LEIA LOGO – MEMÓRIA

Maracatu

Maracatu é uma dança e um ritmo musical que fazem parte do folclore brasileiro. Em cortejo, o principal tipo de maracatu, o maracatu nação, é conduzido por bonecas negras chamadas de calungas, bonecas geralmente feitas de madeira que são ricamente vestidas.

Essas bonecas místicas são carregadas pelas damas do paço, mas apesar da sua importância, o rei e a rainha é que são os seus personagens principais. Isso porque o maracatu reproduz justamente a coroação dos reis do Congo.

Origem: como surgiu?

O maracatu nação tem origem afro e surgiu no estado de Pernambuco no século XVIII. Foi uma forma de manter viva a tradição da coroação do rei do congo após o fim da escravatura.

O rei do congo foi uma figura que surgiu para administrar os escravos negros que foram trazidos para o Brasil. Seu surgimento foi incentivado pelo colonizadores.

Com o seu fim, surge o cortejo que representa uma corte simbólica e que passa a fazer parte do carnaval de Recife, tal como aconteceu com o frevo.

Personagens

Os dançarinos do maracatu representam personagens históricos.

A composição do cortejo, que é formado entre 30 e 50 componentes, segue sempre uma ordem:

  • Porta-bandeira ou porta-estandarte, que se veste à moda de Luís XV. No estandarte, além do nome da agremiação, também consta o ano da sua criação.
  • Dama do paço, que são 1 ou 2, e que carregam a calunga.
  • Calunga, a boneca negra que representa uma rainha morta.
  • Corte, formada pelo casal de duques, o casal de príncipes e o embaixador. A figura do embaixador não é obrigatória.
  • Realeza, o rei e a rainha.
  • Escravo, o qual carrega um pálio ou um guarda-sol que protegem a realeza.
  • Baianas, conhecidas como Yabás.
  • Caboclo de pena, representa os índios, e também é uma figura facultativa.
  • Batuqueiros, os que utilizam os instrumentos, sendo assim responsáveis pelo ritmo da dança.
  • Catirinas ou escravas, dançarinas que puxam a dança.

O rei e a rainha do maracatu são títulos conquistados de forma hereditária.

Imagem dos personagens do cortejo do Maracatu NaçãoPersonagens do Maracatu Nação

Tipos de Maracatu

Há dois tipos de maracatu, o maracatu nação e o maracatu rural, os quais surgem principalmente em decorrência da sua batida ou baque, como é chamado no maracatu.

Maracatu Rural

Também conhecido como baque solto, esse tipo de maracatu é típico de Nazaré da Mata, município localizado na zona da mata de Pernambuco.

Sua origem é mais tarde, surgindo por volta do século XIX.

Os seus participantes são trabalhadores rurais. O caboclo de lança é o seu personagem de destaque. Ele se veste de forma bastante característica, com um grande volume de fitas coloridas na cabeça, com uma gola coberta de lantejoulas e uma flor branca pendurada na boca, entre outros.

Caboclo de lança, personagem do Maracatu RuralCaboclo de lança, personagem do Maracatu Rural

Maracatu Nação x Maracatu Rural

O maracatu nação, também conhecido como baque virado, é típico da zona metropolitana de Recife e é o ritmo afro-brasileiro que existe há mais anos. Os registros históricos indicam a possibilidade de ter surgido no ano de 1711.

O batuqueiro e os instrumentos usados por ele são muito importantes nesse tipo de maracatu. Enquanto isso, o caboclo de lança é a figura mais importante do maracatu rural.

 


A questão racial – da ditadura à democracia

Caminhos da Reportagem que vai ao ar no dia da Consciência Negra (20

Caminhos da Reportagem

No AR em 21/11/2014 – 00:00
 

Quilombo Rio dos Macacos - Simões Filho (área metropolitana de Salvador).Vovô do Ilê, fundador do primeiro bloco afro brasileiro.Na efervescência cultural dos anos 70, a afirmação da identidade negra ganhou força com a criação do primeiro bloco afro do Brasil, o Ilê Aiyê, e o início do movimento “black power”, sob a influência da “soul music” dos Estados Unidos. O fundador do bloco, Vovô do Ilê, e o produtor cultural Don Filó, da formação original da banda Black Rio, contam estas e outras histórias. Outro foco de resistência foi a chamada imprensa negra, cujo exemplo mostrado no programa é a Revista Tição, do Rio Grande do Sul.

A violência policial contra os negros, sua exclusão dos resultados do milagre econômico e o desejo de mais liberdade de expressão levaram à criação do Movimento Negro Unificado (MNU). Os integrantes ousaram questionar o Ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Luiza Bairros. mito da democracia racial no Brasil, propagado pelo governo militar. Os órgãos da repressão monitoravam tanto os movimentos culturais quanto os políticos dos negros. Os principais nomes do MNU, como a ministra da Seppir Luiza Barros, Yedo FerreiraMilton Barbosa dão seu depoimento.

Na redemocratização, muitas das pautas do movimento negro foram atendidas na nova Constituição, como a criminalização do racismo, o direito à demarcação de terras dos quilombos e o ensino da história da África nas escolas. Outras conquistas vieram nos últimos anos, como as cotas raciais. Mas muitos desses direitos ainda não são respeitados. É o que o Caminhos da Reportagem comprova na visita aos quilombos Alto do Tororó e Rio dos Macacos, em Salvador, e nas gravações com integrantes da Campanha Reaja, que luta contra o extermínio de jovens negros, as principais vítimas da violência no país.

Reportagem: Débora Brito
Imagens: André Rodrigo Pacheco, Sigmar Gonçalves
Apoio às imagens: Ademar Dos Santos Izaguirres (RS), Amanda Brandão (RJ), Eduardo Domingues (SP), Milene Nunes (SP)
Auxiliares técnicos: Alexandre Souza, Edvan Viana
Produção: Beatriz Abreu
Apoio à produção: Aline Beckstein (São Paulo), Danilo Pedrazza (Rio Grande do Sul), Thais Araujo (Rio de Janeiro), Tiago Bittencourt (Brasília)
Arte: Julia Costa
Edição de imagem e finalização: André Eustáquio, Márcio Stuckert
Edição de texto: Ana Maria Passos
Agradecimentos: Januário Garcia, TVE-RS


Modernismo

período: Século XX

 

Por Anderson Ulisses S. Nascimento

Doutorando em Língua Portuguesa pela Uerj

 

ANTECEDENTES E CONTEXTO HISTÓRICO

 

O movimento Modernista é uma referência ao projeto estético que conduziu o fazer artístico nas artes brasileiras, especialmente na primeira metade do séc. XX, com amplas repercussões que nos alcançam contemporaneamente. Habitualmente, o movimento é dividido em três grandes momentos, delimitados cronologicamente e, cada um, com sua linhagem de escritores.

O Modernismo, especialmente em sua primeira geração, é o primeiro movimento artístico que não corresponde a um transplante de tendências ideológico-artísticas a terras brasileiras. Contudo, em sua gênese, os artistas que compunham a linha de frente desse movimento beberam amplamente em fontes das Vanguardas Artísticas Europeias do início do séc. XX: o Expressionismo (1905), o Cubismo (1907), o Futurismo (1909), o Dadaísmo (1916) e o Surrealismo (1924).

A pintora Anita Malfatti, em sua exposição de 1917, apresenta em São Paulo uma pintura que incorpora, para além do Impressionismo de fins do séc. XIX, traços evidenciados de dialógo com o contexto geral de inovação das Vanguardas. Sua exposição recebeu severa crítica de Monteiro Lobato, expoente literário, em seu artigo Paranoia ou Mistificação?, do qual citamos um breve trecho:

“Há duas espécies de artistas. Uma composta dos que veem as coisas e em consequência fazem arte pura, guardados os eternos ritmos da vida, e adotados, para a concretização das emoções estéticas, os processos clássicos dos grandes mestres.
[…]
A outra espécie é formada dos que veem anormalmente a natureza e a interpretam à luz das teorias efêmeras, sob a sugestão estrábica de escolas rebeldes, surgidas cá e lá como furúnculos da cultura excessiva. São produtos do cansaço e do sadismo de todos os períodos de decadência; são frutos de fim de estação, bichados ao nascedouro. Estrelas cadentes brilham um instante, as mais das vezes com a luz do escândalo, e somem-se logo nas trevas do esquecimento.
[…]
Estas considerações são provocadas pela exposição da sra. Malfatti, onde se notam acentuadíssimas tendências para uma atitude estética forçada no sentido das extravagâncias de Picasso & Cia.”

O tom de veemente depreciação é por demais acentuado, e tamanha virulência acaba ironicamente por se tornar fator de coesão a um grupo de jovens artistas que sai em defesa de Malfatti, encabeçados por Oswald de Andrade, depois Mário de Andrade, Menotti del Picchia e outros. A partir de 1919, Tarsila do Amaral estreitaria laços com os autores.

SEMANA DE ARTE MODERNA

 

Antes mesmo de Malfatti, o pintor Lasar Segall já realizara, em 1913, uma exposição que muito impressionara Mário de Andrade, em seu perfil de pintura não acadêmica. Em 1917, mesmo ano do artigo de Lobato, Oswald e Mário aproximam-se, engendrando o que seria o epicentro da 1ª geração de modernistas. No mesmo ano, o segundo publica, sob o pseudônimo de Mário Sobral, “Há uma gota de sangue em cada poema”, em crítica à Primeira Guerra Mundial. 

Manuel Bandeira publica, respectivamente, em 1917 e em 1919, “A cinza das Horas” e “Carnaval”. Em 1921, durante o grandioso lançamento de “As máscaras”, de Menotti del Picchia, Oswald de Andrade conclama a chegada do momento da revolução modernista no Brasil. Também em 21, Di Cavalcanti expõe seus desenhos e caricaturas na mostra “Fantoches da Meia-Noite”; Mário de Andrade compõe sua série “Mestres do Passado”, em que analisa a poesia parnasiana, considerada, então, referência de fazer poético.

Cartazes de divulgação da Semana de Arte Moderna, de 1922 (Foto: Reprodução)Cartazes de divulgação da Semana de Arte Moderna, de 1922 (Foto: Reprodução)

Estava formada a base do que viria a ser a Semana de Arte Moderna de 1922, ano do centenário da Independência, logo, propício ao repensar da própria identidade nacional. O evento aconteceu entre 13 a 17 de fevereiro, quando os artistas referidos apresentaram sua arte moderna, sobretudo, à intelectualidade paulistana, sob a chancela do notabilizado pré-modernista Graça Aranha. O objetivo do evento era, claramente, chocar os presentes, ressignificando o próprio conceito de arte. 

Com esculturas e pinturas transgressoras, no Teatro Municipal de São Paulo, conferências de Graça Aranha, Menochi del Picchia, a declamação de “Os sapos”, de Manuel Bandeira, crítica satirizante aberta aos parnasianos e Heitor Villa-Lobos apresentando-se de roupa formal e chinelo. O evento gerou ferozes críticas conservadoras, o que era, desde o princípio, seu objetivo.

A partir desse momento, estavam abertas as portas que nos trariam, além dos autores da primeira geração modernista, contemporânea e participante dos acontecimentos relatados, toda um rol de imortais nomes da literatura brasileira do século XX, como: Carlos Drummond, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Clarice Lispector e tantos outros.


1944/1961 – Rio de Janeiro RJ

Histórico


Idealizado, fundado e dirigido por Abdias do Nascimento, o Teatro Experimental do Negro tem como objetivo a valorização do negro no teatro e a criação de uma nova dramaturgia. Contemporâneo de Os Comediantes, companhia com a qual realiza intercâmbios, o Teatro Experimental do Negro atua no nascimento do teatro moderno, priorizando seu projeto artístico sem levar em conta o gosto médio da platéia e abrindo mão da profissionalização.

