônoma do México.
Com a anistia política, em 1979, Herbert de Souza retornou ao Brasil, tornando-se um dos símbolos da resistência política. Em 1981, fundou o IBASE – Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas, uma Organização Não Governamental (ONG) que tem como finalidade analisar as realidades sociais, econômicas e políticas do país.
Em 1987, fundou a ABIA, uma associação para lutar pelos direitos das pessoas portadoras do HIV ou dos doentes com AIDS. Betinho dirigiu essa organização por onze anos. Em conseqüência da Hemofilia, Betinho fazia transfusões de sangue constantemente, e acabou contraindo o vírus HIV. Dois de seus irmãos, o cartunista Henfil e o músico Chico Mário,  morreram em 1988 por conseqüência da mesma doença.  
Em 1990 O movimento Terra e Democracia, que Betinho liderava, reuniu  no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro, milhares de pessoas para lutar pela democratização da terra.
Em 1992, Betinho liderou o Movimento pela Ética na Política, que culminou com o impeachment do então presidente Fernando Collor. Em 1993 fundou a Ação da Cidadania contra a Miséria e Pela Vida,  Programa de luta contra a miséria, combatendo a fome e o desemprego através da democratização da terra, sendo um dos primeiros intelectuais a advogar em favor das Ongs.  Foi também um dos fundadores da Campanha Nacional pela Reforma Agrária, sendo considerado “homem de idéias do ano”, pelo Jornal do Brasil.
Herbert de Souza morreu em  9 de agosto de 1997, deixando dois filhos : Daniel, do seu primeiro casamento com Irles Carvalho, e Henrique , filho do segundo casamento com Maria Nakano, com quem vivem por 27 anos. Seu nome é lembrado como um dos maiores atores na luta pelas melhorias de condições sociais para aqueles que vivem desamparados, além da luta contra a opressão, a alienação, a exploração que as elites exercem contra a classe trabalhadora.
Quando Elis Regina canta “… Mas sei que uma dor assim pungente / Não há de ser inutilmente…” lembramos do que nos disse o Betinho ao se despedir: “Agora é com vocês”, nos lembrando de todas as lições de vida que ele nos deixou, com sua história de luta, de teimosia, sempre pensando no próximo. A história desse homem, desse herói, não poderia inspirar versos mais sinceros do que esses de Bosco e Blanc: “A esperança equilibrista / sabe que o show de todo artista / tem que continuar.”

DIA 2 DE NOVEMBRO DE 1946, NASCE MARIETA SEVERO
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                “Não queremos um governo ilegítimo. Nós não reconhecemos esse governo”;  “De repente, surge uma bandeira contra a corrupção levantada em prol de corruptos”.  Essas falas são de Marieta Severo. Apontada pela crítica como uma das maiores atrizes brasileiras, seja de televisão, teatro ou cinema. Ganhadora duas vezes dos prêmios Mambembe e Moliére e uma vez com o Prêmio Shell. Além de ser uma das maiores defensoras da liberdade e da democracia, na luta contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff.
                Marieta da Paixão Severo da Costa, conhecida como Marieta Severo, nasceu no dia 2 de novembro de 1946, no Rio de Janeiro, filha de um desembargador, sonhava em ser bailarina e estudou balé clássico durante muitos anos. Aos 16 anos ingressou no curso de teatro do Tablado, dirigido por Maria Clara Machado. Em 1965, após ser convidada pelo diretor Luiz Carlos Maciel. No mesmo ano, estreou no teatro com a montagem “As Feiticeiras Salém”. No ano seguinte, aos 19 anos, fez seu primeiro papel na TV, na novela “O Sheik de Agadir”, da TV Globo.
                Em 1968, esteve no elenco da montagem de “Roda Viva”, de Chico Buarque, então seu marido. A Peça que criticava abertamente a ditadura militar e entrou na mira dos agentes da segurança nacional. Em depoimento para o Museu da Imagem e do Som (MIS), afirmou: “Roda Viva foi em 1968. O ano foi marcante no mundo inteiro. A gente queria muita liberdade e era necessário participar. Queríamos uma mudança de costumes muito grande. O ano de 1968 era um ano de reunião, passeata, de colocar tênis pra fugir da polícia”.
                Na mesma época, por conta da perseguição do regime militar, Marieta e Chico se auto-exilaram em Roma, na Itália, onde Chico lançou um álbum, e, aconselhados a não voltar ao Brasil:  “Em dezembro de 1968 vem o AI-5. Com ele, a face do país muda e nós realmente entramos numa ditadura feroz. Todos os líderes foram para o exílio ou torturados. O Chico foi convidado para um festival fora e nós fomos para lá. Na época, a coisa começou a ficar feia. Recebíamos recados para não voltar. Vinicius de Moraes estava em Roma também e nos aconselhou a não voltar”. Retornaram somente no fim de 1970.
                Em 1978, voltando ao Brasil, entre outros trabalhos, participou do filme “Chuva de Verão” e da peça “Ópera do Malandro”. Em 1979, entrou em cartaz com o filme “Bye Bye Brasil”. Na televisão, Marieta se consagraria a partir dos anos 1980, vivendo personagens marcantes em várias novelas da TV Globo.
                Em 1986, foi homenageada no Festival de Gramado por sua atuação nos filmes “O Homem da Capa Preta”, “Com licença, eu vou à luta”, e “Sonho sem fim”. Em 1995, foi protagonista do filme “Carlota Joaquina, Princesa do Brasil”, um marco da retomada do cinema nacional de qualidade. Posteriormente, em 2000, voltou às novelas  como a sofisticada Alma, de ”Laços de Família”, que lhe rendeu o prêmio de Melhor atriz pela Associação Paulista de Críticos de Arte.
                De 2001 a 2014, trabalhou no seriado “A Grande Família”, exibido às quintas feiras pela Rede Globo, no qual interpretou a dona de casa Dona Nenê, ao lado de Marco Nanini. Em 2002, recebeu o Prêmio Oscarito, pelos 37 anos de carreira dedicados ao cinema brasileiro, contando na época, um currículo com mais de 30 filmes em sua carreira.
                Em 2005, inaugurou o Teatro Poeira em sociedade com a amiga, a atriz Andréa Beltrão. Em 2007, as duas estrearam o espetáculo “As Centenárias”, e no mesmo ano, estavam na versão cinematográfica de “A Grande Família”.
                Marieta apoiou Luiz Inácio Lula da Silva durante todas as suas campanhas presidenciais, o mesmo ocorrendo com a presidente Dilma Rousseff, tornando-se uma das mais aguerridas defensoras das conquistas sociais dos seus mandatos, não se intimidando com críticas ou ameaças de qualquer natureza.
                Em junho de 2015, quando participou do Programa do Faustão, o apresentador criticou o governo Dilma, afirmando que “O país não tem estrutura” , que “a única coisa organizada aqui é o crime” e que “somos o país da desesperança”, Marieta discordou, com a delicadeza e a sinceridade que lhe são peculiares, afirmando: “Não, eu sou sempre otimista. O país caminhou muito. Pra mim, tem uma coisa muito importante, a inclusão social, a luta contra a desigualdade. A gente teve muito isso nos últimos anos. Estamos numa crise, mas vamos sair dela”. Diante de um Faustão atônito, sem ação, Marieta continuou: “Nada contra a religião. Só não quero uma legislando a minha vida”, Encerrou.
                Marieta participou intensamente da luta contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff, ao lado de seu atual marido, o diretor teatral Aderbal Freire Filho, que após a posse do presidente golpista Michel Temer, foi demitido, assim como vários outros profissionais de imprensa que não apoiaram o golpe,  do cargo que ocupava na Empresa Brasil Comunicação (EBC), empresa que comanda diversos veículos, como a TV Brasil e a Agência Brasil de Notícias.
                Aderbal e Marieta participaram de um vídeo onde se manifestaram contra a extinção do Ministério da Cultura, que foi revogada por Michel Temer, devido a repercussão do Movimento popular, e ações como o “Ocupa MinC,  que mobilizou toda a classe artística e os movimentos sociais. Em entrevista, Marieta afirmou: “O MinC era ótimo. Muitos debates foram feitos para aperfeiçoar a Lei Rouanet, só que agora virou ilusão para quem  achava que ela seria aperfeiçoada. Falando do teatro, 86% do que é captado pela lei vai para quatro grandes companhias que fazem musical. Será que o público sabe disso ? “ , questionou.
                Assim é Marieta Severo, uma militante da cultura, uma defensora da democracia. Mais uma mulher que com coragem, denuncia as investidas das elites de retomar o poder através do golpe midiático, jurídico e parlamentar. “O  que nós queremos é construir um país junto da saúde, junto da educação, mas dentro de um governo legítimo. Não queremos isso em um governo ilegítimo. Nós não reconhecemos esse governo”, encerrou.