O projeto do Teatro Experimental do Negro – TEN, engloba o trabalho pela cidadania do ator, por meio da conscientização e também da alfabetização do elenco, recrutado entre operários, empregadas domésticas, favelados sem profissão definida e modestos funcionários públicos. A companhia inicia suas atividades em 1944, colaborando com o Teatro do Estudante do Brasil (TEB), na encenação da peça Palmares, de Stella Leonardos. Quando decide empreender um espetáculo próprio constata que não há, na dramaturgia brasileira, textos que sirvam aos seus objetivos. Abdias do Nascimento descobre em O Imperador Jones, de Eugene O’Neill, o retrato mais aproximado da situação do negro após a abolição da escravatura. O autor cede gratuitamente os direitos e o grupo ensaia durante seis meses, tendo aulas de interpretação com o professor Ironildes Rodrigues em salas da União Nacional dos Estudantes (UNE). O espetáculo, dirigido por Abdias do Nascimento, estréia em maio de 1945 no Theatro Municipal do Rio de Janeiro e obtém boa receptividade, com elogios ao protagonista, Aguinaldo Camargo.

O TEN procura estimular a criação de novos textos, que sirvam aos seus propósitos. Sua diretriz é a temática ligada à situação do negro. A falta de resposta à altura de suas expectativas faz Abdias do Nascimento encenar outro texto de Eugene O’Neill, Todos os Filhos de Deus Têm Asas, com a participação da atriz Ruth de Souza.

A primeira resposta à demanda dramatúrgica da companhia é o texto O Filho Pródigo, de Lucio Cardoso, encenado em 1947, com cenários de Tomás Santa Rosa, e protagonizado por Ruth de Souza e Aguinaldo Camargo. Ainda em 1947, participam de Terras do Sem Fim, de Jorge Amado, adaptação de Graça Mello, com direção de Zigmunt Turkov, montagem em colaboração com Os Comediantes. Em 1949, é a vez de Filhos de Santo, de José de Morais Pinho, selecionado entre os textos escritos especialmente para o TEN. Contendo muitos elementos da cultura religiosa negra e pinceladas de crítica social, a peça se baseia em uma situação maniqueísta em que uma jovem é enfeitiçada por um pai-de-santo vilão, que a rouba de seu amado. O espetáculo ocupa o Teatro Regina, com direção de Abdias do Nascimento e cenários de Tomás Santa Rosa. Em 1950, o TEN estréia Aruanda, de Joaquim Ribeiro, um dos poucos textos bem-sucedidos do repertório lançado pela companhia. Trata-se de uma lenda desenvolvida com recurso ao mistério e à sensualidade, sobre o amor entre Rosa Mulata e o Deus Gangazuma, com quem ela se encontra por meio de seu marido, que recebe o espírito do Deus. Embora aponte falhas estruturais na dramaturgia, o crítico Sábato Magaldi considera que a lenda “é um episódio de crença negra dos mais felizes proporcionados pela imaginação primitiva” e que traz “uma história de amor e ciúme de incontestáveis riquezas”.1

Abdias do Nascimento escreve Sortilégio para o TEN, encenada por Léo Jusi no Theatro Municipal, em 1957. Baseada numa história de amor que envolve um negro e duas mulheres, uma negra outra branca, a peça, cheia de elementos não realistas, como aparições, flash-backs e personagens que simbolizam o inconsciente coletivo, aborda a tomada de consciência do protagonista a respeito de sua alienação no mundo dos brancos. Embora tenha como ponto de partida uma premissa ideológica, o TEN não se volta para um teatro popular nem para a popularização de sua platéia, apresentando-se muitas vezes no Theatro Municipal, do Rio de Janeiro.

Abdias do Nascimento procura fazer o TEN ultrapassar os limites da função artística e empreender também uma ação social: cria um concurso de beleza para negras e um concurso de artes plásticas com o tema Cristo Negro. Em 1945, promove uma Convenção Nacional do Negro e, em 1950, o 1º Congresso do Negro Brasileiro. Em 1955, realiza a Semana do Negro. Edita o jornal Quilombo.

As atividades do TEN incentivam a criação de iniciativas semelhantes. No Rio de Janeiro, em 1950, Solano Trindade funda o Teatro Popular Brasileiro; em São Paulo, os grupos negros encontram na dramaturgia norte-americana uma fonte para suas encenações experimentais; Geraldo Campos de Oliveira funda também um Teatro Experimental do Negro, que se mantém em atividade durante mais de quinze anos e monta, entre outros, O Logro, de Augusto Boal, 1953; O Mulato, de Langston Hughes, 1957; Laio Se Matou, de Augusto Boal, direção de Raul Martins, 1958; O Emparedado, de Tasso da Silveira; e Sucata, de Milton Gonçalves, ambos em 1961.

Por duas vezes o TEN é impedido de participar de festivais negros internacionais pelo próprio governo brasileiro. Segundo a historiadora Miriam Garcia Mendes, no entanto, esses fatos não devem ser compreendidos apenas como fruto da discriminação racial: “… os movimentos de vanguarda, e o TEN era um deles, sempre enfrentaram grandes dificuldades, não só por falta de apoio oficial, como pela natural reação do público […] habituado às comédias de costumes inconseqüentes ou dramas convencionais”.2

O Teatro Experimental do Negro nunca atingiu a importância social que pretendia em seu tempo. Mas, em termos de história do teatro, significou uma iniciativa pioneira, que mobilizou a produção de novos textos, propiciou o surgimento de novos atores e grupos e semeou uma discussão que permaneceria em aberto: a questão da ausência do negro na dramaturgia e nos palcos de um país mestiço, de maioria negra.


Heroínas negras na história do Brasil

Por Jarid Arraes*, na Revista Fórum

 

Divulgação

Jarid Arraes está publicando a história de heroínas negras em formato de literatura de cordel
Jarid Arraes está publicando a história de heroínas negras em formato de literatura de cordel

Nós, brasileiros, passamos vários anos na escola aprendendo sobre todos os detalhes das vidas de Dom Pedro I e II, seus familiares, seus casos sexuais e viagens. Na televisão, os imperadores viram protagonistas de minisséries, enquanto os atores e atrizes negros são reduzidos a papéis de escravos sem profundidade. Grandes lutadores como Zumbi dos Palmares, Dragão do Mar e José Luiz Napoleão, são pouco mencionados. Aliás, eles são lembrados apenas no mês de novembro, em razão do Dia da Consciência Negra; mas as mulheres negras, que contribuíram de tantas formas na luta contra a escravidão e nas conquistas sociais do Brasil, nem sequer são mencionadas.

O esquecimento das mulheres negras na história é algo que contribui para a vilipendiação da população negra. Por conta disso, as garotas negras crescem achando que não há boas referências intelectuais e de resistência nas quais possam se espelhar. Para descobrir seus referenciais, é preciso que se mergulhe em uma pesquisa individual, muitas vezes solitária, juntando peças de um enorme quebra-cabeça para no fim descobrir que pouquíssimo foi registrado a respeito de mulheres como Dandara dos Palmares ou Tereza de Benguela – importantes líderes quilombolas.

Devido ao machismo, é muito difícil encontrar registros da história das mulheres, especialmente aqueles que sejam contados de forma aprofundada e responsável. Ainda hoje, poucas mulheres, mesmo entre as brancas ou europeias, são citadas e celebradas por suas conquistas. No entanto, quando essas mulheres são negras, a negligência é ainda maior. Em um país onde mais de 50% da população é negra, a situação desse quadro é absurda.

Mesmo com os esforços racistas para apagar a história das mulheres negras, racismo nenhum será capaz de enterrar a memória de ícones como Luísa Mahin e Tia Simoa. Mulheres negras inteligentes, com grande capacidade estratégica, imensa coragem e ímpeto de transformação, que jamais se conformaram ou se dobraram diante do racismo e da misoginia; pelo contrário, lutaram e deram suas vidas para que mulheres negras como eu pudessem viver em liberdade e escrever, ocupando espaços que, ainda hoje, nos são de difícil acesso.

Infelizmente, tive que descobrir essas guerreiras por conta própria, contando com a ajuda de outras mulheres negras, companheiras de luta, que me apresentaram textos e materiais onde suas vidas foram contadas, ainda que brevemente. Por isso, decidi utilizar minha produção literária, meus cordéis, para contar as histórias dessas mulheres e fazer com que mais pessoas tomassem conhecimento de suas batalhas e do quanto são importantes para a história do Brasil. Até o momento, tenho vários cordéis biográficos que contam as trajetórias de Aqualtune e Carolina Maria de Jesus, além de outras já citadas nesse texto.

Nosso papel é fazer com que essas mulheres negras sejam conhecidas e seus feitos sejam estudados. Seja por meio do cordel, das redes sociais ou de trabalhos acadêmicos, precisamos registrar e divulgar essas memórias. Com elas, provamos que a população negra sempre lutou por seus direitos, provamos que as mulheres negras sempre foram protagonistas dos movimentos negro e de mulheres e que nunca se omitiram ou saíram das trincheiras. Afinal, essas mulheres são espelhos e exemplos do que todas as meninas e jovens negras podem ser.

Os cordeis podem ser encontrados neste link.  

Leia também:
Carolina Maria de Jesus, poética de resíduos

 

*Jarid Arraes é diretora do Femica e estudante de Psicologia


Hoje na História, 1931, 80 anos da Frente Negra Brasileira

 
 

“A Frente Negra Brasileira foi fundada em 16 de setembro de 1931 e durou até 1937, tornando-se partido político em 1936. Foi a mais importante entidade de afrodescendentes na primeira metade do século, no campo sócio-político. A Frente Negra foi um movimento social que ajudou muito nas lutas pelas posições do negro aqui em São Paulo.

Existiam diversas entidades negras. Todas essas entidades cuidavam da parte recreativa e social, mas a Frente veio com um programa de luta para conquistar posições para o negro em todos os setores da vida brasileira. Um dos seus departamentos, inclusive, enveredou pela questão política, porque nós chegamos à conclusão de que, para conquistar o que desejávamos, teríamos de lutar no campo político, teríamos de ter um partido que verdadeiramente nos representasse.

A consciência que existia na época eu acho que era muito mais forte que a que existe agora. Quando o negro sente uma pressão, quando qualquer agrupamento humano sente uma pressão, procura um meio de defesa. A pressão era tão forte que muitos jornais publicavam: “Precisa-se de empregado, mas não queremos de cor”.

Havia alguns movimentos também no interior, principalmente nos lugares em que os negros não passeavam nos jardins, mas na calçada. Muitas famílias não aceitavam, inclusive, empregadas domésticas negras; começaram a aceitar quando se criou a Frente Negra Brasileira. Chegou-se ao ponto de exigir que essas negras tivessem as carteirinhas da Frente.

Então, essa consciência era muito mais acentuada do que nos dias atuais. Porque hoje os jovens negros, a meu ver, estão muito acomodados, não sei se por receio ou não. A Frente Negra funcionava perfeitamente. Lá havia o departamento esportivo, o musical, o feminino, o educacional, o de instrução moral e cívica. Todos os departamentos tinham a sua diretoria, e o Grande Conselho supervisionava todos eles. Trabalhavam muito bem.

Dessa forma, muitas entidades de negros que cuidavam de recreação filiaram-se à Frente Negra. E existiam diversas sociedades em São Paulo e pelo interior afora. Por isso a Frente cresceu muito, cresceu de uma tal maneira que tinha delegação no Rio de Janeiro, na Bahia, no Rio Grande do Sul, e, Minas Gerais etc.”