DIA 1 DE NOVEMBRO DE 1970, DOM PAULO EVARISTO ARNS TORNA-SE  ARCEBISPO DE SÃO PAULO
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            “Ninguém toca impunemente no homem, que nasceu do coração de Deus, para ser fonte de amor em favor dos demais homens”;  “Basta! É hora de se unirem os que ainda querem olhar para os olhos do irmão e ainda querem ser dignos da luz que desvenda a falsidade”; ”Não matarás. Quem matar, se entrega a si próprio nas mãos do Senhor da História e não será apenas maldito na memória dos homens, mas também no julgamento de Deus”.
            Com frases como essas, proferidas em diferentes manifestações em que participou, pelos direitos humanos, contra a tortura no período da ditadura militar, ou mesmo durante suas andanças em prol de uma igreja comprometida com os menos favorecidos,  contra a miséria, por uma sociedade mais fraterna, D. Paulo ficou conhecido entre os lutadores pela democracia como o “Cardeal dos Direitos Humanos” e “O  Inimigo nº 1 da Ditadura Brasileira”, tal a sua coragem e a sua entrega a causas humanitárias durante toda a sua vida.
            Dom Paulo Evaristo Arns nasceu no dia 14 de setembro de 1921, em Forquilhinha  (Santa Catarina), quinto de treze filhos do casal Gabriel Arns e Helena Steiner, pequenos agricultores, descendentes de alemães. Ordenado sacerdote em 1945, foi estudar na Sorbonne, em Paris. Formou-se em estudos brasileiros, latinos, gregos e literatura antiga.
            Foi ordenado bispo auxiliar de São Paulo, no dia 3 de julho de 1966. Sua atuação contra a repressão da ditadura militar ganhou destaque em 1969, quando passou a defender seminaristas dominicanos presos por ajudarem militantes opositores ao regime.
            No dia 22 de outubro de 1970, o papa Paulo VI o nomeou arcebispo metropolitano de São Paulo, tendo tomado posse a 1 de novembro de 1970.
             Em 1972, como presidente regional da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), após um encontro com todos os bispos do estado de São Paulo em Brodóski, liderou a publicação de “Testemunho da Paz” , um documento que continha fortes críticas ao regime, que ganhou ampla repercussão. No mesmo ano,  criou a Comissão Justiça e Paz de São Paulo, incentivando a Pastoral da Moradia e a Pastoral Operária. Em 5 de março de 1973, recebeu o título de Cardeal.
            Em março de 1973, presidiu a “Celebração da Esperança”, em memória de Alexandre Vannucchi Leme, estudante universitário morto pela ditadura. No ano seguinte, acompanhado de familiares de presos políticos, apresentou ao general Golbery do Couto e Silva  um dossiê sobre os casos de 22 desaparecidos . Em 1975, celebrou na Catedral da Sé, ao lado de D. Helder Câmara  bispo de Olinda e Recife, os rabinos Henry Sobel e Marcelo Titter, e vários líderes de diversas religiões, o histórico culto ecumênico em honra de Vladimir Herzog, jornalista torturado e morto pelo regime.
            Em 22 de  setembro de 1977, policiais invadiram a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), para reprimir O Encontro Nacional de Estudantes que lá ocorria. Foi uma afronta direta  a sua autoridade eclesiástica. Lá estavam cerca de dois mil estudantes, a ação foi extremamente violenta e mais de 700 estudantes foram presos. D. Paulo reagiu com indignação registrada em sua declaração à imprensa: “na PUC só se entra prestando exame vestibular, e só se entra na PUC para ajudar o povo e não para destruir as coisas”.Ainda em 1977, recebeu o título de  “Doutor Honoris Causa” (juntamente com o presidente norte-americano Jimmy Carter) da Universidade de Notre Dame, Indiana, Estados Unidos.
             Em 1979, dom Paulo criou com o pastor Jaime Wright o projeto “Brasil Nunca Mais”, que reuniu documentos oficiais sobre a tortura durante o regime militar no Brasil;  um projeto coordenado pela Arquidiocese de São Paulo. Em agosto de 1979, começou  a dar seus primeiros passos, de forma clandestina, o projeto de Pesquisa. Um reduzido grupo de especialistas dedicou-se, por um período superior a cinco anos, à elaboração de um volumoso estudo.
            Diferente dos levantamentos feitos tradicionalmente no mundo inteiro, onde os dados são feitos a partir das denúncias das vítimas, a pesquisa do “Brasil Nunca Mais” , estudou a repressão exercida pelo regime militar a partir dos documentos produzidos pelas próprias autoridades, reunindo as cópias da quase totalidade dos processos políticos que transitaram pela Justiça Militar brasileira entre abril de 1964 a março de 1979, especialmente  aqueles que atingiram a esfera do Superior Tribunal Militar (STM). Foram obtidas, por inúmeros caminhos, cópias de 707 processos completos e dezenas de outros incompletos, num total que ultrapassou um milhão de páginas imediatamente micro-filmadas em duas vias.
            Considerando a dificuldade de leitura e até manuseio deste trabalho, foi idealizado por D. Paulo, o Projeto B, um livro que resumisse os dados em um espaço 95% menor. Para operacionalizar a tarefa foram escolhidos  os jornalistas Ricardo Kotscho e Carlos Alberto Libânio Christo (Frei Betto), coordenados por Paulo de Tarso Vannechi. A Editora Vozes aceitou publicá-lo, sob o título de “Brasil: Nunca Mais”.
            Em 1985, o cardeal criou a Pastoral da Infância, com o apoio de sua irmã, Zilda Arns, que em 2010 morreu no Haiti, vítima do terremoto que destruiu parte do país, realizando trabalhos humanitários.
            Em 1998, pediu demissão do cargo de cardeal-arcebispo, como determinam as normas da igreja. No mesmo ano recebeu o título de “Doutor Honoris Causa” pela Pontificia Universidade Católica de Goiás.
            Incentivou a integração entre países, religiosos e leigos, criou 43 paróquias e apoiou a criação de mais de 2 mil Comunidades Eclesiais de Base (CEBS) nas periferias da metrópole. É autor de 49 livros, suas obras versam sobre a ação pastoral da Igreja nas grandes cidades e estudos da literatura cristã dos primeiros séculos, além de centenas de artigos escritos para revistas e jornais. Uma das principais obras foi a pesquisa organizada sobre a tortura no Brasil, durante a ditadura militar, publicada no livro “Brasil, Nunca Mais”.
            No dia 2 de julho de 2016, foi celebrada missa solene, na Catedral da Sé, festejando os 50 anos de ordenação episcopal, do arcebispo emérito de São Paulo, presidida pelo cardeal-arcebispo, d. Odilo Scherer, com a participação de quase 200 padres e 40 bispos.
            “Não fazer política é a pior maneira de fazer política”. Com essa frase, d. Paulo respondia àqueles que criticavam seu engajamento na vida política do pais. E hoje, aos 95 anos de idade, o religioso é referência de entrega, de luta contra a opressão, contra a exploração, sendo lembrado por sua coragem e determinação para a evolução da humanidade.

DIA 31 DE OUTUBRO DE 1958, NASCE SIDNEY REZENDE
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                “Uma troupe de jornalistas parece tão certa de que o impedimento da presidente Dilma Roussef é o único caminho possível para a redenção nacional que se esquece do nosso dever principal, que é noticiar o fato, perseguir a verdade, ser fiel ao ocorrido e refletir sobre o real e não sobre o que pode vir a ser o nosso desejo interior. Essa turma tem suas neuroses loucas e querem nos enlouquecer também”, afirmou o jornalista Sidney Rezende, um dos maiores profissionais de comunicação do Brasil e um dos jornalistas perseguidos durante e depois do processo de  impeachment  da presidente Dilma Rousseff, apenas por querer fazer o seu papel, que é o de divulgar a verdade, de forma imparcial.
                Sidney Rezende  nasceu em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Formou-se em jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio),  começou a trabalhar como repórter em 1985, na Rádio Roquete Pinto. No mesmo ano acumulou as funções de apurador da TV manchete e repórter da TV Educativa. Em 1987 atuou na Rádio Jornal do Brasil como apresentador do programa “Encontro com a Imprensa”; no jornal “Tribuna da Imprensa” e na Rádio MEC, além de lançar o livro “Ideário de Glauber Rocha, pela Editora Philobiblion, da Civilização Brasileira. Um ano depois, recebeu o prêmio  Golfinho de Ouro, de melhor jornalista de rádio do ano.
                Em 1991 participou como debatedor do “Sem Censura”, na TV Educativa (TVE) e inicia seu trabalho como âncora na Rádio  CBN, da qual foi um dos fundadores. No mesmo ano, criou e apresentou, em parceria com o jornalista Ricardo Bueno, “Panorama Brasil”, o primeiro programa inteiramente jornalístico da FM brasileira, na Rádio Panorama FM, além de se tornar apresentador do Jornal do Rio, na TV Bandeirantes.
                Em 1993, tornou-se professor da PUC-Rio, atuando paralelamente em vários órgãos de imprensa. Em 1995, mudou-se para Brasília, implantando o jornalismo vespertino da Rádio CBN, além de ministrar aulas de jornalismo na Faculdade CEUB e fazer comentários políticos na Rádio Globo, do Rio de Janeiro. Em 1996, voltou a ser âncora da CBN no Rio de Janeiro e passou a apresentar o jornal Em Cima da Hora , na Globo News.
                Em 2001, passou a apresentar o programa Conta Corrente, na Globo News e o telejornal  Bom Dia Rio, na TV Globo. Em 2002 lançou o livro “Deve ser Bom ser Você” – 102 brasileiros bem-sucedidos  dizem o que pensam do sucesso”, publicado pela Futura, do Grupo Siciliano. Em 2006 estreou seu site de notícias , o Portal SRZD. Em 24 de outubro de 2008 ele deixou a CBN depois de 23 anos De emissora. Em 2013, passa a apresentar o Brasil TV e edições do Jornal Globo News.
                Em  13 de novembro de 2015, após fazer críticas à imprensa tendenciosa, e por seu posicionamento contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, Sidney Rezende é demitido da Globo News. Em uma  premiação dos melhores do carnaval, no dia 27 de fevereiro de 2016, diante de 600 pessoas, Rezende fez um duro discurso contra a Globo. Disse que a emissora “está extrapolando os seus limites e impedindo que as expressões populares do nosso país funcionem de maneira clara. “A Globo não é dona do Brasil, a Globo não é dona do Carnaval, a Globo não é dona do futebol” , bradou , propondo um questionamento de competência da emissora.
                Um dia antes de ser demitido da Globo News, onde atuava desde 1996, Sidney divulgou em seu perfil no Facebook, texto no qual criticava a má vontade dos colegas que se especializaram em política e economia com a gestão de Dilma Rousseff. “A obsessão em ver no governo o demônio, a materialização do mal, ou o porto da incompetência, está sufocando a sociedade e engessando o setor produtivo”, afirmou Rezende.
                Em um artigo intitulado “Chega de notícias ruins”, publicado no mesmo dia em vários veículos, Rezende afirmou: “Se pesquisarmos a quantidade de boçalidades escritas por jornalistas e soluções  que,  quando adotadas,  deram errado,  daria para construir um monumento maior do que as pirâmides do Egito.  Os erros do governo devem ser publicados na dimensão precisa. Da mesma forma que os acertos também devem ser publicados, e não são, eles são escondidos. Para nós, jornalistas, não nos cabe juízo de valor do que seria o certo no cumprimento do dever. Não temos compromisso com o governo interior, com este e nem com o próximo. Temos responsabilidade diante da nação”. Afirmou ele.
               
                Assim que o presidente golpista Michel Temer assumiu, no dia 31 de agosto de 2016, começou a onda de demissão dos jornalistas que denunciaram o golpe contra a ex-presidente Dilma Rousseff. Entre eles está Sidney Rezende, que havia sido contratado em abril. Foi demitido com menos de um mês à frente do programa “Nacional Brasil”, na Rádio Nacional. O contrato foi rompido depois que o ex-presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Ricardo Melo, foi desligado do cargo por Michel Temer. Em entrevista ao jornal “O Globo”, a EBC afirmou que a demissão de Rezende teve influência direta de Michel Temer. Como explicação, a EBC diz que o objetivo da empresa está relacionado à contenção de gastos.  