 

 
História do Rock no Brasil

A história do rock no Brasil é basicamente a mesma dos demais países, exceto Estados Unidos, onde ele nasceu, e Inglaterra, onde, de certa forma, o skiffle assimilou a seu jeito e de forma mais rápida a nova linguagem musical. Ao chegar em terras brasileiras, diante da inexperiência dos jovens frente ao ritmo novo, aos instrumentos e, mesmo, à falta de espaço social para a juventude, o rock and roll foi absorvido inicialmente pelas orquestras de jazz, e pelos cantores tradicionais, responsáveis pelos primeiros hits do novo gênero.
 Anos 50 e 60

        No final da década de 50 e começo da de 60, Sérgio Murilo e Celly Campelo recebiam os títulos de rei e rainha do rock nacional, por causa dos covers que faziam e de suas famosas composições “Marcianita” e “Broto Legal”.
        Pouco tempo depois, nossos músicos já começavam a manifestar as influências sofridas pelo sucesso do rock, compondo músicas neste estilo e, às vezes, até mesmo plagiando os estrangeiros. O fenômeno conhecido como Jovem Guarda, que conquistou o Brasil na década de 60, é um bom exemplo de como nossos artistas utilizavam-se da cultura norte-americana. Os grandes hits de muitos dos grupos daquela época eram covers traduzidos de músicas estrangeiras, com arranjos levemente modificados. Cantores como Wanderléia, Silvinha, Eduardo Araújo, Renato e seus Blue Caps, Jerry Adriani, The Fevers, Golden Boys e muitos outros, tornaram-se famosos justamente por causa destes covers. É claro que todos eles tinham suas próprias canções, que também ganharam reconhecimento do público daqui mas, sem dúvida, o primeiro impacto sempre era conseguido através de um cover. Dois dos maiores compositores deste tempo eram Roberto Carlos e Erasmo Carlos, cujas músicas fizeram muito sucesso e foram cantadas por quase toda a turma da Jovem Guarda. Na verdade, existia um grande rodízio de composições feitas e cantadas por todos, como se a Jovem Guarda fosse uma grande família.
        A divulgação dos brasileiros do rock’n’roll era feita através de um programa televisivo transmitido nas tardes de domingo, chamado justamente Jovem Guarda. E daí saiu a denominação do movimento. Nesta mesma década de 60, surgiram outros grupos de rock que passariam a ter grande importância no desenvolvimento do estilo no Brasil. Mais precisamente em 1966, o país viu nascer o mais irreverente dos grupos, cuja vocalista ruiva é considerada, até hoje, titia do rock nacional. Os Mutantes, formado por Rita Lee, Sérgio Dias e Arnaldo Baptista, nunca obtiveram grande sucesso comercial, mas seu pioneirismo influenciou toda uma geração futura. O grupo durou menos de dez anos e Rita Lee foi a única integrante que conseguiu fazer sucesso com a carreira solo.

 Anos 70 e 80

        Na década de 70, o país viu surgir uma série de outras bandas, como A Bolha, Bixo da Seda, Casa das Máquinas, Made in Brazil e O Terço, que nunca chegaram a conseguir manter-se bem sucedidos, apesar dos dois últimos citados existirem até hoje.
        Com uma parada, o rock brasileiro voltou à ativa no final dos anos 70 e começo dos anos 80, quando surgiu uma série de grupos de diferentes estilos, alguns dos quais são consagrados até hoje no país. No estilo rock blues, podemos citar Barão Vermelho (do qual saiu Cazuza), Eduardo Dusek, Lobão, Rádio Taxi e Azul 29. Dentre os que apostavam em letras bem humoradas estão Blitz, Ultraje a Rigor e João Penca e seus Miquinhos Amestrados, além do Camisa de Vênus, que fazia um som mais cru, totalmente punk, e o Joelho de Porco. Os Paralamas do Sucesso e Capital Inicial apostaram na mistura de ska com rock e acertaram, enquanto que os Titãs já mudaram seu estilo inúmeras vezes, mas continuam fazendo parte dos mais vendidos no Brasil.
        Ainda na década de 80, trouxe também vários grupos punks cujas letras de protesto eram cantadas pelos jovens mais pobres do país, chegando também a conquistar os de classe média e alta. Ira!, Inocentes, Cólera, Ratos de Porão e Olho Seco são alguns dos maiores representantes do estilo punk brasileiro. Não se pode esquecer de citar o thrash metal competente de grupos como Dorsal Atlântica e Sepultura. Este último só começou a fazer sucesso no Brasil depois de ter vendido milhares de cópias na Europa durante os anos 80, tornando-se o maior representante do rock brasileiro no exterior.

 Anos 90 e 2000

        Nos anos 90, aparecem grupos cantando em inglês, que abrem perspectivas de sucesso internacional. O grupo mineiro Sepultura consagra-se na Europa e nos Estados Unidos. O grupo paulistano Viper conquista o Japão. A partir de 1993 voltam a fazer sucesso bandas que cantam em português e incorporam ritmos nacionais e regionais nordestinos, como os Raimundos (de Brasília), Skank, Lulu Santos, Jota Quest e Chico Science & Nação Zumbi e Mundo Livre S/A (do Recife).
      Nos anos 2000, algumas bandas passaram por muitas mudanças: o Skank ficou mais britpop e cheio de experimentalismo nas músicas o que foi visto nos discos Cosmotron (2003) e Carrosel (2006); o líder dos Raimundos, Rodolfo, converteu-se a um culto evangélico e saiu da banda para formar o Rodox (que também acabaria algum tempo depois); A banda Los Hermanos, lançada com o sucesso “Anna Júlia”, mudou seu estilo a partir do segundo, polêmico, experimental e aclamado disco Bloco do eu sozinho (2001), e conseguiram continuar essa nova identidade com Ventura (2003) e 4 (2005); e três dos quatro integrantes do Charlie Brown Jr. abandonaram o grupo.
      O ano 2001 foi um ano “trágico” para o rock brasileiro. Herbert Vianna, dos Paralamas, sofreu acidente de ultraleve e ficou paraplégico (mas voltou a tocar); Marcelo Frommer, dos Titãs, morreu atropelado; Marcelo Yuka, d’O Rappa, foi baleado e ficou paraplégico (saiu da banda); e Cássia Eller morre.
      Duas origens alavancaram sucessos: a MTV, com seu Acústico, “ressuscitou” alguns grupos dos 80, como Capital Inicial e Ira!; e o produtor dos Mamonas, Rick Bonadio, que revelou entre outros, Charlie Brown Jr., Tihuana, Leela, O Surto, CPM 22 (com hardcore melódico) e Detonautas Roque Clube (com a mistura hardcore melódico/electro/pop) .

 

 


 
  Uma breve história do Fórum Social Mundial

________________________________________Emir Sader

O Fórum Social Mundial já tem história. Uma história que não pode ser entendida separada daquilo que lhe deu nascimento e a que ele está intrinsecamente vinculado: a luta contra o neoliberalismo e por um mundo posneoliberal – que é o sentido de seu lema central “Um outro mundo possível”.

Nas suas origens está o “grito zapatista” de 1994”, conclamando à luta global contra o neoliberalismo. Em seguida, veio o editorial do Le Monde Diplomatique, de Ignacio Ramonet, chamando à luta contra o “pensamento único”, seguida pelas manifestações em Seattle, que impediram a realização da reunião da OMC e as outras, em tantas cidades do mundo. Enquanto isso, se realizavam anualmente manifestações na Suiça, chamadas de anti-Davos.

Até que, com o crescimento da resistência ao neoliberalismo, se pensou no projeto de organizar um Forum Social Mundial em oposição ao Forum Economico de Davos. A idéia foi de Bernard Cassen, jornalista francês que naquele momento dirigia a Attac, que ao mesmo tempo propôs que a sede fosse na periferia do sistema – onde residem as vitimas privilegiadas do neoliberalismo -, na América Latina – onde se desenvolviam os principais movimentos de resistência, no Brasil – que tinha a esquerda mais forte naquele momento – e, em particular, em Porto Alegre – pelas políticas dos governos do PT, de Orçamento Participativo.

Depois do primeiro Fórum se constituiu um Conselho Internacional, com participação de todas as entidades que quisessem se incorporar, porém a direção continuou em um estrito grupo de entidades brasileiras, dominadas por ONGs. Este foi um limitante original do FSM, dado que o movimento se apoiava centralmente em movimentos sociais – de que a Via Campesina agrupa a parte significativa deles -, enquanto as ONGs – cujo caráter ambíguo, até mesmo neoliberal pela sua definição anti-governamental, mas também com várias delas com ações obscuras no seu sentido, no seu financiamento e nas suas alianças com grandes empresas privadas – se apoderava do controle da organização, imprimindo-lhe um caráter restrito.

Restrito, porque limitado a um suposta “sociedade civil”, o que já lhe imprimia um caráter liberal, oposto a governos, a partidos, a Estados, bloqueando a capacidade de construção de “um outro mundo possível”, que teria que ser um mundo global, com transformação das relações de poder, do Estado e da sociedade no seu conjunto. Também ficava fora um tema que passou a ser central no mundo conforme os EUA adotavam sua política de “guerras infinitas” – a luta pela paz -, que no entanto representou o momento de maior capacidade de mobilização dos novos movimentos populares no mundo, com as mobilizações de resistência à guerra do Iraque, em 2003.

O Conselho Internacional decidiu a alternância de sedes do FSM, que passou a se realizar em outros continentes, com o que se realizaram encontros na Índia e no Quênia. Também decidiu que os FSM seriam realizadosa cada dois anos, alternados por FSM regionais. No entanto o FSM passou realmente a girar em falso conforme a definição inicial de se limitar um espaço de troça de experiências entre entidades da “sociedade civil” foi limitando suas temáticas e sua capacidade de formular alternativas. Nem sequer balanços das maiores mobilizações populares jamais havidas, as contra a guerra do Iraque, foram feitas, para definir a continuidade da luta.

A fragmentação dos temas se acentuou conforme foi decidido que as atividades dos FSM seriam “autogestionadas”, sem definição política dos temas fundamentais, que deveriam ser financiados centralizadamente, promovendo um imenso privilegio das ONGs e outras entidades que dispõem de recursos contra os movimentos sociais – que deveriam ser os protagonistas fundamentais do FSM.

Hoje, o FSM tem em governos latinoamericanos progressistas os agentes de construção da agenda proposta pelo movimento. Os movimentos sociais que souberam rearticular de maneira criativa suas relações com a esfera política – de que a fundação pelos movimentos bolivianos do MAS – e disputar a criação de novos governos e a construção de projetos hegemônicos alternativos, avançaram significativamente na criação do “outro mundo possível”. Enquanto que os que seguiram refugiados na chamada “autonomia dos movimentos sociais” – como os casos dos piqueteiros argentinos ou dos zapatistas – perderam peso ou até mesmo tenderam a desaparecer politicamente.

Em 2009, o Fórum voltou ao Brasil, sendo realizado em Belém, no Pará. O encontro foi marcado, entre outras coisas, pela presença de 5 presidentes latino-americanos – Evo Morales, Rafael Correa, Hugo Chavez, Fernando Lugo e Lula, líderes de governos que, em distintos níveis, colocam em prática políticas que identificaram, desde o seu nascimento, o FSM: a Alba, o Banco do Sul, a prioridade das políticas sociais, a regulamentação da circulação do capital financeiro, a Operação Milagre, as campanhas que terminaram com analfabetismo na Venezuela e na Bolívia, a formação das primeiras gerações de médicos pobres no continente, pelas Escolas Latinoamericanas de Medicina, a Unasul, o Conselho Sulamericano de Segurança, o gasoduto continental, a Telesul – entre outras. A cara nova e vitoriosa do FSM, nos avanços da construção do posneoliberalismo na América Latina.