 

DIA 28 DE OUTUBRO DE 1959, MORRE CAMILO CIENFUEGOS, REVOLUCIONÁRIO CUBANO

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Camilo Cienfuegos foi um dos comandantes da guerra de Libertação Nacional contra a ditadura de Fulgêncio batista em Cuba. É lembrado até hoje como herói nacional e todos os anos, no dia 28 de outubro, milhares de crianças cubanas jogam flores nos rios e no mar em sua homenagem. Conhecido como “El Comandante Del Pueblo”, “El Señor de La Vanguarda”, “Héroe de Yaguajay” ou “El héroe Del sombrero alón” conquistou o povo cubano com sua personalidade humilde, caráter jovial e natural desprendimento.
Camilo Cienfuegos Gorriarán nasceu no dia 6 de fevereiro de 1932 no bairro Víbora, na província de Havana. De origem humilde, era o filho mais novo dos espanhóis Ramón Cientuegos y Flores e Emilia Gorriaran y Zaballa. Em outubro de 1949, com o desejo de se tornar escultor, ingressou na escola anexa de San Alejandro. Ficou apenas 3 meses nessa escola, teve que abandonar seus estudos para trabalhar. Seu primeiro trabalho foi no setor de limpeza de uma loja de roupas onde seu pai trabalhava como alfaiate.
Em 5 de abril de 1953, Camilo viaja para os Estados Unidos à procura de melhores condições de vida, Trabalhou em diversos lugares como camareiro, pintor, alfaiate, escrevendo em um jornal chamado “La voz de Cuba”, artigos contra a ditadura de Batista, além de participar de manifestações. Em 1955, foi preso em San Francisco pelo departamento de imigração e deportado para o México, onde ficou detido por 39 dias. Nesta prisão, esteve em contato com alguns mexicanos que o atualizaram sobre a luta de Fidel Castro, voltando para Cuba e participando do movimento contra o governo Batista. No mesmo ano, casa-se com a enfermeira salvadorenha Isabel Bladon.
Em 1956, foi preso novamente, voltou aos Estados Unidos e se incorporou ao Movimento 26 de Julho, idealizado por Fidel Castro. Camilo foi um dos últimos a se integrar à “Expedição Granma”. A expedição desembarcou em costas Cubanas no dia 2 de dezembro de 1956. O primeiro embate que participa foi o de Alegra de Pío.
Na Sierra Maestra, devido aos seu valor militar, apesar de pouco tempo de formação no México, tornou-se capitão e incorporou-se à Coluna comandada por Che Guevara, exercendo a função de “Jefe de La Vanguardia”. No comando da vanguarda do pelotão da Coluna nº 4, travou importantes batalhas, como as de Bueycito, El Hombrito e Pino Del Agua, onde demonstrou grande habilidade militar que acabaram de impulsionar a formação do mito de “Señor de La Vanguardia”.
O combate de maior destaque da campanha de Camilo Cienfuegos foi o de Yaguajay, que lhe rendeu o título de Heroe de Yguajay. Em 21 de dezembro de 1958, a vanguarda de Cienfuegos iniciou o cerco ao quartel de Yaguajay, um dos principais de toda a ilha, que estava sob o comando do capitão Abón Lee. A batalha se estendeu até 31 de dezembro, quando Lee se rendeu incondicionalmente. Essa batalha representou um golpe decisivo sobre as forças de Fulgêncio Batista.
Após a Batalha de Yaguajay, Camilo recebe ordens de Fidel Castro para se dirigir a Havana e, juntamente com Che, tomar o Columbia, símbolo do poder militar de Batista e seu exército. Em 2 de janeiro, tomam o Columbia sem nenhuma resistência.
Após o triunfo da revolução, Camilo foi nomeado Chefe de Todas as Forças Armadas da província de Havana, incluindo Aviação, a Marinha de Guerra e a guarnição do Palácio Presidencial e, posteriormente, em 20 de janeiro de 1959, é nomeado Chefe do Estado Maior do Exército Rebelde.
No dia 28 de outubro de 1959, poucos dias depois de ter cumprido uma missão designada por Fidel Castro, Camilo retorna de Camaguey em um avião Cessna 310, nº 53, quando desaparece entre a tempestade e o mar. Nem os destroços do avião nem os corpos das vítimas foram encontrados.
 
Depois de sua morte, Camilo tornou-se um mártir da Revolução, e embora seu rosto não estampe camisetas e chaveiros mundo afora, como acontece com Che, sua foto está sempre em cartazes das manifestações realizadas na ilha. Seu rosto estampa ainda a nota de vinte pesos cubanos. Entre outras homenagens, dá nome a uma universidade, a Universidad Camilo Cienfuegos de Matanzas e a um colégio, a Escuela Militar Camilo Cienfuegos (EMCC), onde os alunos são chamados de “Camilitos”. 


DIA 27 DE OUTUBRO DE 1965, DITADURA  MILITAR DECRETA O AI-2
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                Após o golpe militar de abril de 1964, algumas medidas foram tomadas para garantir o sucesso do novo regime. A intenção era enfraquecer a oposição, sem dar tempo para ela se organizasse. Então, no dia 9 de abril de 1964, foi decretado o Ato Institucional nº 1 (AI-1), que suspendeu tanto a Constituição da República como os direitos políticos de muitos brasileiros, mandando muitos para o exílio, além de determinar que as próximas eleições para presidente ocorressem de forma indireta, através de um Colégio Eleitoral.
            Para os militares, apenas esse Ato Institucional seria o suficiente para manter o regime,  com a oposição controlada e com o apoio da população. Mas, para surpresa dos militares, isso não ocorreu.  No início do mês de outubro de 1965, ocorreram  eleições diretas para eleger os governadores estaduais e o resultado causou preocupação ao regime.  Em cinco dos estados brasileiros,  os vitoriosos nas urnas foram políticos da oposição, sendo que em Minas Gerais foi eleito Israel Pinheiro, e na Guanabara, foi eleito Negrão de Lima, ambos ligados ao presidente deposto João Goulart. O resultado assustou os militares e mostrou que a direita não tinha representatividade suficiente para manter o sistema através do voto.
            Em resposta, no dia 27 de outubro de 1965, o marechal Humberto de Alencar Castelo Branco  mandou publicar no Diário Oficial e ordenou o cumprimento do Ato Institucional nº  2 (AI-2), que emendou vários dispositivos da Constituição de 1946 e foi editado com 33 artigos, que traziam medidas de cunho centralizador e autoritário. Era prevista, por exemplo, a suspensão sumária dos direitos políticos de qualquer cidadão; a demissão, por decreto presidencial,  de funcionários públicos que demonstrassem incompatibilidade com os objetivos do regime militar,  bem como a suspensão de garantias constitucionais, como a vitaliciedade e a estabilidade.
            Nos artigos constava também a  extinção do pluripartidarismo, dando lugar ao bipartidarismo, o que garantia a aparência democrática no processo político, o que não passava de aparência. A Aliança Renovadora Nacional (ARENA) representava o governo, o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), fazia a oposição, tudo de forma bastante controlada. Essa era, verdadeiramente, uma estratégia que visava não afetar a imagem democrática do país no meio internacional.
            Entre outras medidas do AI-2,  estavam também, o aumento do número de senadores, dando mais apoio ao presidente; intervenções federais nos estados e municípios; fechamento do Congresso Nacional por até 180 dias, sem aviso prévio;  a cassação de mandatos parlamentares e a suspensão dos direitos políticos, terminando com o subsídio dos vereadores a serem eleitos,  estabelecendo , ainda , a paridade de salários entre os três poderes, além da manutenção das eleições indiretas para presidente da República. Mesmo com as novas regras que o AI-2 estabelecia, o mandato dos governadores vitoriosos nas eleições de 1965 não foi interrompido, para demonstrar alguma forma de democracia.
            Houve também, o enfraquecimento do Poder Judiciário , com os atos praticados pelo Poder Executivo, sendo excluídos da apreciação judicial. Desta forma os julgamentos das ações dos opositores do regime deixaram de ser competência da justiça civil e o Estado entrou em um regime de exceção  ainda mais repressor das posições contrárias ao regime. Também os ministros do Supremo Tribunal Federal e outros membros da Justiça Federal passaram a ser nomeados pelo presidente da República, abrindo caminho para a prática de ilegalidades.
            O AI-2 esteve em vigor até o ano de 1967, quando Costa e Silva tomou posse e foi editada uma nova Constituição  e a Lei de Segurança Nacional, o que não significou o fim da linha dura dos militares. Afinal, o Ato Institucional nº 2 continuou sendo um modelo para as novas leis do país, o que é comprovado pelos diversos Atos Institucionais que estavam por vir.


DIA 26 DE OUTUBRO DE 1922, NASCE DARCY RIBEIRO
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Darci Ribeiro afirmou certa vez: “Fracassei em tudo o que tentei na vida. Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui. Tentei salvar os índios, não consegui. Tentei fazer uma universidade séria e fracassei. Tentei fazer o Brasil desenvolver-se  autonomamente e fracassei. Mas os fracassos são minhas vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu”.
            Essas palavras, sempre atuais, são do antropólogo, sociólogo, educador, escritor e político Darcy Ribeiro,   um intelectual  que é referência mundial por seu trabalho em defesa da causa indígena, da educação pública de qualidade, e da construção de um modelo de desenvolvimento justo para o Brasil. Uma causa pela qual, dedicou toda a sua vida.
            Darcy Ribeiro nasceu em Montes Claros, Minas Gerais, no dia 26 de outubro de 1922. Filho do farmacêutico Reginaldo Ribeiro dos Santos e da professora Josefina Augusta da Silveira. Em 1946, formou-se em Ciências Sociais pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo, com especialização em Antropologia. Começou a trabalhar no Serviço de Proteção aos Índios, como Etnólogo em 1947, dedicando-se ao estudo dos índios de várias tribos do país. Em 1953, Fundou e dirigiu  o Museu do índio, colaborou na criação do Parque Indígena do Xingu. Escreveu uma vasta obra etnográfica e de defesa da causa indígena.
Elaborou para a UNESCO um estudo do impacto da civilização sobre os grupos indígenas brasileiros no século XX e colaborou com A Organização Internacional do Trabalho na preparação de um manual sobre os povos aborígenes de todo o mundo. Em 1955 Organizou e dirigiu o primeiro curso de pós-graduação em Antropologia, e foi professor de Etnologia da Faculdade Nacional de filosofia da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro.
A partir de 1957, coordenou a Divisão de Estudos e pesquisas Sociais do Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais . Trabalhou também no Ministério da Educação e Cultura. Elaborou projetos em defesa da escola pública, juntamente com Anísio Teixeira, com o qual fundou a Universidade de Brasília, tornando-se,  mais tarde, seu primeiro reitor.
Em 1958 ficou responsável pelo setor de Pesquisas Sociais da Campanha Nacional de Erradicação do Analfabetismo . Em 1959 tornou-se membro do Conselho Nacional de Proteção ao índio. Realizou Pesquisas de campo junto a grupos indígenas dos Estados de Santa Catarina, Maranhão, Mato Grosso e Goiás.
Em 1961, foi ministro da Educação no governo Jânio Quadros. Mais tarde, como chefe da Casa Civil no governo João Goulart, desempenhou papel relevante na elaboração das chamadas reformas de base. Com o golpe militar de 1964, Darcy Ribeiro teve os direitos políticos cassados e foi exilado.
Viveu e trabalhou em vários países da América Latina, coordenando programas de reforma universitária. Foi professor na universidade Oriental do Uruguai e assessorou os presidentes Salvador Allende, do Chile e Velasco Alvarado, no Peru. Nesse período escreveu os cinco volumes de “Antropologia da Civilização”. No exílio, escreveu também os romances: “Maíra” e “O Mulo”.
Em 1976, retornou para o Brasil, dedicando-se à educação pública, sendo anistiado em 1980. Participou da fundação do Partido Democrático Trabalhista (PDT), juntamente com Leonel Brizola. Em 1982, foi eleito vice-governador do Estado do Rio de Janeiro, na chapa com Brizola governador, acumulando ao mesmo tempo os cargos de secretário de Estado da Cultura e coordenador do Programa Especial de Educação, com a tarefa de implantar 500 CIEPS no Estado do Rio de janeiro. Criou também a Biblioteca Pública Estadual, a Casa França Brasil, a Casa de Cultura Laura Alvim e o Sambódromo, onde implantou 200 salas de aula, transformando-se nua enorme escola primária.
Em 1990, foi eleito senador da República, função que exerceu defendendo vários projetos de caráter popular e progressista. Participou da criação do Memorial da América Latina, em São Paulo. Em 1992, Foi eleito e passou a integrar a Academia Brasileira de letras, ocupando a cadeira nº 11. É patrono da cadeira nº 28 do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros.
Em 1995, recebeu títulos de Doutor Honoris Causa da Universidade de Sorbonne, da Universidade de Copenhague, da Universidade do Uruguai, da Universidade da Venezuela e da Universidade de Brasília. No último ano de vida, Darcy Ribeiro dedicou-se a organizar a Fundação Darcy Ribeiro, com sede na antiga residência em Copacabana, no Rio de Janeiro.
Darcy Ribeiro morreu aos 74 anos, de câncer,no dia 17 de fevereiro de 1997.


DIA 25 DE OUTUBRO DE 1975, MORRE VLADIMIR HERZOG
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                “Quem não deve não teme”.  O jornalista, professor e teatrólogo Vladimir Herzog, 38 anos,  acreditava nesse dito popular e se apresentou espontaneamente na sede do DOI-codi (Destacamento de Operações de Informações / Centro de Operações de Defesa Interna), localizado no quartel General do II Exército, na rua Tomás Carvalhal, 1030, no bairro do Paraíso,  em São Paulo, na noite de 24 de outubro de 1975, após ser convocado para prestar esclarecimentos sobre suas ligações com o PCB (Partido Comunista Brasileiro), do qual era militante.
Vlado Herzog nasceu em 27 de junho de 1937, na cidade de  Osijsk, Iugoslávia. Filho de Zigmund Herzog e Zora Herzog. Imigrou com os pais para o Brasil em 1942. A família saiu da Europa fugindo do da perseguição nazista.  Vlado foi criado em São Paulo e se naturalizou brasileiro. Formou-se em  filosofia na USP (Universidade de São Paulo) e tornou-se jornalista do jornal O Estado de São Paulo em 1959. Nesta época, Vlado achava que o nome soava exótico no Brasil e resolveu passar a assinar Vladimir.
No início da década de 60, casou-se com a publicitária Clarice. Com o golpe militar de 1964, o casal resolveu passar uma temporada na Inglaterra e Vladimir conseguiu trabalho na BBC de Londres, onde atuou por 3 anos.  Lá tiveram dois filhos, Ivo e André. Em 1968, a família voltou ao Brasil.  Vlado trabalhou em publicidade, na editoria da revista Visão, na TV Cultura, entre outros trabalhos.
Aparentemente, Herzog não tinha o que temer. Era um profissional respeitado, tinha acabado de assumir a direção de jornalismo da TV Cultura, era professor da Escola de Comunicações e Artes da  USP (Universidade de São Paulo) e estava se preparando para realizar seu grande sonho de filmar a história da guerra de Canudos. Além do mais, o PCB não tinha aderido à luta armada e o jornalista, como militante, não estava envolvido em nenhuma ação política. Mesmo assim, ao se apresentar no Doi-codi no dia 24, Vladimir ficou preso com outros jornalistas.
No dia 25 de outubro, Vladimir apareceu morto numa cela, enforcado, pendurado numa janela com uma tira de pano. Segundo a versão oficial da época, ele teria se enforcado com o cinto do macacão de presidiário. Porém, de acordo com diversas testemunhas, entre elas os jornalistas Jorge Benigno Jathay Duque Estrada e Rodolfo Konder, presos na mesma época, no Doi/codi, Vladimir foi torturado e assassinado.
                Vladimir era judeu, e a tradição judaica manda que suicidas sejam sepultados em local separado. Mas quando os membros da Chevra Kadisha – responsáveis pela preparação dos corpos dos mortos segundo os preceitos do judaísmo – preparavam o corpo para o funeral, o rabino Henry Sobel, líder da comunidade, viu as marcas de tortura. “Vi o corpo de Herzog. Não havia dúvidas de que ele tinha sido torturado e assassinado”, declarou o rabino. Assim, foi decidido que Vlado seria enterrado no centro do Cemitério Israelita do Butantã, o que significava desmentir publicamente a versão oficial de suicídio . As notícias sobre a morte de Vlado se espalharam, atropelando a censura à imprensa então vigente. Sobel diria mais tarde: “O assassinato de Herzog foi o catalizador da volta da democracia”.
                Desde o Ato Institucional nº 5 (AI-5), de 1968, O ato ecumênico pela morte de Herzog, ocorrido no dia 31 de outubro de 1975, foi a primeira grande manifestação de protesto da sociedade civil contra as práticas da ditadura militar. Reuniu Cerca de 8 mil pessoas,  que se espalharam pelas escadarias da Catedral da Sé, na cidade de São Paulo,  contando com a participação de D. Paulo Paulo Evaristo Arns, cardeal de São Paulo, dom Helder Câmara, arcebispo de Olinda e Recife, o rabino Henry Sobel e mais de 20 sacerdotes de várias religiões.
                A morte de Vladimir Herzog gerou uma onda de protestos de toda a imprensa brasileira e mundial, mobilizando e iniciando um processo internacional em prol dos direitos humanos na América Latina e no Brasil. Impulsionando fortemente o movimento pelo fim da ditadura militar brasileira.
Em 1978, o legista Harry Shibata confirmou ter assinado o laudo necroscópico de Herzog, como segundo perito, sem examinar ou sequer ver o corpo. No mesmo ano, a justiça responsabilizou a União por prisão ilegal, tortura e morte do jornalista em . Em 1996, a Comissão Especial de Desaparecidos Políticos reconheceu que Herzog foi assassinado e decidiu conceder uma indenização para sua família.
Em 2009,  mais de 30 anos após a morte de Vladimir, surge o Instituto Vladimir Herzog, com três objetivos:  Organizar todo o material jornalístico sobre a história de Vladimir, para auxiliar estudantes, pesquisadores e outros interessados em sua vida e sua obra; promover debates sobre o papel do jornalista e também discutir sobre as novas mídias, e, por fim, ser o curador do “Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog, de Anistia e Direitos Humanos”, promovido em conjunto com entidades como o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, do Comitê Brasileiro pela Anistia, da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), da Associação Brasileira de imprensa, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), entre outras entidades.
Em 15 de março de 2013, a família de Herzog recebeu um novo atestado de óbito, substituindo a definição anterior, “asfixia mecânica por enforcamento”, por “lesões e maus tratos”.
O jornalista Sérgio Gomes, conhecido como “Serjão”, integrante do Conselho Deliberativo do Instituto Vladimir Herzog;  coordenador do projeto “Repórter do Futuro”, da ONG Oboré;  ex-militante do PCB,  do movimento estudantil e sindical, em entrevista, afirmou: “Vladimir Herzog é um símbolo da luta pela democracia , pela liberdade, pela justiça”.
 