O FSM 2009 foi marcado também pela forte presença d os povos indígenas e pelo Forum PanAmazonico, com os movimentos camponeses e a Via Campesina, os sindicatos e o Mundo do Trabalho, os movimentos feministas e a Marcha Mundial das Mulheres, os movimentos negros, os movimentos de estudantes, os de jovens.

O movimento anti-neoliberal passou da fase de resistência à fase de construção de alternativas. Este FSM demonstrará se permanece na fase de resistência, de fragmentação de temáticas, de limitação à “sociedade civil” ou se se coloca à altura da etapa atual de disputa hegemônica, já não mais a nível nacional ou regional, mas a nível global, quando a crise capitalista e o esgotamento do modelo neoliberal coloca para o FSM seu maior desafio: ser agente na construção concreta do “outro mundo possível” ou permanecer como espaço de testemunhos, ricos, mas impotentes.

O Fórum Social Mundial 2011, em Dakar, ganhou uma nova agenda com a onda de protestos populares que já atingiu a Tunísia, o Egito, o Iêmen e a Jordânia. O mais significativo de todos, sem dúvida, é o Egito, em função do que o país representa em termos geopolíticos no Oriente Médio. Egito e Arábia Saudita são dois pilares centrais da aliança EUA-Israel na região. Uma mudança de regime político em um desses dois países pode significar um terremoto geopolítico de grandes proporções.
A aplicação da consigna do FSM aos problemas dessa região coloca a seguinte questão: “Outro Oriente Médio é possível?”. O que está acontecendo no Egito mostra que o castelo das autocracias apoiadas e sustentadas pelos EUA é menos sólido do que parecia. Milhões de jovens, homens e mulheres, estão nas ruas dizendo que é possível, sim. E necessário.


  


 
O Ilê Aiyê é a cultura brasileira na dança, música e festa. (Foto: André Frutuôso)
 
 
“Que bloco é esse

Eu quero saber,

É o mundo negro

Que viemos mostrar pra você

Pra você

Somos criolo doido

Somos bem legal

Temos cabelo duro

Somos black power”
(Paulinho Camafeu)
 
 
Ilê Aiyê é o espetáculo rítmico-musical e visual que tem sua fonte de inspiração na África, somado ao trabalho sócio-educacional de revalorização dos afro-descendentes. Ilê Aiyê é a cultura afro-brasileira em música, dança e festa. No ritmo dos surdos e repiques, nos gestos e nas cores vermelho, amarelo e branco que caracterizam o bloco.
 
 
Preservar, valorizar e expandir a cultura afro-brasileira é o lema que o bloco segue desde sua fundação em novembro de 1974. Entre os mais antigos blocos-afros da Bahia, seu berço foi o bairro do Curuzu. Do iorubá, Ilê = casa, Aiyê = Terra, a “nossa casa”, a “nossa Terra”, que traduz a ligação com as raízes ancestrais dos orixás e com a herança dos costumes sociais e culturais da mãe África.
 
 
 
Ilê Aiyê colorindo o carnaval de Salvador, na Bahia. (Foto: André Frutuôso)
 
 
No carnaval da Bahia, o bloco Ilê Aiyê é referência ao representar tanto nas temáticas das músicas, como nas fantasias, no ritmo e nas danças o mundo negro que, com origem no continente africano, é o fio que tece a malha cotidiana da realidade baiana. Nas palavras oficiais do Ilê: “o Mais Belo dos Belos apropriou-se popularmente da história africana para trabalhar a construção da história do negro no Brasil”.
 
 
“Ilê Aiyê, sua beleza se transforma em você”, versos da música “Canto de Afoxé”, de Caetano Veloso, traduzem muito bem as apresentações do bloco pelo mundo. Sim, pois, já passaram por Angola, Alemanha, China, Colômbia, Itália, entre outros países. O que traduz também A Noite da Beleza Negra, na qual é escolhida a “Deusa do Ébano”.
 
 
 
O concurso “Deusa do Ébano” exalta a beleza e conscientização da mulher negra. (Foto: Fafá M. Araújo) 
 
 
“Deusa do Ébano”, é um concurso que exalta a beleza e a conscientização da mulher negra, pois nele “são analisados os trançados dos cabelos, as estamparias do tecido, a graça da dança, mas, sobretudo, a candidata deve ter consciência da sua negritude e ser atuante na comunidade para tornar-se vencedora da Noite da Beleza Negra”.
 
 
O bloco afro Ilê Aiyê também estende seus fios em ações educativas exemplares. Aliando práticas pedagógicas e culturais proporciona desenvolvimento social às crianças e aos jovens da comunidade do Curuzu e bairros vizinhos. O “Projeto de Extensão Pedagógica do Ilê Aiyê” conta com três espaços educativos que valorizam a pluralidade social e cultural da sociedade baiana.
 
 
 
Vovô do Ilê é um dos responsáveis pela fundação do tradicional bloco afro. (Foto: Fafá M. Araújo)
 
 
Como espaço de socialização e apreensão de valores éticos, a Escola Mãe Hilda oferece educação básica e fundamental, como também, atividades artísticas. O Projeto conta ainda com a Escola Profissionalizante do Ilê Aiyê, que inclui em seu currículo questões sobre cidadania, abordando a história do negro e o preconceito racial, e com a Banda Erê, escola de arte e educação que resgata valores culturais africanos.
 
 
Um dos fundadores do Ilê Aiyê, Antonio Carlos dos Santos, conhecido como Vovô do Ilê, defende a formação do bloco somente por integrantes negros pelo fato de observar a forte presença de brancos nos blocos baianos até então. A ideia foi mesmo a de criar um bloco carnavalesco dirigido por negros voltado para a comunidade negra, o que não foi uma tarefa fácil se lembrarmos que a sua fundação foi em 1974, em pleno regime militar no Brasil.
 
Tanto Vovô do Ilê, quanto Apolônio de Jesus, seus dirigentes e fundadores, sofreram com perseguições no período da ditadura. Mas, mantiveram seus ideais e o bloco que começou com uma centena de integrantes no primeiro ano, com os desfiles sendo vigiados pela polícia, concentra hoje, quarenta anos depois de sua fundação, três mil associados sendo considerado um patrimônio da cultura baiana.
 
 
“Ilê Aiyê que maneira mais feliz de viver”
(Caetano Veloso)
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O Kuarup é uma festa para celebrar a memória dos mortos

Os troncos feitos da madeira “kuarup” são a representação concreta do espírito dos mortos.
 
Foto: Roberto Stuckert Filho

 

Apresentação de luta
        O Kuarup é um ritual de homenagem aos mortos ilustres, celebrado pelos povos indígenas da região do Xingu, no Brasil. O rito é centrado na figura de Mawutzinin, o demiuro e primeiro homem do mundo da sua mitologia. Kuarup também é o nome de uma madeira. Em sua origem, o Kuarup teria sido um rito que objetivava trazer os mortos de novo à vida.
        Os troncos feitos da madeira “kuarup” são a representação concreta do espírito dos mortos. Corresponderia à cerimônia de finados, dos brancos. Entretanto, o Kuarup é uma festa alegre, onde cada um coloca a sua melhor vestimenta na pele. Na visão dos índios, os mortos não querem ver os vivos agindo de forma triste ou feia.
O Kuarup da tribo Kuikuro
        Os Kuikuros (região do Rio Kuluene) realizam uma cerimônia do mais profundo sentimento humano todo ano, no mês de maio, e sempre em uma noite de lua cheia. Os índios desta tribo convidam as tribos amigas para evocarem juntas as almas dos mortos ilustres. Ainda durante a noite, trazem da floresta várias toras de madeira, conforme o número dos que desapareceram. Essas toras são organizadas em linha reta, no centro do terreiro em frente às malocas. Cada tora recebe a pintura das respectivas insígnias que, em vida, os distinguiam como pajés, guerreiros, caçadores, ou até mesmo aqueles que mais descendentes legaram à comunidade. Enquanto são executados estes trabalhos, alguns homens com arco e flecha entoam hinos aos mortos.
Preparação do tronco
        Tudo pronto, aos gritos de há-ha, vão os homens às malocas e de lá voltam acompanhados das mulheres e crianças. As mulheres, de cabelos soltos, trazendo algumas frutas e guloseimas, em largas folhas de palmeira, outras, ricos cocares, plumagem de coloridos vivos, braceletes e colares. Aproximam-se em passos harmoniosos dos kuarupes e, em voz baixa como um sussurro, travam com eles um pequeno diálogo, que parecem exprimir toda a gratidão, falando-lhes das saudades que deixaram, oferecendo-lhes ao mesmo tempo os frutos e guloseimas.
        Ao cair da noite, os homens trazem da floresta archotes de palha incendiados, cuja luz faz brilhar os corpos untados de urucum em reflexos metálicos que desenham toda a beleza dos seus corpos.
        A “dança do fogo” começa primeiro em passos cadenciados. Em seguida o ritmo aumenta de velocidade ao som do chocalhar dos maracás e das canções místicas. O pajé é o responsável pela evocação a Tupã, implorando fazer voltar à vida os mortos ilustres que estão sendo representados pelas toras. O momento ideal para o ritual é quando a lua cheia se encontra no máximo de sua beleza.
        Terminando a evocação, os homens se dispersam pelo terreno em pequenos grupos, enquanto só o pajé continua a entoar as suas loas até o alvorecer. As mulheres voltam para ouvirem os cânticos que anuncia o sol, feito voltar à vida os mortos ilustres.
        Então começa a dança da vida, que é executado pelos atletas da tribo, cada um trazendo ao ombro uma longa vara verdejante, símbolo dos últimos nascidos na comunidade. Os atletas formam um grande círculo correndo em volta dos kuarupes, ao mesmo tempo em que os reverenciam. Depois o grande círculo se divide em dois, e rapidamente vários grupos são formados, representando cada um uma tribo.
 
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O JONGO DA SERRINHA

Paço Imperial, Lei Aurea, 1888

Paço Imperial, Lei Aurea, 1888

O fim da escravidão não acabou com as injustiças praticadas contra os negros. Os ex-escravos e seus descendentes não receberam um pedaço de terra para continuar trabalhando na agricultura. Assim, foram obrigados a migrar para a cidade do Rio de Janeiro, então capital do país, em busca de melhores oportunidades. No início do século, o Rio de Janeiro já sofria com a especulação imobiliária. As obras de demolição do centro colonial da cidade, empreendidas pela nova política de “embelezamento” à moda francesa e “sanitarização”, expulsaram a população pobre dali para o alto dos morros, até então desabitados devido ao difícil acesso, inaugurando uma nova forma de moradia: as favelas.

Congado em Minas Gerais, 1876

Congado em Minas Gerais, 1876

A chegada dessa população do Vale do Rio Paraíba fez com que o Rio de Janeiro se tornasse a região do Brasil com maior concentração de jongueiros. Apesar da mudança para a cidade, essas famílias negras continuaram a dançar o jongo em seus novos redutos como os morros de São Carlos, Salgueiro, Mangueira, e, sobretudo na Serrinha. Assim, graças à memória desses antigos jongueiros, foi possível reviver o passado das fazendas.Por volta de 1930, devido ao estreito contato com a vida urbana, aos novos modismos e à morte dos jongueiros idosos, o jongo foi aos poucos desaparecendo dos morros cariocas. No entanto, a Serrinha, localizada na periferia, isolada da parte central da cidade, como se fosse uma “roça” afastada, pôde preservar a cultura afro-brasileira tradicional.

Madureira no começo do seculo XX

Madureira no começo do seculo XX
A vida dos moradores desse morro do subúrbio de Madureira continuou bem parecida com a dos tempos das fazendas. As cachoeiras, os bambuzais, os animais selvagens, as casas de pau-a-pique, o candeeiro e o ferro a brasa continuaram a fazer parte do dia-a-dia. O espírito festivo dos moradores e a consciência da importância de se preservar a cultura negra foram fundamentais para a formação desse núcleo de famílias-artistas. As ladainhas, os blocos de carnaval, os pastoris, as casas de umbanda, o samba de partido-alto, o calango e o jongo da Serrinha ficaram famosos, atraindo a visita de intelectuais, políticos e artistas do outro lado da cidade para suas rodas de samba, festejos, umbandas e candomblés.
Seus moradores lideraram movimentos negros e de luta popular, como a fundação do primeiro sindicato do Brasil, o do Cais da Estiva, onde muitos deles trabalhavam e a fundação das primeiras escolas de samba.A partir da década de 60, muitos velhos jongueiros da Serrinha foram morrendo e, mesmo naquela comunidade, as rodas de jongo começaram a se extinguir. Preocupados com isso, Mestre Darcy Monteiro e sua família convidaram as antigas jongueiras Vovó Teresa, Djanira, Tia Maria da Grota e Tia Eulália para formar o grupo artístico Jongo da Serrinha e quebraram o tabu que impedia as crianças de participarem do jongo.

MESTRE PASTINHA, O PAI DA CAPOEIRA ANGOLA

 
A lição do velho Benedito
 
fo Jean Paulo Sartre, o ator Jean Paul Belmondo, além de turistas de todo o Brasil.
 
 
 

Em cinco de julho de 1957, Mestre Pastinha apresenta a capoeira angola com seus alunos no festival Bahiarte, na Lagoa do Abaeté onde ocorre o seu primeiro encontro com Mestre Bimba. Os dois demonstraram passividade e respeito um pelo outro, deixando transparecer que a rivalidade entre os angoleiros e regionais, era criada pelos alunos e não pelos Me

Conforme as palavras do próprio mestre que dizia ter aprendido a capoeira com a sorte…
 
 
“Quando eu tinha uns dez anos – eu era franzininho – um outro menino mais taludo do que eu tornou-se meu rival. Era só eu sair para a rua – ir na venda fazer compra, por exemplo – e a gente se pegava em briga.







Só sei que acabava apanhando dele, sempre”. Um dia, da janela de sua casa, um velho africano de nome Benedito, que sempre assistia as lutas de pastinha disse: “Vem cá, meu filho. Você não pode com ele, sabe, porque ele é maior e tem mais idade. O tempo que você perde empinando raia vem aqui no meu cazuá que vou lhe ensinar coisa de muita valia. Foi isso que o velho me disse e eu fui”.
 
 
Este foi o início de mestre Pastinha na capoeira. Vicente Ferreira Pastinha nasceu em cinco de abril de 1889. Fruto da união entre um espanhol, José Señor Pastinha e de uma baiana, Eugênia Maria de Carvalho, nasceu na Rua do Tijolo em Salvador, Bahia.
 
 

Depois que o menino conheceu o velho Benedito, passou a frequentar a sua casa todos os dias, treinando e aprendendo as mandingas dos escravos, até que certa vez se encontrou com seu rival mas desta vez foi diferente. Pastinha acabou levando a melhor deixando o menino no chão e sem entender nada. Dizem os relatos que acabaram tornando-se amigos depois.

 
 
Durante esse período, o menino pastinha também frequenta o Liceu de Artes e Ofício, onde aprende entre outras coisas a arte da pintura. Em 1902 Pastinha entra para e escola de aprendizes marinheiros, onde passaria oito anos de sua vida. Lá ele ensina a arte da Capoeira aos seus colegas e aprende também a arte da esgrima e a tocar violão. Em 1910, deu baixa na marinha, com 21 anos, resolvido a se dedicar à pintura e ao ensino da capoeira (às escondidas porque a capoeira ainda era proibida pelo código penal), neste período começa a ensinar o seu primeiro aluno: “Raimundo Aberrê”, que conforme mestre Pastinha ia todos os dias à sua casa aprender a capoeira. De 1913 a 1934, Mestre Pastinha se afasta da capoeira devido à forte repressão da época que mantinha a sua prática na ilegalidade. Nesse tempo, mestre Pastinha que sempre desejou viver da sua arte, teve que trabalhar como, pintor, pedreiro, entregador de jornais e até tomou conta de casa de jogos. Este último relatado por ele próprio: 
 
 
“Passei a tomar conta de casa de jogo. Para manter a ordem. Mas mesmo sendo capoeirista eu não descuidava de um facãozinho de doze polegadas e de dois cortes que trazia comigo. Jogador profissional daquele tempo andava sempre armado. Assim quem estava sem arma nenhuma no meio deles bancava o besta. Vi muita arruaça, algum sangue, mas não gosto de contar causos de briga minha.”
 
A primeira academia
 
 
Em 1941 Mestre Pastinha é convidado pelo seu antigo aluno Aberrê a assisti-lo numa roda no bairro da Gengibirra, onde segundo o mestre, era um ponto de encontro dos maiores mestres de capoeira da Bahia. “Lá só havia mestre, não tinha alunos” – dizia Pastinha. Aberrê disse que perguntaram quem tinha sido seu mestre e ele dizendo o nome de Pastinha mandaram chamá-lo ao qual Aberrê imediatamente o fez. Ao chegar à roda, Pastinha foi apresentado para um mestre conhecido como “Amorzinho”, um guarda civil que tomava conta da roda e imediatamente entregou o berimbau e a responsabilidade para o mestre.  Estavam lançadas as sementes do que seria a primeira escola de Capoeira Angola. Foi fundado então o CECA, Centro Esportivo de Capoeira Angola, nome dado pelo próprio mestre, localizado no Largo do Cruzeiro de São Francisco.  Após a morte de Amorzinho, em 1943, o centro foi abandonado por todos os mestres, mas mesmo assim Pastinha continuou.
 
 
Em fevereiro de 1944 há uma reorganização e em 23 de março do mesmo ano vão para o Centro Operário da Bahia. Em 1949, num domingo Pastinha foi convidado por dois camaradas para ver um terreno na fábrica de sabonetes Sicool no Bigode, onde recebeu o apoio e auxilio dos moradores. O centro ali se instalou e foram feitas as primeiras camisas em preto e amarelo, cores inspiradas no Clube Atlético Ypiranga, clube muito querido pelo mestre e pelas classes sociais mais populares de Salvador.  Uma das curiosidades dessa época é que Mestre Pastinha, avaliando cada um dos seus alunos, fazia um desenho na camisa, conforme os seus movimentos mais característicos.
 
 
Enfim o reconhecimento
 
Finalmente em 1° de outubro de 1952 o CECA foi oficializado. Veja o artigo  original abaixo:
 
 
 
“O Centro Esportivo de Capoeira Angola, fundado a 1° de Outubro de 1952, com sede na cidade de Salvador, Estado da Bahia, é constituído de número limitado de sócios, tem a finalidade de ensinar, difundir e desenvolver teórica e praticamente a capoeira de estilo genuinamente “Angola”, que nos foi legada pelos primitivos africanos aportados aqui na Bahia de Todos os Santos.”
 
 
 
 
Em maio de 1955, o CECA muda de endereço e vai para o Largo do Pelourinho n° 19, onde permaneceu por 16 anos. Durante esse tempo Mestre Pastinha ficou muito conhecido chegando a ser entrevistado por jornais e revistas importantes da época. Sua academia recebia visitas ilustres como, Jorge Amado, o ilustrador Carybé, o filóso

stres. O CECA ainda foi apresentado em vários outros estados, como, Pernambuco, Minas-Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro.

 
 
Em 1964 o Mestre publica o seu livro intitulado “Capoeira Angola”, onde o escritor Jorge Amado teve o prazer de escrever:
 
 
O mestre e Jorge Amado
“… mestre da Capoeira de Angola e da cordialidade baiana, ser de alta civilização, homem do povo com toda a sua picardia, é um dos seus ilustres, um dos seus abas, de seus chefes. É o primeiro em sua arte. Senhor da agilidade e da coragem, da lealdade e da convivência fraternal. Em sua escola no pelourinho, Mestre Pastinha constrói cultura brasileira, da mais real e da melhor…” 
 
Além do livro, o mestre gravou também um disco com cinco faixas. O disco intitulado “Pastinha Eternamente”, conta com depoimentos na voz do próprio mestre e músicas de capoeira, cantadas por Mestre Traíra. Este disco é simplesmente uma raridade e está disponível para download na internet. No final do post disponibilizarei o link para o download. 
 
 
Em abril de 1966, integrou a delegação brasileira no 1° Festival de Artes Negras, no Senegal, Dakar na África, onde recebe várias homenagens e confirma que na África não existe qualquer coisa que se pareça com a nossa capoeira. Com todo esse destaque Mestre Pastinha começa a receber o apoio de várias instituições governamentais até que em 1971 o destino (ou o sistema) lhe pregaria uma grande peça.
 
 
O golpe, a ingratidão,  o descaso
 
Em 1971 aos oitenta e dois anos de idade, Pastinha já quase cego por causa de uma catarata, é obrigado pela prefeitura a se retirar do casarão, que entraria em reformas, com a promessa de que assim que estivesse pronto poderia voltar. E voltou?
 
Mestre Pastinha teve então que se mudar. Foi morar na Rua Alfredo Brito n° 14 no Pelourinho, em um quarto escuro, úmido e sem janelas. Único lugar que dava para pagar com o mísero salário que recebia da prefeitura, já que não podia contar mais com o dinheiro das aulas. Ainda na mudança, foram perdidos muitos móveis, quadros que o mestre pintava e fotografias, que juntos hoje, constituiriam um grande acervo cultural da nossa história.
 
Para piorar o prédio foi doado para o Patrimônio Histórico da Fundação do Pelourinho que posteriormente o vendeu para o SENAC que transformou o prédio em um restaurante. 
Este foi um dos maiores absurdos praticados contra a nossa cultura. Mestre Pastinha foi usado, enganado e abandonado.
 
Tristeza
 
 
Após a mudança e a perda de sua academia, Pastinha entra em uma profunda depressão e em 1979 com 90 anos é vítima de um derrame cerebral, que o levou a ficar internado por um ano em um hospital público. Após esse período foi enviado para o abrigo para idosos Dom Pedro II, onde permaneceu até a sua morte. Mestre Pastinha morreu cego, quase paralítico e abandonado.
 
  
No dia 13 de novembro de 1981, aos 92 anos, o Brasil perdia um dos seus maiores mestres. Não só o mestre da capoeira angola, mas o mestre da filosofia popular. O menino fraco e magrinho que conquistou o respeito e admiração do mais forte.
 
A estrela ainda brilha
 
 
Mestre Pastinha foi um dos maiores ícones da cultura do Brasil. Dedicou sua vida inteira em favor da nossa cultura, ajudou a tirar a capoeira da ilegalidade e a colocá-la no seu devido lugar como prática esportiva e cultural, preservou e divulgou a nossa arte até fora do país, ensinou jovens e adultos a enxergar a vida de uma forma simples, mas nobre. Mestre Pastinha foi uma estrela que veio para a terra em forma de homem, para nos ensinar a filosofia da simplicidade, mas teve que voltar ao céu, pois o seu brilho já não cabia mais aqui em um lugar tão pequeno. Um homem que transformou e formou crianças em grandes adultos e fez os mais velhos brincarem como crianças, literalmente de pernas pro ar.
 
Os frutos
 
 
Os mais antigos discípulos do mestre em atividade são: Mestre João Pequeno, que reabriu o CECA um ano depois da morte de Pastinha, no Forte de Santo Antônio do Carmo e Mestre João Grande, que reside em Nova York desde 1990, onde ensina capoeira para pessoas do mundo todo.
 