DIA 24 DE OUTUBRO DE 1932, NASCE  ZIRALDO
S11 ARQUIVO 6/08/2012  CADERNO2 DOIS - Escritor Ziraldo, que completa 80 anos em 2012. Crédito: Ana Colla/divulgação

                Em uma entrevista, Ziraldo, como sempre bem humorado, afirmou: “O fato é que estou chegando aos 90 menos 7, produzindo muito mesmo. A vida não teria graça sem produzir. Considero a aposentadoria  o maior inimigo do homem. Quem não gosta da profissão deve procurar algo que o agrade. O que ninguém pode é parar. Isso não dá.” Esse é o pensamento desse incansável  criador, cartunista, escritor,  pintor, teatrólogo e jornalista. Um profissional multimídia que vem encantando gerações no mundo inteiro com seu trabalho e sua história.
            Ziraldo Alves Pinto nasceu no dia 24 de outubro de 1932 em Caratinga, Minas Gerais, onde passou toda a sua infância, estudando no Grupo Escolar Princesa Isabel.  É o mais velho de uma família de sete irmãos. Seu nome vem da combinação dos nomes de sua mãe, Zizinha, com o de seu pai, Geraldo. Assim surgiu Ziraldo, um nome único.
            Em 1949, foi com seu avô para o Rio de Janeiro, onde  fez um curso no MABE (Moderna Associação  de Ensino). Em 1950 voltou para Caratinga onde  Prestou o Serviço Militar, terminou o científico e, em  1957, formou-se em Direito na Faculdade de Direito de Minas Gerais, em Belo Horizonte.  No ano seguinte casou-se com Vilma Gontijo, com quem teve três filhos: Daniela, Fabrizia e Antonio, e seis netos.
            Sua paixão, desde criança foi o desenho e a literatura. Lia tudo que lhe caía nas mãos: Monteiro Lobato, Viriato Correia, Clemente Luz e todas as revistas em quadrinhos da época.  Sua carreira artística começou em 1954 na Revista “Era Uma Vez “ onde colaborava uma vez por mês e no “Jornal de Minas”, onde tinha uma página de humor. Em 1957, começou a publicar seus trabalhos na revista “A Cigarra” e na revista “O Cruzeiro”. Em 1963, começou a colaborar para o “Jornal do Brasil” e nas revistas “Visão” e “Fairplay”.
Nos anos 60, Como artista gráfico, Ziraldo fez cartazes para vários filmes do cinema brasileiro como “Os Fuzis”, “Os Cafajestes”,  “Selva Trágica”,“Os Mendigos”, entre outros, consagrando-se como um dos artistas gráficos mais respeitados nacional e internacionalmente.
Ainda nos anos 60, Seus cartuns e charges políticas começaram a aparecer em ,revistas e jornais. Personagens como a “Supermãe” e “o Mineirinho”tornaram-se populares. Ziraldo publicou a primeira revista em quadrinhos feita por um só autor e com personagens 100% brasileiros. “A Turma do Pererê”, comandada pelo “saci-pererê”, figura mais importante do imaginário brasileiro. Os personagens dessa turma eram um pequeno índio, e vários animais que formam o universo folclórico brasileiro, como a onça, o jabuti, o tatu, o coelho e a coruja. “A Turna do Pererê” marcou época na trajetória das histórias em quadrinhos no Brasil.
Em 1964, com o golpe militar, a revista foi encerrada. Os personagens só retornariam em 1975 pela Editora Abril. Durante  todo o período que durou a ditadura militar, Ziraldo lutou contra a repressão. Fundou, junto com outros humoristas e jornalistas,  o mais importante jornal  não-conformista, “O Pasquim”, que se tornou referência de irreverência e resistência contra a ditadura.
Quando foi editado o Ato Institucional nº 5  (AI-5), em 1968, muita gente contrária ao regime militar foi perseguida pela repressão. Ziraldo ajudou a esconder amigos procurados, não se preocupando consigo mesmo, sendo preso em sua residência e levado para o Forte de Copacabana por ser considerado um elemento perigoso. Ainda em 1968, Ziraldo teve seu talento reconhecido internacionalmente com a publicação de suas produções na revista “Graphis”, uma referência nas artes gráficas. Teve também trabalhos publicados nas revistas “Penthouse” e “Private Eye” da Inglaterra, “Plexus” e “Planéte” da França e “ Mad”, dos Estados Unidos.
            Em 1969, Ziraldo ganhou o Oscar Internacional de Humor no 32º Salão Internacional de Caricaturas de Bruxelas e o “Merghantealler”, prêmio máximo da imprensa livre da América Latina. Foi convidado a desenhar o cartaz anual da UNICEF, honra concedida pela primeira vez a um artista latino. Nesse mesmo ano, publicou seu primeiro livro infantil: “FLICTS”, a história de uma cor que não encontrava seu lugar no mundo. O astronauta americano Neil Armstrong, em sua visita ao Brasil, recebeu de presente da embaixada dos EUA no Brasil um exemplar de “FLICTS”, mais tarde escreveu ao autor: “The moon is FLICTS”.
            Em 1980, foi lançado o livro infantil “O Menino Maluquinho”, um dos maiores fenômenos editoriais no Brasil de todos os tempos.,  com cerca de 100 edições já publicadas em todo o mundo, tendo mais de 3,5 milhões de exemplares vendidos e traduzidos para diversos idiomas, sendo adaptado com grande sucesso para teatro, quadrinhos, peça infantil , vídeo-game, internet e cinema.
Em 1994, os personagens criados por Ziraldo transformaram-se em selos comemorativos do natal e ano-novo. uma homenagem dos Correios e Telégrafos, levando-os para todo o mundo . Em 1999, Ziraldo criou a Revista “Bundas”, uma resposta bem-humorada à ostentação da emergente revista “Caras”. Costumava brincar: “Quem mostrou a bunda em Caras jamais vai mostrar a cara em Bundas”.
No carnaval de 2003, Ziraldo foi homenageado pela escola de samba paulista Nenê de Vila Matilde, com o enredo “É Melhor ler…O mundo Colorido de um Maluco Genial”.  Em 2004, ganhou,com o livro “FLICTS” o prêmio internacional “Hans Christian Andersen. Em 2008, Ziraldo foi agraciado com o VI Prêmio Ibero-americano de Humor Gráfico Quevedos, mais um prêmio internacional pela qualidade e importância de sua obra. No dia 3 de outubro de 2016, recebeu a Medalha de Honra da Universidade Federal de Minas Gerais em cerimônia presidida pelo reitor, no auditório da reitoria da universidade.
Em depoimento registrado nos livros da coleção ABZ, que reúne 26 livros, cada um dedicado a uma letra do alfabeto, um dos mais recentes trabalhos do autor, sua filha,  Daniela Thomaz,  afirmou: “Meu pai não cria,ele contagia”.

DIA 23 DE OUTUBRO DE 1937, NASCE LAMARCA – O CAPITÃO DA GUERRILHA
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                “Ousar lutar, ousar vencer”. Era assim que Carlos Lamarca, um dos maiores líderes da oposição armada à ditadura no Brasil, terminava seus escritos, Que sempre continham  mensagens de esperança, de perseverança, de luta contra as injustiças e a opressão. Com certeza, Lamarca foi o grande líder que continua a inspirar os revolucionários de todas as idades  espalhados pelo mundo. A exemplo de outro grande revolucionário sul-americano, Che Guevara, Lamarca sabia que era preciso ser duro, mas sem perder a ternura.
Carlos Lamarca nasceu no Rio de Janeiro, no dia 23 de outubro de 1937. Foi o terceiro entre os seis filhos do Carpinteiro Antonio e da dona de casa Gertrudes Lamarca, ele viveu 17 anos no Morro de São Carlos, no Estácio, um entre sete irmãos. Fez o curso primário na Escola Canadá e o ginasial no Instituto Arcoverde. Aos 16 anos, participou de manifestações de rua durante a campanha “O Petróleo É Nosso” e tinha como livro de cabeceira “Guerra e Paz” de Leon Tolstoi.  Em 1955, ingressa na Escola Preparatória de Cadetes, em Porto Alegre (RS) e dois anos depois é transferido para a Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende (RJ), onde se forma em aspirante a oficial, em 1960;  casando-se com Maria Pavan, sua irmã de criação, que já esperava o primeiro filho do casal.  
            Em 1962, integrou o Batalhão Suez, nas Forças de Paz da ONU na região de Gaza, Palestina, onde serviu na 7ª Companhia e de onde retornou dezoito meses mais tarde, com as primeiras idéias socialistas, sensibilizado pela  pobreza e pelas injustiças sociais que  testemunhou no local , e ao começo de leitura de clássicos marxistas. De volta ao Brasil, em 1963, servia na 6ª Companhia de Polícia do Exército, em Porto Alegre, quando ocorreu o golpe militar de 1964.  Em dezembro do mesmo ano, ainda servindo no Sul, deu fuga a um capitão brizolista que estava sob sua guarda.
            Em 1967, foi promovido a capitão e, dois anos depois, já militante da organização que daria origem à Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), organizou um grupo de militares do 4º Regimento de infantaria, conhecido como Quartel de Quitaúna, para desertarem daquela unidade, levando consigo, em 24 de janeiro, 63 fuzis e metralhadoras leves que deveriam servir para a luta armada contra a ditadura. No mesmo dia, enviou sua mulher e os dois filhos para Cuba, via Itália.
            Exímio atirador, Lamarca torna-se um dos mais ativos militantes da oposição armada contra o regime militar. Participa de diversas ações, como assaltos a banco e outras atividades.  Na VPR, Lamarca conheceu a psicóloga e ex- militante do movimento estudantil  Iara Iavelberg, por quem se apaixonou. Os dois passaram a viver juntos em diversos aparelhos pelo país. As cartas de amor que trocaram nesse período são conhecidas, assim como o famoso Diário do Guerrilheiro, com textos dirigidos a ela.
            Dentre as principais ações de Lamarca, no comando da VPR,  destaca-se a participação  em  ações de guerrilha urbana, até se instalar no Vale do Ribeira, com um grupo de 16 guerrilheiros, para realizar treinamentos militares. O local foi descoberto pelos órgãos de repressão em abril de 1970 e cercado pelas tropas do Exército e da Polícia Militar. Uma gigantesca operação de cerco se prolongou por 41 dias, mas, após dois choques armados, o pequeno grupo guerrilheiro, sob a liderança de Lamarca, conseguiu escapar rumo a São Paulo.  Outra ação histórica foi o Seqüestro do embaixador suíço Giovanni  Bucher, ocorrido em 7 de dezembro 1970, que resultou na libertação de 70 presos políticos dos porões da ditadura, além de vários assaltos a bancos para financiar as ações do grupo armado.
            Em 1971, Lamarca saiu da VPR e passou a fazer parte do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8). Em junho do mesmo ano, foi para o sertão da Bahia, no município de Brotas de Macaúbas, com a missão de estabelecer um foco guerrilheiro do MR-8 no interior.
            O cerco da repressão começou a se fechar  com a prisão,  a tortura e morte de militantes das organizações armadas. Em agosto, a repressão descobriu o paradeiro de Iara, escondida em um apartamento no bairro de Pituba, em Salvador. No dia 20 de agosto de 1971, Iara foi morta.  O regime militar sempre sustentou que ela cometeu suicídio após o cerco policial, o que foi desmentido pelas investigações posteriores.
            Todo um aparato de repressão denominado de “Operação Pajuçara”, foi transferido para a região de Brotas de Macaúbas. Centenas de soldados e policiais cercaram todo o município, levando terror para a comunidade, espancando e torturando moradores, em busca de informações.  Lamarca e o guerrilheiro José Campos Barreto, conhecido como Zequinha, embrenharam-se na caatinga e caminharam por cerca de trezentos quilômetros durante 21 dias, até chegarem à localidade de Pintada, no distrito de Ibipetum.
            No dia 17 de setembro de 1971,  às três da tarde, Lamarca, doente, subnutrido, sentou-se embaixo de uma árvore para descansar. Os dois foram fuzilados a tiro de metralhadora. Os corpos foram transportados para Brotas de Macaúbas e de lá para a base aérea de Salvador, onde foram fotografados no chão de cimento. Lamarca foi sepultado no Campo Santo de Salvador, em cova com número,  mas sem nome.
            Em 1980, os jornalistas Emiliano José e Oldack Miranda publicaram a biografia “Lamarca: o capitão da guerrilha”. E em 1994, o diretor Sérgio Rezende lançou o filme “Lamarca”, baseado no livro, com o ator Paulo Betti, no papel principal.
            Em 2007, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, concedeu a patente de coronel do Exército a Carlos Lamarca e o status de perseguidos políticos à sua esposa, Maria Pavan Lamarca e a seus dois filhos, que passaram a ter direito a pensão e indenização. Em 2010, entretanto, acatando ação do Clube Militar, a juíza Cláudia Maria Pereira Bastos Neiva, suspendeu a decisão da Comissão de Anistia. A questão continua indefinida.
            Em uma de suas cartas, endereçada aos  filhos, César e Cláudia, Carlos Lamarca escreveu:  “Brasil, 26 de julho  de 1969. Aos meus filhos / Vivo falando de vocês com meus companheiros, eles estão longe dos filhos também e falam nos filhos deles. Um só é o desejo de todos nós, é que nossos filhos sejam revolucionários. O que é um revolucionário ? É toda pessoa que ama todos os povos, ama a Humanidade, tem uma imensa capacidade de amar, ama a justiça, a igualdade. Mas ele tem de odiar também, odiar os que impedem que o revolucionário ame, porque é uma necessidade amar. Odiar aos que odeiam o povo, a Humanidade, a justiça social. Odiar aos que dominam e exploram o povo, odiar aos que corrompem, ameaçam e alienam as mentes, aos que degradam a Humanidade, aos injustos, falsos, demagogos, covardes”. Assim era Lamarca, um homem que, mesmo cercado pelo inimigo, em pleno combate, ainda conseguia  falar de amor.

DIA 22 DE OUTUBRO DE 1928, NASCE NELSON PEREIRA DOS SANTOS
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                “Uma idéia na cabeça, uma câmera na mão”. Esse era o lema dos jovens cineastas criadores do movimento “Cinema Novo”, que surgiram na década de 50, uma geração de cineastas que se contrapunha às chanchadas de inspiração americana, buscando uma nova linguagem cultural, onde a militância política e a temática social eram constantes.  Entre eles, na linha de frente,  estava  Nelson Pereira dos Santos, considerado um dos mais importantes cineastas do país,  que já deu vida a mais de 20 longas, vários deles premiados nacional e internacionalmente.
                Nelson Pereira dos Santos nasceu no bairro do Brás, no dia 22 de outubro de 1928,  e foi criado no Bexiga, em São Paulo. Na década de 40, começa a freqüentar cineclubes,  participando da  Juventude Comunista.  Em 1947, filia-se ao Partido Comunista (PCB).
                Cursou  Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, formando-se em 1952, mas sua paixão era o cinema, que o leva a Paris, para o curso do Institut  de  Hautes  Études Cinematographiques . Ao retornar, filma o curta-metragem “Juventude” em 16 mm e atua como assistente de direção no filme “O saci”, de Rodolfo Nanni. Em 1953, muda-se para o Rio de Janeiro, onde trabalha como jornalista.
                Em 1955, aos 27 anos, lança seu primeiro filme “Rio 40 graus”, que é considerado um marco do Cinema Novo, revolucionando a  produção cinematográfica  brasileira. Em 1963, lançou “Vidas Secas”, baseado na obra de Graciliano Ramos, que é considerado um dos  filmes brasileiros mais premiados em todos os tempos, sendo reconhecido como obra prima.  Foi o único filme brasileiro a ser indicado pelo Britsh Film Institute como uma das 360 obras fundamentais em uma cinemateca.
                Em 1965, Nelson tornou-se professor-fundador  de Técnica Cinematográfica  na Universidade de Brasília, o primeiro curso do gênero no Brasil, e anos mais tarde fundou e  lecionou no Curso de graduação em Cinema da  Universidade Federal  Fluminense, em Niterói. Lecionou ainda na UCLA (Universidade da Califórnia, em Los Angeles) e  na Universidade de Columbia, em Nova York. É membro do Conselho Superior da Escola de Cinema de Havana .
                Em 1984, transformou outra obra prima de Graciliano Ramos,  “Memórias  do Cárcere”, em filme e ganhou o prêmio da Crítica especializada  no Festival de Cannes, França. Durante 49 anos, Nelson foi casado com a antropóloga  Laurita  Andrade  Sant’annna  dos  Santos, que morreu em junho de 1999 e com quem  Teve  três filhos, Nelson, Ney e Márcia, além de cinco netos.
                Em 17 de julho de  2006, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras (ABL), ocupando a cadeira nº 7, cujo patrono é Castro Alves. É o primeiro cineasta brasileiro a se tornar membro da ABL. Em toda a sua carreira, recebeu dezenas de prêmios e homenagens, como por exemplo:  – Festival de Brasília (Troféu Candango) como melhor diretor  e melhor filme, pelo longa “Tenda dos Milagres”, em 1977; Festival de Gramado (Kikito), Melhor filme com “O amuleto de Ogum” em 1975;  Festival de Havana, em 1984 e Prêmio APCA, em 1985 por “Memórias do Cárcere,”entre outros.
                Certa vez, numa entrevista, Nelson Pereira dos Santos afirmou: “Minha geração é toda impregnada dessa grande e generosa idéia que é de mudar o país… não só o cinema, toda a literatura, todos os pensadores do Brasil, em torno do século XX… Então tem toda essa combinação… O bom artista brasileiro, o grande intelectual brasileiro, são todos da esquerda. Nem todos marxistas, mas tinham um pensamento com o caminho da transformação, de acabar com os arcaísmos da sociedade brasileira, e tal…”.
                Assim é Nelson Pereira dos Santos, um pioneiro, um gênio brasileiro da chamada 7ª arte, que ao lado de outros  pioneiros  como Glauber Rocha, Ruy Guerra, Leon Hirszman, Carlos Diegues, entre outros, mostrou ao Brasil a sua verdadeira face. Para fazer com que  milhões de pessoas reflitam sobre a   realidade do seu  país,  Não precisa muito. Basta uma  idéia na cabeça e uma câmera na mão.
  


 DIA 21 DE OUTUBRO DE 1947, INVADIDA A SEDE DO JORNAL “TRIBUNA POPULAR”