Hoje a memória de Mestre Pastinha continua viva nas rodas de capoeira que se espalharam pelos quatro cantos do mundo. E em cada uma dessas rodas, onde são entoadas as ladainhas da Capoeira Angola, Mestre Pastinha está lá.
 
 
AXÉ
 
 
Obras póstumas
 
Em 2000 foi lançado em VHS um documentário sobre a vida do mestre chamado “Pastinha uma vida pela capoeira”, sendo relançado em DVD em 2009 com extras inéditos e disponível em vários idiomas. O DVD pode ser encontrado em lojas de artigos para capoeira e nas melhores livrarias.

 


DIA MUNDIAL DO TEATRO E DO CIRCO

 
                No  dia 27 de Março é comemorado o Dia Mundial do teatro e do circo. Duas linguagens artísticas que, em muitos momentos, se confundem, pela dramaticidade e pela magia  dos espetáculos e pela capacidade de levar o ser humano à reflexão e ao questionamento.
            O dia mundial do teatro foi criado em 1961, data da inauguração do Teatro das Nações, em Paris,pelo Instituto  Internacional do Teatro (ITI), órgão ligado à Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO). A primeira mensagem do  Dia Mundial do Teatro foi escrita pelo escritor e dramaturgo francês Jean Cocteau, em 1962.
            O teatro nasceu na Grécia, há mais de 2.500 anos, e os primeiros gêneros de teatro são a tragédia e a comédia. A civilização grega produziu obras que tem valor  permanente, fazem parte da cultura ocidental e são representadas até hoje. Ésquilo, Sófocles e Eurípedes são considerados os maiores autores da tragédia grega. O mais conhecido autor de comédias da antiguidade é Aristófanes. Dentre inúmeras outras peças, sua “A revolução das mulhe5res” faz uma sátira aos costumes políticos e às diferenças entre os sexos.
            O dia 27 de março também marca o dia do circo. A escolha da data foi em homenagem ao palhaço Abelardo Silva, que ficou conhecido mundialmente como “Piolim”, que nasceu no dia 27 de março de 1897.
            Piolim era filho de circenses e cresceu em um circo, iniciando sua carreira como contorcionista e acrobata. Seu apelido surgiu do contato com artistas espanhóis, que o chamavam de barbante (piolin na língua espanhola), por ser muito magro e ter pernas compridas.
            O palhaço ficou conhecido mundialmente, recebendo muitas homenagens como exemplo de artista popular, como a que recebeu dos criadores da Semana de Arte Moderna em 1922, como Tarsila do Amaral, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Anita  Malfati, entre outros.

DIA 21 DE MARÇO DE 1997, ZUMBI DOS PALMARES É INSERIDO NO PANTEÃO DOS HERÓIS DA PÁTRIA

        
         O “Panteão da Pátria e da Liberdade”, localizado na Praça dos Três Poderes, em Brasília,  foi criado em 1991, reconhecimento aos heróis brasileiros, em pleno processo de redemocratização do país, trazendo para o Congresso Nacional a lembrança eterna de personagens fundamentais para a consolidação da nação, inscrevendo definitivamente na história suas contribuições para a construção de uma nação livre da opressão, onde a democracia e a justiça social sejam prioridade.
            O reconhecimento aos heróis reforça o conceito de nação e da própria cidadania. Os povos que conhecem e reverenciam os seus antepassados têm consciência de sua luta e de seu exemplo para a construção de um futuro melhor para as gerações que se seguem.
            No dia 21 de março de 1997, o Panteão passou a abrigar um nome diferente na galeria dos heróis nacionais: Zumbi dos Palmares, incluído pela Lei nº 9.315, de 20 de novembro de 1996 (Projeto de Lei nº 1.911/1996, de autoria da deputada Benedita da Silva (PT-RJ), por ocasião do tricentenário de sua morte.
            O nome Zumbi é composto de uma expressão de origem quimbundo, “nzumbi”, que significa “espírito imortal”, acrescida de uma referência ao maior quilombo brasileiro, Palmares, localizado em Alagoas, entre 1595 a 1695, o quilombo chegou a abrigar cerca de 30 mil negros fugidos.
            Chefe guerreiro, assassinado no dia 20 de novembro de 1695, Zumbi tornou-se símbolo das lutas dos negros por dignidade e igualdade. A saga e a bravura dos quilombolas palmarinos inspiram até hoje o movimento negro brasileiro na  luta por igualdade racial.
            Como podemos observar, Zumbi dos Palmares não é herói extraído dos livros didáticos ou do inventário da historiografia oficial, mas construído na luta política pela afirmação da dignidade da população negra e pela superação do racismo e de todas as formas de discriminação e de exclusão.
 
“Zumbi, comandante guerreiro, guerreiro mor, capitão, da capitania da minha cabeça, mandai alforria pro meu coração”
Gilberto Gil
 
“Valeu Zumbi, o grito forte dos Palmares, correndo terras céus e mares, influenciando a Abolição…”
 
Luiz Carlos da Vila, Jonas, Rodolpho
 
 
 

4 DE MARÇO, DIA NACIONAL E ESTADUAL DA POESIA E DOS POETAS POPULARES

 
                Os poetas sempre estiveram à frente das lutas por liberdade, contra a opressão e a exploração   no mundo inteiro. São inúmeros os casos de poetas que sacrificaram a vida por um mundo melhor. No Brasil não poderia ser diferente.
            No dia 14 de março, os poetas populares e alternativos comemoram o Dia Nacional da Poesia, em homenagem ao nascimento de Antonio Frederico de Castro Alves, conhecido como “O poeta dos Escravos”, nascido na cidade de Curralinho (Bahia), no dia 14 de março de 1847. Último grande poeta da terceira geração romântica no país, expressou em seus poemas a indignação contra os graves problemas sociais de seu tempo, participando ativamente do movimento pela libertação dos escravos.
            Castro Alves denunciou a crueldade da escravidão e clamou pela liberdade, dando ao romantismo um sentido social e revolucionário que o aproximava do realismo. Foi um dos poucos de seu tempo a declamar seus poemas, talvez por esse motivo, por priorizar a oralidade da poesia, tenha sido escolhido pelos movimentos de poesia marginal e alternativa que atuam a partir da década de 1970, como o homenageado no dia Nacional da Poesia.
            Outra data onde se comemora o Dia Nacional  da poesia é o dia 31 de outubro, uma data escolhida em homenagem ao nascimento do poeta Carlos Drummond de Andrade, que foi oficializada através da Lei 13.131, de  3 de junho de 2015.
 

            No Rio de Janeiro, o dia 14 de março foi declarado oficialmente como o Dia Estadual da Poesia e dos Poetas populares, através da Lei nº 7420,  de 23 de agosto de 2016, de autoria do deputado André Ceciliano (PT), que altera a lei  nº 5645 , de 06 de janeiro de 2010, para incluir  a data no calendário oficial do Estado do Rio de Janeiro.


           8 DE MARÇO, DIA INTERNACIONAL DA MULHER

A escolha da data de 8 de março como Dia Internacional da Mulher é o resultado de uma série de fatos, lutas e reivindicações das mulheres por melhores condições de trabalho e direitos sociais e políticos, que tiveram início na segunda metade do século 19 e se estenderam até as primeiras décadas do século XX, na Europa e nos Estados Unidos.
            Desde o final do século 19, organizações femininas oriundas de movimentos operários protestavam em vários países da Europa e nos Estados Unidos. As jornadas de trabalho de aproximadamente 15 horas diárias e os salários medíocres introduzidos pela Revolução Industrial levaram as mulheres a greves para reivindicar melhores condições de trabalho e o fim do trabalho infantil, comum nas fábricas durante o período.
            No dia 8 de março de 1857, trabalhadores de uma indústria têxtil de Nova Iorque fizeram greve por melhores condições de trabalho e igualdades de direitos trabalhistas para as mulheres. O movimento foi reprimido com violência  pela polícia .
            Em 8 de março de 1908, trabalhadoras do comércio de agulhas de Nova Iorque, fizeram uma manifestação para lembrar o movimento de 1857 e exigir o voto feminino e o fim do trabalho infantil. Este movimento também  foi reprimido pela polícia.
            Em 1910, durante a II Conferência Internacional de mulheres Socialistas na Dinamarca, uma resolução para a criação de uma data anual para a celebração dos direitos da mulher foi aprovada por mais de cem representantes de 17 países. O objetivo era honrar as lutas femininas e, assim, obter suporte para instituir o sufrágio universal em diversas nações.
            No dia 25 de março de 1911, cerca de  145 trabalhadores, na maioria mulheres, morreram queimados num incêndio numa fábrica de tecidos em Nova Iorque. As mortes ocorreram em função das precárias condições de segurança no local. Como reação, o fato trágico provocou várias mudanças  nas leis trabalhistas e de segurança do trabalho, gerando melhores condições para os trabalhadores e trabalhadoras norte-americanos.
            No dia 8 de março de  1917, na Rússia czarista, as mulheres trabalhadoras do setor de tecelagem entraram em greve e reivindicaram a ajuda dos operários do setor de metalurgia. Cerca de 90 mil operárias manifestaram-se contra o Czar Nicolau II, as más condições de trabalho, a fome e a participação russa na primeira guerra mundial. Essa data entrou para a história como um grande feito das mulheres operárias e também como prenúncio da Revolução Bolchevique.
            Mais de 20 anos depois, em 1945, a Organização das Nações Unidas (ONU) assinou o primeiro acordo internacional que afirmava princípios de igualdade entre homens e mulheres. Nos anos 1960, o movimento feminista ganhou corpo, em 1975 comemorou-se oficialmente o Ano Internacional da Mulher e em 1977, o “8 de março” foi reconhecido oficialmente pelas Nações Unidas.
            No Brasil, as movimentações em prol dos direitos da mulher surgiram em meio aos grupos anarquistas do início do século 20, que buscavam, assim como nos demais países, melhores condições de trabalho e qualidade de vida. A luta feminista ganhou força com o movimento das sufragistas, nas décadas de 1920 e 1930, que conseguiram o direito do voto em 1932, na Constituição promulgada por Getúlio Vargas. A partir dos anos 1970 emergiram no país organizações que passaram a incluir na pauta das discussões a igualdade de gênero, a sexualidade, a saúde da mulher e a luta contra a violência doméstica.
            A mudança da relação do poder público com a luta das mulheres no Brasil começou no dia 1 de janeiro de 2003, em um dos primeiros atos como presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva criou a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM/PR) com status de ministério. O gesto inaugurou um novo momento da história do Brasil no que se refere à formação, coordenação e articulação de políticas que promovam a igualdade entre mulheres e homens.
            Ao longo dos 13 anos dos governos de Lula e Dilma, o Brasil aplicou uma série de ações que garantiram avanços no combate à discriminação e violência contra a mulher. Uma delas foi a lei 11.340/06, sancionada em agosto de 2006, pelo presidente Lula. Uma conquista dos movimentos de mulheres de todo o país. Como resultado, a aprovação da lei gerou uma série de políticas nos governos Lula e Dilma. Foi instituído o Ligue 180, uma central de assistência à mulher, com atendimento gratuito e confidencial , e criado o programa “Mulher: Viver sem Violência”, que prevê a construção da chamada Casa da Mulher Brasileira, que são centros de integração de atendimento com serviços públicos de segurança, saúde, justiça, assistência social, acolhimento, e orientação  para o trabalho, emprego e renda em todas as capitais brasileiras.
            Cerca de 93,2 % das famílias beneficiadas pelo  Bolsa Família tem as mulheres como responsáveis. O Programa Brasil Sem Miséria, que retirou 36 milhões de pessoas da pobreza extrema, enquanto outras 42 milhões ascenderam à classe média; O Minha Casa Minha Vida, maior programa habitacional da história do Brasil, também seguiram  essa diretriz, dando prioridade no registro do imóvel à mulher. De 1,5 milhão de casas entregues até janeiro de 2006, 52% estão em nome da mulher.
            Como  consequência das políticas para as mulheres nos governos Lula e Dilma, segundo o IBGE, a mulher se qualificou mais. Mais da metade dos inscritos no ProUni, que garante bolsas integrais de estudo nas universidade privadas, e dos financiamentos do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ennsino Superior (Fies) são mulheres. E 60% dos alunos do Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e ao Emprego) são do sexo feminino, sendo que  muitas  delas são beneficiárias do Bolsa Família.
 