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                Entre os anos de 1945 e 1947,   o Partido Comunista do Brasil (PCB),   esteve na legalidade e mantinha ligação direta com o PC da URSS; nesse período contava com a publicação do periódico diário “Tribuna Popular”. Este jornal denunciava os problemas dos trabalhadores e apresentava  as principais pautas do programa do PCB através da utilização de matérias e ilustrações de diversos artistas brasileiros.
            A partir de 1942, o PCB  começou a reaparecer na cena política nacional. Eram novos tempos nos quais o partido iniciou sua reestruturação após a derrota no Levante Comunista de 1935, quando foi desarticulado e posto na ilegalidade. Nesse episódio a repressão ao partido levou muitos de seus membros à prisão, e mesmo depois de sete anos, muitos ainda estavam encarcerados, entre eles grandes líderes comunistas.
            Em agosto de 1943 foi organizada a Conferência da Mantiqueira em Engenheiro Passos no Rio de Janeiro. Nesse evento se definiram as diretrizes que o partido seguiria dali em diante, e desta forma o Partido Comunista do Brasil se reorganizaria. A partir de então, o apoio ao governo de Getúlio Vargas seria um esforço de guerra  e de grande importância por ser parte de um objetivo maior que era a derrota do nazi-fascismo no Brasil.  Apenas no curto período entre os anos 1942 e 1945, de cerca de cem militantes, o partido passou para cerca de cinqüenta mil.
            O diário Tribuna Popular foi fundado no Rio de Janeiro em  1945 por intelectuais e militantes ligados ao PCB, tendo circulado de 22 de maio de 1945 A 28 de dezembro de 1947, quando            a atuação do PCB foi novamente proibida, desta vez pelo governo do general Eurico Dutra (1946-1950).
            O jornal fazia parte de uma rede de periódicos, denominada  “Imprensa popular”, que estava sendo criada pelo PCB desde a sua volta à legalidade, em diversas capitais estaduais. Faziam parte dessa rede os jornais Hoje, em São Paulo, Folha Capixaba,  em Vitória, Folha do Povo, em Recife, Tribuna Gaúcha,em Porto Alegre, O Democrata, em Fortaleza, Voz do Povo, em Maceió, e Jornal do Povo, em Belo Horizonte.
            No início, a publicação era dirigida por Pedro Motta Lima, com Aydano do Couto Ferraz como chefe de redação, teve entre seus redatores, colunistas ou colaboradores, Grandes  nomes da literatura, da arte e do jornalismo brasileiro.  Foram redatores, colunistas ou colaboradores da Tribuna Popular, Graciliano Ramos, Jorge Amado, Apparício Torelly, (o Barão de Itararé), João Saldanha, Sérgio Porto, Cândido Portinari e Carlos Scliar, além de militantes políticos, como João Amazonas, que mais tarde se tornaria o secretário-geral do atual PCdoB.
            A  capa da primeira edição, publicou mensagem de Luiz Carlos Prestes aos leitores, em que dizia “O povo terá enfim o seu jornal, a Tribuna Popular, que  reclamava,  e  onde poderá expor suas reivindicações e debater os grandes problemas nacionais que só ele pode de fato resolver”.
            O jornal valorizava a cultura popular espontânea, sobre a qual mantinha as colunas “O samba na cidade” e “O povo se diverte”. O jornal tinha ainda noticiário esportivo, que tratava de futebol, corrida de cavalos e outros esportes. A coluna “Placard” era assinada por Ricardo Serran, que na década de 1950 se transferiria para O Globo, onde foi secretário de redação durante anos.
            Durante os dois anos de legalidade, o crescimento do PCB, com o apoio de sua rede de comunicação, foi estrondoso: nos primeiros meses chegou a 50 mil, ultrapassando os 100 mil no final de 1945 e chegou a 200 mil em 1946. Foram constituídas cerca de 500 células comunistas no Rio de janeiro, 361 células em São Paulo. Algumas delas chegaram a organizar dois mil  militantes, como as da Central do Brasil, Arsenal da marinha e dos servidores públicos da Prefeitura  do Rio de janeiro. O PCB agora era legal e adquirira um caráter de massas.
            Na primeira campanha eleitoral que participou, tendo candidato próprio à presidência da República, conseguiu 10% da votação. Elegeu 14 deputados federais e um senador, o legendário  Luiz Carlos Prestes. Uma verdadeira façanha para um partido que até pouco tempo atrás era clandestino, com seus principais dirigentes presos ou foragidos. Fato que incomodou os setores conservadores da sociedade brasileira. No ano seguinte, outro susto para as classes dominantes. Desta vez ocorreu nos pleitos estaduais. Os comunistas elegeram 46 deputados em quinze unidades  da federação. Na eleição  complementar para a Câmara Federal, a bancada subiu para 16 membros, alertando a elite, incomodada com esse crescimento tão acelerado.
             As forças reacionárias começaram a se organizar, estabelecendo um conluio entre os poderes executivo, legislativo e judiciário, com apoio da mídia e do empresariado, visando cessar o registro do Partido Comunista e colocá-lo novamente na ilegalidade. Para isso utilizaram-se dos mais variados meios. Os comícios passaram a ser duramente reprimidos, ocasionando prisões, feridos e até mortos. Em 7 de maio de 1947 o TSE , por 3 votos a 2, decidiu pela cassação do registro do partido. Poucos dias depois o Ministro da Justiça determinou o encerramento de suas atividades em todo o território nacional.
            No dia 10 de maio de 1947, três dias depois da cassação, o jornal Tribuna  Popular destaca na primeira página a manchete: “Enquadram-se no Plano Truman as medidas contra o PCB – Conjuga o imperialismo ianque as fôrças mais reacionárias com o objetivo de aniquilar a democracia na América Latina, o quintal dos magnatas de Wall Street”.
            No dia  21 de outubro, a sede do jornal  foi invadida e depredada pela polícia. Os funcionários resistiram e acabaram sendo feridos . No mesmo dia o presidente Dutra rompeu relações diplomáticas com a URSS. Realizou-se uma grande manifestação anticomunista de apoio à decisão do governo. Três dias depois o Senado aprovou o projeto de cassação dos mandatos comunistas .
            No dia 4 de janeiro de 1948, o Tribuna Popular foi novamente invadido, desta vez, assumidamente pela polícia do Estado de São Paulo. No dia anterior, o Jornal Hoje, em São Paulo, também foi invadido e no dia 5 foi a vez dos outros jornais que formavam a Imprensa Popular: O Momento,  em Salvador, Folha do Povo, em Natal, e Jornal do Povo, em Maceió.
            Apesar dos protestos , no dia 10 de janeiro de 1948, a cassação foi aprovada na Câmara dos Deputados por uma tranqüila maioria de 179 votos contra 74. Nos dias seguintes foram cassados os mandatos dos parlamentares eleitos pelo PCB e alguns deles, como Gregório Bezerra, foram presos.  Estes foram os primeiros golpes que a democracia brasileira, recém conquistada, sofreria. Outros viriam. 
            O Partido Comunista do Brasil  foi fundado em 25 de março de 1922, com a sigla PCB, como seção da Internacional Comunista. No final dos anos 50, uma parte da direção, liderada por Luiz Carlos Prestes, mudou o nome do partido para Partido Comunista Brasileiro (PCB), tirou de seus estatutos a referência ao internacionalismo proletário e à revolução socialista. Em resposta, um grupo de 100 comunistas, liderado por João Amazonas, Maurício Grabois e Pedro Pomar, criou, em 18 de fevereiro de 1962, o Partido Comunista do Brasil, e passou a adotar a sigla PCdoB.
            O PCdoB criticava a política desenvolvida pela URRS após a ascensão de Nikita Krushev ao poder, que era defendida pelo PCB. Após o golpe militar de 1964, o PCdoB participou da luta armada, organizando a Guerrilha do Araguaia. O PCB criticou o caminho armado como forma de luta oposicionista.

DIA 20 DE OUTUBRO DE 2008, MORRE LUIZ CARLOS DA VILA
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                No dia 20 de outubro, comemora-se em todo o Brasil do Dia do Poeta.  Nesse dia, poetas de todas as tendências, românticos, rebeldes, revolucionários, loucos, amantes, boêmios, são homenageados, sua obra é exaltada por amantes da poesia. Nesse dia, um poeta em especial é lembrado com carinho e reverência:  Luiz Carlos da Vila, o poeta do Samba, compositor da Escola de Samba Unidos da Vila Isabel,  morreu  aos 58 anos do dia 20 de outubro de 2008, mas como ele mesmo dizia em sua obra: “A chama não se apagou, /  nem se apagará / É luz de eterno fulgor / O sonho não vai acabar…”
                Luiz Carlos Baptista nasceu no bairro de Ramos, no Rio de Janeiro, em 21 de junho de 1949.  Ainda adolescente, já  tocava  acordeão e violão e arriscava seus primeiros versos.  Participou  do tradicional bloco carnavalesco  Cacique de Ramos, onde apresentava suas composições,  em meados da década de 1970, juntamente com uma geração de compositores considerados os formatadores do samba carioca contemporâneo, como Jorge Aragão, Arlindo Cruz, Sereno, Sombrinha, Claudio Camunguelo, Almir Guineto, entre outros, que priorizavam, não apenas o ritmo e a música de qualidade, mas também pela poesia, ricamente elaborada e com conteúdo social.
                Em 1977, ingressou na ala dos compositores da Escola de Samba Unidos da Vila Isabel, nesse ano ganhou o apelido de Luiz Carlos da Vila, mais pelo fato de ter morado nos bairros de Vila Kennedy, Vila da Penha e, finalmente, em Vila Isabel do que propriamente pelo nome da escola.
                Uma de suas músicas mais conhecidas,  “Por  um Dia de Graça” ,tornou-se um dos hinos do movimento “Diretas Já” e constava no Seu disco de estréia , “Luiz Carlos da Vila”, foi produzido por Martinho da Vila, em 1983. Um dos seus grandes sucessos, o samba enredo “Kizomba – A Festa da Raça”, foi composto em parceria com Jonas e Rodolfo  e deu a vitória , no carnaval de 1988 à Escola de Samba Unidos de Vila Isabel, num desfile histórico, que trouxe a discussão e a concepção da negritude para a Marquês de Sapucaí.
                Ainda no ano de 1988, o poeta conquista o Prêmio Sharp, pela música “Além da Razão”, gravada por Beth Carvalho e composta em parceria com Sombra e Sombrinha.
                Em 2003, criou junto com Dorina e Mauro Diniz o grupo Suburbanistas, que tinha como proposta, cantar os compositores dos subúrbios cariocas. Fizeram muitos shows e foram tema de tese de mestrado em curso de jornalismo. Os três criaram, também, o Bloco Suburbanistas que desfilava em Irajá, Vila da Penha, Vista Alegre, Brás de Pina e Santa Tereza.
                Além de Kizomba, suas músicas mais conhecidas são “O Sonho não Acabou” – Uma homenagem a Candeia, outro grande compositor e criador da Escola de Samba Kilombo; “O show tem que continuar” – gravado por Arlindo Arlindo Cruz e Sombrinha;   “Além da Razão”  e  “Doce Refúgio” – um poema dedicado ao Cacique de Ramos. O compositor tem músicas gravadas por Simone, Fundo de Quintal, Zeca Pagodinho, Beth Carvalho, Alcione, Jair Rodrigues,  Jorge Aragão, entre outros. Exaltou como poucos, em seus poemas,  o orgulho da história  de luta e resistência da raça negra. O último disco solo, lançado  em 2005, “Um cantar à vontade”, traz uma coletânia de sua obra, registrada ao vivo.
                Portanto, ninguém mais apropriado para lembrar esse “Dia do Poeta” do que esse poeta do samba, esse “griot”, nascido em Ramos e embalado em Vila Isabel.  Seus próprios versos tem a representatividade necessária para homenagear todos os poetas nesse dia, quando nos afirma: “…Tantos o preto velho já curou /E a mãe preta amamentou / Tem alma negra o povo / Os sonhos tirados do fogão / A magia da canção / O carnaval é fogo / O samba corre / Nas veias dessa pátria – mãe gentil / É preciso altitude / De assumir a negritude / Pra ser muito mais Brasil”.