            Todos esses avanços conquistados correm o risco de serem destruídos, já que o governo golpista tem reduzido recursos e, simplesmente, encerrado programas sociais, causando um retrocesso nunca visto na história do país, o que faz os movimentos sociais, principalmente o movimento de mulheres, redobrar a vigilância e a mobilização. Portanto, o Dia Internacional da Mulher, além de um dia de reflexão, é também um dia de mobilização.

DIA NACIONAL DE LUTA ANTIMANICOMIAL

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                O  Dia Nacional da Luta Antimanicomial foi instituído após profissionais da saúde mental, cansados do tratamento desumano e cruel dado a usuários do sistema de saúde mental, organizarem o primeiro manifesto público a favor da extinção dos manicômios durante o II Congresso Nacional de Trabalhadores da Saúde Mental realizado em 1987, na cidade de Baurú/SP, que reuniu mais de 350 trabalhadores da área de saúde mental. Naquela Manifestação, nasceu o Movimento da Luta Antimanicomial.
                O Movimento de Luta Antimanicomial se caracteriza pela luta dos direitos das pessoas com sofrimento mental. Dentro dessa luta está o combate à ideia de que se deve isolar a pessoa com sofrimento mental em nome de pretensos tratamentos, ideia baseada apenas nos preconceitos que cercam a doença mental. O movimento faz lembrar que como todo cidadão estas pessoas têm o direito fundamental à liberdade, o direito a viver em sociedade, além do direito a receber cuidado e tratamento sem que para isto tenham que abrir mão de seu lugar de cidadãos.
                Por esta razão o Movimento tem como meta a substituição progressiva dos hospitais psiquiátricos tradicionais por serviços abertos de tratamento e formas de atenção dignas e diversificadas de modo a atender às diferentes formas e momentos em que o sofrimento mental surge e se manifesta. Esta substituição implica na implantação de uma ampla rede de atenção em saúde mental que deve ser aberta e competente para oferecer atendimento aos problemas de saúde mental da população de todas as faixas etárias e apoio às famílias, promovendo autonomia, descronificação e desinstitucionalização, Além dos serviços de saúde, esta rede de atenção deve se articular a serviços das áreas de ação social, cidadania, cultura, educação, trabalho e renda, etc; além de incluir as ações e recursos diversos da sociedade.
                Uma das conquistas desse movimento foi a Lei 10.216/2001, conhecida como Lei Paulo Delgado, que determina o fechamento progressivo dos hospitais psiquiátricos e a instalação de serviços substitutivos:  Os CAPS (Centros de Atenção Psicossocial), as residências Terapêuticas, os Programas de Redução de Danos, Centros de Convivências, as Oficinas de Geração de Renda, etc. 
                A Reforma Psiquiátrica, definida pela Lei Paulo Delgado, serviu como diretriz de reformulação do modelo de atenção à saúde mental no Brasil, transferindo gradativamente o foco do tratamento que se concentrava na instituição hospitalar, para uma rede de atenção psicossocial, estruturada em unidades de serviços comunitários e abertos. Dessa forma, a reforma psiquiátrica tem avançado no Brasil. Segundo o Relatório “Reforma psiquiátrica e política de saúde mental no Brasil”, do Ministério da Saúde, o número de leitos reduziu de 75.514 em 1996 para 42.076 em 2005. Ao passo que o número de CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) aumentou de 92 em 1996 para 689 em 2005.
                Mesmo sendo uma política reconhecida pela organização Pan-Americana de Saúde e pela Organização Mundial de Saúde (OMS), há setores conservadores, ligados aos donos de clínicas, hospitais particulares e planos de saúde, que defendem o retorno dos hospitais psiquiátricos, fazendo pressão no Congresso e, agora, com apoio do governo interino de Michel Temer, obrigando o Movimento Antimanicomial a continuar sua mobilização, como por exemplo, em São Paulo, onde a Frente Estadual Antimanicomial de São Paulo (FEASP) ocupou por 120 dias a sala do Coordenador de Saúde Mental, contra a política neoliberal e privatista do governador Alckmin (PSDB-SP) e do ministro da Saúde, que se recusam a dialogar com os movimentos sociais.
                Sem dúvida, a grande inspiradora desse movimento de luta pelos direitos dos portadores de transtornos mentais, foi  Nise da Silveira (1905-1999),  Médica psiquiatra alagoana que dedicou sua vida à psiquiatria e manifestou-se radicalmente contrária às formas agressivas de tratamento de sua época. Foi uma das primeiras mulheres no Brasil a se formar em Medicina. Em 1956, ao se formar na Faculdade de Medicina da Bahia, Nise era a única mulher em uma turma de 157 alunos. Em seu trabalho literário, registrado em mais de 10 livros publicados,  ela sempre apontou as relações entre pobreza, desigualdade, promoção da saúde e prevenção da doença no Brasil.
                Aprovada aos 27 anos num concurso para psiquiatra, em 1933 começa a trabalhar no Hospital da Praia Vermelha. Durante a Intentona Comunista foi denunciada por uma enfermeira pela posse de livros marxistas. Sendo presa no presídio Frei Caneca por 18 meses. Na prisão, conviveu com Graciliano Ramos, que a cita em seu livro Memórias do Cárcere, e divide cela com Olga Benário, militante comunista mulher de Luiz Carlos Prestes.
                Em 1944 é reintegrada ao serviço público, trabalhando no Centro Psiquiátrico Nacional Pedro II, no Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro, fundando a Seção de Terapêutica Ocupacional. Em 1952, ela funda o Museu de Imagens do Inconsciente, guardando as obras de pacientes atendidos por ela. Entre 1983 e 1985 o cineasta Leon Hiszman realizou o filme “Imagens do Inconsciente”, trilogia mostrando obras realizadas pelos internos a partir de um roteiro criado por Nise da Silveira.
                Em 1956, Nise desenvolve outro projeto, também revolucionário para sua época: Cria a Casa das Palmeiras, uma clínica voltada à reabilitação de antigos pacientes de instituições psiquiátricas. Foi também uma pioneira na pesquisa das relações emocionais entre pacientes e animais, que costumava chamar de co-terapeutas.
                Mais uma obra sobre Nise da Silveira foi lançada ao público. Trata-se do filme Nise – O Coração da Loucura,dirigido por Roberto Berliner e estrelado por Gloria Pires, baseado no livro Nise – Arqueóloga dos Mares, do jornalista Bernardo Horta. Filmado em dois meses no Instituto Nise da Silveira, no Engenho de Dentro, antigo Hostital Psiquiátrico Pedo II, o trabalho de Berliner se apresenta como importante documento histórico para entender movimentos da medicina brasileira.
 
                No elenco de Nise, o Coração da Loucura, que estreou no dia 21 de abril nos cinemas, estão ainda nomes como Simone Mazzer, Julio Adrião e Flávio Bauraqui. A atriz Gloria Pires, que interpreta Nise da Silveira, emocionou-se na abertura do Festival Internacional de Cinema de Punta Del Este, no Uruguai. “Descobrir a história de Nise é encontrar um pouco de nós mesmos nos momentos em que parecemos não caber em nossa própria existência. Nise terá sempre nosso respeito e admiração, pois tratou a loucura com carinho e fez dela um motor de vida”, afirmou. 


DIA DO TRABALHADOR RURAL
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O Dia do Trabalhador Rural é comemorado anualmente dia 25 de maio, no Brasil. A data homenageia homens e mulheres que retiram do campo a subsistência e renda. A comemoração do Dia do Trabalhador Rural foi instituída no Decreto de Lei nº 4.338, de 1º de maio de 1964. No dia 25 de maio de 1963, morria num acidente aéreo, o deputado federal Fernando Ferrari (PTB), um dos políticos mais engajados na luta dos trabalhadores rurais por seus direitos e questões sociais. A morte de Fernando transformou-se em uma data símbolo para os profissionais da categoria. Em 1971 foi instituído o Programa de Assistência ao Trabalhador Rural, com a Lei Complementar nº 11, que ficou conhecida como Lei Fernando Ferrari, em homenagem ao parlamentar .
O trabalhador rural, apesar da sua importância, enfrenta dificuldades que vão desde a falta de investimento públicono ensino das áreas rurais à contaminação pelo uso de agrotóxico nas lavouras. Existem no Brasil, atualmente, cerca de 12 milhões de trabalhadores rurais, segundo o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2012. Desses, 8 milhões têm entre 16 e 32 anos, e – dentro dessa faixa etária – 40% dos trabalhadores rurais do país são analfabetos – de acordo com dados da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).
O agronegócio movimenta por ano cerca de R$ 900 bilhões segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), no entanto, os direitos do trabalhador rural muitas vezes não são respeitados. Segundo dados do Ministerio do Trabalho e Emprego (TEM), 64% dos trabalhadores rurais assalariados estão em situação de informalidade.
O Brasil é um dos países com maior concentração de terras do mundo. Em nosso território, estão os maiores latifúndios. Concentração e improdutividade possuem raízes históricas, que remontam ao início da ocupação portuguesa neste território no século XVI. Combinada com a monocultura para a exportação e a escravidão, a forma de ocupação de nossas terras pelos portugueses estabeleceu as raízes da desigualdade social que atinge o Brasil até os dias de hoje.
Em 1850, mesmo ano da abolição do tráfico de escravos, o império decretou a lei conhecida como Lei de Terras, que consolidou a perversa concentração fundiária. É nela que se encontra a origem de uma prática trivial do latifúndio brasileiro: a grilagem de terras – ou a apropriação de terras devolutas através de documentação forjada – que regulamentou e consolidou o modelo da grande propriedade rural e formalizou as bases para a desigualdade social e territorial que hoje conhecemos.
No Brasil, nem mesmo as transformações políticas e econômicas para o desenvolvimento do capitalismo foram capazes de afrontar a concentração de terras. Ao longo de cinco séculos de latifúndio, também foram travadas lutas e resistências populares. As lutas contra a exploração e, por conseguinte, contra o cativeiro da terra, contra a expropriação, contra a expulsão e contra a exclusão, marcam a história dos trabalhadores. A resistência camponesa se manifesta em diversas ações e, nessa marcha, participa do processo de transformação da sociedade.
A partir do final dos anos 1940, o movimento de trabalhadores rurais começou a desenvolver um novo formado organizativo e de ação. Os movimentos baseados na linguagem religiosa ou no banditismo rural (como o cangaço), expressões de tensões no campo, deram lugar a movimentos organizados com uma linguagem mais diretamente política, baseada na luta pela terra e por direitos sociais.
As Ligas Camponesas eram uma forma de organização dos trabalhadores do campo, estimulada pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), para levar adiante a luta por seus direitos, Elas começaram a existir em 1945, estabelecendo-se em vários municípios , e foram importantes no movimento pela reforma agrária no Brasil. Mas em 1947 o PCB foi colocado na ilegalidade e as Ligas Camponesas foram abafadas. Só em 1955 elas ressurgiram, em Pernambuco, inicialmente para lutar contra a repressão dos latifundiários. Os camponeses organizaram a Sociedade Agrícola e Pecuária dos Plantadores de Pernambuco (SAPP). Uma sociedade com a finalidade de prestar assistência médica, jurídica e educacional às famílias e formar uma cooperativa de crédito.
Ameaçados de expulsão, os camponeses se apoiaram na SAPP para resistir. Quando contrataram um advogado para fazer a defesa de seus interesses, protagonizaram um momento histórico para seu movimento. Esse advogado se chamava Francisco Julião, deputado estadual pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB). Em 4 anos os camponeses conquistaram terras, organizando-se em vários municípios. O advogado Francisco Julião tornou-se um dos organizadores e o principal líder do movimento. As ligas se expandiram, e em 1959 já eram 25 delegacias apenas em Pernambuco e começaram a se espalhar por outros estados. Na Paraíba, surgiu a Liga de Sapé, com 10 mil filiados, a mais forte do país. Seu dirigente principal, João Pedro Teixeira, tornou-se um líder nacional ao lado de Francisco Julião.
Com o golpe militar de 1964, a repressão conjunta de militares e latifundiários se abateu pesadamente sobre os camponeses . Muitos foram presos e outros tantos assassinados. Conforme o documento da Comissão Pastoral da Terra (CPT), entre 1962 e 1989, nada menos que 1.566 trabalhadores rurais foram assassinados . Apesar desses assassinatos quase sempre terem sido a mando de grandes proprietários, não se pode dissociá-los do clima geral de repressão que se abateu sobre os trabalhadores em nome da “segurança nacional”.
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) é um dos movimentos sociais populares mais importantes da América Latina, conhecido por sua organização, eficiência e clareza de proposições. Teve origem na década de 1980, em oposição ao modelo de reforma agrária imposto pelo regime militar, que priorizava a colonização de terras devolutas em regiões remotas.
Em 1984, apoiados pela Comissão Pastoral da Terra, representantes dos movimentos sociais, sindicatos de trabalhadores rurais e outras organizações reuniram-se em Cascavel, Paraná, no I Encontro Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, para fundar o MST. O movimento está organizado em 24 estados brasileiros. Sua estrutura organizacional se baseia em uma verticalidade iniciada nos núcleos, procurando organizar as famílias assentadas em formas de cooperativas, em vista de melhorar sua condição de vida.
Após o fim do regime militar, em 1985, as lutas no campo se incrementaram. Os seringueiros da Amazônia deram exemplos de luta social associada à consciência ambiental, liderados por Chico Mendes. O MST se tornou um importante protagonista da política e das lutas sociais no Brasil. Sua atuação, ao fim de 30 anos, resultaria em um milhão de famílias assentadas, em cerca de 80 milhões de hectares, segundo o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), área duas vezes maior que o território do Paraguai. Dados bastante positivos, mas, segundo o MST, insuficientes, pois cerca de 100 mil famílias continuam sem acesso à terra, sendo necessária uma reforma agrária abrangente que priorize a agricultura familiar, mostrando que o fim da miséria passa, obrigatoriamente, pela redistribuição de terras no Brasil.