DIA 19 DE OUTUBRO DE 1922, NASCE DIAS GOMES
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“Não há nada mais próximo do ódio do que o amor dos humildes pelos poderosos, o culto dos oprimidos pelos opressores. (O Santo Inquérito)”  / “Quem não veio incomodar, não devia ter nascido”.
            Quando nos deparamos com frases como essas, penetramos no universo “subversivo” de Alfredo  de Freitas Dias Gomes, conhecido como Dias Gomes, Dramaturgo, romancista, autor de novelas que fizeram grande sucesso na televisão, como “O Bem Amado”,  “Roque Santeiro”, “Saramandaia”, entre outras. A Peça “O Pagador de Promessas”, escrita nos anos 60,  tornou-o  internacionalmente conhecido e foi adaptada para o cinema e para a TV. Sua militância no Partido Comunista (PCB) fez com que fosse perseguido pela ditadura militar e sua obra constantemente censurada, mas não o impediu de ser aclamado no mundo inteiro nem de assumir uma cadeira na Academia Brasileira de Letras.
            Dias Gomes nasceu em Salvador, Bahia, no dia 19 de outubro de 1922, filho do engenheiro Plínio Alves Dias Gomes e de Alice Ribeiro de Freitas Gomes. Aos 15 anos escreveu sua primeira peça, “Comédia dos Moralistas”, premiada no concurso do Serviço Nacional de Teatro em 1939, mas que nunca foi encenada. Em 1942 foi encenada a peça “Pé de Cabra”, sua primeira realização teatral de sucesso,  produzida e encenada pelo ator Procópio Ferreira e encenada em diversas capitais brasileiras entre os anos de 1943 e 1944, até que foi  censurada pelo Estado Novo , ditadura implantada por Getúlio Vargas, sob a alegação de que tinha conteúdo marxista. A peça foi proibida no dia da estréia.
            Em 1945, filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB). Convidado pelo dramaturgo Oduvaldo Viana, o autor transferiu-se para São Paulo (SP), onde fez parte do corpo de redatores da Rádio Panamericana , escrevendo  adaptações de peças, de romances e de contos para o programa Grande Teatro Panamericano  por um ano.   Contratado  pela Rádio Tupi-Difusora, em São Paulo, onde participou do programa  A Vida das Palavras.  De 1944 a 1964, Gomes adaptou cerca de 500 peças teatrais para o rádio, o que lhe proporcionou apurado conhecimento da literatura universal.
            No dia 13 de março de  1950, casou-se com Janete Clair, mudando-se para o Rio de Janeiro, onde o dramaturgo começou a trabalhar na Rádio Tupi (dos Diários Associados), e em seguida na Rádio Tamoio e na Rádio Clube, mas em abril de 1953,  novamente é demitido por motivos políticos, após viajar com uma delegação de escritores à União Soviética para as comemorações do Primeiro de Maio.
            Em virtude da perseguição política de que era alvo, passou a escrever utilizando pseudônimos, o que duraria até 1956, quando ingressou na Rádio Nacional e passou a participar dos programas “Todos Cantam sua Terra”, “Grande Teatro” e “Brasil, Espaço 2”. Em 1959 escreveu a peça “O Pagador de Promessas”, adaptada para o cinema, sob a direção de Anselmo Duarte e ganhador da Palma de Ouro no Festival Internacional de Cinema de Cannes, em 1962. “O Pagador de Promessas” é considerada  uma das obras-primas do teatro realista moderno. Além das inúmeras montagens no Brasil, também foi encenada nos Estados Unidos e na Polônia, entre outros países, e traduzidas para dez idiomas. Sua versão cinematográfica, que foi indicada ao Oscar de melhor filme estrangeiro, também ganhou prêmios nos festivais de São Francisco (EUA), Cartagena (Colômbia), Acapulco (México) e Edimburgo (Escócia).
            Com a implantação da Ditadura militar no Brasil em 1964, Dias Gomes foi perseguido, demitido da Rádio Nacional e suas peças foram proibidas. Foi acolhido por Ênio Silveira, na Editora Civilização Brasileira, um dos focos de resistência , onde atuou como diretor de relações públicas e, ao lado do poeta Moacyr Félix  lançou a Revista Civilização Brasileira, que circulou de 1965 a 1968.
            Ainda em 1965, a peça “O Berço do Herói”,  dirigida por Antônio Abujanra, foi proibida pela censura na noite de estréia. Em 1966, sua casa foi invadida e vasculhada por oficiais militares. No ano seguinte, mesmo premiado internacionalmente, o filme “O Pagador de Promessas” teve a sua exibição proibida em todo o território nacional, permanecendo assim até 1972, Sua peça “Invasão” também foi censurada, e a interdição durou até 1978.
            Dias Gomes começou a trabalhar na  Rede Globo em 1969, onde produziu inúmeras novelas, minisséries e seriados. A primeira telenovela que escreveu na emissora, e que assinou sob o pseudônimo de  Stela Calderón, foi uma adaptação do romance “A Ponte dos Suspiros”, de Michel Zevaco. Sua segunda novela, “Verão Vermelho” (1969) foi a primeira a ser assinada com o próprio nome, era ambientada na Bahia e já abordava temas polêmicos relacionados ao desquite, à reforma agrária e a candomblé. Em 1973, Dias Gomes escreveu a primeira novela a cores no Brasil, “O Bem Amado”. Repleta de personagens inesquecíveis vividos por Paulo Gracindo, Lima Duarte, Dirce Migliáccio, Emiliano Queirós, Ida Gomes, entre outros, a novela deu origem a um seriado que permaneceu no ar durante cinco anos, além de ser a primeira novela a ser vendida para o exterior.
            Em 1975, o autor voltou a ter problemas com a censura, como o veto à novela “Roque Santeiro”, que depois de 51 capítulos escritos e 20 gravados, foi proibida pela Censura Federal na véspera da estréia. Frustrado com o episódio, Dias Gomes aproveitou parte de seus personagens na novela “Saramandaia”, exibida em 1976, introduzindo na teledramaturgia brasileira o realismo fantástico característico da literatura latino-americana. Através de tipos inusitados que explodiam, ardiam em fogo, criavam asas ou botavam formigas pelo nariz.
            Em 1983, sua esposa, a novelista Janete Clair, com quem teve 4 filhos,  morreu  de câncer. Dias Gomes foi chamado para supervisionar a parte final da novela “Eu Prometo”, último trabalho da autora, e orientar a então estreante Glória Perez, que era assistente de Janete Clair e ficou responsável por terminar de escrever a novela. Dois anos depois, Dia Gomes passou a coordenar a recém-fundada “Casa de Criação Janete Clair”, com o objetivo de renovar a linguagem e a dramaturgia da  Globo, um projeto que contou com a participação de Ferreira Gullar, Antônio Mercado e Doc Comparato. E que durou cerca de três anos.
            Em 1989, quando completou 50 anos de carreira artística, Dias Gomes teve sua obra publicada em sete volumes pela Editora Bertrand Brasil, e em 1991, depois de uma eleição disputadíssima com Gilberto Mendonça Teles, foi eleito para a cadeira 21 da Academia Brasileira de Letras , sendo recebido em julho deste ano por Jorge Amado.
            Em 1998, escreveu sua autobiografia “Apenas um subversivo”, publicada também pela Editora Bertrand Brasil. Seu último trabalho para a Globo foi uma adaptação do romance “Dona Flor e seus Dois Maridos”, de Jorge Amado, em mini-série estrelada por Giulia Gam, Marco Nanini e Edson Celulari, exibida em 1998.
            Dias Gomes morreu no dia 18 de maio de 1999, aos 76 anos, após sofrer um acidente de carro em São Paulo.  De seu casamento com Janete Clair, que durou mais de 30 anos, teve quatro filhos. Desde 1985, era casado com a atriz Bernadeth Lyzio, com quem teve duas filhas.
           


DIA  18 DE OUTUBRO DE 1909, NASCE  NORBERTO BOBBIO
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                O ex-primeiro ministro e ex-presidente da República da Itália Carlo Azeglio Ciampi, morto em setembro de 2016, afirmou certa vez:“Norberto Bobbio é o mestre da liberdade”. “Assim o mundo inteiro passou a se referir ao filósofo, escritor, professor universitário, jornalista,  ativista político e Senador Vitalício Norberto  Bobbio, considerado um dos mais importantes filósofos do século XX, que com sua extensa obra, deixou para a humanidade uma importante contribuição para as ciências políticas e sociais .
                Nascido na cidade industrial de Turim, norte da Itália, filho de um médico cirurgião, Bobbio nasceu e viveu a infância e  a adolescência numa família abastada. O gosto pela leitura surgiu ainda na infância, tendo a oportunidade de ler os grandes nomes da cultura mundial. Embora de família rica, sua educação é marcada por conceitos liberais. Em sua autobiografia, afirmava: “na minha família nunca tive a impressão do conflito de classe entre burgueses e proletários. Fomos educados a considerar todos os homens iguais e a pensar que não há nenhuma diferença entre quem é culto e quem não é culto, entre quem é rico e quem não é rico.”
                Estudou na Universidade de Turim (1927-1931), formando-se em Filosofia e Direito. Estagiou em Marburg – Alemanha (1933) e, voltando a Turim, especializou-se (1932–1933) em Filosofia, defendendo a tese Husserl e La fenomenologia. No ano seguinte obteve a livre docência em filosofia do direito.
                Ainda como universitário, ao fazer contato com o movimento estudantil, começa a militar em grupos anti-fascismo. Em 1935, chegou a ser detido , acusado de integrar o grupo Justizia e Libertà. Sendo condenado apenas a uma advertência por ser um simpatizante, não filiado ao movimento. Nesse período, começa a escrever suas obras filosóficas.
                Durante a Segunda Guerra Mundial (1939–1945), Bobbio atuou no movimento de resistência antifascista, integrando o Partido de Ação, grupo de radicais de esquerda que mais tarde ajudaram a moldar a política pós-guerra. Em dezembro de 1940, obtém a Cátedra de Filosofia do Direito da Faculdade de Jurisprudência da Universidade de Pádua. Nesse período, foi professor na Università  di Siena (1939–1942) e, em seguida, ensinou na Università di Padova.
                O filósofo foi preso mais duas vezes pelos fascistas, em 1942 e em 1944, no intervalo entre as duas prisões, casou-se com Valeria Cova. O casal teria três filhos e viveria junto por quase 60 anos.
                Em 1948, transfere-se para a Universidade de Turim assumindo a regência da cadeira de Filosofia do Direito, lá permanecendo por quase duas décadas e meia. A partir de 1962, passa a lecionar Ciências Políticas, juntamente com Filosofia do Direito. Com uma larga produção bibliografica , mudou-se em 1972, para a recém-fundada Faculdade de Ciências Políticas de Turim, onde continuou sua intensa atividade intelectual.  Em 1975, iniciou, por toda a Itália, um ciclo de debates sobre socialismo, democracia, marxismo e comunismo, que influenciou as novas gerações de toda a Europa.
                Em 1979, abandona suas atividades universitárias, aos setenta anos. Mas mantém-se ativo, dedicando-se ao comentário político e ensaístico, à polêmica, ao sabor dos acontecimentos que marcam a vida política italiana e mundial.  Em 1984, em reconhecimento à sua trajetória, foi declarado professor emérito da Universidade de Turim e nomeado Senador Vitalício da Itália pelo então presidente Sandro Pertini.
                Escreveu para vários jornais e revistas, incluindo o Corriere della Sera, principal diário do país. Esteve no Brasil em 1982 e em 1986, onde sua obra se tornou conhecida graças, especialmente, aos esforços de seu amigo e discípulo, Celso Lafer.
                O jornal francês “Le Monde” chamou Bobbio de “Mâitre-à-penser” (mestre do pensamento) do século XX, no mesmo patamar de Raymond Aron e Jean Paul Sartre. Mas ele não fazia questão de ser chamado de ateu, como muitos intelectuais. Costumava dizer que havia se afastado da igreja, não da religião.
                Ao longo de sua carreira, Bobbio escreveu centenas de livros, ensaios e artigos. Um dos seus livros mais importantes foi “Política e Cultura” (1955), que vendeu mais de 300 mil exemplares só na Itália e foi traduzido para 19 idiomas. Recebeu o título de doutor honoris