SALVE JORGE, O SANTO GUERREIRO

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São Jorge é um dos santos mais venerados no Cristianismo, tanto na Igreja  Católica Romana, na Igreja Ortodoxa, na Igreja Anglicana, como também em cultos Afro Brasileiros, como a Umbanda e o Candomblé.  É imortalizado na lenda em que mata o dragão. O santo é homenageado nos dias 23 de abril e 3 de novembro . Nessas datas, no mundo inteiro, comemora-se a construção da igreja que lhe é dedicada, em Lida (Israel), na qual se encontram suas relíquias. A igreja foi erguida a mando do imperador romano Constantino I.
            São Jorge é o santo padroeiro de diversos países, como Inglaterra, Portugal, Geórgia, Catalunha, Lituânia, Sérvia, Montenegro, Etiópia; além de cidades como Londres, Barcelona, Gênova, Régio da Calábria, Ferrara, Brisgóvia, Moscovo / Moscou e Beirute. Na cidade do Rio de Janeiro, Brasil, este santo é o padroeiro extra-oficial, já que o título, oficialmente é atribuído a São Sebastião. É também padroeiro da cidade de São Jorge dos Ilhéus (BA), dos escoteiros e do Exército Brasileiro
            A ligação de São Jorge com a lua é algo puramente brasileira, com forte influência da cultura africana, e em nada relacionado com o santo europeu. Em Salvador, Bahia, o santo foi sincretizado a Oxossi. Na religião da Umbanda, o santo é associado a Ogum. A tradição diz que as manchas apresentadas pela lua representam o milagroso santo, seu cavalo e sua espada pronto para defender aqueles que buscam sua ajuda.
            Em 2001, o então governador do Rio de Janeiro decretou feriado estadual o dia 23 de abril, dia de sua morte, pela grande quantidade de devotos do santo, que é um dos mais queridos pelos fluminenses. Nesse dia, em todo o estado acontecem eventos culturais e religiosos, como cultos, missas, festas, quermesses, cavalgadas e queima de fogos.
            Nascido na antiga Capadócia, região que atualmente pertence à Turquia, em 275 (Séc. III dc), Jorge, ainda jovem mudou-se para a Palestina com sua mãe, após a morte do pai, ingressando na carreira militar. Lá foi promovido rapidamente à capitão do exército romano, devido à sua dedicação e habilidade, qualidades que levaram o imperador a lhe conferir o título de conde. Com a idade de 23 anos, passou a residir na corte imperial em Roma, exercendo altas funções.
            Por essa época, o imperador Dioclesiano tinha planos de matar todos os cristãos. No dia marcado para o senado confirmar o decreto imperial, Jorge levantou-se no meio da reunião, declarando-se cristão e contra o genocídio. O imperador tentou fazê-lo desistir de sua fé, torturando-o de muitas maneiras. E, após cada tortura, era levado perante o imperador que lhe perguntava  se renegaria a sua fé, sempre tendo não como resposta. Finalmente, o imperador, não tendo êxito, mandou degolar o jovem soldado, o que ocorreu no dia 23 de abril de 303. Sua sepultura está em Lida, hoje Cidade de São Jorge, cidade onde crescera com sua mãe, perto de Jerusalém, na Palestina.  
            A devoção a São Jorge rapidamente tornou-se popular. Seu culto se espalhou pelo Oriente e, por ocasião das Cruzadas, teve grande penetração no Ocidente. Em 494, a devoção era tamanha que a Igreja Católica o canonizou, estabelecendo cultos e rituais a serem prestados em homenagem à sua memória.
            As artes e a cultura popular também divulgaram amplamente a imagem do santo. Em Paris, no Museu do Louvre, há dois quadros famosos de Rafael intitulados São Jorge e o dragão. Na Itália existem diversos quadros célebres, como um de autoria de Donatello. A mais conhecida imagem brasileira de São Jorge é de autoria de Martinelli.
 
            Diversos compositores da MPB e sambistas brasileiros homenageiam  São Jorge em sua obra. Os mais conhecidos são Caetano Veloso com Jorge da Capadócia;  Zeca Pagodinho com Ogum; Carlos Lyra com Auto de São Jorge Guerreiro; Jorge Benjor com Domingo 23; Jorge Mautner com Jorge Valente; Hermeto Pascoal com São Jorge, entre muitos outros. Nenhum santo ganhou tantas homenagens do cancioneiro brasileiro como São Jorge. Jorge é o santo mais popular do Brasil. Identificado por sincretismo com Ogum, São Jorge entrou no batuque dos atabaques para nunca mais sair. SALVE JORGE!

 


TODO DIA ERA DIA DE ÍNDIO 
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O dia 19 de abril foi escolhido como data para se comemorar a cultura indígena em homenagem ao Primeiro Congresso Indigenista Interamericano, que ocorreu no México, em 19 de abril de 1940, com o objetivo de reunir líderes indígenas das diferentes regiões do continente americano e zelar pelos seus direitos.
No Brasil, esta data foi oficializada através do decreto-lei nº 5.540, de 2 de junho de 1943, com assinaturas do então presidente Getúlio Vargas e dos ministros Apolônio Sales e Osvaldo Aranha. A nível internacional, a Organização das Nações Unidas (ONU) também criou o Dia Internacional dos Povos indígenas (9 de agosto) para conscientizar os governos e população mundial sobre a importância de preservar e reconhecer os direitos dos indígenas.
Historiadores afirmam que antes da chegada dos europeus à América havia aproximadamente 100 milhões de índios no continente. Só em território brasileiro, esse número chegava a 5 milhões de nativos, aproximadamente. Esses índios brasileiros estavam divididos em tribos, de acordo com o tronco linguístico ao qual pertenciam. Porém, muitas delas não vivem mais como antes da chegada dos portugueses. O contato com o homem branco fez com que muitas tribos perdessem sua identidade cultural.
Quando os portugueses iniciaram a exploração do pau-brasil das matas, começaram a escravizar muitos indígenas ou a utilizar o escambo. Davam espelhos, apitos, colares e chocalhos para os indígenas em troca de seu trabalho. Essa relação foi muito prejudicial aos povos indígenas. Interessados nas terras, os portugueses usaram a violência contra os índios. Para tomar as terras, chegavam a matar os nativos ou até mesmo transmitir doenças a eles para dizimar tribos e ficar como que lhes pertencia. Esse comportamento violento seguiu-se por séculos, resultando no pequeno número de índios que temos hoje.
A visão que o europeu tinha a respeito dos índios era eurocêntrica. Os portugueses achavam-se superiores aos indígenas e, portanto, deveriam dominá-los e colocá-los a seu serviço. A cultura indígena era considerada pelo europeu como sendo inferior e grosseira, dentro desta visão, acreditavam que sua função era convertê-los ao cristianismo e fazer os índios seguirem a cultura europeia. Foi assim que, aos poucos, os índios foram perdendo sua cultura e também sua identidade.
Segundo a Fundação Nacional do Indio (FUNAI), no Brasil vivem hoje cerca de 345 mil índios, distribuídos entre 215 sociedades indígenas, 305 etnias e falando 274 línguas. Estes números representam cerca de 0,2% da população brasileira. Estes dados referem-se apenas àqueles indígenas que vivem em reservas. De acordo com a FUNAI, há estimativas de que um número entre 100 mil e 190 mil vivam hoje fora das aldeias indígenas, inclusive em áreas urbanas. Há também indícios da existência de aproximadamente 53 grupos ainda não contatados.
É triste constatar que as mortes de indígenas no campo, as quais se caracterizam como um verdadeiro genocídio, encontram uma referência no discurso de figuras públicas e lideranças políticas, quase sempre motivadas por interesses econômicos.
A maior parte das terras indígenas está na Amazônia Legal, onde vive cerca de 55% da população indígena no Brasil. Nas demais regiões do país, principalmente nas regiões Nordeste, Sudeste e Sul, os povos indígenas conseguiram manter a posse em áreas geralmente diminutas e esparsas, espremidos entre cidades e fazendas, sem as condições mínimas necessárias para manter seu modo de vida. É justamente nessas regiões que se verifica atualmente a maior ocorrência de conflitos fundiários e disputas pela terra.
Se engana quem pensa que os indígenas estão calados. Os últimos anos foram anos de luta. Em maio de 2014, povos indígenas de todo o país reuniram-se em Brasília para a Mobilização Nacional Indígena, com atos e manifestações contra os ataques aos seus direitos garantidos pela Constituição Federal. E seguem lutando diariamente.


DURANTE TODA ESSA SEMANA IREMOS PUBLICAR FATOS OCORRIDOS HÁ 52 ANOS ATRÁS, QUANDO FOI IMPLEMENTADO O GOLPE DE 1964.
O RESULTADO TODOS JÁ CONHECEM.
A HISTÓRIA VAI SE REPETIR?

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